Achados

Alugar um veleiro no Mediterrâneo é mais barato do que você pensa

por Adriana Setti em

Nosso veleirinho de 30 pés às ordens

 

Barcelona lá longe, no primeiro sabadão de sol e calor de verdade do ano

Pegar um cinema, jantar, emendar numa cervejinha e voltar para casa de táxi. Esse programinha custa mais ou menos o que gastei no último sábado: 50 euros. Com a diferença de que, ao invés de fazer o trivial,  passei o dia a bordo de um veleiro de 30 pés navegando pelo Mediterrâneo.

 

Navegar é preciso

Foi o primeiro sabadão de sol e calor do ano em Barcelona. E o clima era total de “vamos a la playa”. Às 10 da manhã, já estávamos a bordo. E foi um daqueles dias redondos, inesquecíveis e inenarráveis. O vento estava suave. Então não fomos muito longe. Nos contentamos por ter o skyline de Barcelona lá longe e o Mediterrâneo, ainda bem frio, como uma imensa piscina ao nosso redor. Comemos, bebemos, rimos, conversamos, escutamos o silêncio. E, para fechar o dia com chave de ouro, um raríssimo mola mola, ou peixe lua (clique aqui para saber mais sobre esse peixe esquisitíssimo), rodeou o barco por vários minutos, como se quisesse participar da conversa. Um dia como esse equivale a uma semana de férias.

 

Nossa mini cozinha, com geladeira (embutida na pia) e fogão. O barco ainda tinha duas cabines e uma mesa com dois bancos que viram cama

Alugar um veleiro é mais barato do que você pensa. Na Mediterranean Charter (que funciona no porto El Masnou, a meia hora de trem de Barcelona), um dia no Bavaria 30 Cruiser (de 2006), com capacidade para seis pessoas, saiu por  € 270 (e mais € 25 de combustível). Ou seja, quase € 50 por pessoa por um dia inesquecível no mar. O único requisito é, claro, que alguém da tripulação tenha habilitação para dirigir embarcações recreativas (o que no Brasil e chama Carteira de Habilitação de Amador) – a empresa só oferece embarcações com capitão para saídas de pesca.

 

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Mochilão na Europa: a fórmula Eurailpass + albergue está superada (há tempos)

por Adriana Setti em

 

Quando mochilei a Europa pela primeira vez, em 97, não tinha erro. O sujeito fazia a carteirinha de alberguista, comprava um eurailpass, traçava mais ou menos um roteiro e caía na estrada. Ao chegar a uma cidade, procurava um albergue com a ajuda do escritório de informações turísticas local e era só correr para o abraço.

 

Quinze anos depois, fico surpresa de ver como ainda tem gente que viaja assim, desse jeito vintage. Mas os tempos mudaram radicalmente e, na minha modesta opinião, a velha forma definitivamente não é mais a única e muito menos a melhor para rodar o Velho Continente com pouco dinheiro.

 

Viajar de avião pode sair mais barato do que de trem – mesmo com o Eurail.

O Eurail Pass, o passe com o qual você pode viajar por um certo número de países, durante um determinado tempo (o site explica direitinho como funciona) era a salvação dos mochileiros dos velhos tempos. Mas, na última década, a Europa tornou-se o continente mais barato para se viajar de avião, graças a uma explosão de companhias aéreas low cost. Com isso, as longas viagens noturnas de trem (que exigem o pagamento de uma taxa extra para quem tem o Eurail) deixaram de valer a pena — tanto pelo perrengue (não há nenhum glamour em dormir numa cabine apertada com quatro mais três estranhos), como pelo tempo gasto e o preço.

 

Os albergues da Hostelling International não são os únicos e, em geral, não são os melhores.

Carteirinha de alberguista? Besteira, gente. A Europa está inundada de albergues muito mais modernos do que os de antigamente, que em sua maioria não são associados à HI e não oferecem desconto para quem tem a carteirinha. Em compensação, incluem vários upgrades nos serviços, que podem ir de quartos e banheiros privativos a café da manhã caprichado, passando por móveis de design.

