Fui, mas já volto…. vejam só onde eu estou:
httpv://www.youtube.com/watch?v=R4UQN9Qpn0E
Enquanto eu não volto vocês me acham no Twitter: meu username é @aleforbes
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Pé da torre CN, vista do hotel Intercontinental
Como eu tinha prometido no último post, vejam aqui a parte II da matéria da Alessandra Cayley, a blogueira brasileira que hoje vive em Toronto e que eu escalei para contar aos leitores da VT um pouco sobre os mil e um bairros da cidade-torre-de-Babel. Neste post, focamos nos bairros “alternativos”….
Lá vai:
A ponta oeste da Queen Street – ou West Queen West – é difícil de definir. Enquanto a parte mais próxima do Centro abriga superlojas como H&M, Mango e Nike, a ponta oeste reúne endereços vintage, galerias de arte e restaurantecos: mistura de high e low, consumismo e vibe alternativa. Anteriormente conhecido por seus quartos de aluguel barato, hoje os charmosos casarões de estilo vitoriano foram ocupados por galerias de arte contemporânea, lojas de decoração, antiquários e butiques transadas de estilistas locais.
Convivem pacificamente com estúdios de tatuagem e sex shops, além de cafés de ares retrôs e restaurantes brasileiros, chineses, indianos e até orgânicos. A mudança se deu de uns cinco anos para cá, depois das reformas milionárias por que passaram alguns hotéis. Além de injetar vida nova ao lugar, ditaram também o tom da balada, que vem transformando o pedaço no novo point gay de Toronto.
The Drake Hotel (1150, Queen Street West, 416/531-5042, 1-866-372-5386, thedrakehotel.ca; diárias desde CAD$ 189, sem café da manhã) ganha no quesito luxo cool e vive cheio de gente descolada. Além de estúdio de ioga, tem um bar supersimpático na cobertura e quartos equipados com CD/DVD player. Os corredores servem como galeria de arte.
Mais malucão ainda, The Gladstone Hotel (1214, Queen Street West, 416/531-4635, gladstonehotel.com; diárias desde CAD$ 165, sem café da manhã; Cc: A, M, V) não se parece com nenhum outro hotel que você possa ter visto.
O predinho antigo com elevador jurássico de porta sanfona passa uma sensação de décadence avec élégance. Artistas canadenses receberam carta branca para pintar e bordar, resultando em 37 quartos totalmente diferentes, todos ultracriativos e divertidos.
Apesar do jeitão alternativo, dispõe de lençóis de algodão egípcio e produtos de toalete orgânicos, produzidos na região. Ambos são perfeitos para quem quer cair na balada: basta pegar o elevador até o térreo e se jogar!
Sim, os points mais quentes do bairro ficam justamente nos seus bares (o karaokê semanal do Gladstone foi apontado como o melhor da cidade por nove vezes consecutivas). Acordar de ressaca e faminto não é problema: come-se superbem na Queen West.
No Caju (922, Queen Street West, 416/532-2550, caju.ca), restaurante brasileiro descolado que foge do estereótipo “feijoada com pagode” (a deles vem acompanhada de bossa nova), come-se boa picanha e moqueca ainda melhor. Se preferir não enfiar o pé na jaca, almoce algo leve no Fresh on Crawford (894, Queen Street West, 416/913-2720, freshrestaurants.ca). Cardápio natureba, com sucos, saladas, sopas e sanduíches sem manteiga, ovos, mel ou lácteos.
