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Constance Escobar

Constance Escobar

é carioca, formada em gastronomia e, acima de tudo, uma apaixonada pelo Rio de Janeiro, cidade onde nasceu, cresceu e que não larga de jeito nenhum. Entre uma mesa e outra, ela entrega aqui os encantos da cidade maravilhosa.
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  • Constance Escobar: Que bom, Sthe, fico feliz. Aproveite o Rio.
  • Sthe: Constance, me apaixonei pelo Bar da Urca! Estou passando o feriadao no...
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Academia da Cachaça: o melhor escondidinho do Rio?

por Constance Escobar em 08/09/2010 às 2:53

Não somos os mesmos todos os dias. E é bom que seja assim. Há dias em que precisamos de alta gastronomia pra nos alimentar a alma. Mas há também aqueles em que não haveria foie gras ou trufas que nos trouxessem a felicidade de estar diante de um bom croquete. Eu, quando assaltada pela vontade de uma comida simples e substanciosa, tenho uma meia dúzia de endereços certeiros aos quais recorrer. O primeiro da minha lista é o Aconchego Carioca, pra mim, o melhor bar do Rio, sobre o qual já falei nesse post aqui. Um outro lugar que figura nessa lista –muitos degraus abaixo do Aconchego, que fique claro –  é a Academia da Cachaça.

O cardápio tem carne seca, carne de sol, linguiça mineira, feijão de corda, mandioca frita, feijoada e outras maravilhas pra desgraçar nosso colesterol e alegrar nosso espírito (aliás, por que é mesmo que tudo o que nos alegra o espírito precisa arruinar o colesterol?). Entre alguns pratos muito bons e outros nem tanto, o que brilha soberano no meu conceito é o Escondidinho. Pra mim, não há melhor no Rio de Janeiro. Tudo bem, eu sei, não provei todos. Mas tá eleito assim mesmo. Acho sensacional. Mas estou aberta às sempre valiosas opiniões dos leitores; se houver outro melhor, digam-me que confiro assim que puder.

Pra felicidade ser completa, nunca me despeço sem, antes, pedir o batido de tapioca, feito com sorvete Cairu, quase tão bom quanto o aclamado milk-shake da Sorveteria da Ribeira, em Salvador.

Academia da Cachaça – Rua Conde Bernadotte 26 – Leblon
www.academiadacachaca.com.br

CCBB-Rio: sempre um bom programa

por Constance Escobar em 02/09/2010 às 11:34

Volta e meia me pego na ladainha de que a programação cultural do Rio de Janeiro poderia ser mais intensa. Aliás, merecia ser. Afinal, uma cidade que foi – e ainda é – berço de muitos dos grandes artistas desse país e de tantos movimentos importantes merecia mais iniciativas no cenário cultural. Penso em São Paulo e tenho a impressão de que estamos comendo poeira… Basta comparar a engrenagem do SESC lá e cá e fica mais ou menos claro o que quero dizer… Mas, se há dois lugares que sempre que visito me deixam a sensação de que nem tudo está perdido, esses lugares são o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sobre o qual falei recentemente nesse post aqui, e o Centro Cultural Banco do Brasil, o CCBB-Rio, sobre o qual falo um pouquinho hoje. É claro que há muitos outros espaços igualmente relevantes, mas esses dois me são especialmente caros.

O Municipal é, pra mim, a casa da música por excelência. Dei a ele essa medalha e, pelo menos no meu pódio, ninguém tasca. E o CCBB, bem o CCBB tem a bravura de atravessar o ano reunindo, incansavelmente, algumas das mais interessantes programações que os cariocas têm à sua disposição. Já ouvi, dos bastidores, de quem trabalha com arte na cidade, muitas queixas sobre a administração do lugar. Mas, não conheço a fundo nem posso julgar essas questões. Do ponto de vista da plateia, aplaudo com entusiasmo.

