Achados

Show de pompoarismo e sexo ao vivo em Bangcoc: eu fui

por Adriana Setti em

Tem coisas que eu, por algum motivo, levo meses para  colocar no papel. Estive na Tailândia entre fevereiro e março. E só agora, finalmente finalizando uma matéria para a VT (e prestes a embarcar novamente pra lá), desembuchei o relato de uma das noites mais surreais da viagem. Divirtam-se!

O tuk tuk estacionou na porta de um lugar altamente sinistro. Ué? Cadê todo mundo? Aparentemente, eu estava numa rua micada de Patpong (foto), a lendária zona da “luz vermelha” de Bangcoc, que se converteu numa atração turística tão obrigatória quanto templos ou barraquinhas de insetos comestíveis. Uma vez no inferno, resolvi abraçar o diabo lá mesmo. “Você me espera aqui, então?”, perguntei ao motorista tentando garantir uma fuga de emergência caso aquilo fosse um antro de tarados.

O show, que prometia peripécias pompoaristas e sexo ao vivo, rolava no andar de cima. No térreo, aquilo parecia ser uma espécie de restaurante-bandejão. “Uf, um show de strip-tease clandestino em Bangcoc, nada mais emocionante”. Antes de subir ao andar de cima, uma pausa para revistar as bolsas. As câmeras fotográficas ficam e meu namorado e eu subimos à salinha escura onde os dentes e os cabelos dos muitos turistas nórdicos brilhavam com a luz negra.

No palco, uma menina dançava meio desengonçada com o mesmo ânimo de uma ascensorista apertando o botão do térreo pela octogésima nona vez no mesmo dia. E, de repente, com a mesma empolgação vegetal, começa a tirar uma fitinha colorida de…. lá. Aproveito o breve intervalo para dar uma conferida no público.

Ao invés de homens salivantes sedentos por sacanagem, a platéia mais parece um jardim da infância. Dos comportados. Num cantinho, japoneses assistem ao show com a mesma frieza com que fotografam a Monalisa no Louvre. E espalhados por quase todo o recinto, europeus recém-saídos da puberdade dão risadinhas crentes de que estão fazendo a maior levadezinha de suas breves existências.

Mais uma pompoarista sobe ao palco. E outra… que não consegue acertar a bolinha de ping-pong dentro do copinho e sai sob vaias e uivos. A seguinte chega confiante, e pede para um voluntário da platéia segurar uma bexiga branca. Meu namorado se prontifica.

Então ela abre as pernas, e lança de dentro de “si” (com a ajuda de uma zarabatana) um dardinho de papel, que supostamente teria que fazer a bexiga estourar. Porém, a falta de mira ginecológica da menina faz com que aquilo vá parar no meu cabelo! Entre uma gargalhada histérica e a vontade de assassinar o cidadão segurador de bexigas, me desvencilho daquela “coisa” enquanto ouço, por fim, o diabo do balão explodir.

Sobe ao palco um rapaz. Tailandês de cabelo loiro – cuja cabeça brilha loucamente sob a luz negra, conferindo um toque extraterreno para a figura. Começa então o show de sexo ao vivo.

Quer dizer, não dava para reconhecer o termo sexo naquele vai e vem mecânico ao som de batidas eletrônicas e gritos histéricos da Madonna “she’s not meeee!”.

Foi quando de repente, segurando em algumas barras de ferro, o casal grudou no teto, continuando aquela coisa indefinida como um par de aranhas… ou lagartixas. Faço de tudo para não ter um ataque de riso e vou saindo de fininho. E constato que o danado do motorista tinha me abandonado naquele fim de mundo.

Dicas para não micar em Patpong:
Não tente dar uma de alternativo em Patpong. Nos show turísticos, as “artistas” não costumam errar a mira.

Não vá na onda de ninguém que te chame para um “ping pong show” na Khao San Road (o gueto turístico). Pegue um táxi, faça ele ligar o taxímetro e vá até o bairro, onde você terea a liberdade de escolher entre muitas casas.

