Por dentro do Rio

A gente se vê por aí

por Constance Escobar em

O post de hoje tem tom de despedida. Há algum tempo, vinha amadurecendo a difícil decisão de deixar o Por Dentro do Rio. Precisei tomar fôlego, ganhar coragem, afinal, desapegar-se não é coisa fácil. Nos últimos dois anos e quatro meses, fiz desse espaço uma espécie de diário da minha relação com o Rio de Janeiro, especialmente, com suas mesas. Mais do que isso: este blog me deu a oportunidade de esquadrinhar novas esquinas, vislumbrar novos ângulos, rever opiniões. Enfim, redescobrir minha própria cidade. Saio dele mais rica do que entrei e se saio é porque preciso seguir em outras direções. Viagem alguma é definitiva, não seria diferente com essa. Como já disse um sábio português, a questão é aprender a deixar nossas flores com quem possa cuidar delas e começar ou recomeçar.

O motivo da despedida não tem nada de extraordinário, aliás, é bastante banal: muito trabalho pra pouco tempo. Embora, a todo instante, sejamos levados a crer que podemos – devemos? – ser dez, vinte, sendo um, mantenho a crença na velha e surrada máxima que nos ensina que a vida é feita de escolhas. É clichê, mas é também verdade.  E como toda escolha importa uma renúncia, as minhas, neste momento, me levam a fazer deste post a última parada deste blog. Deixo minhas flores com vocês e sigo viagem. Se alguém sentir falta de um dedo de prosa, continuo a postos no Pra Quem Quiser me Visitar. A gente se vê por aí.

La Bicyclette inaugura (linda) filial dentro do Jardim Botânico

por Constance Escobar em

Quem acompanha esse blog sabe que não sou exatamente uma fã fervorosa dos pães da La Bicyclette. Gosto muito do ambiente, onde o bom gosto dos proprietários se evidencia em todos os detalhes. Os pães não estão entre meus favoritos, mas sentar ali pra tomar um café é sempre um prazer, especialmente se for acompanhado de uma fatia do ótimo fondant de chocolate. E, a partir de agora, estou certa de que a padaria me verá com mais frequência. Na última quarta-feira inauguraram nova filial num dos lugares que mais amo, não na cidade, mas no mundo: o Jardim Botânico. Eu, que há tempos vinha reclamando de como o parque era mal explorado pelo Café Botânica – comida fraca e serviço caótico –, agora tenho motivos pra comemorar.

A padaria está ocupando uma lindíssima casa, em frente ao incrível Espaço Tom Jobim. O mesmo bom gosto que prevalece na matriz, só que num imóvel mais amplo, com pé direito alto, grandes janelas e uma deliciosa varanda. Estive lá ontem. Como sempre, comi algumas coisas boas, outras ruins, mas o mais importante pra mim, naquele momento, era a satisfação de ver o Jardim Botânico sendo brindado com um novo espaço como aquele.

Cheguei no fim da tarde e saí à noite, mas só porque a casa já estava pra fechar. Porque a vontade era ir ficando… Fui embora  agradecendo por viver no Rio de Janeiro e ter lugares como o Jardim Botânico ao alcance de uma curta caminhada. E, especialmente, celebrando o fato de que um lugar tão especial, finalmente, começa a ser explorado como merece.

La Bicyclette – Rua Jardim Botânico 1008 – acesso pela entrada para veículos

http://www.labicyclette.com.br/ 

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Boulangerie Guerin: minhas impressões

por Constance Escobar em

Como já tinha contado nesse post aqui, era grande minha expectativa à época da inauguração da Boulangerie Guerin, há pouco mais de um mês. Por motivo óbvio: o indiscutível talento do chef, egresso do Sofitel, onde era responsável pela produção de padaria e confeitaria, não só do Le Pré Catelan, mas de todo hotel. Os pães que produzia ali eram, certamente, os melhores da cidade. O mesmo posso dizer do trabalho de pâtisserie comandado por ele no restaurante. Portanto, não dava pra esperar pouco de Dominique em seu novo estabelecimento.

Ao longo desse primeiro mês de vida da casa, estive lá três vezes. Ainda não tinha compartilhado com vocês minhas impressões após essas visitas. Vamos a elas, então.

A primeira visita foi no próprio dia da abertura. Muita gente se acotovelando dentro e fora da loja. A produção se esgotava rapidamente diante dos olhares das dezenas de pessoas na fila. Pude trazer pouca coisa pra casa. Nada era especial. Mas não quis julgar, afinal, não se deve tirar conclusões a respeito de um estabelecimento em seu primeiro dia de vida. Especialmente, percebendo que lidavam com uma demanda que, certamente, superava em muito qualquer planejamento.

Decidi esperar uns dias antes de voltar. À medida que ouvia as histórias de investidas fracassadas de alguns amigos – uns tendo que voltar da porta, pela incapacidade da loja em acomodar a multidão que bate ponto ali diariamente; outros percebendo que, em certos horários, já encontravam prateleiras quase vazias e cartazes advertindo “não temos mais pães” –, decidi prolongar a espera. Duas semanas depois da primeira visita, retornei.

