Achados

Airbnb considerado ilegal em Nova York! Será que a moda vai pegar?

por Adriana Setti em

 

 

Amado e idolatrado por todos nós que gostamos de viajar sem precisar ficar em hotel, o site Airbnb está em maus lençóis em Nova York. Um juiz acaba de considerar culpado o proprietário de um apartamento cujo inquilino alugou um de seus quartos durante três dias em setembro ano passado, multando-o em US$ 2 400. Segundo a interpretação do juiz, inquilino e proprietário (coitado, que nem deveria saber o que se passava no seu apê) infringiram a lei que impede os residentes na cidade de alugarem suas propriedades por menos de 30 dias – norma que também atinge as empresas de aluguéis por temporada.

 

A decisão encerra um caso que já vem dando o que falar nos noticiários nova-iorquinos desde o ano passado (clique aqui para ler a reportagem da CNN, com link para outra reportagem do New York Times) e torna o aluguel de quartos e apartamentos via Airbnb e semelhantes oficialmente ilegal na cidade. O site não foi banido (como li em alguns sites por aí) em Nova York – mesmo porque, o Airbnb se exime de qualquer complicação através de suas letras pequenas em “termos e condições”. Mas, a partir de agora, os inscritos pensarão dez mil vezes antes de fechar negócio. Afinal de contas, nos Estados Unidos a lei costuma ser respeitada (e temida).

 

Muita discussão ainda vai rolar, mas pode ser o princípio do fim. E, como tudo o que nasce em Nova York é tendência, o resto do mundo que se cuide.

 

Nossa primeira reação é xingar a mãe do juiz, bem como a progenitora dos lobistas que atuam em nome dos hoteleiros. Mas, como já andei dizendo por aqui, precisamos reconhecer que, a partir do momento em que alugueis de apartamentos por temporada viraram um fenômeno de massa, isso infelizmente tem um efeito colateral. Não à toa, a prefeitura de Paris proibiu essa prática (que, no entanto, continua existindo).

 

Se você quiser saber o que eu penso sobre o assunto, leia o texto que escrevi recentemente.

 

O debate em torno de aluguéis de temporada por parte de empresas já vem de longe. Agora, a discussão está também no nível “de pessoa para pessoa”, o que torna a discussão ainda mais polêmica. Se por um lado eu reconheço que alugar (e sublocar, o que é pior) um imóvel a estranhos, sem contrato e sem regulamentação, pode ser nocivo para proprietários, vizinhos e hoteleiros, acho radical demais impedir que alguém receba um turista em casa a troco de um dinheirinho. Estudantes fazem isso desde que o mundo é mundo e esse convívio também gera um intercâmbio cultural interessantíssimo. Em outras palavras, é preciso encontrar um meio termo, antes que a moda pegue e que viajar acabe ficando mais chato.

 

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A melhor localização para o seu hotel em Barcelona, parte 1: Eixample, Bairro Gótico, Raval e Born

por Adriana Setti em

O lindo bairro do Born: fique atento ao endereço

 

 

Muita gente me escreve perguntando qual a melhor localização em Barcelona na hora de escolher um hotel ou um apê de temporada. Pois aqui vai um raio X dos bairros que concentram a maior parte dos hotéis, com seus respectivos prós e contras. No próximo post falarei as regiões menos centrais/conhecidas.

 

Eixample

Os prós: O bairro modernista é o que costumo recomendar a todo mundo, por ser seguro, bonito, perto de tudo e bem comunicado por metrô e ônibus. Ali estão a chiquérrima avenida Passeig de Gràcia, as casas do Gaudí, a Sagrada Família e muitos restaurantes e hotéis famosos.

Os contras: O bairro só não é perfeito em termos de vida noturna. Ainda que tenha vários bares e discotecas, não está entre as melhores zonas boêmias de Barcelona. Sou moradora do Eixample e confesso que raramente caio na balada por aqui (de qualquer forma, posso  ir andando para o centro ou para Gràcia em cerca de quinze minutos, uma vez que estou entre um e outro).

A melhor parte: Quando mais perto do Passeig de Gràcia e/ou da Plaça Catalunya estiver o hotel, melhor a localização.

 

 

Ramblas

Os prós: Quem se hospeda nas Ramblas está no olho do furacão (para o bem e para o mal). A avenida mais famosa da cidade divide o Bairro Gótico do Raval e está a um pulinho de todas as atrações do centro. Além do mais, está muito bem comunicada com o resto da cidade por metrô e ônibus.

Os contras: É eternamente congestionada, tanto de carros como de pessoas. Para vários dias seguidos, pode ser estressante (e, caso o hotel não tenha janela dupla, você não vai ter paz). Também é um dos lugares preferidos dos batedores de carteira da cidade, ainda que roubos com violência sejam raríssimos. Pessoalmente, não gosto e não recomendaria.

O melhor lugar: Quando mais perto da Plaça Catalunya, melhor. A parte de baixo, perto da estátua do Colón, tem um belo quê de boca do lixo e não é recomendável.

