Direto de Buenos Aires

De bicicleta é melhor

por Marcelo Barbão em

O fim do verão está aqui e com temperaturas mais agradáveis, apesar de muita chuva, a cidade parece bem mais convidativa a passeios. Por isso fomos experimentar o programa de trocas de bicicletas.

Perto de casa não tem nenhum, mas pegamos o metrô e descemos na Praça do Congresso. Ali fizemos a burocracia e em menos de 20 minutos já estávamos pedalando. O sistema ainda não é perfeito e não consegue agregar os turistas temporários. Segundo o simpático rapaz que nos atendeu, “o governo da cidade não conseguiu encontrar uma forma de incluir os turistas”.

O problema é a necessidade de comprovar uma residência. Algo simples para quem mora aqui (é só levar documento e uma conta qualquer em seu nome), para quem vai passar tempos mais longos ou alugou uma casa (é só pedir um certificado de residência na polícia), mas impossível para quem está em hotel.

Impossível em termos, pois era só colocar algum dos quiosques específicos para turistas (de preferência no centro) onde fosse possível usar o cartão de crédito para assegurar o empréstimo (da mesma forma que acontece com o aluguel de carros). Se o turista não devolvesse a bicicleta ou a quebrasse, seria cobrada a multa (ao redor de 1.500 pesos). Se nada de anormal acontecesse, a cobrança não seria feita.

Apesar da boa quantidade de bicicletas, eu achei que já estão bem detonadas, mas nada que atrapalhasse o passeio. Também usei, pela primeira vez, as ciclovias ou “bici-sendas” como se diz por aqui. Realmente elas ajudam no quesito segurança porque depende de onde você andar o trânsito pode ser complicado em Buenos Aires. Ah, por falar em segurança, nos quiosques também há capacetes para usar, não saia sem o seu.

Uma das coisas que o programa não fornece é cadeado. Assim, se quiser parar em algum lugar, traga o seu próprio. Uma das coisas que não gostei foi o tempo para empréstimo da bicicleta: apenas uma hora, renováveis (não há limite, mas você precisa passar por um quiosque a cada hora para renovar e se tiver alguém esperando, você é obrigado a deixar a bike e esperar a próxima chegar).

As multas por perder a hora não são cobradas em dinheiro, mas em tempo “banido” do serviço. Na quarta pisada na bola, o usuário não poderá usar nunca mais. Em caso de perda, roubo ou danos por culpa do usuário, a multa em dinheiro é de 1.500 pesos, caindo para 750 se o usuário decidir pagar por espontânea vontade.

Para quem mora aqui ou vai ficar em apartamento, o certificado é muito simples de tirar. Só vá até a “comisaría” da Polícia Federal mais próxima do local que está alugando (você encontra os endereços no site http://www.policiafederal.gov.ar/), peça um certificado de residencia pagando a taxa de 10 pesos. Normalmente no mesmo dia ou no seguinte um policial baterá na sua porta e entregará o comprovante. Ou seja, ele vai até o endereço e certifica que você realmente está lá. Parece estranho, mas é assim que funciona. Com esse documento você consegue retirar bicicletas. Bom, pelo menos foram as informações que nos passaram, se alguém tiver outra experiência, escreva nos comentários.

Há um app para iPad e iPhone chamado BiciMap que, além dos pontos de troca de bike, também mostra quantas bicicletas há em cada um. Baixe no iTunes.

Pegue táxis com mais segurança

por Marcelo Barbão em


Depois de ter alguns amigos perdendo dinheiro com taxistas pouco confiáveis por aqui e acontecer o oposto em Montevidéu (uma vez gastamos mais do que o normal, mas é porque pedimos que o taxista seguisse pela Rambla), decidi pesquisar um pouco e encontrei o site Taxímetro (depois vi que outros blogueiros argentinos e brasileiros já tinham falado dele).

É um site chileno, mas também mostra os preços de táxi de cidades argentinas e espanholas. Ele pode localizar sua posição atual e é só preencher os endereços de origem e destino. Talvez por ser chileno ele não aceita o jeito portenho de falar endereços: x rua esquina com y. No lugar é preciso colocar o endereço completo com número.

