Direto de Buenos Aires

Comidinhas além do alfajor

por Maria Cecilia Arra em

Señoras y señores, Guia Quatro Rodas Buenos Aires 2012/2013

A primeira vez que o GUIA QUATRO RODAS viajou para fora do Brasil foi em 2010. O destino era Buenos Aires. A missão era visitar e avaliar hotéis, restaurantes e atrações do mesmo jeitinho que fazemos com as cidades brasileiras no Guia Brasil, o carro-chefe das nossas publicações. A experiência dessa viagem não poderia ter sido melhor. O sucesso do Guia Quatro Rodas Buenos Aires foi tamanho que deu margem para a segunda vez. Duas boas novas: este ano, a equipe fez as malas e cruzou as fronteiras do país novamente, com o mesmo destino e a mesma missão. O resultado você vai encontrar nas bancas no fim do mês de maio – o Guia Quatro Rodas Buenos Aires 2012/2013 está imperdível, pode acreditar.  A outra novidade você lê por aqui: a partir de hoje, este blog volta a ser alimentado, com as dicas e as descobertas dos nossos repórteres, sem dúvida, essenciais para a sua próxima viagem à capital argentina.

-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*

 Para começar diferente: além do alfajor

Os clássicos da gastronomia são os que mais encantam brasileiros em Buenos Aires. Não é para menos, né? O bom e velho alfajor, a carne de primeira e o vinho primoroso têm a relação custo-benefício que jamais vimos por aqui. Mais ainda, esses produtos carregam a identidade da Argentina – e já são figurinhas carimbadas e obrigatórias.

Seja ousado: esqueça o alfajor enquanto estiver em Buenos Aires - Foto: Pedro Rubens

A ideia da lista abaixo é, então, fugir um pouco dos clichês. Depois de provar a melhor panqueca de dulce de leche da sua vida, parta para a chocotorta, que tal? Na balada, banque o descolado e peça fernet com Coca-Cola. Relacionamos a seguir as bebidas e as comidinhas mais pedidas pelos moradores de Buenos Aires, que poucos visitantes conhecem e que são a completa imersão no cotidiano portenho.

Chocotorta: bolo feito com bolachas de chocolate, doce de leite e queijo cremoso. Tipicamente caseiro, faz parte do cardápio de restaurantes e cafés de Palermo, Villa Crespo e Recoleta.

Fainá: massa fina feita à base de farinha de grão-de-bico, água, azeite de oliva, sal e pimenta. Normalmente, a receita é servida com pizza.

Fernet: bebida destilada de sabor amargo, trazida para a Argentina pelos imigrantes italianos. Hit nos boliches (casas noturnas), é quase sempre misturada com Coca-Cola. A marca mais comum é a Branca.

Mantecol, o torrone argentino - Foto: Wikimedia Commons

Mantecol: espécie de torrone preparado a partir de pasta de amendoim, é muito associado à infância dos argentinos. Nos anos 80, antes de ser encontrado nos kioscos (lojinhas de doces muito comuns na cidade), era vendido por quilo.

Moscato: vinho doce feito a partir da uva Moscatel. É facilmente encontrado em bares e pizzarias mais tradicionais de Buenos Aires. Segundo uma música argentina, “moscato, pizza e fainá formam uma tríade infalível”.

Vigilante ou Queso y Dulce: é a versão argentina do Romeu e Julieta, doce que combina queijo com goiabada.

Tudo que é bom, acaba

por Marcelo Barbão em

Amigos leitores, depois de mais de três anos escrevendo semanalmente aqui no blog, terei que deixar a companhia de vocês. Infelizmente, por decisão do Viaje Aqui, o blog deixará de ser atualizado (mas não sairá do ar podendo ser consultado).

Foi ótimo ter o contato com vocês por todo esse tempo e continuarei passeando por essa cidade linda conhecendo novos lugares. Assim, se estiverem por aqui e virem um gordinho de óculos tirando fotos de pratos ou de lugares incomuns da cidade, há grandes chances de que seja eu.

O mais provável é que não inicie, por enquanto, outro blog pois preciso dedicar mais tempo a meus livros (publicarei pela Ímã Editorial ainda este ano meu terceiro romance cuja história acontece entre Argentina e Brasil durante os anos das duas ditaduras), mas convido todos a se conectarem comigo via Facebook (https://www.facebook.com/marcelo.barbaobarbon) ou Twitter @barbao, e eu aviso se mudar de ideia. Quem quiser e precisar de ajuda pode escrever para meu email marcelobarbao Arroba gmail.com e seu eu puder (não garanto), respondo.

Um abraço a todos e nos vemos, che.

Categorias

Tags

Recordar é necessário

por Marcelo Barbão em

O outono começa oficialmente esta semana, mas o clima em Buenos Aires já está bem mais agradável depois de um verão sufocante. E alguns amigos aproveitaram essa semana para me visitar aqui (tudo bem, tudo bem, eles vieram passear, eu estava aqui por acaso).

Como não costumo levar pessoas a restaurantes e passeios que não conheço, então esse fim de semana foi de retorno a velhos conhecidos. Uma boa oportunidade para verificar se os bons restaurantes e passeios continuam com qualidade.