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Comentários (23)
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  • Por: rafael
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  • 16 de janeiro de 2011 at 10:52

oi Adriana, você poderia me dar alguma dica de mercados de artesanatos na tailandia.

  • Por: Maria
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  • 28 de dezembro de 2009 at 14:25

Obrigada pelas dicas, aproveitando eu pretendo ir em Outubro/10 para a Europa mas ainda não decidi o roteiro. só sei que terei 30 dias, o que vc sugere que imperdível para quem nunca foi a Europa. adoro lugares divertidos, mas que tenha mistura cultural…
Já quero comprar a passagem agora,e fazer um roteirozinho de lugares onde não posso deixar de ir. A minha amiga fala que Praga é um lugar lindo, posso incluir no roteiro?
Abs
Obrigada

  • Por: Maria
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  • 28 de dezembro de 2009 at 11:25

Oi Adriana, vi seu comentário sobre Bangcoc e estou quase surtando. meu namorado está lá(sozinho, eu acho) e vai ficar 45 dias (curtindo) na tailandia. Eu estou preocupada e claro com ciume. A facilidade dessas “opções’ de diversão me parece quase irresistivel para quem vai para um lugar desses. que dicas vc daria e principalmente que cuidados. qual o maior perigo e quanto a “promiscuidade”? Diz ele que o principal motivo são as ilhas e que quer mergulhar, mas com tanto tempo livre ninguém vai ficar embaixo d´agua o tempo inteiro! rss

    • Por: Adriana Setti
    • -
    • 28 de dezembro de 2009 at 12:59

    Oi, Maria. A Tailândia realmente é um destino famoso internacionalmente pelos show eróticos e pela prostituição. Mas há muuuuuitas outras além disso por lá e apenas uma pequena parcela de turistas viaja ao país com essa segunda intenção. Fique tranquila, porque ninguém vai pular no pescoço dele se ele não quiser. E muito menos obrigá-lo a entrar num show desses. Quanto à prostituição ostensiva, rola só em determinados lugares, como Patpong em Bangkok, a cidade de Pattaya (a mais barra pesada nesse sentido), em alguns lugares de Phuket… Nas ilhas como Phi Phi você nem repara direito que isso existe. Acho que o seu nível de preocupação deveria ser o mesmo de qualquer outro lugar aonde o seu namorado vá sozinho. Porque quem quer “confusão” arruma em qualquer lugar, não é mesmo?

  • Por: Anônimo
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  • 20 de junho de 2009 at 15:06
  • Por: Greice
  • -
  • 8 de abril de 2009 at 13:04

HAHAHAHA eu tenho essa mesma foto do Club Super Pussy!!! hahahaha

  • Por: jj
  • -
  • 22 de fevereiro de 2009 at 0:02

quero trasarcom vece

  • Por: herme
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  • 31 de janeiro de 2009 at 0:01

kero conhecer alguem

  • Por: thyago
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  • 10 de janeiro de 2009 at 0:01

fjefeureowrnvjffjjfwere3rwerrugfgtrrryjdjjddjduddhdggdhdhdyd

  • Por: Dri Setti
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  • 16 de dezembro de 2008 at 0:12

Oi, Mariana. É super viável ir sacando, e farei exatamente a mesma coisa. Tem ATMs (caixas eletrônicos) espalhados por todo o país.Bjos.

  • Por: Mariana
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  • 16 de dezembro de 2008 at 0:12

Ola Dri, certamente irei a Patpong e andarei no longo de elefantes. Ja que suas dicas sao otimas (TAT ja esta anotado) qual a melhor forma de levar o dinheiro. Estou querendo levar o minimo possivel em especie e ir tirando em caixas eletronicos. Isso e viavel? Beijos e boa viagem

  • Por: Dri Setti
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  • 16 de dezembro de 2008 at 0:12

Oi, João, Oi, Eleonora. Essa história do cartão é uma (péssima) novidade. Eu SEMPRE comprei passagens pela internet com o meu cartão brasileiro… era só essa que faltava. Vocês já tentaram por telefone? Acho que dessa maneira há uma esperança, porque há outros serviç√os aqui (por exemplo, ingressos para shows) que não aceitam cartões estrangeiros pela internet mas sim aceitam por telefone. Se não, o jeito é ir na estação ou em algum agência quando chegar aqui. Mas daí obviamente não rola tarifa web.