O mapa é baseado no Google Maps, o que facilita a integração. No entanto, o mais importante é mostrar o caminho que o táxi pode fazer (claro, ele mostra um deles). Por que digo isso? É que não importa sotaque ou se você fala portunhol, se entrar no táxi e falar além do destino final por onde quer ir isso já intimida taxistas que poderiam “levá-lo para passear”. Ele vai pensar que você é estrangeiro (isso é difícil esconder), mas que conhece a cidade.

O Táxímetro ajuda a que na próxima viagem de táxi você complemente o endereço com um “agarramos por _____” e você possa se sentir um verdadeiro portenho. O valor é aproximado e agora que terminou as férias de verão, o trânsito voltou a ficar ruim na cidade. Com uma novidade, as ruas do Microcentro agora estão livres de carro, só podendo entrar ônibus e táxi. Vamos ver se isso melhora um pouco a situação.

Taxímetro
www.taximetro.cl

Carlitos: comida peruana sem frescura

por Marcelo Barbão em

O ano de 2011 significou uma explosão de comida peruana na cidade. E há lugares para todo gosto e todo bolso. Já colocamos aqui no blog um dos mais caros o Páru, por isso agora fomos procurar as guloseimas dos hermanos peruanos entre os mais baratos.

Há uma infinidade de pequenos restaurantes e bares peruanos na região de Once, nem todos recomendáveis (e turistas devem andar bem atentos nesta região), por isso fomos um pouco mais ao norte, para o bairro de Almagro, no Carlitos. Ele fica quase em frente ao Shopping Abasto, esquina com Juan Jaurés, a rua onde fica o Museu Carlos Gardel.

Com essa boa vizinhança, o Carlitos é um pequeno achado: comida muito boa e razoavelmente barata. O lugar é simples e 3/4 das mesas estão ocupadas por verdadeiros peruanos o que fala bem do lugar. Depois que sentamos e fomos atendidos, começamos a nos espantar com os pratos que passavam para as outras mesas. Eram gigantescos. Claro que geralmente eram para duas ou até três pessoas, mas alguns peruanos corajosos encaravam os pratos sozinhos.

Bem atrás de mim estava um tipo de jukebox com música peruana. Mas depois entraram uma dupla de músicos de rua tocando violão e cajón, um instrumento de percussão. Para completar o clima do restaurante, o rapaz que limpava as mesas também vendia DVDs piratas que deixava sobre a mesa ao final da refeição para que o cliente escolha. Isso só para mostrar como funcionam as coisas. Divertido, com certeza.

Quanto à comida, com a ajuda da simpática garçonete (peruana, claro) começamos com uma entrada típica, chamada batatas a la huancaina, feito com pimentão amarelo moída com leite, azeite e queijo. Estava muito bom, com batatas bem moles e bastante molho. Não entraria no meu rol de prato favoritos.

Como prato principal uma montanha de peixe e lula que se chama Chicharrones de Marisco. Chicharrón no Peru é qualquer fritura de origem animal, sendo que eles servem de carne de porco, frango e este de peixe. Depois que você come tudo aquilo, descobre que por baixo há batatas e milho torrado, que é delicioso. Pedimos uma salada simples e, claro, ela veio com um monte de ingredientes. Tomamos vinho, apesar de ser um meio-dia quente e como sobremesa, outra delícia típica: mazamorra con arroz con leche. Essa Mazamorra é feita com um milho escuro, aparentemente típico dos Andes (nunca ouvi falar nisso no Brasil, que os leitores me corrijam). Uma delícia.

No total, gastamos 165 pesos, o que não é tão barato quanto parece, mas em outros pagaríamos o mesmo preço por metade da quantidade de comida. A conta é feita direto pela garçonete, somando tudo na hora e contando com a memória. Bom para ir com amigos. O lugar pareceu bem familiar e tranquilo (fui na hora do almoço, mas havia uma placa na parede dizendo que o restaurante não se responsabilizava pelos pertences deixados na mesa, ou seja, que já deve ter ocorrido furtos – fiquem espertos).

Carlitos
Av. Corrientes, 3070
Só aceita dinheiro.

Maratona gastronômica em Montevidéu

por Marcelo Barbão em

Quem acompanha o blog sabe que nosso esporte preferido é caminhada até novos restaurantes. E foi a atividade mais importante da viagem, claro. Foram 10 restaurantes, mas só 7 valem a pena e faço um relato deles aqui.

