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Sandálias artesanais em São Miguel dos Milagres: trabalho em extinção
“Eu sou um animal em extinção.” É assim que Marcos Lima, mais conhecido em São Miguel dos Milagres como seu Lima, define seu ofício, a produção de suas famosas sandálias artesanais. Ele sabe que já não é fácil encontrar alguém que consiga entregar um produto feito totalmente à mão, sem passar por fábrica ou indústria, e viver bem disso. “Se me colocarem dentro de uma fábrica de calçados, não entenderia nada. Meu negócio é aqui, fazendo na mão o que aprendi sozinho”, conta o artesão, que tem entre seus clientes diversos artistas globais, como Zé Mayer, a cantora Simone, Viviane Pasmanter, Renata Sorrah e Djavan.

Par de sandálias produzido pelo artesão Marcos Lima
Aí vem a curiosidade: como você começou a fazer os sapatos? “Observando”, respondeu. “Quando era mais novo, percebi que o pessoal andava com os calçados tudo descolando a sola, que nem boca de jacaré, fazendo ‘plec’, ‘plec, ‘plec’. Daí me interessei, quis saber como fazer para ajustar aquilo lá”. Mas, antes de entender a solução do problema, seu Lima lembra que aprendeu primeiro como era a estrutura do sapato.
Foi uma espécie de engenharia reversa: o jovem Lima ficava atento aos lixos da região, onde procurava por pares já descartados pelos donos insatisfeitos. Cada vez que avistava um novo velho calçado, a missão era certa: desmontar para aprender a montar. Aos poucos a arte foi se aperfeiçoando, descobriu como era feita a costura do solado, aprendeu a diferenciar a qualidade dos materiais e ganhou confiança para dar início ao seu próprio negócio, que usa somente o solado Amazonas e tipos diferentes de couro.

Seu Lima na oficina onde faz suas sandálias artesanais, em São Miguel dos Milagres, Alagoas
Alternativas às grifes
Hoje, a fabricação acontece na sua residência, na estrada que corta São Miguel dos Milagres, a AL-101 Norte. Quando ele não se encontra no local, a filha, a mulher, ou qualquer conhecido, assume a bancada de atendimento aos clientes. O cheiro de couro domina a pequena sala com uma estreita bancada central onde as diferentes cores são expostas. Os pares de sandálias já prontos ficam à mostra em prateleiras nas paredes, mas o cliente tem total liberdade para decidir se quer um daqueles ou encomendar uma nova criação.

O cliente pode levar uma das sandálias do seu Lima já prontas ou encomendar sob medida
A partir das opções de cores disponíveis no momento, o cliente é quem decide qual vai ser a “cara” da sandália. Com relação aos modelos, seu Lima aceita até fazer cópias de grifes, como Arezzo e Richards. Ele conta que não é raro ter cliente que já chega com um catálogo em mãos, querendo garantir uma versão mais acessível de algum item e, dependendo do caso, até com melhor qualidade.

As opções de cores que podem ser escolhidas para encomendar as sandálias do seu Lima
Catálogo digital
Ao decidir comprar um par, a primeira pergunta não é muito diferente daquela feita em lojas tradicionais: qual a numeração? A forma do seu Lima, normalmente, é menor que as tradicionais, mas isso não importa se o modelo for confeccionado exclusivamente e especialmente para o seu pé (existe a numeração 37 e meio, por exemplo). Caso alguma faixa de couro que prenda o calcanhar ou contorne o peito do pé esteja frouxa (ou apertada demais), o problema é ajustado no mesmo momento.
Contudo, não alimente expectativas com relação ao preço, pois a simplicidade do conceito engana. Atualmente, um par de sandálias abertas, no estilo rasteirinha, tanto feminino quanto masculino, custa R$70. Quando o modelo pede uma fivela para fechar no calcanhar, o preço sobe a R$80. Ficou com vontade de conferir o catálogo de modelos? Ele é digital, mas não está na internet. Fica na câmera digital da família que armazena todos os registros das sandálias já vendidas.
Por Jennifer Ann Thomas, repórter do GUIA QUATRO RODAS

Que lindas sandálias!!!!!!!! Adoro rasteirinha de couro.
Como faço para pedir por encomenda.
Minha cidade fica no sul de Minas, qual o valor? quais os modelos?quanto é o frete?
Fiquei apaixonada pelos poucos modelos que vi.
Desde já agradeço pela atenção.
Fátima