Achados

10 normas de sobrevivência para a Cidade do México

por Adriana Setti em

A Cidade do México está longe de ser o monstro que muita gente pinta

 

A Cidade do México é muito melhor e mais interessante do que você pensa. Também é mais segura (ou menos perigosa) do que se imagina. Bem menos sufocante do que São Paulo – não há muitos edifícios altos, por causa do perigo de terremoto –, ela é surpreendentemente fácil de entender e desvendar, até para um turista recém chegado: o metrô cobre uma parte significativa da parte que interessa da cidade e as atrações são distribuídas em blocos, o que permite fazer bastante coisa a pé.

 

Para se dar bem, basta ficar esperto com algumas coisas.

 

1. Quando menos você tiver que se deslocar pela gigantesca e congestionada metrópole, mais feliz você será. Comece por hospedar-se num lugar estratégico. As melhores pedidas são os bairros de Roma e Condesa (bem conectados por metrô e metrobus às atrações turísticas da cidade), onde se concentra o filé da vida noturna, além de ótimos restaurantes e cafés. Polanco, o bairro mais chique da cidade, também pode ser uma boa.

 

2. Já que você está de férias e não precisa cumprir horários rígidos, use a cabeça e evite deslocar-se na hora do rush (entre 7 e 9 da manhã e 5 e 8 da tarde), tanto de carro (para escapar do trânsito) como de transporte público (para escapar da lotação).

 

3. Sempre que puder, vá de metrô ou de metrobus (o corredor de ônibus semelhante ao de Curitiba). Ambos são seguros, limpos e muito mais rápidos do que táxi ou automóvel.

 

4. Alugar um carro é garantia de stress e, acima de tudo, uma bobagem. Os táxis são baratíssimos.

 

5. Evite pegar táxi de rua. O melhor é sempre chamar por telefone (anote alguns números e tenha sempre em mãos) ou encontrar um ponto.

 

6. Caso você tenha que pegar um táxi de (e fatalmente você terá), cheque se a licença com a foto do motorista está afixada no vidro de trás e se a figura na foto corresponde ao sujeito sentado ao volante. Se achar o táxi/taxista suspeito, não entre.

 

7. Uma vez dentro do táxi, exija que o taxímetro seja ligado. Se o motorista se recusar, ou inventar qualquer desculpa bizarra (sempre acontece), pule fora se der tempo ou pelo menos negocie o preço antes que seja tarde demais.

 

8. Como em qualquer metrópole latino-americana, a cidade tem problemas de segurança. Para não dar chance ao azar, não faça nada do que você não faria em São Paulo ou no Rio de Janeiro: ostentar objetos caros, andar por becos escuros e tudo aquilo que qualquer brasileiro já leva no sangue.

 

9. Não menospreze o frio. No inverno, as noites são gélidas.

 

10. Tente estar na cidade durante o final de semana, quando o trânsito é mais ameno, os parques se enchem de vida e acontecem vários mercados de rua bacanas.

 

@drisetti

 

 

 

 

Achado: um hotel bom e baratíssimo em uma das ruas mais badaladas da Cidade do México

por Adriana Setti em

A recepção no estilo bom, bonitinho e barato em endereço deluxe (foto: divulgação)

 

Um hotel ótimo e bonito em uma das ruas mais badaladas da Cidade do México por US$ 40 parece bom demais para ser verdade. Mas o Milán, dica de um amigo mexicano, não tem pegadinha. O endereço não poderia ser melhor: a avenida Álvaro Obregón, o coração da Colonia Roma, que divide o status de bairro da moda com a vizinha Condesa (aonde você pode ir caminhando em 5 minutos.

 

Num raio de 100 metros, há pelo menos quatro bares supercool, três cafeterias charmosas e cinco restaurantes bons – além de taquerias, lojinhas e um mercadinho de antiguidades e artesanato que acontece no final de semana. Há duas estações de metrô a 10 minutos de caminhada e uma linha de metrobus praticamente na esquina.

