Direto de Buenos Aires
Qual é o seu alfajor preferido?

Alfajores trazidos para a redação do viajeaqui, prontos para serem saboreados! (Fotos: Maria Cecília Arra)
Nos incontáveis kioskos (lojinhas que vendem guloseimas) espalhados por Buenos Aires, a diversidade de marcas de alfajores encanta o visitante. São embalagens de todas as cores, que anunciam características como tipo de cobertura, número de camadas, recheio extra e ingredientes adicionais. E além do sabor tradicional, há variantes criativas como aquelas com massa de arroz, recheio de frutas ou mousse e inclusão de castanhas e amendoim.
Foi assim que arranjei um doce problema: descobrir quais são as marcas mais saborosas. Coloquei na mala 16 pacotinhos de alfajor para compartilhar com meus colegas de redação. Fizemos uma degustação com cinco jurados do viajeaqui para eleger os três reis dos kioskos. A seguir, o resultado da nossa árdua tarefa, de saborear criticamente alfajores com cobertura de chocolate e recheio de doce de leite:
Primeiro lugar: Jorgito

A embalagem pode não ser a mais bonita, mas o conteúdo se destacou. Os jurados do viajeaqui elegeram, por unanimidade, o Jorgito como o melhor alfajor dos kioskos de Buenos Aires. Cobertura de chocolate de qualidade, massa macia e recheio de doce de leite cremoso e saboroso. Açúcar na medida certa. Exquisito!
Segundo lugar: Negro

Alfajor Negro, irmão do Blanco: recheio de qualidade
Conseguiu se destacar diante de concorrentes de peso como o Chachafaz e o Terrabusi, marcas conhecidas pelos portenhos. A cremosidade e sabor do doce de leite saboroso garantiu a medalha de prata. As castanhas na cobertura tão um toque especial à delícia.
Terceiro lugar: Fantoche

Fantoche: o destaque é a massa macia
A cobertura de chocolate não é de primeira, mas a massa e o recheio compensam. Não é daqueles alfajores que parece um biscoito duro, pois a massa tem a umidade perfeita.
Então, fica a dica para quem está embarcando para a Argentina: vá além do conhecido alfajor Havanna e se aventure pelos kioskos. Quem sabe você se apaixona por um deles e enche a mala para apresentá-lo aos amigos e familiares? E não se esqueça de contar para nós qual é sua marca preferida!
A noite portenha – parte I: bares

Cervejas artesanais do Antares
Éramos duas amigas. Queríamos descobrir a noite de Buenos Aires. E fomos.
A capital tem bares históricos, temáticos, com cara de balada ou de café. Tomar uma boa cerveja – nem sempre geladíssima, como os brasileiros gostam – é tradição da vida boêmia da cidade.
Chegamos de táxi ao Antares, um bar que fica na Calle Armenia, em Palermo Soho, o primeiro da nossa lista (observação: sim, listamos os endereços que mais chamaram atenção. Não tínhamos tempo a perder e, se houvesse casas próximas, emendaríamos entradas). Era sexta-feira, estava lotado, tivemos de esperar do lado de fora. Não passava das 22 horas e aquilo estava fervido que só – ouvíamos o som e as risadas mesmo da rua. Se havia um medinho de não ficarmos à vontade, sumiu assim que entramos. Esperavam-nos duas cadeiras altas do balcão, bem em frente ao DJ. Era hora de curtir.
O Antares funciona num galpão de pé direito alto, cheio de mesas. Apesar da música ao vivo, ninguém dança. As cervejas artesanais, o orgulho da casa, ficam armazenadas em grandes tonéis. Dá gosto de ver (e beber, claro). Provamos a kölsch, de paladar frutado e a honey beer, de mel. Além das sete cervejas fixas no cardápio, há sempre uma rotativa, especial, que muda a cada seis meses. O barman, assistindo à nossa degustação, sugeriu que partíssemos para os drinques. Aceitamos de bom grado duas margaritas frozen, deliciosas, por sinal. Gente bonita, bem vestida, mas o clima não era de azaração. Sem muitas emoções, encerramos por ali.
Na noite seguinte, depois de um show de tango em San Telmo, jantamos no Bar El Federal, um dos notáveis de Buenos Aires. Aberto em 1864, ainda preserva a decoração original. Bem diferente do anterior, a pedida ali era cervejinha e milanesa com batatas fritas. Outra casa com a mesma pegada é o Bar de Cao. Com jeitão de café antigo, é lugar para experimentar um bom chope artesanal, acompanhado da caponata de berinjela.

