Boteclando

O melhor chope não é o do Pingüim

por Miguel Icassatti em

Lembro-me bem da primeira vez na qual estive no Pingüim: dia 30 de junho de 1999, uma quarta-feira. Era estréia de Ronaldinho Gaúcho na Seleção, durante uma Copa América. Ele faria um dos gols do 7 a 0 contra a Venezuela. Golaço, aliás, depois de chapelar um zagueiro.

Eu estava em Ribeirão Preto a trabalho, como repórter da Playboy, para visitar o campus local da USP. O hotel em que me hospedei ficava a duas quadras do bar e, como eu estava sozinho, decidi assistir à partida em companhia do mítico chope.

Não me lembro de quantas tulipas tomei naquela noite, mas certamente foram mais que o número de gols brasileiros.

No fim de semana passado voltei a Ribeirão Preto para um casamento. Saí de São Paulo pouco antes do almoço e a boa média de velocidade na estrada permitiu que eu chegasse à cidade antes das 4 da tarde – a tempo, portanto, de rever o Pingüim, já que o casório seria somente às 8.

Quando entrei no bar, uma mesa bem no centro do salão, era a única disponível. Meio que não acreditei, mas a melhor mesa, redonda, imensa, cercada por quatro cadeiras e um sofá de couro verde, a mais bem localizada, estava à minha espera. A mesa da diretoria, saca?

Assim que me acomodei, comecei a re-reconhecer o ambiente. Nas outras mesas havia gente da terra, turistas, todos conversando e bebendo.

Comecei a olhar para a decoração e lembrar de histórias – seriam lendas? – que diziam que uma serpentina saía diretamente da fábrica da Antarctica para o Pingüim, o que garantiria sempre a qualidade da bebida.

O garçom trouxe a primeira rodada. E veio a segunda, a terceira, até que ele solta à minha frente um copo cujo líquido parecia ter mais gás que uma bexiga. Estranhei, pedi para trocar, mas o estrago já estava feito.

Na verdade aquele chope ruim serviu para que eu desacreditasse o mito de que o chope do Pingüim é o melhor de todos. Se era há nove anos, quando lá estive, não me lembro mas custo acreditar que era. Se assim foi no passado, má sorte a minha que não pude experimentá-lo nos bons tempos.

Ainda assim, naquele momento compreendi que “tomar um chope no Pingüim” é mais legal, é melhor que “o chope do Pingüim”.

Se aquele quarto copo estava gasoso demais, os três anteriores não faziam feio, mas a espuma nem se comparava ao creme que é a do chope do Original, ou do Amigo Leal, por exemplo.

O chope do Pingüim é um bom chope, assim como o Ronaldinho Gaúcho provou ser um bom jogador. Craque, infelizmente, ele não é.

Pingüim. Rua General Osório, 389, Centro, tel. (16) 3610-8258.
Comentários (22)
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“tomar um chopp no pinguim…”
agradecemos a observação sobre a ambientação, pois esse é o foco do nosso trabalho, um trabalho calcado no cliente final e em cima de muita pesquisa.
essa sua observação indica que atingimos nossos objetivos.
um abraço
maria teresa