Direto de Buenos Aires

Música clássica no Colón

por Marcelo Barbão em

Por uma dessas infelicidades do destino, eu nunca tinha entrado no Colón. Quando estava aberto, eu vinha para Buenos Aires fora da temporada (geralmente vinha no final do ano). Quando vim morar, ele já estava fechado.

Mas a paciência sempre acaba ganhando e finalmente conheci o Colón na semana passada. Como ainda não há visitas guiadas, o único jeito de entrar no Colón é comprando o ingresso para alguma função. Foi o que fizemos, uma boa mistura: ouvir Chopin e conhecer o Colón.

Todos que queiram conhecer o Colón precisam comprar com antecedência, já que a temporada começou no meio do ano e, como era de se esperar, todos os argentinos querem matar a saudades do seu maravilhoso teatro. Por isso, você pode até tentar comprar ingressos na hora, mas o melhor é tentar comprar antes pelo site.

Apesar de toda a pompa e circunstância da situação, não há um “dress code” muito rigoroso. Uma das melhores coisas dentro do teatro é o bar aberto durante o intervalo. Quer algo mais chique que tomar uma taça de champanhe entre um concerto de Chopin e uma sinfonia do compositor Josef Suk, tocada pela primeira vez na Argentina? Lembrando que ainda há espetáculos de ópera e de balé.

Só tome cuidado quem sente vertigem porque o teatro é muito alto e vi algumas pessoas passando mal, inclusive a Stella (mas conseguiu aguentar até o fim).

Agora estou esperando a volta das visitas guiadas, para anunciar aqui.

 

Teatro Colón

http://www.teatrocolon.org.ar/

Museu do Holocausto: memória e proposta antiviolência

por Marcelo Barbão em

Um museu dedicado ao Holocausto judeu na II Guerra Mundial é uma boa opção para um turismo cultural e histórico. Localizado no centro, mais especificamente no bairro de Recoleta, o museu ocupa um prédio lindíssimo, antiga sede da Cia Ítalo-Argentina de Electricidad.

Dentro, há uma exposição permanente contando a trajetória de horror que a ascensão nazista significou para os judeus na Alemanha, junto com informações sobre como isso afetou a comunidade na Argentina.

Também há uma emocionante exposição de fotos dos sobreviventes de campos de concentração que vieram (muitos ainda estão vivos) para a Argentina e uma emocionante Sala da Memória, onde se presta homenagem aos falecidos e perseguidos.

Dentro do resgate da memória, não poderia faltar a lembrança dos dois ataques terroristas que os judeus e toda a Argentina sofreram nos anos 90 (isso será tratado em um próximo post).

O museu também conta com exposições temporárias. No momento, há uma que mostra o papel de alguns cônsules e embaixadores espanhóis que, mesmo contra as determinações do governo de Franco, ajudaram a retirar e esconder judeus das garras nazistas.

Segundo a diretora, prof. Graciela de Jinich, o museu desenvolve uma importante tarefa educativa, ao discutir a violência com os jovens, através de visitas guiadas para escolas. Para turistas, eles também podem organizar visitas para grupos, inclusive em português, mas os detalhes precisam ser acertados antecipadamente.

Museo del Holocausto

Montevideo, 919

http://www.museodelholocausto.org.ar/default.asp

Casa de Produtos Naturais

por Marcelo Barbão em

Como uma leitora do blog pediu e começamos uma tentativa mais séria de baixar de peso (que envolve ir todo dia à academia), aqui vai mais um post sobre produtos naturais.

Se você está na região de Palermo e quer, além de poder comer bem, ainda levar produtos para seu hotel (há muitas pousadas, os chamados hostales, que possuem cozinha para os hóspedes), nada melhor que o La Esquina de las Flores.

Localizado num ponto muito badalado de Palermo, Gurruchaga quase esquina com Honduras, o La Esquina mistura restaurante e mercado de produtos naturais. Ah, e também é escola de culinária com cursos, pasmem, gratuitos. Nem preciso contar que a Stella já se matriculou no curso básico que começa na próxima segunda-feira, dia 12.

O restaurante fica no fundo e há um espaço até para livros (não necessariamente de culinária ou de comida natural). Começamos com uma sopa de abóbora de entrada, achando que ela não ia atrapalhar o resto da refeição, mas nos enganamos. Bom, a culpa não foi só da sopa, afinal os pratos eram maiores do que pensávamos.

Eu pedi um espetinhos de tofú crocantes com salada de alface e quinoa. Além do sabor, o prato ainda tinha uma estética interessante.

A Stella pediu o almoço e a janta. Afinal, o prato era tão grande que levamos uma “marmitinha” para mais tarde. Ela pediu Verdura ao Wok com Champignon. Como sobremesa pudim de Alfarroba (em espanhol, algarroba).

Com vinho orgânico, cerveja sem álcool e café/chá no final, um custo total de 144 pesos.

