Blog Guia Quatro Rodas

Cantina ítalo-pernambucana em Monte Verde

por Guia Quatro Rodas em

O polpetone à parmegiana com linguini e funghi fresco - Foto: divulgação/PortalediNapoli

Logo na entrada de Monte Verde (MG), deparo com o Portale di Napoli, um estabelecimento amplo, com grandes janelas que emolduram o movimentado salão. Dias depois, estou sentada à mesa, pronta para avaliar (anonimamente) o restaurante. Entre uma e outra garfada, noto a presença do chef de cozinha, que ia de mesa em mesa com ar atencioso, perguntando a cada cliente se estava satisfeito.

Como filha de piauiense, dificilmente um sotaque nordestino passa batido por mim. Termino meu polpetone à parmegiana com linguini e funghi fresco, pago a conta e me apresento para o garçom. Fico sabendo então que o chef de sotaque pernambucano é o proprietário da casa, o sorridente Severino Alves da Silva, de 50 anos.

Original de João Alfredo, pequena cidade do agreste, Severino morou no Recife e trabalhou como cobrador de ônibus fazendo a linha Guararapes, que passava pelo Centro Histórico da capital pernambucana.  Aos 18 anos, foi tentar a vida em São Paulo, onde seu irmão trabalhava numa farmácia. Por um tempo, Severino ralou como vendedor de remédios e empacotador de supermercado.

O destino do rapaz começou a mudar graças à vida amorosa de seu tio Manuel Laurentino. Este engatara um namoro com Maria Malerba, uma napolitana que aportou no Brasil no fim da década de 1950. Logo os dois se casaram, passando a residir em São Bernardo do Campo. Nos almoços de domingo, Severino foi conhecendo receitas típicas da região de Nápoles, como os polpetones e a pastiera di grano, torta doce com recheio de ricota e frutas cristalizadas.

“Me encantei com o sabor daqueles pratos e comecei a preparar as receitas em casa para mim e meu irmão. Aqueles sabores se tornaram a minha primeira descoberta gastronômica”, relembra Severino, que ganhou da tia dois livros de culinária italiana, com pratos que hoje fazem parte do cardápio do restaurante (os livros, por sinal, também estão lá).

Antes de inaugurar o Portale di Napoli, porém, Severino chegou ao sucesso por outro

Chef Severino Silva, que comanda o Portale di Napoli, aprendeu a cozinhar com a tia italiana - Foto: Sara Campos

caminho, como dono de uma loja de materiais de construção. “Aproveitei as facilidades que tinha em conseguir materiais para a obra e investi R$ 500 mil nesse projeto”, diz.

Para se qualificar como chef de cozinha, ele fez cursos de gastronomia no Senac – assim como o filho e os sobrinhos, que também trabalham no restaurante. “Quis unir o útil ao agradável: capacitá-los, gerar renda para toda a família e trabalhar com pessoas de confiança”, afirma.

Severino só foi concluir o segundo grau em 2010, mesmo ano em que inaugurou o restaurante. Na alta temporada, em julho, o Portale di Napoli recebe até 1.800 clientes por dia.

Por Sara Campos

Novo hostel do Rio evoca design nacional

por Guia Quatro Rodas em

Cozinha do Contemporâneo Hostel. Crédito: Carmen Fukunari

Com as diárias dos hotéis nas alturas, os novos hostels cariocas tornam-se cada vez mais a grande atração na relação custo-benefício para uma viagem econômica ao Rio de Janeiro. Depois do .oztel e do Bossa in Rio, inaugurados em meados de 2012, a novidade agora é o Contemporâneo Hostel, aberto a pouco mais de três meses, e a menos de uma quadra do metrô de Botafogo. De preço camarada (a partir de R$ 50 o quarto coletivo, entre maio e junho), o local investe no design nacional para atrair os clientes.

