Boteclando

É sempre bom voltar no tempo e à Cantina Tempone

por Miguel Icassatti em

O badejo ao molho de camarão: recita dos bons tempos / Foto: Mário Rodrigues

 

Fazia quase cinco anos que eu não voltava à Cantina Tempone, no bairro do Pari. A última vez havia sido em julho ou agosto de 2007, quando incluí o restaurante em uma reportagem de capa para a Vejinha, intitulada “Treze Delícias do Pari”.

Almocei lá ontem, quinta-feira, depois de ter feito uma breve visita a um amigo. Voltar ao Pari, e ao Tempone, é sempre um grande prazer.

Na minha adolescência eu era um freguês bissexto do restaurante, que vivia lotado no almoço de sábado e domingo. Naqueles dias duros, era programa especial lá em casa o domingão em que eu e minhas irmãs baixávamos ali no salão para encomendar uma lasanha à bolonhesa ou canelone ao sugo ou um espaguete ao molho de calabresa.

Era sensacional: assim que nossa quentinha saía da cozinha do restaurante, acelerávamos o passo pela calçada, por quatro quarteirões. Quando chegávamos em casa, minha mãe já estava com a mesa posta à nossa espera. Foi inevitável não lembrar daqueles dias no almoço de ontem.

Esse típico restaurante de bairro, com um salão de decoração austera, é tocado pela família Tempone há quase 50 anos. Foi inaugurado e está na mesma Rua Rio Bonito desde 1965. Nos anos 1980, vejam só, chegou a ter uma filial na Rua Bela Cintra, no mesmo imóvel onde está o afamado Tordesilhas, da chef Mara Salles.

O anfitrião, Sergio Tempone, dá expediente no salão ao lado dos filhos, que revezam-se também no caixa. A esposa, Vera, fica de olho na equipe da cozinha, que é versátil, conforme pode-se ver no cardápio. As seis ou oito páginas, se não me engano, trazem uma boa centena de receitas, apresentadas em diferentes sessões: antepastos e entradas, saladas, dezenas de massas que podem ser combinadas com outra dezena de molhos, carnes, frutos do mar, peixes, aves e sobremesas. Enfim, papai, mamãe, vovó, vovô, filhinho e filhinha saem satisfeitos, de um jeito ou de outro.

Até pouco tempo atrás só eram preparadas receitas para duas pessoas – na verdade a porção média satisfaz três comensais tranquilamente – mas agora há opções individuais. Além do espaguete ao molho de calabresa, minha receita preferida, gosto muito do badejo com molho de camarão e frutos do mar. Mas desta vez provei o cabrito com batatas coradas e brócolis ao alho (R$ 34,80). A carne tinha cozimento perfeito, assim como as batatas, e o brócolis tinha uma textura deliciosa. O molho do cabrito estava um tanto quanto enjoativo porque notei a presença de vinho tinto em excesso.

Nada, porém, que não me fizesse sair dali feliz da vida por ter reencontrado, por pouco menos de uma hora, meus tempos de moleque.

Cantina Tempone. Rua Rio Bonito, 1421, Pari, 3311-0655.

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