Entrar naquele edifício histórico, que é uma verdadeira joia, por si só, já é uma experiência. A belíssima arquitetura imprime nos olhares dos visitantes o encantamento com o que se vê. A sensacional claraboia, que permite que a luz natural invada o ambiente, funciona como um ímã: todos os pescoços naturalmente se espicham em direção a ela. Não há quem entre ali e não pare, ao menos, uns poucos segundos pra olhar pro alto e admirar.

Mas o CCBB-Rio não é só um corpinho bonito. Tem conteúdo pra dar e vender. Há sempre belos programas em torno de todas as formas de arte – música, cinema, artes plásticas, literatura, teatro. O suficiente pra garantir que a agenda de qualquer carioca interessado em cultura, minimamente, não caia na monotonia.

Nesse momento, por exemplo, está em cartaz uma exposição que traz um belo panorama da vida, da personalidade e da obra da ousada Anita Malfati, pintora que foi precursora do modernismo brasileiro.

Vale dar uma conferida também na mostra Zeróis: Ziraldo na Tela Grande, em que o cartunista vai além das tirinhas e traz seus super-heróis sob a forma de ilustrações em telas, esbanjando humor.

Enfim, isso é só uma pincelada no que acontece por lá nesse momento. O fato é que há sempre muitos bons motivos pra ir ao CCBB-Rio. É só escolher o seu.

CCBB – Av. Primeiro de Março 66 – Centro

http://www.bb.com.br/portalbb/home21,128,128,0,1,1,1.bb

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Prima: a bruschetteria cheia de charme no Leblon

por Constance Escobar em 31/08/2010 às 9:14

Falei muito en passant sobre a Prima Bruschetteria nesse post aqui, quando a casa tinha acabado de ser inaugurada. Ia voltar no assunto com mais calma depois, mas, outro dia me dei conta de que fiquei em falta. Primeira bruschetteria carioca, a Prima tem o mérito de trazer pra cidade uma ideia inédita. Mas foi além de ser só uma novidade e se firmou como um dos lugares mais agradáveis no bairro pra uma refeição despretensiosa.

Acho o ambiente uma delícia. O salão pequenininho, com mesas e cadeiras em vermelho e preto, detalhes em xadrez e objetos espalhados pelas prateleiras…

…as luminárias que são, na verdade, fundos de garrafas…

…as janelas abertas pro vai-e-vem do bairro.

A cozinha não é de grandes pretensões. Aliás, a despretensão é o seu trunfo e o viés pelo qual deve ser abordada por quem vá ali. Cardápio enxutíssimo, com foco em uma boa variedade de coberturas pra bruschettas que dão nome à casa. Arriscam investir em pouca coisa além delas, no que acho que fazem muito bem. Uma dessas investidas são os risottos, que conferi já nos primeiros dias de vida da Prima com certo receio, mas que, vencido meu preconceito, revelaram-se melhores do que eu esperava.  Gosto em especial do de abóbora com crisps de presunto de Parma.

Mas uma das grandes surpresas, pra mim, foi o tiramisù, que é servido no copo, do jeito que eu gosto. Delicado, equilibrado, enfim, delicioso. Já repeti a dose algumas vezes. E sempre que arrisquei outra sobremesa, não deu outra: me arrependi.

Prima Bruschetteria – Rua Rainha Guilhermina 95 – Leblon
primab.com.br

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Parque Lage: pra levar o ócio pra passear

por Constance Escobar em 27/08/2010 às 10:09

Uma das melhores maneiras de se gastar uma manhã no Rio de Janeiro é uma visita ao Parque Lage, um dos refúgios mais encantadores da cidade. O ar europeu do lindíssimo e imponente casarão, idealizado nos moldes de um palácio romano, e a simetria de seu belo jardim principal contrastam com a mata selvagem da Floresta da Tijuca ao fundo, criando um cenário digno de filme. A cereja do bolo é o Cristo Redentor, ao longe, abraçando a paisagem…