Já se você está no centro e quer uma refeição light, o melhor é o Pura Vida, ali na “city” portenha. Um “fast-food” com comida natural, não necessariamente vegetariana, o Pura Vida é bom para quem não tem tempo a perder. Os sanduíches podem ser degustados ali mesmo ou levados (eles também entregam, se você estiver num hotel ali no centro), junto com uma grande variedade de sucos e sobremesas.

Há promoções diárias, também.

A Stella pediu uma promoção que incluía sopa, meio wrap de queijo e um suco, enquanto que eu comi um wrap inteiro de Italian Veggie (por acaso, também tinha tofú, como meu prato no La Esquina de Las Flores. O preço não é tão barato (72 pesos), mas o sabor é especial. A lanchonete é um pouco barulhenta, com muita gente entrando e saindo, levando seus pedidos para escritórios da região. Por isso, se estiver sol, prefira as mesas na calçada (a rua é calçadão).

 

La Esquina de las Flores

Gurruchaga 1630

http://www.esquinadelasflores.com.ar/

 

Pura Vida

Reconquista 516

http://www.puravidajuicebar.com/

Naturaleza Sabia

por Marcelo Barbão em

Para quem reclama que Buenos Aires tem poucas opções para vegetarianos e “naturalistas” em geral, aqui vai uma dica: o Naturaleza Sabia em San Telmo.

Eu aproveitei o passeio dos Fantasmas em San Telmo para depois caminhar mais um quarteirão e chegar ao simpático restaurante, na ainda mais simpática calle Balcarce.

O lugar é pequeno e aparentemente abriu as portas há pouco tempo. O menu diário está escrito numa lousa no meio do restaurante. São poucos pratos que devem mudar diariamente, como um restaurante caseiro.

Como entrada, eles trazem uma sopa de cenoura, abóbora e sementes de gergelim, junto a torradas com diferentes patês.

A Stella pediu uma taça de vinho de produção caseira e eu entrei na onda, experimentando uma cerveja patagônica chamada Gülmen.

Como pratos, ela ficou com os canelones de espinafre com molho branco, enquanto eu fiquei com os fusillis com vegetais. O que eu gostei realmente foi a simplicidade e o excelente sabor dos pratos. Com porções decentes, acaba com o preconceito de quem acha que se não come carne não “se alimenta direito”.

Para finalizar dois pudins de sobremesa (um erro, deveríamos ter pedido somente um), junto com um delicioso chá de frutos vermelhos com especiarias.

O preço bastante razoável, ficou em apenas 110 pesos com a gorjeta incluída. O único problema é que o restaurante ainda não aceita cartões, portanto leve dinheiro. Um lugar bonito, atendimento razoável e boa comida, o que mais um vegetariano poderia querer em Buenos Aires?

 

Naturaleza Sabia

Balcarce 624

San Telmo

http://naturalezasabia.com.ar/

 

PS. No quesito fotos, fui salvo pelo celular depois que o uso de flash detonou a bateria da minha câmera fotográfica.

Os Fantasmas de San Telmo

por Marcelo Barbão em

O que fazer no inverno de Buenos Aires? Sair ao ar livre, claro! Que pergunta! Agora sério, vai chegando o frio, o sol desaparece lá pelas 18 horas e as ruas ficam bem mais vazias do que o normal.

Mas é óbvio que eu não tenho medo do frio, por isso me aventurei a fazer um dos quatro passeios históricos teatralizados que o governo da cidade organizou. Como tenho uma certa queda por San Telmo, foi esse que escolhi.

Os passeios são teatralizados por atores profissionais que contam, nesse caso, histórias de fantasmas que, segundo dizem, até hoje ainda infestam as ruas estreitas do bairro histórico.

Os outros passeios são pelo tradicional bairro de Flores, contando a história do famoso escritor Robert Arlt; pela Plaza de Mayo contando sua construção; e, o que parece ser um dos mais produzidos em termos teatrais, o que mostra a imigração em La Boca.

Os passeios são gratuitos e os percursos não são longos, o de Fantasmas durou pouco mais de uma hora e andou por 3 quarteirões, saindo da Praça Dorrego.

Os horários estão no site da Secretaria de Turismo da cidade, mas eu reproduzo aqui:

Dias e horários

Los Fantasmas de San Telmo – toda quinta-feira, 19 horas. Ponto de encontro: Praça Dorrego.

La Plaza de la Victoria – todo sábado às 15:30h na Plaza de Mayo.

Una tarde con Roberto Arlt en Flores – terceiro sábado de cada mês às 15h30 na rua Yerbal, 2217.

Inmigrantes – domingos às 11h30 na esquina de Lamadrid e Garibaldi em La Boca, pertinho de Caminito.

Mas não se esqueça de confirmar na página http://www.bue.gov.ar/agenda/?info=detalle&id=4832, para ver se algum horário mudou.