Achados
Revival: escatologias natalinas

Escatologias Natalinas, parte I
No ano passado, quando este blog ainda era um baby, postei duas notinhas sobre algumas peculiaridades do natal catalão. Reforma dali, reforma daqui, e essas inusitadas informações caíram em algum buraco negro da net. Como por mais tenha quebrado a cabeça, não consigo pensar em algo mais interessante para entrar no espírito natalino, aqui vai um revival da faceta mais divertida do natal. Com vocês… El Caganer!
Todo ano é a mesma coisa. Aqueles presépios meigos com os reis magos, os presentinhos, a caminha de palha, a vaquinha, Maria, o menino Jesus e… el caganer (dispensa tradução). Nada como a essência rebelde sem causa do catalão para quebrar o tédio do espírito natalino. E o que o Ronaldinho e seu colega de Barça Samuel Eto’o têm a ver com isso? Tudo, por mais surreal que possa parecer.
Segundo uma tradição que vem desde o século dezoito, colocar uma pequena estátua de um homemzinho em seu momento mais íntimo no presépio simboliza a fertilidade e a esperança de prosperidade. A grande brincadeira é esconder os caganers em alguma moitinha básica do presépio para que os amigos, ou as crianças, o encontrem. Assim de peculiar.
No primórdio da tradição caganerística, os bonequinhos representavam o catalão típico do campo. Com o tempo, porém, algum artesão resolveu perder o amigo para não perder a piada e criou mais um tradição: colocar uma carinha conhecida no boneco. Hoje em dia, fazer um caganer de fulano tornou-se uma maneira um tanto quando particular de homenagear ou criticar as personalidades em evidência.
O hábito é tão forte e tão antigo, que a igreja católica já desencanou de reclamar há décadas. Aliás, o caganer mais pop do momento é o papa Bento XVI. Quem achar que eu estou mentindo, por favor consulte o site, onde inclusive é possível votar para quem deve virar um caganer no ano que vem. Outros bem cotados atualmente são Ronaldinho e George Bush. Mas já houve de tudo. De Salvador Dalí a Fidel Castro passando por Madre Teresa de Calcutá (fofíssima, levantando a batina, de bundinha de fora), que eu escolhi para adornar a minha árvore de natal.
Corra atrás do seu caganer: A lojinha Ceràmiques Pahissa (Calle Libreteria, 18-20, 00 34 93 315 00 58) vende os bonequinhos desde 1934. É um dos poucos lugares da cidade onde se pode encontrar estas pérolas durante todo o ano. A maior reunião nacional de caganers, porém, acontece na frente da catedral gótica na época do Natal.

Oi, Fábio. Potz, nunca ouvi falar de algum lugar que venda caganers no Brasil. Tá aí uma boa idéia: imagina um caganer do Lula, do Maluf, do Padre Marcelo…