Quando chegamos, na noite de sexta, logo vi que havia um La Pasiva a dois quarteirões. Depois de umas compras no supermercado La Tienda Inglesa (coisas de café da manhã e um adaptador para tomadas – excelente porque parece que tem TODOS os formatos existentes e custou apenas 25 reais), fomos comer um chivito. Era o mais importante para começar. O bom dos restaurantes uruguaios é que quase todos possuem wi-fi (aliás, em muitos lugares há, inclusive em praças), assim dá para se atualizar do que acontece no mundo enquanto come.

La Pasiva
(rede com várias filiais)
Valor em pesos uruguaios: 681,00
Valor do peso uruguaio no momento deste post: 1 real igual a 11,35 pesos uruguaios

No sábado, seguindo a indicação do ascensorista de nosso edifício, encontramos a Parrilla Trouville. Cuidado, se você estiver em Pocitos vai descobrir que muitos lugares, dos ramos mais diversificados, se chamam Trouville. É um clube de basquete (esporte bem valorizado entre os uruguaios) famoso que “contaminou” o bairro. Bom, a churrascaria fica bem ao lado do clube e parece que começou como uma cantina e foi crescendo. Uma das melhores carnes que comemos na viagem, realmente muito boa. Eu comi um bife de chorizo enquanto Stella preferiu as famosas entrañas. Uma informação: aqui há um corte chamado “picaña” que obviamente é uma influência brasileira. Eles também falam português melhor do que os argentinos. Aliás, o país todo parece ser uma grande fronteira entre os dois países. Qualquer conta pode ser paga em real, peso argentino, peso uruguaio ou dólar e se encontra um pouco dos dois. Entre outras coisas, comprei balinhas brasileiras que não existem em Buenos Aires.

La Trouville
Chucarro 1031 – Pocitos
Valor: 1.510 pesos uruguaios

Domingo foi dia de almoçar no caos do Mercado del Puerto, um caos muito divertido e com boa comida, claro. Chega de carne, vamos partir para o peixe (é do porto, não é?). Dessa vez, escolhemos o Cabaña Veronica e não nos desapontamos. Como entrada camarão ao alho e depois a Stella pediu peixe-espada com molho de mariscos. Eu fiquei com a merluza negra na manteiga com arroz branco. O lugar é barulhento, confuso, mas os garçons são divertidos e a comida excelente. O toque final veio com uma sobremesa uruguaia chamada Chajá que se parece com o doce Balcarce que é comum na Argentina. Se você comeu muito, não recomendo o doce que é bastante pesado. Depois disso, só um belo café dentro do Teatro Solís.

Cabaña Veronica
Mercado del Puerto
Valor: 2.112 pesos uruguaios (todos os valores incluem a gorjeta que, ao contrário de Buenos Aires, podem ser adicionados ao cartão de crédito).

A segurança de Montevidéu permite caminhar pela Rambla à noite, sem grandes preocupações. E é entre o mar e a avenida que está o El Viejo y el Mar. Depois de passar algumas vezes na porta, minha curiosidade hemingwayana me arrastou para suas mesas. Como tinha exagerado no almoço no Mercado del Puerto, eu me contentei com uma salada (bem generosa) Caesar com camarões, enquanto a Stella, mais corajosa, experimentou o Rack de Cordeiro, nada de sobremesa dessa vez. A comida é ótima e o lugar é bem bonito, mas deve ser melhor durante o dia para aproveitar a paisagem ao lado do mar. O serviço demorou um pouco, mas nada que nos irritasse.

El Viejo y el Mar
Rambla Mahatma Gandhi, 400 (a Rambla é uma só, mas muda várias vezes de nome em toda sua extensão)
Valor: 1.275 pesos uruguaios

Como estávamos com saudades de um bodegón portenho, resolvemos ir a um montevideano e encontramos o La Giraldita. Também em Pocitos, este bodegón mantém toda a tradição de lugar aconchegante, muitos móveis, decoração antiga e boa comida (é a foto que abre este post). Sem contar que é bastante barata. Comemos uma pizza e tomamos uma cerveja (eu), uma taça de vinho (a Stella), além de sorvete de sobremesa. Incrivelmente, o sorvete de doce de leite estava ruim, o que parece estranho por ser, bem, o Uruguai! Era uma noite de segunda de carnaval, por isso o lugar estava calmo e vazio, mas já tínhamos passado por lá no sábado e havia muita espera.

