Direto de Buenos Aires
Casa Globo: Artes plásticas portenhas.
O bairro de Belgrano tem muitos comércios e casas antigas, mas poucas galerias de arte. A Casa Globo fica num casarão de 1912 que foi restaurado para albergá-la. A galeria de arte, iniciativa da artista Solange Guez, é um espaço coletivo onde funcionam vários ateliês de diferentes artistas, uma sala para exposições e um bar/restaurante (La inspiración).
O simples fato de percorrer a casa já é uma experiência artística. As velhas construções de Buenos Aires são verdadeiras obras de arte. Um detalhe que me chamou muito atenção foi que reservaram um espaço para expor os objetos encontrados durante a restauração. O melhor é o aljibe (cisterna), que fica no porão, datado de 1850. Segundo me contou a Solange, ele só foi descoberto durante o processo de reforma que o pai dela fez na casa. E que durante as escavações, ela – que era uma criança – achava que iam encontrar um tesouro. O pai de Solange também redecorou todo um lado da casa ao estilo de Gaudi.
A metáfora do globo representa a idéia do projeto: ser um ponto de encontro de jovens e adultos para fazer parte da obra e não simplesmente observá-la. Os artistas estão em constante pesquisa e buscam a utilização de materiais não convencionais para a realização de suas obras.
Na galeria as obras de arte contemporânea de diferentes artistas plásticos são expostas e comercializadas. Neste momento, até o dia 28 de fevereiro, a galeria está promovendo uma convocatória a artistas visuais para os calendários de 2011/12. É aberta a novos artistas sem restrições de idade nem nacionalidade. Os detalhes podem ser consultados no site.
Zapiola, 2196
Belgrano
Tel. 4542-7904
3a/6ª 14h/19h.
O outro lado de Puerto Madero
Do mesmo jeito que existe uma piada de que Punta del Este é um pedaço da Argentina no Uruguai (por causa da incrível invasão de turistas argentinos na cidade do país vizinho), Puerto Madero já está começando a virar um posto avançado da invasão brasileira por aqui. Não me espantaria de ver uma bandeira hasteada em algum ponto do bairro, no futuro. O português parece a língua oficial desse canto e já existem restaurantes com o velho estilo rodízio que tanto adoramos. E até com cartazes escrito “Sirva-se à vontade” (assim mesmo em bom português até com a crase no lugar certo) na porta.
Como não quero ser preconceituoso com nenhum canto da cidade, passei o último fim de semana por ali. Comi num restaurante “brasentino” (essa eu inventei, será que alguém já tinha usado?) e caminhei por outros cantos de Puerto Madero tirando a região ali dos diques. E existe uma parte mais perto do rio que é bastante diferente e, espanto, bastante procurada pelos portenhos. Também visitei uma linda mansão antiga, a ex-Cervejaria Munich, que agora é a sede da Direção Geral de Museus da cidade. A casa pode ser visitada pagando apenas 1 peso. Não é um museu, mas apenas uma incrível mostra da arquitetura local.
A cervejaria existe desde 1927 e teve seu auge quando toda essa região era um balneário. Exato, veja a reprodução de uma foto da época e veja como o lugar era uma praia concorrida. Bons tempos em que se podia nadar no Río de la Plata! Apesar da decadência da região, a cervejaria aguentou até o começo dos anos 70. A cidade cresceu e onde estava o rio, agora se encontra a Reserva Ecológica. Mas muita gente vem tomar sol, fazer piquenique ou simplesmente armar uma cadeira e descansar. Vale a pena caminhar um pouco mais por Puerto Madero e conhecer esse “outro lado”.
Ah, e a casona da ex-Cervejaria Munich é palco de alguma apresentações musicais e teatrais, geralmente no sábado à noite.
Dirección General de Museos (antiga Cervejaria Munich)
Av. De los Italianos S/N
(na altura da Puente de la Mujer).
El histórico. Alta cozinha entre livros.
O restaurante funciona na casa que pertenceu ao famoso escritor argentino José Hernández, autor do Martín Fierro, um poema épico popular que é uma das obras mais representativas da literatura argentina. “Los hermanos sean unidos, porque esa es la ley primera; tengan unión verdadera, en cualquier tiempo que sea, porque si entre ellos se pelean, los devoran los de ajuera”.
No mesmo edifício funciona a Sociedade Argentina de Escritores.
A casa, construída em 1860 e considerada patrimônio histórico da cidade de Buenos Aires, tem diferentes ambientes para escolher. Há mesas no pátio, ao redor do aljibe (cisterna) tão tradicional nas construções coloniais do bairro de San Telmo. Num dos maiores salões, além do piano, as paredes estão cheias de livros antigos. Um estilo de decoração sofisticado, porém, descontraído e moderno.