Os jardins convidam a ler um livro, saborear uma revista, fazer um piquenique. Ou a não fazer nada pura e simplesmente; lagartear à sombra de uma árvore e apenas contemplar, contemplar, contemplar… E lembrar como os momentos de ócio são fundamentais num mundo que, a todo tempo, nos faz crer que não se pode mais gastar meio minuto com algo que não seja altamente relevante. Bem, ao menos pra mim, dedicar algumas poucas horas ao ócio, ou umazinha que seja, vá lá, em lugares como esse é algo da maior relevância… Pra desconectar mesmo. Atravessar um intervalinho de tempo sem ler emails, sem acompanhar o twitter, sem querer saber tudo o que está acontecendo no mundo naquele exato minuto. Pausar. Pra falar a língua de hoje: “dar um unfollow” no mundo por alguns momentos… E o Parque Lage é um daqueles lugares que parece que foram feitos pra isso: dane-se o mundo mode on.

Se o ócio der uma fominha, o Parque Lage tem um dos cafés da manhã mais disputados dos fins de semana cariocas. Sem exageros. Entendam bem: eu não disse que é um dos melhores cafés da manhã da cidade, apenas um dos mais disputados. O café é bem razoável, mas nada de sensacional. O que o torna imbatível é o cenário. O Café du Lage o serve em mesinhas espalhadas em torno da piscina do casarão, onde funciona a Escola de Artes Visuais. Pra ter a felicidade de ocupar uma delas, é imprescindível chegar antes das 10:00h.

Depois de alimentados corpo e alma, aí já dá pra se permitir voltar pra loucura do mundo. Mas só até a próxima parada…

Parque Lage – Rua Jardim Botânico 414 – Jardim Botânico

www.eavparquelage.rj.gov.br

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Passeio no Rio de Janeiro: Parque das Ruínas

por Constance Escobar em 24/08/2010 às 10:47

Uma das (muitas) coisas que me encantam no Rio de Janeiro é o fato de haver mil e um lugares de onde se descortinam vistas sensacionais da cidade, que se revela sob os mais diversos ângulos, todos, sempre, arrebatadores. A geografia acidentada ajuda; favorece o surgimento de mirantes privilegiados. O cenário de beleza farta entra com seu quinhão. E os espectadores – locais ou visitantes – agradecem entusiasmados.

Eu, que sou uma carioca que ainda se surpreende com a beleza desse canto de mundo onde nasci, vivo a buscar todos os possíveis ângulos da cidade. Não me canso. Volto inúmeras vezes aos mesmos lugares só pelo prazer de provar a mim mesma que ainda não me surpreendi o suficiente. Um desses lugares é o Parque das Ruínas, sem dúvida, um dos mais belos passeios no Rio de Janeiro.

Encravada numa das íngremes ladeiras de Santa Teresa, a casa que foi propriedade da mecenas Laurinda Santos Lobo, e cujos salões testemunharam alguns dos mais incríveis saraus acontecidos na cidade, remete a um Rio de Janeiro de outros tempos (não sei se melhores, mas mais românticos, mais poéticos, mais elegantes talvez…). Suas ruínas, a que se somaram rampas e escadas em estrutura metálica, foram transformadas num mirante de onde se vislumbra uma verdadeira sequência de cartões-postais cariocas.

Catedral Metropolitana e Arcos da Lapa…

Os arcos de pertinho…

Marina da Glória e Baía de Guanabara…

Aeroporto Santos Dumont e, ao fundo, Mirante da Boa Viagem e Museu de Arte Contemporânea de Niterói…

Pão de Açúcar…

E Corcovado.

Embora a vista panorâmica da cidade seja, hoje, o grande foco de quem vai ali, confesso que, entre um clique e outro daquele cenário monumental, gosto de imaginar o tempo em que tanta beleza era moldura pra efervescência cultural daqueles salões, onde Heitor Villa-Lobos e outros grandes artistas de sua geração eram figurinhas fáceis. Quase consigo ouvir as notas musicais saindo pelas janelas e ganhando as ladeiras do bairro… E sinto saudades de um Rio que não conheci.