 

Ficar em albergue não é a melhor pedida para quem viaja em grupo.

Outra novidade da última década foi a explosão de empresas que alugam apartamentos baratos por internet de maneira prática e confiável. Neste post, antiguinho mas muito válido, eu demonstro como ficar em albergue já não é um grande negócio.

 

Viajar sem reservar com antecedência pode ser uma roubada.

Eram bons aqueles tempos em que fazer reserva com antecedência não era necessário nem durante o verão. Mas o volume de jovens com poder aquisitivo para viajar aumentou absurdamente na última década (chineses, russos, indianos, brasileiros… pense bem…). Além do mais, as facilidades para garantir lugar de antemão se multiplicaram por milhões com a internet, que mudou totalmente o modo de prganizar uma viagem. Conclusão, se hoje você deixar para a última hora, em plena alta temporada, corre sério risco de ficar na roubada. Mais vale baixar os aplicativos como hostelworld e booking.com no seu smartphone e fazer bom uso deles. Funciona muito bem.

 

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Ushuaia Beach, em Ibiza: um hotel onde rola de tudo. De tu-do.

por Adriana Setti em

Algumas suítes têm equipamento completo de DJ: oh-my-god

Se eu fosse solteira e/ou ainda tivesse paciência para enfrentar um verão selvagem em Ibiza, possivelmente estaria uivando de vontade de reservar um quarto no hotel Ushuaia. Não é o caso, mas já estou imaginando os ímpetos cavernícolas aflorando em certas pessoas ao ler este post.

 

O abatedouro, perdão, quarto: com um quê de motel-chic (ou mais do que isso...)

Menin@s soltinh@s do meu Brasil, vocês já ouviram falar do Ushuaia? O hotel onde se faz de tudo, menos dormir, foi inaugurado no ano passado e pegou – como pegou. A direção do lugar deixa claro: “Os quartos se convertem em seu centro de operações para o antes, durante e depois”. Em suma: um abatedouro multifunções onde pode rolar um esquenta, uma balada completa ou uma celebração dionisíaca do amor livre. Não necessariamente nessa ordem.

Baladinha leve rolando no hotel. Nesses momentos, o seu quarto serve para que você faça tudo aquilo que não faria em público. Se bem que em Ibiza...

 

Se você não vai até a balada, ela vem até você, uma vez que o Ushuaia também é um beach club de matar, na Playa d’En Bossa (onde tradicionalmente rolam festas diurnas). Em julho, por exemplo, todas as segundas serão pilotadas pelo DJ David Guetta. E daí pra cima. O bom e (muito) velho Fat Boy Slim também passará por lá. Enquanto a casa cai, o seu quarto vira um lugar onde você faz tudo aquilo que não faria em público — um conceito bem flexível em se tratando da “ilha do diabo”. Ui!

 

Os quartos têm um design moderno, com um quê de motel-chic (ou seria vice-versa?). Ou seja, uma luz colorida indireta aqui, uma ducha transparente (“sensual”, segundo o site do hotel) ali. E caso reste alguma dúvida das intenções hedonistas do estabelecimento, cheque o kit erótico que acompanha as amenities: vibrador, gel, camisinha… oh, yeah!

Algumas suítes têm aparelhagem de DJ completa o que me faz pensar: duro mesmo deve ser encarar uma sólida ressaca no meio dessa balbúrdia (se bem que tampão de ouvido está incluído no kit de amenities).

 

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O bom, bonito e barato Mama Shelter de Paris abre as portas em Marselha (by Philippe Starck)

por Adriana Setti em

O quarto, separado do banheiro por uma parede-estante vazada

 

Outro ambiente do quarto

Banheiro bacanets: micro mas bem solucionado

 

Mama Shelter, o mais emblemático hotel de Paris, na categoria design low cost, acaba de ganhar um irmãozinho. Dessa vez em Marselha, a cidade menos francesa e mais bandida da França, à beira do Mediterrâneo. Ótima notícia agora que um inescrupuloso verão se aproxima. Isso porque não apenas Marselha vale per se, mas está a um pulo de Cassis (que tem algumas das praias mais espetaculares da França), da Côte d’Azur e da Provence. Ou seja, nas portas do céu.