Bairro Gótico

Prós: Tem muitas pensões baratinhas (algumas horripilantes e algumas boas) e é uma mão na roda para quem quer estar a poucos metros de distância de várias baladas. Tem um sem fim de bares e restaurantes e é o endereço preferido dos mochileiros que visitam Barcelona. Está perto de várias atrações e muito bem comunicado com o resto da cidade através do metrô.

Contras: Algumas ruas do Bairro Gótico são extremamente sinistras e, ainda que roubos com violência sejam raros, a bateção de carteira rola solta, principalmente à noite. Também há um vendedor de substâncias ilícitas em cada esquina, o que pode desagradar aos mais convencionais. Em resumo, é o bairro mais caótico da cidade – e o mais emblemático também. Recomendo aos mochileiros/baladeiros e desaconselho enfaticamente para as suas respectivas mães.

O melhor lugar: Arredores da Plaça Sant Jaume, arredores da catedral gótica e imediações da Carrer Ferran. Fuja como o diabo da cruz da Carrer Escudellers e arredores.

 

Raval

Prós: Tem muitas pensões baratinhas, alguns hotéis de design e é uma mão na roda para quem quer estar a poucos metrôs de distância de várias baladas boas. O bairro é um pouco menos turístico e tem uma vertente mais cool do que o Gótico. Eu, particularmente, gosto bem mais do Raval do que do Gótico.

Contras: Vale tudo o que eu falei para o Gótico, mas em menores proporções.

O melhor lugar: No Raval, a rua deve ser escolhida com lupa. A parte alta do Raval, no arredores do Macba (museu de arte contemporânea), é excelente. Já a parte baixa, é uma senhora boca do lixo. Em linhas gerais, evite tudo o que estiver no quadrilátero entre a Ronda Sant Pau, Avinguda Paral-lel, Ramblas e Carrer de l’Hospital. Quanto mais perto do MACBA, melhor.

 

Born

Prós: Costumo dizer que é o primo rico do Bairro Gótico. Supercool, é um dos melhores lugares da cidade para se hospedar, perto de várias atrações, restaurantes, bares e baladas, a um pulo do lindo Parc de la Ciutadella e da praia.

Contras: Não é tão bem comunicado com o resto da cidade em termos de linhas de metrô (mas nada grave).

A melhor parte: Aqui, muita atenção. Os hoteleiros e sites de aluguel de apartamento costumam chamar de Born uma área bem maior do que a que corresponde à realidade. A parte boa do Born é a que fica no quadrilátero entre Via Laietana, Passeig d’Isabel II, Carrer de la Princesa e Passeig Picasso. Fora disso, pode haver ruas bastante sinistras e não muito seguras durante a noite. Quanto mais perto do Museu Picasso, da Carrer Comerç e da igreja Santa Maria del Mar, melhor.

 

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Questão existencial: turista ou viajante?

por Adriana Setti em

 

 

Acabo de ler um texto que gostaria muito ter escrito. A autora, Jessica Lee, é uma travel writer especializada em Oriente Médio e trabalha para o guia Lonely Planet. Lamento ter chegado atrasada (mandou bem, Jessica!), mas acho que ainda está em tempo de escrever a minha própria versão.

 

Ela acertou na mosca ao abordar a famosa arrogância do viajante que não se considera um turista (como se houvesse diferença entre uma coisa e outra). A autora, assim como eu, lamenta o “ir para dizer que foi” – a típica viagem de riscar itens famosos da lista, devidamente postados no Instagram. Mas se irrita na mesma medida com quem adota como objetivo de vida cultivar uma aversão a qualquer coisa que possa remotamente ser classificada como “atração turística”.

 

Topei com N supostos viajantes por aí e posso dizer que conheço o tipo. Quer ajuda para saber como reconhecê-los em 5 minutos de conversa? Fique atento a esses comportamentos:

 

O viajante não faz planos.

Você tenta puxar papo com o sujeito e pergunta. “Para onde você vai depois daqui?”. Ai ele suspira com um ar superior e diz… “eu deixo a vida me levar”.

 

O viajante não tem guia.

O guia é o inimigo número um do viajante, uma vez que ele atribui a esse vil objeto a sua e a minha presença nos lugares bacanas do mundo (e vocês precisam ver a cara dos viajantes quando eles descobrem que sou uma travel writer e que estou do lado negro da força).

 

O viajante não foi e não gostou.

Pirâmides do Egito? Taj Mahal? Disney? Ele jamais colocará os pés nesses lugares execráveis. Se todo mundo gosta, só pode ser ruim.

 

O viajante está em busca da verdadeira alma do lugar em questão.

Os lugares ganham fama por serem de interesse histórico-cultural ou por serem bonitos e agradáveis. Mas, segundo o viajante, os turistas aniquilam a alma desses lugares com a sua indesejável presença – coisa que obviamente não acontece quando o forasteiro é um viajante.

 

 O viajante pagou menos que você.