Parque das Ruínas – Rua Murtinho Nobre 169 – Santa Teresa

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Vítor Sobral cozinha amanhã no Pirajá, a “esquina carioca” de São Paulo

por Constance Escobar em 20/08/2010 às 10:57

Crédito: divulgação

Uma das minhas lacunas gastronômicas imperdoáveis é o Bar Pirajá. Da mesma turma que ostenta sucessos como os bares Original e Astor e a pizzaria Bráz, o Pirajá é uma espécie de declaração de amor à boemia do Rio de Janeiro; um bar carioca em plena capital paulista. Eu não saberia explicar por que ainda não estive lá… Só sei que gostaria de correr e pegar uma ponte aérea neste sábado pra corrigir essa falha em grande estilo. Digo em grande estilo porque amanhã é dia de festa na esquina mais carioca de São Paulo. Dia de lançamento do livro “Pirajá – uma esquina carioca”, que traz as incontáveis estórias que povoam seus mais de 10 anos de existência, ao lado de receitas de clássicos de bares carioquíssimos como Bar Lagoa e Adega Pérola. Suas linhas são assinadas pelo compositor Moacyr Luz e pelo jornalista e escritor Ruy Castro. As fotos são do craque Rômulo Fialdini e as ilustrações ficam por conta do cartunista Jaguar, o mais boêmio dos cariocas – ou seria o mais carioca dos boêmios?

O lançamento será celebrado por uma roda de samba comandada por Moacyr. E a cozinha contará com reforço de peso: ninguém menos que Vítor Sobral. O celebrado chef português que conquistou fama e respeito com seu restaurante Terreiro do Paço e vem resgatando, com sua nova casa – Tasca da Esquina – a tradição dos bocados portugueses sob um bem-vindo viés de modernidade. Por aqui, Vítor desfilará maravilhas como Alheiras com favas, Lascas de bacalhau com batata e ovo e Alhada de camarão. Considero a ideia de trazê-lo ao Pirajá um verdadeiro golpe de mestre. Faz todo sentido celebrar a esquina carioca de São Paulo com o acento que marca a alma de tantos botequins do Rio de Janeiro: o português. Particularmente, tenho a suspeita de que se comem mais bolinhos de bacalhau no Rio do que em qualquer canto de Portugal…

Vítor Sobral, em foto de divulgação

Pois é, passarei sem essa, mas recomendo com todas as forças que os cariocas que por lá estiverem não percam a oportunidade de conferir essa festa. Cá do meu canto, eu me contento em saber que, em breve, o livro terá um lançamento no Rio de Janeiro. E tomo alento na notícia que a chef Flávia Quaresma me deu outro dia: Vítor anda pensando seriamente em abrir uma Tasca da Esquina no Rio. A cidade maravilhosa agradeceria em êxtase…

Pirajá – Av. Brigadeiro Faria Lima, 64, Pinheiros

www.piraja.com.br

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Celeiro: o queridinho da Dias Ferreira

por Constance Escobar em 17/08/2010 às 11:41

O restaurante Celeiro, no Leblon, é daqueles que têm vaga cativa na lista dos queridinhos dos cariocas. É programa obrigatório no verão do Rio, mas a verdade é que faz sucesso nas quatro estações. Atravessa o ano com filas na porta, na movimentada calçada da rua Dias Ferreira. E ocupa lugar de destaque em qualquer guia descolado sobre a cidade. Diariamente, é ponto de encontro de celebridades e simples mortais em busca de comida saudável, mas saborosa. E, de fato, a casa construiu sua fama em torno da proposta. É esse o seu filão: pratos saudáveis e cheios sabor. Serve, especialmente, saladas, legumes, grãos, favas e quase nenhuma carne. Tudo orgânico. Tudo colorido. Quase tudo muito gostoso.

Mas eu, que não tenho exatamente um enorme prazer em pagar caro pra comer salada, devo confessar que os motivos que me levam ao Celeiro são um tanto diferentes dos de boa parte das pessoas que ali vão. A primeira coisa que me encanta no Celeiro é aquele jeitão aconchegante, formas e cestos de palha espalhados pelos cantos, uma coisa meio “casa de vó”.