Nós, prontas para sair! A Mirela está à esquerda
Os bares em Palermo conseguem concentrar itens importantes para atrair o pessoal descolado que costuma bater ponto por ali: boa música e ambientes agradáveis. O Carnal é um deles. No térreo, a luz baixa deixa o clima mais romântico e mais vazio (é bem mais fácil chagar ao balcão para fazer o pedido). Mas é no andar superior que a coisa esquenta. Grupos de jovens se reúnem nas tendas estilizadas enquanto bebericam o drinque Passión Carnal, uma mistura de rum, suco de laranja e pêssego – as amigas que fizemos na entrada que nos deram as dicas. O Congo, em Palermo Soho, foi um dos favoritos. Na parte interna, os salões são aconchegantes com sofás e pouca luz. Do lado de fora, num quintal com árvores e pouco iluminado, a noite bombava. Quem estava em busca de paquera se encontrava ali. A música alta vira pretexto para sussurros ao pé do ouvido, testemunhamos várias investidas. Só faltavam as bebidas. Os barmen (muy ricos, diga-se) vendo a indecisão nos olhos que corriam sem rumo pelo cardápio, sugeriram que fizéssemos como portenhas legítimas, mas o Fernet com Coca-Cola foi um erro. Os copos ficaram cheios.
Buenos Aires para casais

Rosedal, no maior love - Foto: Xavier Martin
Acho que o segundo maior objetivo dos brasileiros em Buenos Aires é namorar (o primeiro é gastar, sem dúvida. Já falamos de compras aqui no blog, lembra?). Um motivo mais nobre, não? E a capital argentina é daqueles destinos só love: além de estar perto, tem climão de Europa, cenários inspiradores, hotéis cheios de mimos, vinhos, doce de leite, tango… ai, ai. É muito amor.
Neste post estão listados aqueles lugarzinhos para namorados. Passeios, hospedagens e restaurantes para tornar a viagem inesquecível, classificados pelo grau de romance (um, dois ou três ♡).
Passeios românticos
Piquenique nos Bosques de Palermo ♡♡
Passe em uma casa de empanadas (sugiro duas: El Sanjuanino ou La Cocina), compre os quitutes (peça para embrulhar) e rume para os Bosques de Palermo. O complexo de parques também conhecido como Tres de Febrero foi inspirado no Bois de Boulogne, de Paris. Apesar de sempre movimentado, com atletas de ocasião se exercitando o dia todo, é no fim de semana que os portenhos vêm aproveitar os gramados e jardins interligados por uma ciclovia. O preferido dos casais é o lindo Rosedal. As flores (rosas, claro) brotam em grande variedade de cores, ladeadas por um pergolado. Também faz parte dos Bosques outra boa opção para os apaixonados, o Jardín Japonés. Projetado pela colônia japonesa da cidade e impecável na conservação, tem cantinhos para momentos a dois.
De trem até Tigre, nos arredores de Buenos Aires ♡

A cidadezinha de Tigre, a parada final do Tren de la Costa - Foto: Bruno Agostini
A 32 quilômetros da capital federal, a Estação Delta, na tranquila cidade de Tigre, é a última parada do Tren de La Costa. O percurso ferroviário atravessa 11 estações, em cerca de meia hora, margeando o Rio da Prata. Os vagões não costumam lotar, são espaçosos e com ar-condicionado. Para pegar o trem, é preciso ir até a estação Maipu (em Olivos, fora de Buenos Aires), de táxi ou tomando o trem metropolitano na Estação Retiro. Durante a viagem, cada uma das paradas tem um quê de especial – há feirinhas de artesanato e produtos naturais em quase todas elas aos fins de semana. Programe-se para conhecer a arborizada San Isidro (na estação homônima). Já na estação Delta, o vilarejo de Tigre tem diversas atrações para um bate e volta – passeio de catamarã (contratado na hora), parque de diversões e até um cassino.
Shows de tango ♡♡
Poucos ritmos traduzem tão bem a alma de uma nação quanto o tango na Argentina. Os shows de tango espalhados por Buenos Aires tratam de disseminar a paixão portenha pela música e pela dança – aqui e ali, pelas ruas do Centro, por San Telmo, casais se apresentam, improvisam e ganham a atenção dos turistas. Mas, ir a um show de tango, numa casa tradicional e pagando um (salgado) ingresso é um programaço para casais. Geralmente, contrata-se um pacote que além do show, oferece jantar típico e traslado a partir do hotel. Na hora de escolher um espetáculo, leve em conta a diferença entre os palcos tradicionais – meus favoritos, com apresentações mais intimistas – e as produções grandiosas – tipo exportação mesmo. Atendendo às duas vertentes, sugiro uma de cada: Bar Sur, para os tradiças (prepare-se para ser tirado para dançar!), e Señor Tango, para quem prefere um espetáculo à la Broadway.
Hotéis românticos