Até há pouco fora do circuito turístico, a área conhecida como Roncesvalles Village, ocupada por imigrantes russos e do Leste Europeu, vem ganhando destaque, de carona na ascensão da vizinha West Queen West. Ainda bem subúrbio, seu comércio está começando a florescer (e o cenário deve mudar com a construção acelerada de prédios de condomínios). Não há melhor lugar para provar pratos típicos das cozinhas russa e polonesa, com seus perogies, schnitzels e rolinhos de repolho, em restaurantezinhos como o Lala’s Bistro (145, Roncesvalles Avenue, 416/516-2577, metrô Dundas; 2a/6a 9h/0h, sáb 9h/19h, dom 9h/17h; Cc: M, V), com românticas fotografias em preto-e-branco nas paredes de tijolo aparente. Além da exótica (para nós) gastronomia polonesa, outro atrativo do bairro é o High Park (1873, Bloor Street West, metrô High Park, highparktoronto.com; grátis), o maior parque de Toronto, com mais de 400 acres de área verde. Cerca de 1 milhão de pessoas passam por ali, todo ano, para admirar a beleza do lago que margeia o parque ou tomar um solzinho deitado na grama. As árvores de maple, quando se tornam laranja e rubi no outono, não podem faltar no álbum.
Chegar ao mercado India Bazaar, no coração de Little India, pode ser uma experiência decepcionante – ainda mais se estiver chovendo. O clima de abandono, com fachadas descascadas, toldos clamando por remendos e goteiras nas lojas, não anima. Mas, passado o baque, o que se vê é um pedacinho de Índia mesclado à Tailândia. Lojas e mais lojas vendem ricos saris multicoloridos, bordados à mão, com pedrarias, a preços de 30 a 3 mil dólares canadenses, dependendo da ocasião para a qual se quer o traje. Os vendedores, de túnicas, turbantes ou terceiro olho, além de sotaque carregado, não são de muitas palavras. Pesquisando, dá para achar echarpes de pashmina a um bom preço, em torno de 10 a 20 dólares canadenses. A culinária é um item à parte, com fartura de pão naan, curries mais ou menos picantes e chá pink, à base de amêndoa e pistache, tradição no Paquistão. O paraíso do curry é aqui: tem amarelo, verde, vermelho, defumado, suave, apimentado… Reduto de vegetarianos, é dos poucos lugares onde se encontra caldo-de-cana e mangas frescas, para alegria dos brasileiros expatriados. Vá para o almoço, pois as lojas costumam abrir depois das 13h. No Lanhore Paan Center (1435, Gerrard Street East, 416/462-3293; horário de funcionamento??? Cc??), o dono expõe na parede, com orgulho, recorte de jornal que aponta o lugar como o melhor da cidade para tomar o chá pink Kashmiri (CAD$ 2), estranho no começo, mas gostoso.
O reduto da comunidade GLS de Toronto anda perdendo um pouco da purpurina por causa do surgimento de outros polos gays, como a descolada West Queen West. Mas ainda dá para sentir, nitidamente, o clima aqui-vale-de-tudo que caracteriza o bairro.
Apelidada de The Village por seus frequentadores, tem umas plaquinhas fofas de nome de ruas com arco-íris, símbolo do movimento GLS. Dê uma passadinha na esquina das ruas Church e Alexander para ver a estátua do mercante escocês (e patrono do Village) Alexander Wood, primeiro homossexual assumido do Canadá. O pedaço ganha vida à noite e nos fins de semana, quando gays (solteiros ou não) lotam as ruas, bares e clubs. Muitos são nitidamente dirigidos ao público GLS, como o Zelda’s (692, Yonge Street, 416/922-2526, zeldas.ca ), que serve a cerveja Alexander Wood, especialmente feita para a vila. Outros estabelecimentos preferem não eleger preferidos.
O Fuzion (580, Church Street, metrô Wellesley, 416/944-9888, fuzionexperience.com), por exemplo, apesar de localizado no coração da vila, recebe gente de todas as tribos. No enxuto cardápio, nada ganha da sobremesa de chocolate branco e pistache, de matar de tão boa!
Vibrante e ruidoso, o pedaço mais helênico de Toronto, também conhecido como Greektown, é dos mais heterogêneos. Pubs irlandeses e lojas de conveniência chinesas dividem espaço com tavernas e butiques gregas ao longo da movimentada Danforth Avenue, artéria principal do bairro ao qual empresta o nome. Resista, se puder, aos sapatos das butiques gregas espalhadas ao longo avenida.
