Direto de Buenos Aires
Maratona gastronômica em Montevidéu
Quem acompanha o blog sabe que nosso esporte preferido é caminhada até novos restaurantes. E foi a atividade mais importante da viagem, claro. Foram 10 restaurantes, mas só 7 valem a pena e faço um relato deles aqui.
Quando chegamos, na noite de sexta, logo vi que havia um La Pasiva a dois quarteirões. Depois de umas compras no supermercado La Tienda Inglesa (coisas de café da manhã e um adaptador para tomadas – excelente porque parece que tem TODOS os formatos existentes e custou apenas 25 reais), fomos comer um chivito. Era o mais importante para começar. O bom dos restaurantes uruguaios é que quase todos possuem wi-fi (aliás, em muitos lugares há, inclusive em praças), assim dá para se atualizar do que acontece no mundo enquanto come.
La Pasiva
(rede com várias filiais)
Valor em pesos uruguaios: 681,00
Valor do peso uruguaio no momento deste post: 1 real igual a 11,35 pesos uruguaios
No sábado, seguindo a indicação do ascensorista de nosso edifício, encontramos a Parrilla Trouville. Cuidado, se você estiver em Pocitos vai descobrir que muitos lugares, dos ramos mais diversificados, se chamam Trouville. É um clube de basquete (esporte bem valorizado entre os uruguaios) famoso que “contaminou” o bairro. Bom, a churrascaria fica bem ao lado do clube e parece que começou como uma cantina e foi crescendo. Uma das melhores carnes que comemos na viagem, realmente muito boa. Eu comi um bife de chorizo enquanto Stella preferiu as famosas entrañas. Uma informação: aqui há um corte chamado “picaña” que obviamente é uma influência brasileira. Eles também falam português melhor do que os argentinos. Aliás, o país todo parece ser uma grande fronteira entre os dois países. Qualquer conta pode ser paga em real, peso argentino, peso uruguaio ou dólar e se encontra um pouco dos dois. Entre outras coisas, comprei balinhas brasileiras que não existem em Buenos Aires.
La Trouville
Chucarro 1031 – Pocitos
Valor: 1.510 pesos uruguaios
Domingo foi dia de almoçar no caos do Mercado del Puerto, um caos muito divertido e com boa comida, claro. Chega de carne, vamos partir para o peixe (é do porto, não é?). Dessa vez, escolhemos o Cabaña Veronica e não nos desapontamos. Como entrada camarão ao alho e depois a Stella pediu peixe-espada com molho de mariscos. Eu fiquei com a merluza negra na manteiga com arroz branco. O lugar é barulhento, confuso, mas os garçons são divertidos e a comida excelente. O toque final veio com uma sobremesa uruguaia chamada Chajá que se parece com o doce Balcarce que é comum na Argentina. Se você comeu muito, não recomendo o doce que é bastante pesado. Depois disso, só um belo café dentro do Teatro Solís.
Cabaña Veronica
Mercado del Puerto
Valor: 2.112 pesos uruguaios (todos os valores incluem a gorjeta que, ao contrário de Buenos Aires, podem ser adicionados ao cartão de crédito).
A segurança de Montevidéu permite caminhar pela Rambla à noite, sem grandes preocupações. E é entre o mar e a avenida que está o El Viejo y el Mar. Depois de passar algumas vezes na porta, minha curiosidade hemingwayana me arrastou para suas mesas. Como tinha exagerado no almoço no Mercado del Puerto, eu me contentei com uma salada (bem generosa) Caesar com camarões, enquanto a Stella, mais corajosa, experimentou o Rack de Cordeiro, nada de sobremesa dessa vez. A comida é ótima e o lugar é bem bonito, mas deve ser melhor durante o dia para aproveitar a paisagem ao lado do mar. O serviço demorou um pouco, mas nada que nos irritasse.
El Viejo y el Mar
Rambla Mahatma Gandhi, 400 (a Rambla é uma só, mas muda várias vezes de nome em toda sua extensão)
Valor: 1.275 pesos uruguaios
Como estávamos com saudades de um bodegón portenho, resolvemos ir a um montevideano e encontramos o La Giraldita. Também em Pocitos, este bodegón mantém toda a tradição de lugar aconchegante, muitos móveis, decoração antiga e boa comida (é a foto que abre este post). Sem contar que é bastante barata. Comemos uma pizza e tomamos uma cerveja (eu), uma taça de vinho (a Stella), além de sorvete de sobremesa. Incrivelmente, o sorvete de doce de leite estava ruim, o que parece estranho por ser, bem, o Uruguai! Era uma noite de segunda de carnaval, por isso o lugar estava calmo e vazio, mas já tínhamos passado por lá no sábado e havia muita espera.
La Giraldita
Jose Benito Lamas, 2745
Valor 511 pesos uruguaios
No último dia, depois de um passeio pela 18 de Julio no meio da chuva e algumas compras na Puro Verso, voltamos a um restaurante na rua mais boêmia de Montevidéu, a Bartolomé Mitre. Já tínhamos comido no Del Solis (sim, ele está bem na esquina em frente ao Teatro) na nossa primeira viagem à cidade em 2009 – pois estávamos num pequeno hotel bem em cima do restaurante. Na volta pudemos constatar que o lugar continua muito bom. O forte são as carnes e por isso foi o que pedimos. Como entrada uma linguiça e depois um espetinho de lombo para mim e uma costela para a Stella. Sensacional e no ponto certo. Também pedi uma Paulaner negra. Não sei o que aconteceu, mas durante todo o feriado só consegui tomar uma Patricia, em todos os lugares me diziam a mesma coisa: estava em falta, não havia sido entregue, etc. Espero que seja uma coisa temporária.
Del Solis
Bartolomé Mitre, 1306
Valor: 1.606 pesos uruguaios
Para finalizar esta verdadeira maratona, estávamos com saudades da comida japonesa, por isso fomos ao Kokoro, o único japonês de Pocitos. Terça de Carnaval, só estávamos nós e um outro casal. Mas a casa é bem pequena, com apenas umas 8 mesas. O atendimento é ótimo e a comida também. Pedimos gyoza de salmão como entrada e depois um prato surtido sushi e sashimi com 24 peças. O preço é ridículo para os padrões brasileiros: 24 peças por o equivalente a 42 reais? Tomamos um sorvete de chá verde no final e chá de jasmim para fechar a noite (e a viagem). Ao final descobrimos que os donos do lugar são os mesmos do restaurante dentro do Jardim Japonês em Buenos Aires.
Kokoro
Libertad, 2592
Valor 1.463 pesos uruguaios
Algo que chamou a nossa atenção é que o pão francês é bom em qualquer restaurante, experimente. O vinho clássico produzido no Uruguai é o tannat, excelente, mas qualquer taça de “vino de la casa” é de ótima qualidade.
Para quem vai a Montevidéu e quer conhecer bons restaurantes, o melhor é usar o guia online Salir a comer (www.saliracomer.com.uy) que não é tão bem organizado quanto o argentino Guia Oleo, mas ajuda um montão.
Agora vou ali hibernar para digerir toda essa comida.














Lui
depende com que lugar se compara, se for com São Paulo (minha referência no Brasil), é mais barato. Se for com Buenos Aires, é mais caro, sem dúvida. Obrigado e volte sempre.
Marcelo