Boteclando

O melhor sanduíche do mundo

por Miguel Icassatti em

Pão, carne, repolho e maionese. Sem mais / Foto: Miguel Icassatti

Quando o Peru’s mudou de endereço, em 2007, do velho, acanhado e surrado salão na Rua Júlio de Castilhos para o megaponto na Rua Cajuru, eu choraminguei. O velho boteco do Belenzinho, em que eu comia o maior e melhor churrasco da minha infância, havia se tornado um restaurante enorme, com decoração mais moderna, serviço de bufê e estação de grelhados, mais ou menos como um daqueles restaurantes de estrada, tipo Graal.

Por isso, quando quero comer o melhor sanduíche do mundo, me acomodo no balcão logo à entrada e guardo uma distância respeitosa para o salão. Não consigo mais ver a chapa pelando de quente, a carne fritando, a fumaça mas fico de olho na boqueta, à espera do meu lanche.

Nesses últimos seis anos, voltei ao Peru’s umas três ou quatro vezes — menos do que gostaria — e, na real, pude constatar que naquilo que o Peru’s me é caro, que é fazer o melhor sanduíche do mundo, ele continua o mesmo, inigualável.

O melhor sanduíche do mundo compõe-se de pão francês crocante, contra-filé temperado, molho de repolho e maionese (R$ 13,60). Na versão completa, a do segundo melhor sanduíche do mundo, cabem ainda alface, queijo e tomate (R$ 15,70).

Felizmente, o meu sanduba continua o mesmo. Fui eu quem mudei, troquei o guaraná da infância pelo chopinho.

Peru’s. Rua Cajuru, 1164, Belenzinho, tel. (11) 2694-6861, www.perussandubas.com.br

 

Passeio iberopaulistano – parte II

por Miguel Icassatti em

Balcão do sancho Bar y Tapas / Foto: Cida Souza

Três dias depois da visita ao Tonel, fui finalmente conhecer o Sancho Bar y Tapas, que, ironicamente, fica a três quarteirões da minha casa. Para minha frustração, vi mais defeitos do que qualidades no bar.

O ambiente é festivo e faz lembrar o astral dos endereços do mesmo tipo encontrados, por exemplo, em Barcelona, em Sevilha e Madri. Outro ponto positivo da casa é a oferta de bebidas. A seleção de cervejas não é enorme, mas foge do trivial e tem preços honestos: Backer Pale Ale a R$ 9,90 e as espanholas Estrella Galicia e Estrella Damm Barcelona, respectivamente, a R$ 5,90 e R$ 8,90. Entre os drinques, o pisco sour, correto, custou-me R$ 18.

Decepcionei-me, porém, com dois dos três itens que selecionei do cardápio: as croquetas de jamón (croquetes de presunto cru, R$ 19 a porção com 6 unidades), por exemplo, tinham um recheio com gosto acentuado de maisena — fiquei procurando o sabor do jamón e não encontrei…

O rabo de toro con polenta (R$ 17), a meu ver, poderia ser descrito no cardápio como polenta com rabada, já que a quantidade de carne, desfiada, é mínima. E, se por um lado não notei nenhum defeito nas patatas bravas (R$ 12), por outro tenho de dizer que já provei melhores.

Sancho Bar y Tapas. Rua Augusta, 1415, Consolação, tel. (11) 3141-1956.

 

 

Passeio iberopaulistano – parte I

por Miguel Icassatti em

As mesas do Tonel, em primeiro plano: excelente bacalhau / Foto: Miguel Icassatti

O chef Alex Atala costuma dizer que é possível fazer comida ruim com ingredientes bons, mas que não se pode fazer comida boa com ingredientes ruins. Daí que é importantíssimo celebrar um endereço em que a gente consegue encontrar ingredientes de primeira e cozinha, por mais simples que seja e é, das boas.

Felizmente, esse encontro ocorre no Tonel, uma tasca à moda portuguesa instalada numa esquina da Chácara Santo Antônio. O ambiente — eu sei, eu sei, o contraluz na foto não ajuda — remete a endereços como a Tasquinha do Fadista e outras que a gente encontra no Bairro Alto em Lisboa.

Estive lá há exatas duas semanas, num involuntário passeio por bares-restaurantes ibéricos nos últimos dias.

Ao cardápio: o bolinho de bacalhau (R$ 380), a bem da verdade, deixou a desejar. Achei muito massudo, farinhento. A alheira, por sua vez, estava uma delícia, bem temperada, com o recheio suculento e a casca sequinha (R$ 22).

De volta ao bacalhau, as “punhetas” (R$ 32) traziam o bacalhau cru desfiado e misturado com cebola, azeite e outros temperos sobre fatias de um bom e fresco pão..

