Direto de Buenos Aires
El Baqueano: Carnes exóticas em San Telmo
Talvez o melhor restaurante de Buenos Aires esteja justamente no meu bairro favorito: San Telmo. Como os Titãs, eu sempre encontro o melhor restaurante de toda a cidade deste mês. É que não sou um especialista em culinária ou gastronomia, mas sei reconhecer quando uma comida é bem preparada.
O Baqueano ali na esquina de Chile com Bolívar, é um pequeno bistrô indoors com uma proposta original: a exploração de carnes autóctonas, ou seja, carnes argentinas exóticas. E quando digo exóticas, é para levar a sério.
Como todo indoors, o Baqueano também é atendido por seus donos. O chef é Fernando Rivarola que, simpático, até veio conversar conosco ao final. Sua esposa atende as mesas e vai contando como funciona o menu.
Ele é fechado, em 7 passos e, como já falei, formado todo com carnes exóticas. Ah, e muda todo mês, portanto como fui em abril, esse já não é o menu que alguém experimentaria agora.
Veja também: 10 restaurantes para comer comida argentina em Buenos Aires
Antes de começar, eles trazem um coquetel feito a partir de diferentes texturas de milho. A primeira entrada foi um carpaccio de camarão de Puerto Madryn (cidade na Patagônia) com abacate e uma desconstrução de molho rosê. Sensacional. No entanto, a segunda entrada é ainda mais saborosa, carpaccio de carne de lhama com queijo e geleia de alcaparra. Não se enganem, a carne é simplesmente espetacular.
O primeiro prato principal foi o que menos gostei em toda a noite: gyoza de jacaré. Não, não é uma questão de espanhol. Jacaré significa o mesmo nas duas línguas. A carne é desfiada, suave, lembra um pouco o atum. Estava muito bom (e foi o que menos gostei, para entenderem).
Em seguida, o prato principal: Lebre em 3 cozimentos diferentes. No fundo, como carne moída, no meio como uma carne prensada e por cima uma pequena fatia do lombo, ao estilo churrasco. As três perfeitas, muito bem condimentadas e cozidas, sem dúvida. A carne de lebre, para quem já comeu, é uma das mais deliciosas que existem. O prato vem anunciado assim “Liebre em 3 cocciones + su sangre”. Você leva um susto quando vê que do lado do prato há um copinho com um liquido muito particular… Não se preocupe, não é o sangue de ninguém, é um molinho de beterraba! Porém, vários casais deixaram os copinhos intactos.
Como fechamento, um copo com carne de nandu (ñandu em espanhol), que é uma espécie de ema, comum por aqui. A preparação com sal grosso e a mistura com purê de bata e mandioca, ressaltou o sabor “selvagem”, parecendo presunto Prosciutto (conhecido na Argentina como jamón crudo).
Agora, fica sentado que ainda não terminou. Como sobremesa uma maçã verde com doce e sorvete, só que não podia ser uma simples maçã… consistia em pelo menos quatro texturas da fruta na mesma sobremesa. E como pós-sobremesa, uma “interpretação” de café, transformado em um creme para ser comido com colher. Claro que como bom brasileiro, isso não me chamou muito a atenção, e fiquei com vontade de tomar um café de verdade ao final.
Mas todo o resto estava simplesmente espetacular e o Baqueano foi direto para as primeiras paradas de sucesso entre os meus restaurantes favoritos da cidade.
A conta é bastante razoável para a qualidade e as porções são no tamanho exato para você não ficar com fome, nem sair muito estufado. O custo é fixo por pessoas: 140 pesos para todos os passos. Se você quiser vinho em maridaje, o que significa uma taça de diferentes vinhos acompanhando cada etapa, inclua mais 95 pesos por pessoa. Nós não gostamos muito de vinhos brancos nem rosados, por isso, preferimos acompanhar a proposta com um Clos de los Siete e bastante água com gás. A conta final ficou em 410 pesos. Valeu cada centavo.
El Baqueano
Chile 495
www.restoelbaqueano.com/
Eles também estão no Facebook onde os menus são atualizados mais rapidamente.
Comentários (4)
Deixe seu comentário
- Por: Marcelo Barbão
- -
- 13 de maio de 2011 at 11:26
Guilherme,
não saberia comparar preços porque não tenho ideia de como estão no Brasil, mas em geral tudo é mais barato aqui (ou mais caro aí).
Quanto aos alfajores, os Havanna são bons, mas os melhores vai depender de seu gosto pessoal. Experimente vários e escolha o seu.
Em geral, o câmbio está melhor para trazer reais mesmo.
Marcelo
- Por: Guilherme Biazzi
- -
- 9 de maio de 2011 at 11:04
Marcelo, Bom Dia.
Estou indo no próximo dia 15 para Buenos Aires. E gostaria de algumas dicas suas.
- Tênis é barato por aí?
- E casacos? Estilo Adidas? Nike?
- Vale a pena trazer calça jeans da La Martina?
- E alfajores? Realmente os da Havana são os melhores?
- Última dúvida: Pesos ou Dólares? Já troco aqui no Brasil ou deixo para trocar quando chegar aí?
Obrigado, e boa semana.
Abraços, Guilherme.











Puxa Tatiane,
não tenho ideia. Alguém que venha para cá?
Marcelo