E vá de barriga vazia para comer em um dos restaurantes típicos, como o Kalyvia (420, Danforth Avenue, metrô Chester, 416/463-3333), que se encaixa à perfeição no estereótipo, com decoração exagerada (muito branco e azul-turquesa, plantas penduradas por todo lado). Todos servem especialidades como carneiro assado, souvlaki com molho tzatziki (iogurte, pepino e alho) e o famoso saganaki. Esse queijo de cabra frito à milanesa é teatralmente flambado com brandy na frente do cliente, ao som de um redondo “opa!” exclamado pelo garçom.

Torcida da Copa em Montreal: eu e Fabiola,
no alto. Acima, Claudia, Marly e Fabíola,
amigas que ajudam a matar a saudade do Brasil
A vida tem cada uma…. quando me mudei pra Montreal, um ano atrás, jamais imaginei que conheceria brasileiros. Mas logo no primeiro dia, no saguão do prédio, ouvi uma conversa em “paulistanês”e quase morri de alegria. Era minha vizinha Claudia (de top florido, na foto acima), hoje super amiga.
Daí vi que no parque ao lado de casa sempre tem mães brasileiras.
E nos botecos, lindas paulistas e cariocas.
Ontem, na farmácia do meu bairro, depois de ouvir um casal de namorados gordinhos discutindo sabonetes “Ai, amor, esse não….”, esbarrei com minha amiga Cinara, de Natal. E dei um alô pra mocinha do caixa, também do Nordeste.
Dá pra acreditar?
Eu diria que quase todo dia eu ouço alguém falando português por aqui perto.
O bom, disso, é que diminui a saudade da pátria.
E se em Montreal tem muito brasileiro, em Toronto, ainda mais. Que o diga a (brasileira, claro) Alessandra Cayley, jornalista como eu, que hoje vive lá.
Por isso, quando a Abril me escalou pra editar o recém-publicado Guia do Canadá (à venda nas bancas), foi ótimo: eu já tinha um gordo livrinho de telefones cheio de contatos de brazuco-canadenses!
A Alessandra, que tem um ótimo blog sobre Toronto, escreveu sobre o lado multiétnico da cidade. Ao editar o texto dela, acabei aprendendo muita coisa, e resolvi reproduzi-lo aqui, pra quem estiver de viagem marcada (em duas partes, a segunda vem a seguir).
O texto dela, assim como este meu primeiro ano de Montreal, serve pra mostrar que nunca se deve ter pré-conceitos. Olhada de perto, atentamente, toda cidade tem seu lado B….
Por Alessandra Cayley
O Canadá facilita a entrada de gente jovem e diplomada e oferece qualidade de vida de primeiro mundo. Com isso, acaba atraindo centenas de milhares de imigrantes. Toronto é a cidade escolhida pela maioria deles: a população, de 5,1 milhões, deve subir para 7,45 milhões até 2031. Cerca de 46% dos moradores da cidade são imigrantes.
Por que tanta gente quer morar lá? Por se tratar da maior, mais rica e importante cidade do país. Nessa salada multicultural, senhoras vestidas com elegantes saris pegam o metrô ao lado de rastafáris e portugueses de segunda geração. Cinco minutos dentro da estação Bloor-Yonge do metrô bastam para concluir que a famosa Torre CN (cartão-postal da cidade, com 553,33 metros de altura) deveria chamar-se Torre de Babel.
Ouve-se de urdu a alemão, de panjabi a espanhol, de mandarim a croata (e, claro, português, tanto do Brasil quanto de Portugal, Angola, Cabo Verde e Moçambique).
Espaço para acolher a toda a gente não falta: Toronto é uma cidade imensa (641 quilômetros quadrados), com longas avenidas e bairros espaçados, como Los Angeles, nos Estados Unidos. Naturalmente, os que vão chegando tendem a instalar-se próximo àqueles da mesma origem, e isso acabou por criar grandes bairros étnicos. Se qualquer metrópole cosmopolita tem sua Chinatown e sua Little Italy (ou sua Liberdade e seu Bixiga…), Toronto divide-se em muito mais pedaços étnicos do que o comum. Por aqui há Little Portugal, Little Poland, Little India, Koreatown e até um quadrilátero helênico, The Danforth. Somam-se a eles trechos da cidade dominados não por grupos étnicos, mas por tribos que se identificam pelo nome das ruas nas quais se concentram, como West Queen West (alternativos e solteiros), Church-Wellesley (gays) e Bloor-Yorkville (canadenses da nata, brancos e ricos).