E no quesito comida, bem, no quesito comida, o que me encanta é exatamente tudo aquilo que as habitués globais-em-eterna-dieta devem satanizar: os pães fresquinhos, os biscoitos, os bolinhos e as sobremesas deliciosas, todos  maliciosamente dispostos nos balcões logo em frente à entrada.

Você entra e já dá de cara com tudo isso. E passa toda a sua refeição saudavelmente cercado de lentilhas, tomates, feijões, berinjelas, abóboras, mas pensando naquelas delícias. Ao menos é o que acontece comigo, uma simples mortal que adora comer bem. E querem saber? É pelos pães, biscoitinhos e sobremesas que eu volto sempre lá! E digo mais: não tem salada que seja capaz de fazer por mim o que fazem os sonhos de limão ou as bolinhas de sagu em creme de baunilha com pedacinhos de banana caramelizada. Aquele sabor de infância não tem prato balanceado que possa me proporcionar…

Celeiro – Rua Dias Ferreira 199 – Leblon

www.celeiroculinaria.com.br

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Pizza Fora de Série na Bráz: ainda dá tempo

por Constance Escobar em 13/08/2010 às 10:56

Já são conhecidas no meio gastronômico as frequentes incursões dos sócios da Pizzaria Bráz por algumas regiões da Itália, sempre em busca de ideias e ingredientes (e de um pouquinho de prazer, claro, que ninguém é de ferro). Assim é que passaram a importar latas e latas de tomates San Marzano – colhidos na região da Campania e considerados, simplesmente, os melhores do mundo -, que usam em todas as redondas que saem dos fornos de cada uma das filiais da pizzaria. Assim também é que conceberam uma iniciativa que botam em prática há 3 anos: dar ao público de suas casas a possibilidade de chegar o mais perto possível de uma verdadeira pizza napolitana sem ir a Napoli. Trata-se do Festival Fora de Série, que acontece, em sua segunda edição no Rio de Janeiro, ao longo desse mês de agosto. Ano passado dei bobeira e perdi. Esse ano, fui me redimir da falta grave.

São quatro tipos de pizza, todas produzidas com alguns ingredientes artesanais italianos. A começar pela farinha, com nome e sobrenome, a Molino Caputo que é referência em Napoli, produzida em um moinho mais antigo que minha avó. O tomate é San Marzano, claro, mas de uma safra especialíssima, colhida por pequenos produtores aos pés do Vesúvio, e tem o sugestivo nome de Miracolo di San Gennaro . E até a água usada na massa, acreditem, é italiana, oriunda de solo vulcânico. Fora isso, a pizza é servida num belo suporte de madeira, confeccionado para o festival – que eu confesso: dá vontade de levar pra casa. E o azeite que a acompanha, produzido na Úmbria, também é fora de série.

Pode-se escolher entre a Carciofi con Gambo – pizza  coberta com alcachofras da Puglia -, a Marinara – que leva apenas molho de tomate, alho, azeite e orégano -, a Margherita Verace – feita com mussarela fior di latte produzida no Brasil -, e a Tonno di Aspra – que recebe lascas generosas de um atum extraordinário . Ou todas juntas em uma só pizza, a Quatro Estações.

Soube ontem que o atum fez tamanho sucesso que os estoques já praticamente acabaram, então só restam três das opções de pizzas fora de série. E não vou resistir a cometer uma maldade: confesso que a de atum foi justamente a minha favorita, entre as quatro que provei. Mas, se você correr pra experimentar qualquer das outras três, provavelmente, não vai se arrepender.

Bráz Fora de Sériewww.brazforadeserie.com.br

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Rio e São Paulo: díspares ou complementares?

por Constance Escobar em 10/08/2010 às 11:10

No início do ano, um dos editores de Viagem & Turismo me pediu um texto sobre São Paulo. Queria algo bastante pessoal, a cidade vista sob o olhar de uma carioca pra quem a ponte aérea é algo familiar. O mesmo fariam com o Rio, sob o ponto de vista de uma paulistana. Ambos os textos seriam publicados numa grande matéria sobre as duas capitais. Matéria que acabou não acontecendo.