Banheiro da suíte do Alvear - Foto: divulgação
Buenos Aires tem hotéis para casais em praticamente todas as esquinas. Para esbanjar, Alvear e Faena estão a postos. Mas os hotéis do tipo butique atendem bem essa demanda, são mais aconchegantes (e mais acessíveis). Combinar serviço e localização é imbatível. Você procura…
Luxo?
O Alvear Palace (♡♡♡) é o melhor hotel de luxo de Buenos Aires. Prepare-se para mimos mil, mordomos engraxando seus sapatos e preparando a hidromassagem, um spa completíssimo e boa comida. Os dois restaurantes – o L’Orangerie e o La Bourgogne – além de maravilhosos, tem clima perfeito para o romance. Já no Palacio Duhau Park Hyatt (♡♡♡), o clássico e o moderno se afinam. Numa construção de 1934 está parte das acomodações. O restante fica no prédio anexo, contemporâneo e chique. No check-in, suas roupas são passadas e guardadas como cortesia. Os namorados têm vez nas aulas de tango em um dos lindos salões do palácio.
Você pode gostar também do Faena Hotel + Universe (♡♡) e do Four Seasons (♡♡)
Aconchego?
Isso é fácil. No Guia Quatro Rodas Buenos Aires 2012/2013, estão listados mais de 30 hotéis com esse perfil. Mas um tipo especial deles, os “butique”, são sob medida. Geralmente, ocupam antigos casarões, mas exibem decoração moderninha e acomodam menos gente (não têm mais de 40 quartos). Assim, o atendimento acaba sendo mais personalizado, intimista.
Você pode gostar do Casa Sur (♡♡), do Home (♡) e do Mine (♡)
Custo-benefício?
Alguns hotéis portenhos são verdadeiros achados. O Novotel (♡♡), por exemplo, tem diárias mais baratas que a média dos concorrentes do mesmo porte. De quebra, os quartos são completos
Você pode gostar também do Dazzler Tower San Telmo (♡) e do Axel (♡, o primeiro hotel cinco-estrelas para gays na América Latina, segundo o jornal americano The New York Times)
Hostels?
Cada vez mais arrumados e quase sempre perto de pontos turísticos, os albergues crescem na aceitação de casais. Os endereços relacionados nos sites hostelargentina.com e hostels.com permitem que a reserva seja feita online e o acerto, no próprio estabelecimento (nem todos aceitam cartão).
Restaurantes românticos
Um jantar à luz de velas no terraço do estrelado Duhau (♡♡♡) pode ser inesquecível ; o Nectarine (♡♡), de boa cozinha francesa, seduz pelo ambiente romântico, com móveis escuros e cadeiras de forro de pelúcia branca; o italiano Cucina D’Onore (♡) tem um bar classudo na entrada e boxes mais reservados para casais. Não hesite em escolher um bom restaurante se for comemorar alguma data especial em Buenos Aires. Vocês merecem!
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As boas compras em Buenos Aires

Rebajas! Aproveite as liquidações para encher as sacolas - Foto: Xavier Martin
Não adianta chorar. Ela não é mais a barbada de outros tempos. Simples assim. Mas o câmbio permanece favorável – apesar da desvalorizada dos últimos tempos – , os vinhos, artigos de couro e as grifes continuam por ali. Se os preços não estão convidativos como antes, aproveite do jeito que dá. Ainda é possível, sim, fazer compras e encher as sacolas em Buenos Aires. Conto como agora.
OS OUTLETS
Os outlets da Avenida Córdoba (entre a Calle Lavalleja e a Avenida Juan B. Justo) são tiro certo para garimpar descontos, mas vale ficar atento. Os pontos manjados pegam os desavisados: as araras costumam esconder artigos com pequenos defeitos, sujos e até de origem duvidosa (certifique-se de que a camiseta não está descosturada e que os zíperes da bolsa abrem e fecham normalmente antes de passar no caixa, ok?). Os preços não pareceram tão legais? É bem possível que você encontre um pacote de meias Nike pelo mesmo valor na loja do shopping. Gaste onde for mais conveniente.
Onde ir: Avenidas Córdoba (entre a Calle Lavalleja e a Avenida Juan B. Justo, no Centro), Francisco de Aguirre e Gurruchaga (em Villa Crespo)
OS SHOPPINGS