  • Por: Joao
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  • 15 de dezembro de 2008 at 0:12

Oi Dri!!! Estou com o mesmo problema da Eleonora!! Nao consigo de jeito nenhum comprar a tarifa web da Renfe. Mandei e-mail pra eles e me informaram que nao aceitam cartao de credito que nao tenha sido emitido na Espanha!! Parece brincadeira ne!! Vc sabe me dizer se existe outra forma de efetuar a compra?? Ou entao terei de fazer o trecho Madri-Barcelona de aviao!!Agurado retorno!Beijos!!

  • Por: Dri Setti
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  • 10 de dezembro de 2008 at 0:12

Oi, Eleonora. O site da RENFE é MUITO ruim mesmo, sempre dá problema. Mas essa, pra mim, é novidade. Eu SEMPRE compro passagens com o meu cartão do Brasil e nunca tive problemas! Você já tentou em outro compurador? Parece bobagem mas às vezes tem um filtro de não sei o que que dá pau. Uma vez eu tentei de outro computador quando estava dando erro e deu certo. Boa sorte!

  • Por: eleonora
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  • 10 de dezembro de 2008 at 0:12

Dri,poderia me dar um help?Vou a Espanha dia 25/12 e nao consigo comprar bilhetes de trem pelo site da Renfe. Sabe se houve algum problema? Tento ha 1 semana e vem mensagem de erro. Me mandaram email de lá dizendo que nao aceitam cartao de credito estrangeiros para compra via internet. Desculpe essa pergunta nomeio de seu post super interessante de bangcoc.Obrigada

  • Por: Dri Setti
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  • 9 de dezembro de 2008 at 0:12

Graaande Arnaldo. Nossa, não consegui comer nenhum “dorito” não… Mas meu namorado comeu um gafanhoto e… GOSTOU! DAYANNA: Parpong e essas coisas fazem tão parte do clima de Bangcoc que vc vai perder o medo, você vai ver! Depois me conta!

  • Por: Emília
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  • 9 de dezembro de 2008 at 0:12

O neon diz tudo, hehe. Eu acho que eu encararia, iria morrer de curiosidade… Um abraço!

  • Por: Arnaldo - Fatos e Fotos de Viagens
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  • 9 de dezembro de 2008 at 0:12

Estive lá também. Não cheguei a entrar e assistir, dei uma olhada pela janela e achei umas magrelas tão desinteressantes que nem com bolinhas de ping-pong sendo, digamos, “ejetadas” e outros apetrechos mais me deram vontade de passar além da olhada. E os “doritos” (insetos fritos), conseguiu encarar algum? GRANDE abraço.

  • Por: Anônimo
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  • 9 de dezembro de 2008 at 0:12

=mailto:arnaldo@uol.com.br target=’_blank’>Arnaldo – FATOS

  • Por: Dayanna
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  • 8 de dezembro de 2008 at 0:12

kkkkkkkkkCaramba, vc é muito corajosa!! Acho que não teria coragem de entrar em um local assim…bom..semana que vem eu vejo se entro ou não! hehehe

  • Por: Mari Campos
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  • 8 de dezembro de 2008 at 0:12

Absolutamente hilário, Dri!!!Patpong é extremamente Bangkok, não??? ;) ))beijão

  • Por: Anônimo
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  • 8 de dezembro de 2008 at 0:12

Hahahahaha! Quando estive em Bangkok, praticamente numa outra vida, o Frommer’s me meteu tanto medo (de ser assaltado por falsos policiais no próprio recinto do show) que acabei não indo. Preciso voltar :-)