La Giraldita
Jose Benito Lamas, 2745
Valor 511 pesos uruguaios

No último dia, depois de um passeio pela 18 de Julio no meio da chuva e algumas compras na Puro Verso, voltamos a um restaurante na rua mais boêmia de Montevidéu, a Bartolomé Mitre. Já tínhamos comido no Del Solis (sim, ele está bem na esquina em frente ao Teatro) na nossa primeira viagem à cidade em 2009 – pois estávamos num pequeno hotel bem em cima do restaurante. Na volta pudemos constatar que o lugar continua muito bom. O forte são as carnes e por isso foi o que pedimos. Como entrada uma linguiça e depois um espetinho de lombo para mim e uma costela para a Stella. Sensacional e no ponto certo. Também pedi uma Paulaner negra. Não sei o que aconteceu, mas durante todo o feriado só consegui tomar uma Patricia, em todos os lugares me diziam a mesma coisa: estava em falta, não havia sido entregue, etc. Espero que seja uma coisa temporária.

Del Solis
Bartolomé Mitre, 1306
Valor: 1.606 pesos uruguaios

Para finalizar esta verdadeira maratona, estávamos com saudades da comida japonesa, por isso fomos ao Kokoro, o único japonês de Pocitos. Terça de Carnaval, só estávamos nós e um outro casal. Mas a casa é bem pequena, com apenas umas 8 mesas. O atendimento é ótimo e a comida também. Pedimos gyoza de salmão como entrada e depois um prato surtido sushi e sashimi com 24 peças. O preço é ridículo para os padrões brasileiros: 24 peças por o equivalente a 42 reais? Tomamos um sorvete de chá verde no final e chá de jasmim para fechar a noite (e a viagem). Ao final descobrimos que os donos do lugar são os mesmos do restaurante dentro do Jardim Japonês em Buenos Aires.

Kokoro
Libertad, 2592
Valor 1.463 pesos uruguaios

Algo que chamou a nossa atenção é que o pão francês é bom em qualquer restaurante, experimente. O vinho clássico produzido no Uruguai é o tannat, excelente, mas qualquer taça de “vino de la casa” é de ótima qualidade.

Para quem vai a Montevidéu e quer conhecer bons restaurantes, o melhor é usar o guia online Salir a comer (www.saliracomer.com.uy) que não é tão bem organizado quanto o argentino Guia Oleo, mas ajuda um montão.

Agora vou ali hibernar para digerir toda essa comida.

Carnaval na praia… de rio! – Montevidéu

por Marcelo Barbão em

Dizem que umas das características centrais dos uruguaios é chamar o rio de mar. Mas é que o  rio é tão largo que parece um mar, além do que tem água salgada e onda! Sem contar a areia, claro.

Pela primeira vez na vida usamos o serviço Airbnb que é um site para localização e aluguel de casas, apartamentos e quartos em muitos locais do mundo. Aliás, estou viciado nestes sites, principalmente os com apps para iPad (outro dos meus vícios, inclusive para tirar fotos), tanto que provavelmente farei um post sobre eles no futuro.

Alugamos um minúsculo apartamento (era uma kitchnette) no bairro de Pocitos. Havia outras ofertas com mais espaço, mais confortos, etc. O problema é que nenhum outro estava de frente para o mar como este. E pela paisagem que tínhamos da varanda (ver foto) dá para entender tudo. O prédio é um caso à parte: um antigo hotel transformado em edifício residencial. Por isso os apartamentos são pequenos, os 4 primeiros andares estão vazios (eram os salões do hotel) e ainda há ascensoristas no elevador (sem o charme e a elegância do passado, mas ótimos na hora de pedir dicas da cidade). A dona do lugar, Jacqueline, conhece tudo da cidade e até nos levou para jantar no sábado à noite.

Quem conhece a tradição do Carnaval no Uruguai sabe que essa é uma festa importante para eles também, certo? Bom, mais ou menos. A questão é que o centro da festa de carnaval em Montevidéu não acontece exatamente no feriado de Carnaval. Sim, para os uruguaios o carnaval começa antes do feriado, as apresentações mais importantes e as premiações já tinham acontecido no começo de fevereiro. . E se você quer agitação, lembre-se que a cidade é muito mais calma que Buenos Aires e ainda por cima estava vazia pelo feriado.