 

Quartos recém reformados e com todo o básico garantido com dignidade

Não estamos falando de um hotel butique, nem de luxo (gente, por esse preço… calma lá!) — mas com todo o básico garantido com muita dignidade. Os quartos são recém reformados, limpíssimos e moderninhos, mas sem grandes rompantes de criatividade. Todos são equipados com TV a cabo, internet wi-fi, cofre e ventilador.

 

Fica a dica: as camas dos quartos básicos são “pequenas demais pra nós dois”, a alguns têm janelas esquisitas, que não abrem. Pague um pouquinho mais para dormir numa cama king size. Os aposentos com este pequeno upgrade (por apenas US$ 5 a mais!) são bem maiores e mais confortáveis. O café da manhã do hotel é ok e barato, mas as cafeterias próximas ao hotel são imperdíveis.

Outra vantagem: para reservar, basta enviar um email e não é preciso pagar com antecedência.

 

@drisetti

Holbox: padecendo no paraíso

por Adriana Setti em

Eu, feliz, na chegada: pré tombo, pré escorpião, pré formiga, pré chuva e pré cama de faquir

 

No ultimo post, falei de Holbox com total isenção. A ilha é realmente linda e agradável. Eu deveria ter amado. Mas não amei.

 

Mas a culpa não foi de Holbox. Foi do acaso. Em primeiro lugar, me encontrava na mais negra miséria de fim de viagem. Sabendo que a ilha tem pouca acomodação econômica (a maioria das pousadas são BEM bacanas e custam a partir de US$ 120 na baixa temporada), reservei com antecedência um bangalô em um albergue super bem falado, o Ida y Vuelta.

 

Bangalô rústico-fofo onde matei um escorpião e acordei semi-tetraplégica

Meu pequeno drama começou aí. O albergue é, de fato, super alto astral e ótimo para conhecer gente. O bangalô deluxe (para os padrões de albergues) que tinha reservado também era bacaninha. Mas a cama… terrível. Não sou de frescuras e fiquei em lugares bem piores na minha vida. Mas geografia do colchão lembrava a cordilheira dos Andes e seus vales profundos. Meu namorado e eu acordamos quase tetraplégicos. Então quis mudar de para um hotel. Só que tinha pago quatro dias com antecedência pela internet e eles não devolviam o dinheiro. Deram um jeito na cama. Mas fiquei de bode. Para piorar, uma bela noite dei de cara com um escorpião gigantesco de tocaia no meu chinelo, mais uma agrura do acaso.

 

O tempo dando uma fechada de leve...

A praia é linda. Mas tem formiga na areia. Sou alérgica a formigas. Esmaguei o crâneo de várias delas na minha canga, irritadíssima. Formiga na praia é falta de educação.

 

O tempo também não ajudou. Choveu. E como gran finale levei um tombo na lama e me esfolei – o machucado infeccionou horrores, obviamente.

 

Se você for a Holbox, algo que eu apesar de tudo recomendo, invista em uma bela pousada (amei a Casa las Tortugas) com espreguiçadeiras na praia. E boa sorte, literalmente.

 

@drisetti.

México: Holbox, uma sonífera ilha que pouca gente conhece

por Adriana Setti em

A praia de Holbox em um momento Caribe

 

Antes de mais nada, a pronúncia certa é “Rolboch”. A dica dessa ilha cujo nome eu nunca tinha escutado veio de uma amiga que mora no país. Parecia até bom demais para ser verdade: um pequeno paraíso na junção do Golfo do México (com suas águas esverdeadas e frias) com o Caribe (azul e quentinho), pouquíssimo frequentado por turistas estrangeiros.