A escada de acesso às suítes. Crédito: Carmen Fukunari

A começar pelo edifício: um casarão de 1904, totalmente restaurado. O projeto do hostel, de autoria do arquiteto e artista plástico Alessandro Sartore, incorpora na recepção duas grandes poltronas da badalada loja carioca Latoog Design. A sala de café da manhã funciona dentro de um container. Ali, os hóspedes provam pães, bolos, frios, frutas, café, leite e suco de fruta, sentados em coloridas cadeiras Rio e Astúrias, feitas por Carlos Motta, um dos ícones do mobiliário sustentável e contemporâneo nacional. O desjejum também é aberto ao público. Ainda no térreo, ficam a sala de estar, com diversos livros de fotografia, e a cozinha, com vista para o pequeno jardim externo.

São 9 quartos coletivos ao todo: três unidades comportam quatro pessoas, cinco quartos têm capacidade para até seis hóspedes e um último está preparado para nove viajantes. Todos os coletivos dispõem de ar-condicionado, boa roupa de cama, armário metálico e varal. Uma larga escada vermelha leva às seis suítes para casal. Além de mais privacidade, têm ar-condicionado e canais por assinatura.

Por Carmen Fukunari

Serviço: Diárias entre abril e junho, R$ 50 para quartos coletivos e R$ 250 para suítes. CC: Visa e Mastercard. Rua Bambina nº 158, Botafogo, 21-3495-1027, www.contemporaneohostel.com.br.

Natal ou Caribe, pra mim tanto faz

por Guia Quatro Rodas em
A lagoa e a praia de Genipabu

A lagoa e a praia de Genipabu, vistas do alto das dunas - Foto: Luiz Felipe Silva

O Caribe é Aqui: este foi o primeiro nome que Walter Negrão deu à atual novela das seis da TV Globo, Flor do Caribe. Nada mais justo, afinal a linda paisagem dos arredores de Natal, com o mar mais azul que o céu e suas impressionantes dunas, não deve nada à beleza das praias da América Central. E, se você quer conhecer in loco tudo aquilo que se vê na televisão, uma atração é imperdível: o tradicional passeio de bugue pelas Dunas de Genipabu.

A primeira parada é exatamente nas Dunas de Genipabu. Do alto, dá pra ver as lagoas naturais, de um lado, e a cidade de Natal, do outro. Na descida começa a ação, e é aqui que você entende o lance do “com emoção”: no começo do passeio, o bugueiro pergunta se você quer uma viagem com ou sem emoção. Se você optar pela primeira alternativa, prepare-se para a aventura. Os motoristas fazem manobras entre os montes de areia, aceleram e freiam forte e até realizam curvas quase que na vertical – não precisa se preocupar com a segurança, eles só podem exercer a profissão após rígido processo seletivo e treinamento.

Cidade de Natal, RN

De lá se vê também, para lá da ponte estaiada Newton Navarro, a cidade de Natal - Foto: Luiz Felipe Silva

Meu grupo fez o passeio em dois bugues, um comandado por Michel e outro, por João Carlos. Ambos foram aprovados no último concurso para dirigir pelas dunas. “Você está na mão do cara certo, ele foi o primeiro na prova”, revelou Michel sobre o parceiro – entre mais de mil candidatos a bugueiro, apenas 50 foram selecionados.

Na sequência do passeio, chegamos à Praia de Genipabu, onde os barquinhos coloridos e o sol refletido no mar são ainda mais bonitos que nas cenas com Henri Castelli e Grazi Massafera. Mais adiante, dromedários vagam por entre as dunas (uma voltinha neles, “sem emoção”, é oferecida aos turistas por R$ 40).

O passeio completo pelas Dunas de Genipabu cruza um rio (a travessia é feita por balsa) e passa por nove praias, quatro parques de dunas e três lagoas (na de Jacumã, você pode praticar o esquibunda, o aerobunda ou o kamikaze; e na parada em Pitangui, a pedida é petiscar e beber com os pés na água). Custa R$ 150 por pessoa, mais R$ 5 para realizar a travessia de balsa, nas agências Marazul (84/3219-2221) e NatalVans (84/3642-1883).