O cenário pode mudar radicalmente de uma esquina para outra. De repente, desaparece a cidade norte-americana comum e surgem em seu lugar placas de estacionamento, letreiros e sinais em mandarim. A principal Chinatown (sim, porque há nada menos que seis Chinatowns em Toronto) é um vibrante emaranhado de lojinhas apertadas, que se expandem como podem, invadindo as calçadas e se esgueirando pelo espaço entre postes e fios elétricos dos streetcars (os vagarosos bondinhos).
Nesta Chinatown-mãe, situada entre Dundas Street West e Spadina Avenue, vende-se de tudo um pouco: de chá verde a mochilas da Hello Kitty; de bolsas de grife falsificadas a verduras, temperos exóticos e raízes medicinais. Só mesmo a esguia Torre CN no horizonte faz o visitante lembrar que estamos, sim, no Canadá.
O colorido dos toldos, na maioria vermelhos, mistura-se ao laranja, verde, roxo e amarelo das frutas – frescas ou desidratadas – disponíveis em bancas nas calçadas. Restaurantezinhos pouco convidativos servem dim sum, enquanto açougues expõem nas vitrines criaturas bizarras defumadas, penduradas pelo pescoço.
Para um café da manhã ou almoço rápido, tente o Zupa’s Restaurant & Deli (342 ½, Adelaide Street West, metrô St. Andrew, 416/593-2775), com jeitão de restaurante de vila, bem no meio da cidade. Dá para comer bem com 15 dólares canadenses.
Se quiser gastar mais e visitar o ponto das lulus, siga para o Frank (317, Dundas Street West, 416/979-6688, ago.net/frank), que fica dentro do Art Gallery Toronto (317, Dundas Street West, metrô St. Patrick, 416/977-0414), importante museu reinaugurado em 2008, depois de uma ampliação comandada pelo famoso arquiteto Frank Gehry (por isso o nome do restaurante).
O “starquiteto” acrescentou um enorme volume ao prédio original, mas conseguiu passar uma impressão de exímia graça e leveza. Es-pe-ta-cu-lar. O restaurante também é excelente, a começar pelo couvert: pães sete grãos, pumpernickel (escuro) e ciabatta, manteiga de leite de cabra, flor de sal.
Reserve ainda um bom tempo e um par de tênis confortável para explorar as lojinhas e o Kensington Market (entre as ruas Dundas e College), que, embora se chame mercado, refere-se na verdade a uma sucessão de ruazinhas e vielas de sobrados vitorianos gastos pelo tempo, onde há muito comércio de rua. Dominado pelos judeus no passado, o mercado é hoje um mix das diversas culturas presentes em Toronto, com predomínio da caribenha.
O aspecto de abandono do lugar não parece incomodar seus frequentadores, na maioria artistas, músicos, punks, rastáfaris, hippies e descolados em geral, que vão ao mercado não apenas pelos cafés e lounges alternativos, pelas lojas de roupas e móveis de segunda mão (o verdadeiro “vintage do vintage”) a preços imbatíveis.
Ir ao Kensington Market é um estado de ser, carteirinha virtual de membro da tribo cool da cidade. É sua tribo? Então fique por ali mesmo, no Canadiana Backpackers (42, Widmer Street, 416/598-9090, canadianalodging.com; diárias desde CAD$ 27, em quarto coletivo para seis a oito pessoas; Cc: A, M, V), um albergue acolhedor com staff gente boa. Tem uma sala para projeção de filmes, onde, às sextas-feiras, rola cinema com pipoca.
Toronto tem não um, mas dois redutos italianos: Corso Italia e Little Italy.
O primeiro, Corso Italia, fica entre a Dufferin Street e a St. Clair Avenue West, e é onde vivem os italianos de raiz.