Não tem jeito, apesar de ir sempre a Palermo, a Belgrano, ao Centro e já ter passado por muitos bairros portenhos, meu cantinho preferido é San Telmo – nunca escondi.

Adoro mesmo o caos e na muvuca da feira de domingo. Por isso minhas andanças foram por ali. Ah, devo informar que eram dois casais amigos meus, mas não entre si, por isso foram “salidas” separadas.

O primeiro era vegetariano, por isso nada melhor do que levá-lo a um dos melhores restaurantes desse estilo na cidade (talvez o melhor), o Naturaleza Sabia. Fizemos reserva e fomos muito bem tratados (por incrível que pareça, depois de quase dois anos, a garçonete nos reconheceu!), como era de se esperar.

Eu pedi uma salada com tofú grelhado que estava simplesmente assombroso (de tão delicioso), já a Stella preferiu uma milanesa de soja com salada, também muito bom.

Ao final, quando nos perguntaram se tínhamos gostado da comida, foi só olhar os pratos (os 4 totalmente limpos) e nem precisamos responder.

Como bela esticada para a agradável noite, nada melhor do que simplesmente sentar numa mesinha na Plaza Dorrego e bater papo (nossos amigos eram vegetarianos, mas não abstêmios, ainda bem). O bom da Dorrego é que sempre tem boa música por perto. Nessa noite se revezavam uma banda de blues e rock (tocando de Jimi Hendrix para cima) e outra de tango. Pedimos vinho e cerveja e colocamos as fofocas em dia.

Os outros amigos não eram vegetarianos, por isso resolvemos matar a saudades do Desnivel. A simples parrilla continua espetacular: barulhenta, lotada e com excelente carne. O que mais é preciso?

Como estamos – acreditem se quiser – fazendo dieta para perder os quilos a mais (que se reproduziram depois que viemos morar aqui), apenas dividimos um bife de lomo com salada. Mas para quem já deu um pulo no lugar, sabe que a metade de qualquer carne é mais do que suficiente.

O dia de sol fez com que algumas cervejas fossem necessárias e um café no final. Um sorvete do Freddo para fechar a refeição (ainda bem que a nutricionista não entende português).

E muita caminhada pela Defensa com os amigos comprando alguns enfeites para a casa e até camisetas psicodélicas.

Voltar a dois bons restaurantes e ver que continuam com qualidade dá muita satisfação. Para vegetarianos e carnívoros, há boas pedidas a poucos metros de diferença.

Naturaleza Sábia
Balcarce 958
www.naturalezasabia.com.ar 

 

El Desnivel
Defensa 855
www.parrillaeldesnivel.com.ar

A Nova Música Brasileira em terras portenhas

por Marcelo Barbão em

Não é de hoje que os argentinos adoram a música brasileira. E não só os clássicos de sempre (Chico, Caetano e outros estão “carecas” de encher teatros por aqui), também os novos cantores e músicos.

Como no próximo dia 25 de março quando Criolo e Emicida vem tocar seu rap e hip-hop pela primeira vez por aqui. O show acontece no já famoso Niceto Club que já foi assunto deste blog.

E ainda com um preço muito bom: 50 pesos para ver o queridinho da crítica brasileira.

Niceto Club
Niceto Vega, 5510
www.nicetoclub.com/

La Popular de San Telmo

por Marcelo Barbão em

Fomos de bicicleta do Congresso até San Telmo pois ali há um quiosque num dos cantos da Praça Lezama. Um pouco difícil de encontrar nos fins de semana porque está no meio de uma feira de artesanato, com muitas barraquinhas amarelas. Nessa pequena viagem (uns 4 quilômetros), seguimos uma parte pela ciclovia, mas ela termina ao chegar em San Telmo.

Cruzamos o bairro de Constitución, um dos mais problemáticos da cidade, o que aumentou a aventura. Nas ruas menores de San Telmo o problema é fugir dos paralelepípedos.

No fnal da viagem, nada melhor que um bom restaurante nas redondezas, por isso cruzamos o parque e fomos até a rua Caseros. Uma linda rua no extremo sul do bairro que era quase totalmente residencial poucos meses atrás, mas agora possui uns 5 ou 6 restaurantes em um quarteirão. Um deles já foi bem resenhado por meu amigo Tulio no blog dele, por isso resolvemos ir ao La Popular, na esquina de Caseros e Bolívar.

Apesar de ter todo o jeito de bodegón, é um restaurante que abriu há quatro meses. Apesar de o prato principal ser tortillas (há mais de 10 tipos), a truta na manteiga com purê e azeitonas pretas estava muito chamativo nos “pratos do dia” para ignorar.

Para matar o calor, cerveja Imperial vermelha e negra. Os prato demoraram mais do que o normal para um restaurante que não estava cheio, mas o sabor estava realmente muito bom. A Stella tem a impressão de que o diretor de cinema Juan José Campanella era quem estava ali na mesa ao lado. Eu não sei, mas pode ser algo bom para o restaurante ter celebridades almoçando, não?

Nada de sobremesa desta vez e mesmo assim o almoço não foi barato: 202 pesos sem gorjeta.

La Popular de San Telmo
Av. Caseros esquina com Bolívar