Achei a vitrine pouco interessante: além dos pães, basicamente, tarteletes, mil folhas e éclairs, todos pouco atraentes. Arrisquei uma tartelete. Não era ruim, mas também não era boa. Voltei ao croissant e ao pain au chocolat, provas de fogo pra um pâtissier em terras brasileiras. O croissant era melhor que o da primeira visita. O pain au chocolat era ótimo. Havia esperança. Tanto que retornei no dia seguinte. Experimentei bons cookies, mas o croissant e o pain au chocolat já não eram os mesmos do dia anterior. Encharcados em manteiga. Ainda tentei o mil folhas. Não era bom. E a baguete que levei pra casa era sensivelmente pior do que aquela que comprei no dia da inauguração.

Não duvido do talento de Dominique Guerin nem por um minuto. Minha impressão é a de que, além do problema de lidar com uma demanda acima do esperado, uma coisa que talvez tenha mudado consideravelmente, entre seu trabalho no Sofitel e aquele realizado na nova boulangerie, seja a matéria-prima empregada na produção. Se for esse o caso, não é condenável que faça algumas mudanças, afinal, agora tem negócio próprio e precisa lidar com custos. Mas há que cuidar pra que a diferença não seja tão grande. Até porque os produtos vendidos ali não são propriamente baratos…

Prefiro crer que talvez seja uma questão de tempo até que as coisas se ajustem e o chef encontre o tom. Torço por isso.

Boulangerie Guerin – Avenida Nossa Senhora de Copacabana 920 – loja A – Copacabana

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Espírito Santa: (meu) modo de usar

por Constance Escobar em

Comer bem em Santa Teresa não é exatamente uma tarefa fácil. Entre as mesas que me veem com mais frequência, está o Espírito Santa. Não que a comida seja excepcional, não é. Mas o cardápio é interessante, propõe um percurso por pratos e ingredientes de diversas regiões do país, coisa difícil de encontrar em outros endereços no Rio. O problema é que é longo demais, o que nunca é bom sinal. Por mais talento que possa ter a chef amazonense Natacha Fink, é difícil (pra não dizer impossível) dar conta de tantas diferentes opções com maestria. Não dá pra jogar nas onze. Mas, à medida que vou explorando, vou descobrindo por onde é mais seguro transitar. Dificilmente me arrisco nos pratos principais, que quase sempre me decepcionaram. Particularmente, acho que a casa se sai melhor nos petiscos e entradas. Essa é minha fórmula pra ser feliz ali: um almoço despretensioso, concentrado na primeira parte do cardápio, que revela algumas boas surpresas. Como os bolinhos de mandioca com queijo coalho, servidos com chutney de açaí. Ou as trouxinhas de vatapá. Ou, ainda, os deliciosos croquetes de tambaqui com pimenta de cheiro, que estão entre as razões que me fazem querer voltar.

Mas, mais do que a comida, o que me leva ao Espírito Santa é a varanda nos fundos da casa, onde, invariavelmente, me acomodo. Comer debaixo das árvores, diante do poético casario do bairro, não tem preço. Sem falar nos convidados inesperados que, eventualmente, aparecem por ali…

Espírito Santa – Rua Almirante Alexandrino 264 – Santa Teresa

http://www.espiritosanta.com.br/

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Gosto com Gosto: um dos melhores restaurantes de comida mineira do país

por Constance Escobar em

Como contei nesse post aqui, estive recentemente em Visconde de Mauá. Aproveitei a rápida passagem pela vila pra matar as saudades da comida do restaurante Gosto com Gosto, da chef Mônica Rangel. Minha última refeição por lá contava mais de três anos – um longo e delicioso almoço, uma tarde à qual a memória sempre me levava de volta.

Mauá ainda é serra fluminense, mas, se não é Minas Gerais, é por muito pouco. Um pulo e estaria do lado de lá da fronteira. A proximidade com o estado inspirou o cardápio do restaurante. Trata-se de um dos melhores endereços no país pra um encontro com a boa comida mineira. Estive recentemente em Tiradentes e, com as refeições ainda vivas na lembrança, devo lhes confessar que acho a cozinha de Mônica superior à média das mesas por que passei na região.

Começamos com linguiça de lombo com bacon acompanhada de bolinhos de mandioca com queijo. A chef tem um bem equipado linguiçário nos fundos do restaurante, onde produz de forma artesanal as ótimas linguiças que serve ali – de porco, frango, cordeiro e picanha.

Seguimos com uma beleza de feijão tropeiro, acompanhado de costelinha de porco assada por oito horas em baixa temperatura. A carne se desfazia ao toque do garfo. Além do tropeiro, havia couve, feijão e uma deliciosa farofa, que combinava farinha branca, farinha de milho e de copioba.

As sobremesas são um capítulo especial no Gosto com Gosto. Os doces e compotas da casa são delicados e sensivelmente menos doces que a média. O doce de leite, o de abóbora e o de casca de limão estão entre meus favoritos e a ambrosia é, simplesmente, a melhor de que tenho notícia por aqui. Uma pena que não possam vendê-la pra viagem – eu traria comigo quilos daquela ambrosia se pudesse. Melhor assim: fica-me um bom motivo pra voltar sempre.

Gosto com Gosto – Rua Wenceslau Braz 148 – Visconde de Mauá

http://www.gostocomgosto.com.br/

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