 

O bar decorado com boias "vamos a la playa": GE-NI-AL

Todos os quartos têm um IMac (oh! Yeah!), internet wi-fi e filmes de graça. A área comum tem um espaço multifunções com mesa de reuniões, bar e ping-pong que pode ser alugado para quem precisar. As diárias – que rufem os tambores – começam em € 69.

 

O restaurante, by Alain Senderens

Assim como na unidade de Paris, quem assina a decór é o onipresente Philippe Starck, referência-mor na confecção de ambientes ora explosivos e over criativos, ora minimalistas. Os quartos são compactos, mas belos, com paredes nuas decoradas apenas com espelhos estratégicos. O branco predomina e os ambientes são fluídos, separados apenas por paredes que vazadas que abrigam estantes – ótima ideia para dar leveza a um ambiente pequeno.

 

O chão é colorido em todos os ambientes

O chão colorido e texturizado em todos os ambientes é o veneno anti monotonia que alegra quartos, corredores, cozinha e recepção. O bar decorado com boias de bichinhos, no estilo “vamos a la playa” é o suprassumo da boa ideia para lembrar que, afinal de contas, o Mediterrâneo está logo ali. Um restaurante com cardápio assinado pelo chef Alain Senderens (três estrelas Michelin por seu restaurante em Parrí) coloca a cereja no bolo.

 

Boa notícia: outras unidades estão por vir, em Bordeaux, Lyon, Los Angeles e Istambul. Me gusta!

 

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Maremagnum: o shopping mais turístico de Barcelona tenta recuperar seus tempos de glória com gastronomia rápida

por Adriana Setti em

 

O Maremagnum visto de cima: a localização definitivamente não é o problema

Quando vim a Barcelona pela primeira vez, em 1997, as baladas que haviam nascido nas áreas inauguradas para as Olimpíadas de 1992 ainda tinham brilho. Os bares e discotecas do Puerto Olímpico e do Maremagnum – um enorme centro comercial à beira mar, pertinho das Ramblas — formavam uma espécie de Disneylândia boêmia que era um sucesso entre turistas e também gente daqui.

 

Com o tempo, o complexo micou feio. E converteu-se no maior pega-turista da cidade, frequentado por prostitutas à paisana (daquelas que passam a conta quando você já está achando que faturou a gostosa do pedaço), batedores de carteira e toda a classe de pilantras. Até que veio a cereja do bolo: um truculento segurança de um dos bares do Maremagnum (que, aliás, se chamava Caipirinha) acabou matando um cliente equatoriano (jogou o cara no mar e ele não sabia nadar) e a festa acabou de vez – isso foi em janeiro 2002. Os bares do vizinho Puerto Olímpico continuam abertos até hoje, mas com ares de decadência que chegam a dar pena.

 

Dez anos depois de encerrar de vez a suas atividades noturnas, o Maremagnum (que desde então funciona como um shopping “normal” — o único da cidade que abre aos domingos) reabriu o seu segundo andar (onde funcionavam as discotecas) na semana passada, com uma gigantesca praça de alimentação. Com 4200 metros quadrados, o lugar tem um restaurante japonês, um noodle bar, uma coquetelaria, um oyster bar, uma hamburgueseria, uma pizzaria, entre outros (no total, são 20 restaurantes). Ou seja, um mix acertado para comer algo rápido ou tomar um drinque num lugar que, apesar dos pesares, é prático (perto das Ramblas, onde você inevitavelmente vai passar) e com vistas espetaculares para o Mediterrâneo e para o Bairro Gótico. Boa sorte, Maremagnum.

 

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