Você vai ser recebido com uma taça de champanha e um cardápio com as melhores opções da cozinha argentina como carnes, mariscos e, claro, risotos e massa, a especialidade do cheff Adolfo Astigarraga . De entrada, pedimos polenta frita, eu não sabia se seria como a que comemos no Brasil, em forma de bastão e como aperitivo ou um prato “argentinizado”, estava aberto a novas experiências. Eram discos de polenta, dourados, com queijo gratinado, manjericão e um suave molho de tomate ao redor. Delicioso.
Também pedimos uma das entradas mais comuns nas mesas argentinas, rabas a la romana (lula à doré). Não tivemos tanta sorte com este prato, estavam duras.
Os pratos principais foram: risoto de langostinos, os camarões graúdos, e cannelloni de Spinaci Zuccini, canelones de espinafre com um suave molho de abobrinha italiana. O risoto é muito bem servido, pode ser para duas pessoas.
Para acompanhar, bebemos um Malbec reserva da bodega Escorihuela, o Familia Gascón e água com gás.
Os garçons são muito atenciosos, porém achamos que os pratos demoraram muito. Quando estávamos a ponto de reclamar, a comida chegou e, como a qualidade estava sensacional, acabamos achando que valeu a pena esperar.
Aceitam cartão de crédito.
O preço final: $ 304,80 (estávamos em três pessoas)
México, 524
Reservas: 4307-4832
Monserrat
Um brechó em Buenos Aires: Juan Perez
Uma das lojas mais divertidas de toda a Buenos Aires, a Juan Perez é um brechó com uma quantidade incalculável de roupas, acessórios, bijuterias e… tudo que se possa imaginar em termos de indumentária.
Já é conhecida dos brasileiros que vão direto para a “área VIP” onde estão os melhores produtos, principalmente casacos de pele e jaquetas de couro.
Há roupa estilo vintage e também é possível encontrar marcas famosas. Os preços são de “brechó de luxo”, mas é possível encontrar pechinchas. Há cintos de couro, camisas, camisetas, blusas, maiôs, gravatas, chapéus de diferentes épocas (dos anos 20 até agora), todas as peças foram escolhidas com cuidado e bom gosto.
Caso a sua mala esteja explodindo com as roupas que você trouxe e as compras feitas em Buenos Aires, na Juan Pérez também é possível vender roupas antigas e modernas. Leia as regras no site da loja.
Eu acabei comprando um chapéu africano que procurava há muito tempo.
Fomos atendidos com tanta hospitalidade e simpatia que ficamos com vontade de voltar e, claro, recomendar a Juan Pérez. Além da proposta de compra e venda de roupas eles colaboram com comunidades carentes da província do Chaco.
Funciona de 2ª/sáb 11h/19h. Aceita todos os cartões de crédito e estão credenciados ao Tax Free.
Marcelo T. Alvear 1441
4815-8442
Onde comprar chapéus em Buenos Aires
Sempre senti muita admiração pela estética do “velho” de outrora, que usavam conjuntos tão completo quanto elegante: sobretudo, cachecol, bengala e chapéu. Como este último já não compõe o guarda-roupa dos portenhos como era comum na época de ouro do tango, não é comum ver lojas de chapéus na cidade. Mas algumas ainda sobrevivem.
Na rua Defensa, perto da Praça Dorrego, há uma loja de chapéus, La sombra del Arrabal, onde é possível experimentar diferentes modelos e sentir a magia que só um chapéu pode provocar.
A loja já foi divulgada na Suíça e no Brasil, num jornal de Porto Alegre, por clientes que se apaixonaram pela Sombra del Arrabal.
Entre os diferentes tipos de chapéu disponíveis na loja, o modelo mais procurado é o famoso Panamá (que na verdade é produzido no Equador).
Para o inverno, eles recomendam os feitos em feltro de lhama ou os elaborados com pelo de lebre. Outro modelo muito pedido é o chapéu de tango, o das fotos do Gardel.
Um dos diferenciais interessantes é o atendimento do Miguel y Betina, os donos da loja. Além de conhecerem muito seu produto, eles são ótimos no bate-papo, dá para passar horas conversando com os dois que já viajaram por muitos lugares do mundo. Vai ser difícil sair de lá com a cabeça desprotegida.
O La Sombra del Arrabal (seria arrabalde em português) abre aos domingos, por isso vale uma passadinha ao visitar a feira de San Telmo.
Calle Defensa 1239
San Telmo




















