Achados
Atenção! Atenção! Não caia no golpe do posto de gasolina nos arredores de Cancún!
Comigo, que tenho a maior cara de gringa (e, ao que tudo indica, de tonta), a tentativa de golpe descrita a seguir aconteceu TRÊS vezes. Todas elas em postos de gasolina do eixo Tulum-Cancún.
Peço para o sujeito encher o tanque. Antes de mais nada, ele pergunta se o pagamento será feito em cash, porque a máquina do cartão não está funcionando (se você paga em cartão, o dinheiro vai todo para o chefe, certo?). Meio contrariada, digo que não há problema. Então ele pede para eu colocar o carro um pouquinho mais para frente, mesmo podendo perfeitamente alcançar o tanque com a mangueira. Dessa forma a bomba sai do meu raio de visão.
Vendo que insisto em manter o olho na bomba, o simpático (geralmente um frentista que está desocupado) entra em ação. De onde você é? Está gostando do México? É a sua primeira vez? A senhora sua mãe vai bem?
Papo vai, papo vem, o tanque está cheio. E a bomba marca 580 pesos (US$ 45).
Depois de rodar 5 mil quilômetros, eu sabia perfeitamente que um tanque cheio jamais poderia dar mais do que 400 pesos (US$ 30). E sabia muito bem que a gasolina no México custa cerca de 10 pesos por litro (US$ 0,80) — baratíssima, por sinal.
Então pergunto como um tanque pode ter saído tão caro (na primeira ocasião, havia chegado ao posto com meio tanque!). Quantos litros o sujeito teria conseguido enfiar no meu modesto Corsa? Estaria eu levando um galão extra no porta-malas?
Aí vem a mágica. Não sei em que parte do processo, o número de litros havia desaparecido do marcador digital. O único dos marcadores da bomba no qual havia um número expresso era o do preço total, que obviamente não correspondia ao correto.
Ao pedir para que imprimisse o tíquete digital da máquina, o frentista fica totalmente desconcertado. Mas eu insisto. Então ele baixa a cabeça, faz o que eu peço e.. voilá: o preço marcado é 330 pesos (US$ 26). Ou seja, estava sofrendo uma tentativa de roubo de US$ 20.
Diante da minha indignação (e da reação pouco amistosa do meu namorado, que é cinco vezes mais alto do que a média dos mexicanos), com a maior cara de salame do mundo, ele diz que havia acontecido um “erro do sistema”. Francamente…
Como escapar? Se o sujeito disser que a máquina do cartão não funciona, é sacanagem na certa. Caso você não tenha combustível para chegar a outro posto, diga de antemão que vocêvai precisar do tíquete digital da bomba e GRUDE o olho nos marcadores. Afinal de contas, meu amigo, você é MADE IN BRAZIL!
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Direto do México: Dicas de hospedagem em Tulum

As cabaninhas de praia do La Vita è Bella fazendo jus ao nome do hotel / Foto: Adriana Setti
Como tinha prometido, aqui vão algumas dicas de hospedagem com bom custo benefício em Tulum.
Como já tinha comentado, na prática há duas Tulums. Uma delas é uma cidadezinha (pueblo) que se desenvolveu à beira da estrada 307 (batizada como Avenida Tulum nos limites urbanos), que leva a Cancún. A outra é a Tulum praiana (infinitamente mais convidativa), que se estende por uma faixa de areia de cerca de 15 quilômetros, tendo a pista que conecta o balneário a Boca Paila como única rua. A urbanização está a 3 quilômetros da praia e o único motivo consistente para hospedar-se por ali é econômico: as diárias no pueblo custam até 70% menos do que na praia.
Tulum cidade
Casa Rosa (US$ 30)
Não espere charme, mas todo o conforto básico está garantido nesse singelo hotel baratíssimo, que ocupa um edifício de três andares cuja cor faz jus ao nome. Todos os quartos — obsessivamente limpos — têm ar condicionado, TV a cabo, camas king size e conexão à internet wi-fi.Calle Jupter Norte com Polar Poniente.
Villas H2O (desde US$ 95)
Branquinho por fora, este hotel estiloso tem quartos amplos com chão e algumas paredes de cimento queimado, e móveis de madeira que ocupam o espaço com moderação, como em qualquer ambiente minimalista que se preze. A graça fica a cargo de peças de artesanato mexicano e mantas coloridas. Todos os quartos são equipados com ar condicionado, internet wi-fi, caixa de som para Ipod, cofre e varanda ou pátio privado. A área comum tem uma bela piscina e um centro de mergulho.
Tulum praia
Cabañas La Luna (desde US$ 130)
Para brincar de Robson Crusoe — mas como gente grande. Dez bangalôs de teto de palha acomodam-se sobre uma generosa faixa de praia. Por fora, o estilo é o rústico que Tulum pede. Por dentro, mimos e confortos da vida moderna: camas forradas com lençóis macios, banheira, luz 24 horas (artigo de luxo na região da praia), banho quente e internet wi-fi. Os hóspedes ainda têm uma piscina à disposição e podem contratar massagistas.
La Vita è Bella (a partir de US$ 80)
Bangalôs rústicos, mas cheios de charme, se distribuem por um grande terreno em frente à praia, onde estão espalhadas espreguiçadeiras e cabaninhas de palha que podem ser utilizadas pelos hóspedes. Há três categorias de preço, de acordo com o tamanho e a vista para o mar. Todos os quartos têm luz 24 horas e banho de água quente e os mais caros contam com ar condicionado. O ótimo restaurante serve café da manhã, frutos do mar e pratos italianos (as pizzas merecem respeito). Administrado por italianos, tem uma das melhores relações custo-benefício da praia e serviço eficiente e simpático. A internet wi-fi só funciona no restaurante.
Caye Caulker, Belize: a verdadeira isla bonita de Madonna
Você se lembra (ou melhor…. já tinha nascido na época?) da música “La isla bonita”, da Madonna? Assim como a cantora, naqueles estranhos anos 80, a tal da ilha bonita estava na flor da idade. Caso voltasse a Belize para rever sua musa caribenha, a material girl tomaria um choque: San Pedro, a ilha em questão, não envelheceu com a mesma dignidade (e a power yoga) da rainha do pop. Tomada por hotéis e restaurantes que avançam pela praia, San Pedro perdeu o seu mojo.
La isla bonita de Belize (um micro país ao sul do México e ao norte de Honduras), hoje em dia, fica a 20 minutos de barco de San Pedro.