O melhor do almoço, ainda bem, ficou para o prato principal: o bacalhau a lagareiro (R$ 96, para duas pessoas). Acompanhado de batatas ao murro e brócolis, vem à mesa servido  numa atravessa mergulhado em azeite borbulhante. Levíssimo e salgado na medida, sua matéria-prima é o pescado do tipo cod gadus morhua, que vem a ser o de melhor qualidade. A textura e o cozimento perfeitos e a brancura do peixe fizeram-me recordar da máxima de Alex Atala. Ele tem razão.

Tonel. Rua Antônio das Chagas, 409, Chácara Santo Antônio, tel. (11) 5181-5441. Só abre no almoço.

 

Jardins de delícias

por Miguel Icassatti em

Escrevi este texto originalmente, para a edição deste mês, fevereiro de 2013, da revista VIAGEM E TURISMO. Nele, indico alguns bares que têm jardins legais em SP.

Móveis bucólicos completam o clima agradável no Dita Cabrita

Móveis bucólicos completam o clima agradável do Dita Cabrita / Foto: Raul Zito

Sob a sombra de jabuticabeiras, palmeiras e outras árvores frutíferas e frondosas, a freguesia se acomoda ao longo de um comprido quintal do Dita Cabrita (Rua Barão do Bananal, 961, ditacabrita.com.br), a apenas um quarteirão da Avenida Pompeia – pela quietude, parecem algumas dezenas de léguas. O quintal estreito se expande conforme se aproxima da varanda coberta e do salão no fundo. Além da vegetação, chama atenção a mobília, em especial as pesadas mesas de diferentes tamanhos, garimpadas em antiquários e lojas de demolição. Para driblar a fome, passe os espetinhos e encare a especialidade da casa, o bolinho de polenta recheado com carne de cabrito (R$ 16,50, porção com seis) ou os miniacarajés (R$ 27,90, com seis). Nas tardes de sábado, uma vigorosa e bem temperada feijoada (R$ 51, para três) é servida. Bem tirado, o chope Eisenbahn sai por R$ 5.

Outros bares e restaurantes bons de cardápio de quintal

  • Casa do Espeto Músicos tocam MPB e sertanejo ao vivo, que seja dito logo de uma vez. Posto isso, os predicados: cerca de 50 tipos de espetos (assados, fritos, vegetarianos e doces) e de rótulos de cerveja, caso da holandesa La Trappe Tripel. Perfeito para curtir a céu aberto na Pompeia. (Rua Cotoxó, 582,casadoespeto.com.br)
  • Chácara Santa CecíliaParte desse bar-balada de Pinheiros é um bosque com pitangueiras, mangueiras e um laguinho de tartarugas. Do menu, comece com o chope Stella Artois (R$ 7,50) e a porção de pastel de carne-seca com queijo de coalho e manteiga de garrafa (R$ 22,50). (Rua Ferreira de Araújo, 601,chacarasantacecilia.com.br)
  • Genuíno No quintal dessa casa da Vila Mariana ficam palmeiras e outras árvores de copa alta. Ali se podem beber até dez brejas artesanais nacionais, como a Estrada Real IPA (R$ 21,50). Prove o escondidinho de costela com purê de mandioquinha (R$ 27). (Rua Joaquim Távora, 1217,genuinochopp.com.br)
  • The Queen’s Head No Centro Britânico Brasileiro, em Pinheiros, a casa se divide em pub inglês, onde bandas tocam covers de rock, e bar bem moderno, montado numa espécie de deque rodeado de plantas com vista para a rua. Tem boa carta de bebidas, com chope Guinness (R$ 14). (Rua Tucambira, 163,queenshead.com.br)

Minuto de silêncio para o Sr. Carlinhos

por Miguel Icassatti em

Neste domingo, 27, às 11 horas, na Paróquia Armênia Católica São Gregório Iluminador (Avenida Tiradentes, 718) será celebrada a missa de sétimo dia de Missak Yaroussalian, o “Carlinhos”, criador do arais, a delícia da gastronomia paulistana reproduzida na foto abaixo e servida diariamente em seu restaurante no bairro do Pari.

Arais, do Restaurante Cralinhos

 

Neste post, o jornalista Marcelo Duarte, um entusiasta do arais, descreve a biografia do Sr. Carlinhos, que vem a ser o pai de dois amigos meus de infância: o Fernando e o Fábio, que ao lado da mãe, dona Vartuhy, manterão o legado do pai à frente do restaurante.

Para além dos arais, dos basturmalãs e de outras receitas sirio-armênias que ele preparava (e, consequentemente, para além de ter sempre esses motivos para sempre voltar ao bairro em que passei grande parte da minha vida), tomo como uma grande lição deixada pelo Sr. Carlinhos a importância que temos de dar à família.

Se você já foi ao Carlinhos, recebeu o abraço de boas-vindas do Fernando na entrada, notou a elegância com que Dona Vartuhy comanda o caixa e conferiu, na boca da cozinha, como era a sintonia de trabalho entre Missak e Fábio, então, você sabe do que eu estou falando.