 

A posição geográfica da ilha é a sua questão crucial. Por estar na convergência entre dois mares, num ponto de alta concentração de plâncton, Holbox é ponto de encontro de tubarões baleia entre maio e setembro, a sua alta temporada. Os passeios para ver esses animais incríveis e inofensivos, que podem chegar a ter o tamanho de um ônibus, são a maior vocação (e ganha pão) local. No resto do ano, a tranquilidade impera. Infelizmente, não estive lá na época do tubarão. Mas o clima relax me serviu como prêmio de consolação.

 

A ilha é bipolar. Um dia, é Caribe. No outro, é Golfo. Hoje você entra no mar e está em uma piscina cristalina e quentinha. Amanhã, não consegue enxergar o seu pé em uma água turva e esverdeada. A mudança acontece com uma rapidez alucinante. E o mesmo se aplica para a direção do vento e das nuvens.

 

O mar, ao fundo, em um momento Golfo

 

Além de aproveitar os momentos de bom vento para praticar o kitesurfe, há pouquíssimo o que fazer por lá. Coisa que eu adoro. O negócio é relaxar e ler um livro, de preferência escarrapachado em uma espreguiçadeira do beach club da lindíssima pousada Casa las Tortugas – a areia tem algumas formigas extremamente inconvenientes. Basta comer ou beber alguma coisa para passar o dia lá. Entre uma página e outra, levante o olhar para acompanhar a dança das centenas de pássaros — fragatas, gaivotas e pelicanos – que têm na ilha o seu lar doce lar.

 

Ruas de areia e muito sossego: me gusta

A vila também é fofa. Ao redor de uma pracinha de ares interioranos, há alguns restaurantes e barraquinha de comida. E só. Quem precisa de mais?

 

@drisetti

 

 

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Brasileiros no México: que Cancún seja apenas a porta de entrada

por Adriana Setti em

Pôr do sol em Cholula (arredores de Puebla), aos pés do vulcão Popocatépetl: nem sinal de brasileiros

 

No fim do ano passado, a TAM passou a voar direto de São Paulo para a Cidade do México. A concorrência fez baratear, pelo menos temporariamente, o preço das outras companhias aéreas. Várias revistas nacionais – incluindo a VT – estamparam o país em suas capas. Com o dólar girando em torno de R$ 1,80 e o visto para brasileiros facilitado, fiquei com a impressão de que o México seria invadido em massa por nós.

 

Ao chegar a Playa del Carmen, eu já levava um mês na estrada e, até então, não tinha visto um brasileiros sequer (veja o meu roteiro no post anterior). Uma pena, porque já tinha passado por lugares incríveis e inesquecíveis, como os vulcões ao redor de Puebla, a deslumbrante Oaxaca, a costa do Pacífico, o estado de Chiapas…

 

Em “Playa”, nossos conterrâneos até apareceram. Mas em doses homeopáticas. Foi só ao chegar em Cancún que comecei a realmente ouvir português, um “fenômeno” que se repetiria apenas nos lugares mais batidos, como Chichén Itzá e ruínas de Tulum. Em sua grande maioria, os patrícios que encontrei estavam em grandes grupos de excursão em viagens de bate e volta, claro, de Cancún.

 

Eu sei que a grande maioria de ofertas de pacotes vendidos no Brasil são para Cancún. Eu sei que Cancún pode realmente ser o ideal de férias para um certo tipo de público. Eu sei que muita gente que está lá está viajando pela primeira vez ao exterior e que optou por começar pelos grandes destaques do país. Eu sei que os resorts all inclusive de Cancún têm um ótimo custo benefício.

 

Mas e você que já é macaco velho em viagens para o exterior? Não está na hora de ser um pouco mais criativo? Não seria mais produtivo descobrir a riqueza cultural (e também mundana) do mundo ao invés de fazer tic nos lugares onde “todo mundo” esteve?

 

O México é um dos países mais encantadores do mundo. Uma mistura bombástica de culturas, sabores, gentilezas e paisagens incríveis. A a minha esperança é que Cancún, um maravilhoso e pasteurizado mundo à parte dentro desse caldeirão, seja apenas a porta de entrada.

 

@drisetti