O primeiro dia foi de praia. Há muito tempo não deitávamos simplesmente na areia e ficávamos descansando. O mar de Pocitos lembra muito a região de Ponta das Canas em Florianópolis. É bem calmo e raso, uma parte da praia (é uma pequena baía) possui fundo de areia e outra, de cascalho e conchas (aí tem mais ondas de uns 30 centímetros, então não traga suas pranchas de surf). A água é salgada, apesar de ser rio, e você pode ser surpreendido por peixes dando saltos para fora da água bem ao seu lado. Vi algumas pessoas “pescarem” peixes com as mãos!

Um capítulo especial na cidade é a Rambla. Que para os brasileiros seria o calçadão da praia. Ali é que muita coisa acontece e dá um charme diferente a Montevidéu (melhorando a qualidade de vida, também). Final de dia de trabalho e todo mundo vai correr, caminhar, andar de bicicleta, passear com o cachorro ou simplesmente tomar mate. A piada é que os uruguaios são mais lentos e menos empreendedores que seus vizinhos porque fazem tudo com uma mão só – a outra está segurando a cuia e a garrafa térmica para o mate. Na verdade, é um bom lugar para ver e ser visto, conhecer gente, bater papo e apreciar o final da tarde.

No domingo, um passeio pela Ciudad Vieja com direito a almoço no Mercado del Puerto, mas antes conhecemos algumas das outras feiras que acontecem na cidade (além da já famosa e, para mim, pouco atrativa Tristán Narvaja). Fomos ao Parque Rodó para comprar roupas (apesar de que os preços no Uruguai não são melhores do que na Argentina e o pior é que muitas das roupas são trazidas de Buenos Aires mesmo.

Ao andar pelo centro pudemos perceber que os brasileiros tomaram a cidade realmente. Era português para todo lado e com muito barulho (sim, talvez sejamos o povo mais barulhento de todo o mundo). Como não poderia deixar de ser, demos uma passada na lindíssima livraria Puro Verso, que também conta com um restaurante muito bonito no primeiro andar.

Uma das desvantagens para o viajante é que Montevidéu ainda não tem a estrutura turística de Buenos Aires (sendo que aqui ainda muitas coisas estão começando). Por exemplo, quisemos visitar o Cemitério Central onde estão enterradas as grandes personalidades uruguaias (menos o escritor Mario Benedetti, que está no cemitério de Buceo), mas não há visitas guiadas (apesar da afirmação de um site da prefeitura da cidade). Os guias de eventos são bem fracos e mesmo os guias de viagem (comprei o da Lonely Planet) é muito superficial. O negócio é sair andando e conhecendo as atrações “na marra”.

A vantagem é que a cidade é bastante segura (as pessoas deixam suas coisas na areia e entram no mar sem muito medo – só uma vez dois policiais nos perguntaram se tínhamos visto um roubo de mochila na praia) e os taxistas, ao contrário do que acontece em Buenos Aires, são bastante honestos. Em nenhum momento nos levaram “para passear” ou outro truque parecido.

O clima deu algumas pisadas de bola. Alguns dias nublados, choveu um pouco e começou a ventar muito, o que levou ao cancelamento de shows de murgas de carnaval que aconteceriam na ponta da praia. E no último dia ventava tanto que me lembrou a viagem à Patagônia que fizemos em 2009. Por isso fomos visitar a mais estranha construção montevideana: o Castelo Pittamiglio.

Localizado a poucos quarteirões de onde estávamos, o castelo foi criado por um personagem raro da história local. Mistura de engenheiro, arquiteto e alquimista, ele foi construindo o lugar aos poucos e o encheu de símbolos alquímicos, maçônicos e templários.

Há uma visita guiada que acontece esporadicamente (que participamos graças à Jacqueline que nos avisou) e conta um pouco do lugar que hoje é ocupado pela Associação de Construtores do Uruguai, mas está aberto a eventos culturais, teatro, também festas. Uma parte do castelo é ocupado por um restaurante chamado Montecristo que estava fechado.

O melhor da viagem foi conhecer Montevidéu no verão (sempre tínhamos ido no inverno ou outono) e desfrutar da praia. Viajamos de Colonia Express (primeira vez também), que é mais barato e rápido que o Buquebus, mas não tem barco direto (você desce em Colonia del Sacramento e pega um ônibus – compra os dois transportes juntos. O único ponto ruim é que a chegada do barco é na Darsena Sur, em La Boca e o lugar não tem muitos táxis (ficamos uma hora viajando de barco e uma hora na fila para tomar um táxi).

No post seguinte, nossa maratona gastronômica em Montevidéu.