O jeito caribenho de ser de Caye Caulker / Foto: Adriana Setti
Caye Caulker é um adorável lugarejo de ruas de areia enfeitado de coqueiros e banhado por águas escandalosamente cristalinas e cálidas. Ali, o único meio de transporte são os carrinhos de golf e os problemas da humanidade ainda não chegaram.

Um barco que é a cara de Caye Caulker / Foto: Adriana Setti
Chega a ser irônico, portanto, que o real motivo para que eu estivesse ali fosse um buraco profundo, escuro, frio e infestado de tubarões. Isso porque a ilha é a base mais estratégica para quem deseja encarar o desafio de mergulhar no mundialmente famoso Blue Hole (“buraco azul”). No centro do Lighthouse Reef, o buraco de 300 metros de diâmetro e 130 de profundidade forma uma circunferência de um azul intenso contornado por uma fina linha verde esmeralda. A imagem dessa maravilha cuja origem é incerta – cientistas especulam que pode ter sido formado quando o teto de uma enorme caverna ruiu, há muitos milhares de anos – é o maior cartão postal de Belize e também o sonho de todo mergulhador. Mas isso vai render um post à parte… me aguarde.

Lazy Lizard: o coração de Caye Caulker / Foto: Adriana Setti

A vida é bela no Lazy Lizard: quem precisa de praia de verdade? / Foto: Adriana Setti
Fora da água, Caye Caulker é só alegria. A ilha não é exatamente um primor em termos de praia. Onde há areia, a água é rasa demais e o fundo do mar é forrado por algas. Mas quem precisa de praia quando se tem o Lazy Lizard? Na ponta norte da ilha, o bar fica justo no ponto onde um tremendo furacão partiu a ilha em duas, formando um canal de água cristalina onde o povo se refresca, para depois estirar-se ao sol justificando o nome do bar (que em inglês significa “lagarto preguiçoso”).

Arco-íris completo no Caribe / Foto: Adriana Setti

Sweet man, a figura mais gostosa de Caye Caulker
Quando bate a fome no meio do dia, apela-se para sweet man, um negrão de 200 quilos – figuraça – que é uma das personagens mais queridas da ilha: vende tortinhas, tamales (uma pasta de milho com frango cozido em folha de bananeira)… Já a noite, é hora de cair de cabeça na lagosta. A pesca do crustáceo é a segunda principal atividade econômica, depois do turismo – o que significa que um prato saradíssimo sai por uns US$ 12. À noite, a vida segue ao ritmo de reggae no I & I Reggae bar, o ritmo preferido da comunidade garifuna que alegra a ilha com seus longos dreadlocs.
Madonna, deixe Caye Caulker em paz.