Praia de Pitangui

Vista da Praia de Genipabu - Foto: Luiz Felipe Silva

Se você já é fã da novela Flor do Caribe e quer conhecer a fundo suas locações, é preciso um pouquinho mais de tempo – o ideal são, pelo menos, quatro dias no Rio Grande do Norte. As lista de lugares inclui a praia e as dunas de Pitangui (que fazem parte do passeio em Genipabu), Praia do Amor (em Pipa), Barra do Cunhaú, Baía Formosa e Malembar.

Por Luiz Felipe Silva, repórter do GUIA QUATRO RODAS

Passeio nos dromedários em Natal

Nas dunas, uma voltinha nos dromedários é oferecida por R$ 40 - Foto: Luiz Felipe Silva

 

Balsas sobre o Rio Pitangui

Balsas improvisadas fazem a travessia do bugues sobre o Rio Pitangui - Foto: Luiz Felipe Silva

Bonecas de pano em Santo Antônio do Pinhal

por Guia Quatro Rodas em

Hobby de Nilma, proprietária da pousada Villa Mantiqueira, tornou-se renda complementar em períodos de baixa temporada/Foto: Sara Campos

Em um mundo onde as bonecas de pano perdem cada vez mais espaço para bonecas com recursos eletrônicos, há quem mantenha viva a beleza artesanal dessas peças inseparáveis das meninas.

Apaixonada pelo brinquedo que permeou sua infância, a publicitária mineira Nilma Vilela produz as bonecas paralelamente ao trabalho na Pousada Villa Mantiqueira, em Santo Antônio do Pinhal, na Serra da Mantiqueira, São Paulo.

De formato longilíneo ou arredondado, o traçado leve que compõe as feições do rosto e as roupas delicadamente recortadas em tecidos de múltiplas estampas dão vida às bonecas de ar aristocrático expostas na recepção da pousada.  Os panos escolhidos vêm de países como Estados Unidos, Itália e Japão, lugares que também influenciam os figurinos costurados por Nilma. O valor das bonecas varia entre R$60 e R$130.

“Não é difícil receber hóspedes que gastam mais em bonecas do que nas próprias diárias”, revela a artesã com um sorriso de satisfação.  A inclinação de Nilma para a produção aconteceu há cinco anos, após períodos ociosos em épocas de baixa temporada. “Como sou muito inquieta, esse trabalho era uma forma de me tranquilizar. É mágico acompanhar a transformação de um pedaço de tecido em uma peça tão delicada”, revela.

Para a produção de quatro bonecas, passando pela costura da base, o crochê e a pintura do rosto, a artesão gasta cerca de seis horas de trabalho. O sucesso foi tão grande que Nilma construiu um ateliê como base de trabalho e dedica em média três horas por dia para o ofício. Qual garota não sonharia em ter uma companhia dessas a tiracolo?

Por Sara Campos, repórter do GUIA QUATRO RODAS

As bonecas de pano são inspiradas em modelos estrangeiros/Foto: Sara Campos

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Guia Quatro Rodas: mais um ano de estrada

por Guia Quatro Rodas em

Deque-mirante na pousada A Rosa e o Rei, em Sao Francisco Xavier (SP) - Foto: Luiz Giannoni

O ritual se repete há quase meio século: este é o 49º ano consecutivo em que a equipe de repórteres do GUIA QUATRO RODAS arruma as malas e cai na estrada. Nosso descanso acabou, em nome da busca dos melhores lugares para você aproveitar o seu. Neste exato momento, estamos avaliando hotéis, restaurantes e atrações em diversas partes do Brasil, na nossa primeira viagem de 2013. Como diz nosso lema: a gente vai antes para você ir melhor. E é um prazer fazer isso por você, caro leitor (tá aí a foto que não me deixa mentir).

Por Luiz Giannoni

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