Moradores idosos lembram personagens de filmes da máfia, conhecem-se pelo nome e não se cansam de contar a história do passado glorioso do pedaço, que já teve seus dias de charme. Comerciantes cuidam com esmero das fachadas dos casarões antigos, hoje ocupados por cafés, restaurantes e butiques de sapatos e roupas italianos. Fãs enlouquecidos vibram, entre um expresso e outro, durante os jogos de futebol. Nos últimos anos, somaram-se aos italianos imigrantes portugueses, brasileiros e mexicanos, tornando o bairro QG das torcidas durante as Copas do Mundo.
Não é destino turístico, mas um fiel retrato da vida como ela é, à italiana. A única atração propriamente dita é pedir um macchiatto com biscotto no 900 BAR (1228, St. Clair Avenue West, metrô St. Clair West, 416/654-9900; 7h/0h; Cc: A, M, V) e ficar vendo a vida passar em uma das mesinhas do pátio. Ali tudo foi trazido da Itália: do batente da porta à máquina de expresso – menos o staff, que é made in Brazil.
O outro reduto italiano, mais central e turístico, Little Italy, concentra-se no trecho charmoso e arborizado da College Street (entre as ruas Bathurst e Grace). É onde todo mundo quer estar no verão: basta o termômetro subir para surgirem mesas nas calçadas e rodas de amigos bebendo e rindo. É uma delícia comer uma massa ou pizza ao ar livre (que os locais preferem acompanhar com sangria ou cerveja na jarra, os famosos pitchers) e curtir música ao vivo nas cantinas e barzinhos.
Em alguns, como o Eat My Martini (648, College Street, 416/516-2549, eatmymartini.ca), que tem a maior seleção de martínis da cidade, a noite vai longe.
A College Street convida a um passeio ao cair da tarde: é cheia de lojinhas bacanas, como a Parade Ivory (760, College Street, ivoryparade.com; 416/699-2626), com enorme variedade de suvenires. Os ímãs de geladeira, cartões e agendas bem-humorados, com arroubos de donas de casa rebeldes dos anos 50, são o máximo. Comprinhas na mão, fique por ali para jantar. Verdadeiro tesouro, o Olivia’s at Fifty-Three (53, Clinton Street, metrô College, 416/533-3989, oliviasat53.com), de tão pequeno, quase passa despercebido. Sorte de quem o descobre, pois a comida é fantástica, e a preço razoável. Prove o steak argentino com lascas fritas de batata e molho cremoso de alho (CAD$ 33).
Oficialmente, o cruzamento das ruas Dundas e Dufferin, área de casas antigas que já viram dias melhores, chama-se Little Portugal. Mas hoje em dia açougues, bares e restaurantes lusitanos dividem território com os negócios de italianos e… brasileiros. Fica fácil reconhecer, de longe, o pagode e o sertanejo que ecoa das caminhonetes que circulam pela Dundas. Padarias vendem não só pasteis de nata portugueses e bolinhos de bacalhau como brigadeiros e coxinhas.
Picanha, farinha de mandioca e guaraná já são básicos nas mercearias. Se der saudade da comidinha de casa, almoce no O KILO (1454, Dundas Street West, metrô Dufferin, 416/539-0486; 2a e 4a/5a 11h/20h, 6a/sáb 11h/21h, dom 11h/19h; CAD$ 13,99 o quilo), provavelmente o primeiro restaurante por quilo de Toronto. Simples, com toalhas de mesa xadrezes de plástico, tem arroz e feijão honestos e feijoada aos sábados.
A noite no bairro está mais para botecos de vila do que para lounges chiques. Os sport bars, versão norte-americana dos barzinhos brasileiros, lotam na happy hour, nos fins de semana e em dias de jogo de futebol do campeonato europeu. A galera belisca amendoim, tremoços ou choriço de graça e o dress code é a camisa do time do coração: invariavelmente, Porto ou Benfica.
Ando com saudades de Nova York…. queria muito muito muito ter ido lá agora em julho, até porque meu primo Chico estava passando uma temporada na cidade e teria sido delicioso levá-lo em algumas comilanças mas…. não deu.