Caso nós, turistas, tenhamos a honra de coincidir com um viajante em determinado local, pode apostar: ele pagou menos para estar ali.

 

O viajante só tem olhos para os locais.

Ele não quer saber de nós, turistas. O viajante só quer saber de conversar com os locais, jantar onde só os locais jantam, frequentar os bares onde só os locais bebem.

 

*Adriana Setti admite ser acometida por surtos de viajantice de vez em quando mas garante: é e sempre será uma humilde turista que acredita piamente que isso não implica adotar um comportamento bovino ao colocar o pé na estrada.

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Hambúrguer, aperol spritz e outras obsessões tardias de Barcelona

por Adriana Setti em

Antes tarde do que nunca, Barcelona descobre o hambúrguer

 

A Espanha, como todo mundo sabe, é o país do momento em termos de gastronomia. É normal, portanto, que seja imitada ao invés de imitar. Mas, ainda assim, não deixa de ser impressionante como as modas etílico-gastronômicas mundiais demoram a chegar aqui (inclusive a Barcelona, a cidade supostamente mais moderna e cosmopolita do país) – quando chegam. O delay gera uma espécie de cena futurista-retrô. Ao mesmo tempo em que Barcelona é vanguarda à mesa, a cozinha internacional na cidade tem um quê de volta no tempo. Se você visitar a cidade atualmente, vai ficar impressionada com as “novas” febres:

 

Hambúrguer gourmet

Enfim, descobriu-se por aqui que pode ser bacana colocar algo entre dois pedaços de pão que não seja jamón e nem chorizo! De dois anos pra cá, as hamburgueserias brotaram como chuchu na serra. Chega a ser cômico. A qualidade varia de excelente a sofrível. Se não quiser entrar em roubada, escolha uma desta lista publicada pela Time Out local. Também recomendaria a Your Burg (Carrer Londres, 65), que não foi citada. Leia, também o que os Destemperados postaram sobre a hamburgueseria mais famosa, a Kiosko.

 

O aperol spritz é o aperitivo da moda

Até o meu tio Edu que mora em Tupaciguara já deve estar cansado dessa misturinha italiana de vinho espumante com Aperol e soda. Mas, aqui, os copinhos alaranajados começaram a ser vistos sobre as mesas mais ousadas só no ano passado. Veja só: hoje em dia você até consegue encontrar uma garrafa para comprar em alguns mercadinhos antenados da cidade! Nossa querida Time Out também tem uma listinha de bares onde provar (você corre o risco de pensar, pelas fotos publicadas, que o drinque é pop só entre os abuelos – mas a realidade é mais democrática).

 

Sushi, até que enfim

O sushi (ou súshi, como se diz por aqui) virou febre há uns cinco anos. Desde então, a cidade ganhou alguns bons restaurantes e centenas de outros absolutamente intragáveis administrado por imigrantes chineses. Agora vivemos uma segunda etapa da onda “súshi”: de cada esquina brota uma lojinha take away, nas mesmas proporções que hamburgueserias.

 

Gim-tônica ou morte

Neste caso, fico na dúvida: terá a bebida sido tãããão popular em outro lugar do mundo? Ou isso é uma obsessão de Barcelona? Não existe não tomar gin tonic por aqui. Caso você não seja muito chegado, corre o risco até de perder amigos. E AI de você se preferir limão ao invés de pepino no tipo de gim X ou se não achar que a marca da água tônica faz toooooda a diferença. Adivinhou: bares especializados em gin tonic são a bola da vez na vida noturna. E lá vai a Time Out de novo com uma listinha esperta. Meu bar preferido (e secreto) não está na lista.

 

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A garrafinha ecologicamente correta para beber água das fontes de Roma

por Adriana Setti em

Bonitinha, flexível e "pendurável"

 

 

 

Parece besteira, mas vai somando aí. Uma garrafinha de água nos lugares mais turísticos de Roma (e do mundo) pode sair por mais de € 2. Num dia quente, quantas você consome? Uma cinco? Ao final de uma viagem de dez dias, você terá gasto o equivalente a um jantar num restaurante estrelado e terá deixado 50 garrafas de plástico a mais no planeta. Você pode comprá-la no escritório de informação turísticas (perto do Coliseu) ou nas livrarias da cidade.

 

O departamento de turismo de Roma encontrou uma solução bacaninha para essa questão eco-econômica. Por € 2 euros, você compra a garrafinha da foto, que pode ser abastecida em qualquer fonte da cidade. Nós, brasileiros, não estamos acostumados a ter o privilégio de poder beber água da torneira ou de fontes públicas. Mas em quase toda a Europa (e em países como os Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia, etc) isso é possível.

 

Na foto, não dá para ver direito. Mas ela vem com um ganchinho que permite pendurá-la na bolsa ou até mesmo numa calça jeans. Feita de um plástico resistente, ela é totalmente dobrável. Vazia, ela cabe até no bolso. E, no fim das contas, é um suvenir bacaninha, que você pode utilizar em outras viagens. A minha me acompanhou por toda a Itália.

 

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