Palermo é o bairro das fofurices - Foto: Xavier Martin
A época da viagem determina a quantidade de promoções nas vitrines. Funciona mais ou menos como no Brasil: fim de coleção, estoques ainda cheios, liquidação. Janeiro e julho (oba!) são meses de começo de rebajas, com maiores chances de fazer bons negócios. Fora da temporada de descontos, foque nas lojas que não existem nos shoppings brasileiros.
Onde ir: se o tempo for curto, escolha entre o Abasto (Av. Corrientes, 3247, Abasto), Dot Baires (mais afastado, fica em Saavedra, a 30 minutos de táxi do Centro de Buenos Aires) ou o Unicenter (também mais longinho, em San Isidro). Eles têm mais lojas e praças de alimentação amplas
AS LOJAS

Meias-calças com estampas inspiradas em filmes da Nolineal - Foto: divulgação
Entre um ponto turístico e outro, lojinhas incríveis, que valem uma visita em qualquer época do ano, aparecem pelo caminho. Aproveite para conhecer as marcas locais, que têm preços mais camaradas.
Onde elas devem ir: Isadora (de acessórios fofos e baratinhos), L’ago (de objetos de decoração diferentes), Nolineal (de roupas íntimas estampadas), Cuesta Blanca (roupas moderninhas e descoladas)
Onde eles devem ir: Kevingston (camisetas de polo e rúgbi), Winery (vinhos com boa relação custo-benefício)
APOSTE EM:
1. Cartão de débito internacional ou cartão pré-pago de viagem. O crédito virou inimigo dos shopaholics de plantão desde que a taxa do IOF subiu para 6,38%.
2. Tax free. O Global Blue é um programa internacional que devolve ao turista o imposto pago. Peça restituição das taxas embutidas no que você comprar em lojas credenciadas. Saiba mais aqui: global-blue.com.
3. Free shop. O Duty Free do Aeroporto Internacional de Ezeiza é bem mais completo do que os similares brasileiros, além de ter preços mais amigáveis. Reserve um dinheirinho para ele
Hotel Boca: luxo para torcedores do clube de futebol

Quarto aconchegante, amenities L'Occitane e decoração azul e amarela: praticamente La Bombonera de luxo – Foto: Reprodução/hotelbocajuniors.com
Se fosse possível definir a rede hoteleira de Buenos Aires em uma só palavra, a tarefa de escolher uma hospedagem não seria tão difícil. Hotel-design ou hotel-butique? Econômico ou classudo? No burburinho do Centro ou mais afastado? Por ali é assim, para todos os gostos. E as novidades aparecem durante o ano inteiro e nos deixam ainda mais duvidosos na hora de fechar a estadia. Só em 2011 foram 14 novos empreendimentos e, com o turismo em alta, a tendência permanece. Mirela Mazzola, que foi responsável pela reportagem do Guia Quatro Rodas Buenos Aires 2012/2013, visitou o lançamento mais aguardado dos últimos meses: o Hotel Boca, primeiro temático do mundo sobre um clube de futebol (no caso, Boca Juniors, claro. A gente já conversou sobre futebol no post sobre museus, lembra?). Ela conta o que achou:
“Por essa os millonarios, como são chamados os torcedores do River Plate, não esperavam. Eles tiveram de engolir o chiquérrimo Hotel Boca, inaugurado em março de 2012 pela rede Design Suítes. O primeiro hotel temático do mundo sobre um clube de futebol demorou dois anos para ficar pronto e custou US$ 25 milhões. Está no Centro da cidade e abriga 85 confortáveis quartos – todos eles com ótimas camas king size, cosméticos L’Occitane, um canal interno de TV com os jogos clássicos do time e móveis italianos especialmente desenhados para o empreendimento. A piscina do Hotel Boca tem tamanho de sobra – é semiolímpica – e ganha o colorido de pastilhas azuis e amarelas, as cores oficiais do clube. Não muito longe dela está a hidromassagem, para seis pessoas. No bar, um telão exibe imagens de La Bombonera. Os serviços são melhores que, digamos, os de um camarote vip de estádio. Há quatro mordomos por turno (incluídos na diária) e pacotes com visitas ao campo, ao museu do Boca e, claro, para assistir aos jogos.”
Hotel Boca, Calle Tacuarí, 243 (Centro), tel. + 54 11 4896-6359. Diárias desde US$ 200 (mais IVA)