O artigo não saiu, mas resolvi publicar aqui um trecho do texto que escrevi à época, que é um retrato muito particular do meu sentimento a respeito dessas duas cidades que considero, no fundo, dois lados de uma mesma moeda.

“Tive a sorte de crescer num lar carioca em que pai e mãe sempre falaram de São Paulo de uma forma afetiva. Desde menina, isso me despertou o interesse por aquela cidade que, nas palavras deles, tinha tanta gente interessante, tanta coisa acontecendo. Talvez eles tenham achado um pouco estranho quando pedi que me levassem junto em uma próxima ida… Eu era adolescente e, entre os adolescentes que me cercavam, não me lembro de muitos que quisessem deixar a praia pra ir passar um fim de semana em São Paulo. Eu quis. E não me arrependi. Confesso que não é um lugar que se entrega fácil como o Rio, com suas silhuetas sedutoras e beleza arrebatadora. É preciso querer ver os encantos da capital paulista e, mesmo querendo, eles só se entregam aos poucos. Mas até isso comigo foi diferente: a cidade me ganhou de primeira. E, de lá pra cá, volto sempre que posso. Passei a enxergar entre Rio e São Paulo um diálogo natural. Mais do que natural: um diálogo necessário.

São muitas as diferenças que se podem apontar entre as duas cidades. A começar pela bagagem que se carrega. Os cariocas se vestem para ir a São Paulo. Enquanto os paulistas se despem pra vir ao Rio. E eu não falo necessariamente de roupas. A impressão que me fica é a de que o paulista, ao fazer  as malas rumo ao Rio de Janeiro, deixa em casa não só as roupas mais pesadas, mas também um pouco da seriedade e do protocolo a que está habituado no seu dia-a-dia. E vem com a alma – e não só a bagagem – mais leve. Creio que isso já diz muito sobre os dois destinos. Acho que essas duas facetas, mais do que uma diferença, apontam uma complementaridade entre duas cidades tão incrivelmente díspares e, no entanto, inevitavelmente irmãs.

Sinto como se o paulista viesse ao Rio buscando uma espécie de escape pro excesso de informação, de movimento, de ruídos que São Paulo lhe oferece diariamente. E encontra essa redenção na natureza, no mar, no sol, no contato do pé descalço com a areia… No ritmo mais lento em que a vida acontece do lado de cá da Dutra… Na informalidade que impera nas ruas da cidade, que lhe recebe com um sorriso aberto, mesmo que esteja de havaianas nos pés, cabelos molhados e despenteados e trajando seu figurino mais descompromissado (aliás, é assim mesmo que a cidade quer que você venha).

Eu, que faço o trajeto contrário da ponte aérea, vou buscando exatamente o oposto. De vez em quando (o que significa de duas a três vezes ao ano – pois menos que isso faz a saudade  da capital paulista bater forte), gosto de deixar em suspenso a brisa do mar e o calor do sol pra ir ver a vida acontecer em São Paulo. Sim, porque o Brasil acontece em São Paulo. É o lugar onde as coisas borbulham com mais intensidade, seja na cultura ou na gastronomia, só pra dar dois exemplos do que eu costumo buscar por lá.

Ao chegar, gosto de sentir que estou dentro de um gigante urbano, com todos os seus mecanismos funcionando a pleno vapor. Mas, gosto, ao mesmo tempo, de vislumbrar, ainda da janela do táxi, que, com todo gigante que São Paulo é, há nela uma vida de bairro a ser explorada, como em toda cidade que valha a pena conhecer… O charme burguês do Itaim, de Higienópolis ou dos Jardins. Os meandros do centro. A boemia da Vila Madalena.

(…)

Quando me despeço, inevitavelmente, tenho a sensação de que meu tempo é curto demais pra ver tudo o que merece ser visto. Sempre com a impressão de que quanto mais eu vou a São Paulo, menos eu posso dizer que conheço bem a cidade, pois me falta ainda muita coisa a descobrir (talvez seja irremediável esse sentimento a respeito dos lugares que nos tocam). Pego o avião de volta já com saudades dessa cidade que eu aprendi a amar. Mas, ao mesmo tempo, doida pra chegar e vestir a alma daquela leveza que só o carioca conhece.”