O "solarium" do Lazy Lizard: jamais um bar teve um nome tão apropriado / Foto: Adriana Setti
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Mahahual e Xcalak: o remoto caribe mexicano

O jeitinho pacato de Mahahual: o Caribe continua firme e forte ao sul de Tulum / Foto: Adriana Setti
Você que conheceu Cancún, Playa del Carmen e Tulum, não teve curiosidade para saber o que havia além? Eu tive. Afinal de contas, de Tulum até a fronteira com Belize, ao sul, há mais de 200 quilômetros de costa caribenha da qual pouquíssima gente ouve falar.
Saindo de Tulum pela estrada costeira (de terra e em péssimas condições) chega-se à reserva da biosfera de Sian Ka’an, um lugar lindo para apreciar praias desertas e várias espécies de aves. Mas, de carro, só é possível chegar até Punta Allen, no coração do parque nacional. Quem quiser avançar ao sul deve contornar a área protegida em direção ao porto de Felipe Carillo. A estrada é ótima e, 230 quilômetros adiante está a pequena e pacata Mahahual — pronuncia-se “marraual”. Então você descobre por que o extremo sul do Caribe mexicano ainda não está no mapa do turismo.

As águas rasas de Mahahual e a sua modesta faixa de areia / Foto: Adriana Setti
Não que o lugar não tenha o seu charme, muito pelo contrário. O problema ali é que não existe uma Praia, com P maiúsculo. Protegida por um arrecife, Mahahual tem águas rasas repletas de algas. Para os manatees (um primo do nosso peixe-boi) que vivem nas redondezas, esse ecossistema é perfeito. Mas para o bicho homem, acaba sendo um pouco incômodo nadar por ali. A faixa de areia também está longe de ser a de uma Tulum: é estreita e, muitas vezes, coberta de algas.
Calma, não desiste de Mahaual não! O lugar é bem agradável e o Caribe segue ali, firme, forte e azulíssimo. Após ter sido totalmente devastado por um furacão em 2007, o vilarejo onde vivem 400 pessoas está sendo reerguido com uma certa ciência. Quase todos os hotéis da orla são bonitinhos e seguem mais ou menos o mesmo estilo arquitetônico. Diante deles, um calçadão (el malecón) novinho em folha contribui para dar graça ao local, com alguns restaurantes bacaninhas.
Para quem mergulha, há muito o que fazer. A cidade é o ponto mais próximo ao Banco Chinchorro, um arrecife de corais bem preservado e cheio de vida. Uma expedição de um dia, com três tanques e almoço custa US$ 190 — mas os barcos só saem com um mínimo de 6 mergulhadores e se o mar estiver calmo, algo um pouco difícil de conciliar e que não rolou nos três dias em que estive lá. Enquanto não rola Chinchorro, o povo se diverte nos arrecifes mais próximos, bastante razoáveis.
E caso você consiga ficar estressado em Mahahual, Xcalak é o que provavelmente a cidade foi há uns vinte anos: 60 quilômetros ao sul (por uma estrada com buracos lunares), nem o sinal de celular chegou por lá. Xcalak também tem bons pontos de mergulho e um bom dive center, o XTC, que também pode organizar o seu transporte para San Pedro, em Belize — caso o email deles esteja funcionando direito para que você consiga agendar, o que no meu caso foi uma pequena aventura. Mas isso já é outro post.
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A praia (virgem) de Xcacel-Xcacelito: segredo na Riviera Maya

O visual selvagem da praia aonde pouca gente chega (ainda) / Foto: Adriana Setti
A Riviera Maya (o trecho de litoral no Caribe mexicano ao sul de Cancún) não é o tipo de lugar em que você espera encontrar praias virgens. Ali não restam aqueles lugares aos quais apenas os mais valentes chegam após vencerem trilhas desafiadoras. Mas em meio a essa espécie de Disneylândia caribenha, Xcacel-Xcacelito é praticamente o éden perdido.
Não teria chegado até ali sem querer. Ou melhor, sem querer muito. A entradinha para a praia, na autopista que liga Playa del Carmen a Tulum, é o tipo de lugar por onde todos passam a mais de 100 quilômetros por hora. Sendo assim, fica difícil reparar na tímida placa que sinaliza o projeto ecológico que trata de proteger as tartarugas que desovam por lá (uma espécie de projeto Tamar mexicano).

Xcacel-Xcacelito: o éden perdido na Riviera Maya / Foto: Adriana Setti
Quem quiser chegar a Xcacel-Xcacelito deve, portanto, desacelerar quando estiver mais ou menos três quilômetros ao norte da entrada de Xel-Há (um costão que abriga um parque aquático).
Após não mais de um quilômetro por uma estradinha de terra, dá-se o milagre: uma praia totalmente selvagem, com areia branca e fofinha e o mar azul como só o Caribe sabe ser. De quebra, há um cenote cristalino de água doce no manguezal que escora a praia.
Leve água, sombra e um lanchinho e tenha um dia feliz e longe da muvuca.
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