Blog Guia Quatro Rodas

Voltamos para Ilhabela 3: O inferno dos borrachudos

por guia brasil em


A aplicação de larvicida em uma das cachoeiras de Ilhabela (foto: Prefeitura/divulgação)

É tudo verdade. Os borrachudos dominam Ilhabela, a maior ilha do litoral de São Paulo. Sei que a situação não é igual à do passado, quando os insetos estavam em todos os cantos e, em algumas horas do dia, eram realmente onipresentes. Hoje, pelo menos no período de inverno, eles importunam pouco nas áreas mais urbanizadas. Nas praias selvagens, só mostram toda sua força pela manhã ou no final da tarde. No verão, porém, a situação piora, por causa das chuvas e do calor.

A incidência dos insetos, em si, mostra que as cachoeiras continuam limpas e a mata, preservada. Mas deixá-los atacar livremente seria uma crueldade contra os turistas. Em Ilhabela, repelentes são tão indispensáveis quanto os filtros solares. Sem eles as férias podem ser comprometidas e os membros inferiores, particularmente os tornozelos e os pés, correm o risco de ficar em situação lastimável. Algumas pessoas vão parar no pronto-socorro.

Agressivos e persistentes, os borrachudos picam sem tréguas e vivem de três a quatro semanas. Para combatê-los a prefeitura da cidade utiliza atualmente nas cachoeiras, principal foco das larvas do inseto, um larvicida biológico chamado Bacillus Thuringiensis Israelensis (BTI), que funciona bem. As aplicações de BTI são feitas a cada 15 dias e os 1608 pontos espalhados desde o bairro do Jabaquara até a Cachoeira da Laje, na região sul do município.

Além de não contaminar as águas, o BTI é específico, isto é, mata somente as larvas de mosquitos e de borrachudos. Trata-se de um produto ambientalmente correto. Segundo dados da Prefeitura, existem mais de 300 cachoeiras no município e cada uma delas abriga um foco de borrachudo. As fêmeas da espécie depositam seus ovos sobre galhos e folhas encontrados em riachos e córregos com águas limpas e cristalinas. O borrachudo não é uma espécie exclusiva de Ilhabela, embora em nenhum outro lugar do país ele tenha uma presença tão marcante. O inseto vive nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste do Brasil, em áreas do interior e do litoral.

Proteção - Todo mundo na cidade tem sua própria solução para repelir o inseto. Na falta de uma armadura, usam-se desde produtos naturais, com fórmulas caseiras, até os repelentes mais comuns do mercado. A população local costuma usar e indicar, quase sempre, os repelentes Altan ou o Off, ambos na forma de creme (ou loção), considerados a melhor opção entre aquelas oferecidas nas farmácias e supermercados. Mas para muita gente os produtos conhecidos mostram-se ineficazes ou tem uma ação limitada. É preciso algo especial, uma proteção definitiva, algo que deixe os insetos encolhidos na sua toca.

Há algum tempo, dada a ferocidade dos ataques de borrachudos, se comercializa em Ilhabela um repelente bem forte: o Exposis Extrême, que utiliza o princípio ativo icaridina ou Bayrepel, desenvolvido pela Bayer e fabricado pelo laboratório francês Osler Paris. Até pouco tempo atrás, o produto era importado. Agora é fabricado no Brasil pela Universal Chemical. No seu rótulo, o Exposis garante até 10 horas de proteção individual com uma única aplicação – o dobro do tempo dos repelentes mais conhecidos.

O Teste - Por indicação do Guia Brasil 2010, que tive o privilégio de ler antes de de sua chegada às bancas (dia 25/09), testei o repelente Exposis Extrême. Comprei em Ilhabela, em uma das farmácias da Vila, e paguei R$ 34 por uma embalagem spray de 100 ml. O preço é 40% mais alto do que o dos concorrentes mais conhecidos. Utilizei o produto para me proteger dos insetos durante o passeio Terra e Mar, em que fui de lancha até a praia de Castelhanos, e voltei para a cidade de jipe, no final da tarde, cruzando a Mata Atlântica pela estrada do Parque Estadual. Decidi usar o Exposis porque soube que o repelente não tem perfume. E não tem mesmo – dizem que os perfumes mais atraem do que repelem os borrachudos. Além disso, o exército francês usa o produto em suas missões em países tropicais. Os militares da Alemanha e da Áustria também adotam o Exposis para se proteger dos insetos em suas andanças.

Castelhanos é um teste de fogo para qualquer repelente. Em termos de quantidade de borrachudos dificilmente qualquer outra floresta tropical percorrida pelo exército francês será muito pior do que as partes mais selvagens da praia de Ilhabela. Os insetos atacam se cessar. Eles voam baixo e raras vezes picam acima da linha da cintura. Passei o Exposis todo o tempo, lançando repelente na pele sempre que percebia que os borrachudos ganhavam terreno. Tratei de me proteger desde a partida do passeio Terra e Mar, no píer do Perequê, até chegar na praia de Castelhanos. Posso ter vacilado algumas vezes e não cobri adequadamente algumas partes mais vulneráveis aos ataques, como a panturrilha. Mas, em geral, creio que usei bem o produto.

O Exposis é, de fato, eficaz. Mas não posso dizer que sua eficácia seja de 100%. Talvez de 80% ou 90%. Uma única aplicação não foi suficiente para me proteger por dez horas. Passei o repelente diversas vezes e mesmo assim sofri pelo menos duas dezenas de picadas. O bom da história: além da proteção, o produto proporciona um grande alívio na dor e na coceira depois que é aplicado na pele. Não tive problemas com inchaço dos pés e nem senti qualquer efeito prolongado das picadas de borrachudo. Na volta do passeio, passei algumas horas dentro um jipe na estrada do Parque Estadual, no meio da mata, e nem percebi os insetos por perto. Quando cheguei ao hotel, depois da aventura, eu estava inteiro e quase sem marcas de picadas. Só posso concluir que fiz um bom negócio em comprar o Exposis. Apesar de alguns pequenos avanços sobre minhas pernas, os borrachudos levaram a pior.

 Por Vicente Vilardaga

Acompanhe as notícias dos repórteres do GUIA QUATRO RODAS também no twitter: twitter.com/guia4rodas