Acho que vou este mês (estou fazendo figas pra que sobre um tempinho!).
Mas, enquanto isso, vou acompanhando as novidades, claro. E uma das melhores quem me contou foi a Marcie Pellicano, que mora lá e conhece a cidade como ninguém. Ela me deu permissão de reproduzir esse textinho que segue, publicado originalmente no blog dela, o Abrindo o Bico. Marcie, prepare-se, vou te levar de cobaia comigo, hein?
A grande novidade culinária da cidade abre muito em breve, na West 23rd, pertinho da 5th Avenue: EATALY!
A idéia, importada de Torino, é mais um empreendimento dos restaurateurs Joseph Bastianich e Mario Batali – o que significa que a coisa já é sucesso, antes mesmo de ter aberto.
Projetado nos moldes do Chelsea Market, o Eataly vai ser um espaço enorme dedicado à gastronomia italiana: mercadinhos de comida, peixaria, açougue, lanchonetes e alguns restaurantes. Claro que, sendo um local italiano, não podem faltar as gelaterie e uma imensa adega de vinho.
Uma informação perigosa para a cintura: a maioria das lojas vai ter um balcãozinho onde você pode saborear um antipasto, beliscar um pannino…portanto, clima de alerta total.
Curiosamente o maior restaurante, o Manzo, vai ser dedicado – como o próprio nome indica – aos prazeres da carne. Digo “curiosamente” porque, em 15 anos de Itália, nunca encontrei um prato de carne digno de write home about. Vamos conferir.
E aqui, trechinho de um press release:
“This gourmand’s delight will feature cured meats and cheeses, fruits and vegetables, fresh meats, fresh fish, handmade pasta, desserts and baked goods and coffees.”
“Each retail area will be paired with its own dedicated restaurant, including a wood-fired pizza and pasta bar, a cheese and salami counter, a beef restaurant, a vegetable restaurant, a crudo and seafood bar, and a classic Italian bar serving gelato, espresso, and wine. There will be a separate wine shop, bakery and patisserie. On the roof will be a 4,500 square foot open-air rooftop beer garden serving pizza and sausages.”
Montreal tem várias coisas bacaníssimas. Uma delas é o novo Quartier des Spectacles, que é basicamente uma mega esplanada gigante que eles fizeram depois de desapropriar não sei quantos prédios. Um lado é coberto de um piso de cimento de onde jorram jatos d’água coreografados, como um “water show” (à noite, vira multi-colorido!!). O outro lado tem um gramado onde as pessoas sentam pra fazer piquenique, namorar, etc.
De dia……
Outra hora eu conto mais sobre a esplanada, os show que rolam lá, etc. São muitos. Mas o bacana é que o mesmo duo de arquitetos que projetou a esplanada desenhou também dois restaurantes-aquário que parecem brotar do chão:
Esses dois aí no alto do restaurante são Normand Laprise – o chef mais famoso do Québec – e a sócia dele, Christine Lamarche.
Eles são donos do Toqué!, considerado o restaurante mais sofisticado de Montreal. Que eu acho meio frio, pra falar a verdade.
E agora eles abriram este lugar novo no Quartier des Spectacles que é o máximo. Chama-se Brasserie T! e serve comida de bistrô clássica, sem firulas, a ótimos preços. Os ingredientes são de primeiríssima, a charcuterie, feita lá mesmo. Tudo de-li-ci-o-so!
Carrinho de queijos artesanais:
Terrines e patê de porco típico (creton) com brioche tostado:
Ovos recheados:
A linguiça da casa, feita de faisão, batizada de saucisse de Montréal:
O bar:
O gazpacho: tomate muito bom, azeite muito bom e (quase) mais nada:
Beterrabas orgânicas…
Suspiros…
Moranguinhos silvestres de um nível que simplesmente não existe no Brasil:
Biscoito de chocolate bem molinho por dentro:
Brasserie T! : 1425 rue Jeanne-Mance (esquina com St. Catherine), tel. (514) 282-0808 metrô Place des Arts