Homenagem a um pai carioca

por Constance Escobar em 05/08/2010 às 10:47

No próximo domingo, não vou estar com meu pai. Haverá um oceano a nos separar. Mas devo confessar que isso não me chateia nem um pouco.  Primeiro porque meu pai sempre foi avesso a comemorações. Segundo porque aprendi com ele e com minha mãe a não dar grande importância a essas datas marcadas em vermelho nos calendários. Que o que importa mesmo é o que acontece em todos os outros dias do ano. Mas, de certa forma, todos os apelos da data fazem a gente lembrar que é Dia dos Pais e bate uma certa saudade…

 

Por isso, hoje falo um pouquinho dele aqui. Pra matar a saudade. E também porque, no fundo, talvez, sem ele, esse blog sequer existisse… Porque meu pai é o maior apaixonado pelo Rio de Janeiro que eu já conheci. Foi ele quem me ensinou, ainda criança, a amar o Rio sobre todas as coisas (como me ensinou, anos mais tarde, a devotar um pedacinho do meu coração a São Paulo; sim, ninguém é perfeito – desculpem, não resisti à brincadeira…).  Pequena, aprendi com ele que o Rio era a cidade mais linda do planeta. E acreditei. Anos mais tarde, quando comecei a sair pelo mundo, pude confirmar que era tudo verdade. E tenho mais certeza disso a cada vez que volto pra casa, seja de Paris, de Nova Iorque, de Lisboa, de Barcelona…  E continuo adorando andar com ele pelas ruas do Leblon e ouvi-lo dizer cheio de convicção: “Isso aqui é o melhor lugar do mundo, minha filha!” Não que eu concorde com tudo que meu pai diz. Longe disso. Brigamos muito. Divergimos. Digo a ele tudo que penso, ainda que saiba que ele não vai gostar de ouvir – e sempre foi assim. E continuará sendo enquanto existirmos. Mas nisso concordamos: o Rio é o melhor lugar do mundo.

 

Antes que alguém possa me acusar de bairrismo, eu aviso logo: não procurem razoabilidade e objetividade nestas linhas que escrevo. Elas são pura subjetividade. Têm a ver com afeto, com memórias, com imagens que impregnam nossas retinas. Têm a ver com o fato de que foi no colo do meu pai que voltei dos primeiros dias de Jardim de Infância, na escolinha da Rua Mearim, no Grajaú – jamais me esquecerei do nome dessa rua, onde eu o matava de vergonha, quando, do alto dos meus 3 anos de idade, ao avistá-lo, ainda da porta da escola, gritava: “Maridão!”. Não me perguntem por que eu o chamava assim… E de que foi segurada por ele que dei meus primeiros mergulhos nos mares de Copacabana, Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca, em cujas areias disputávamos quem tomava mais picolés. Ou com o fato de que foi pelas mãos dele que aprendi a gostar de sentar nos balcões das padarias da cidade e comer pão na chapa e café com leite – acho que nem ele se lembra disso… Ou ainda o fato de ter sido com ele que aprendi a adorar picadinho carioca – um prato que, até hoje, acho que tem a cara do meu pai… Enfim, uma série de pequenas coisas que, talvez, pra quem me lê, não façam o menor sentido. É apenas a história de um pai, uma filha, uma cidade. Cidade que calhou de ser o Rio de Janeiro, a melhor cidade do mundo…

 

P.S. Na foto acima, meu pai segura minha mão, enquanto tomo banho na minha inesquecível banheirinha rosa. E, embora ele não saiba, afinal, eu nunca disse, uma das coisas de que gosto nele é o fato de, hoje, 30 anos depois, ele ainda segurar na minha mão e me abraçar do mesmíssimo jeito, como se o tempo não tivesse passado e eu ainda tivesse um ano de idade… Eu reclamo, digo que ele aperta muito, que o beijo dele é muito melado, mas, mal sabe ele que é tudo cena…

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