Por dentro do Rio

Bem-vindas mudanças no Olympe

por Constance Escobar em

Já há algum tempo, eu sentia falta de renovação no Olympe. Nas últimas visitas, sempre comi muito bem, tudo dentro da inquestionável excelência da casa, mas me parecia faltar movimento, mudança. No segundo semestre do ano passado, quando vi o restaurante reformado, pensei: tomara que os novos pratos prometidos por Claude e Thomas Troisgros façam ao cardápio o mesmo bem que a reforma fez à fachada… Estive lá mês passado e ouso dizer que fizeram, sim. Embora, particularmente, ache que as renovações ainda não tenham ido tão longe quanto poderiam…
Ao lado dos pratos tradicionais e do menu confiance, há o menu vegetariano e a degustação de cinco passos em torno das criações mais recentes da dupla. Fiquei com o menu criação. E confesso que desde o falso ossobuco de pupunha – que é um dos meus eternos favoritos na casa – eu não me entusiasmava tanto com a cozinha do Olympe.
A primeira entrada foi uma inspirada terrine de foie gras com palmito pupunha e lascas de rapadura. A untuosidade do foie, a crocância do palmito, a doçura da rapadura, tudo convergia pra um resultado feliz. Depois de já ter comido foie gras de tanto jeito diferente, é muito bom ainda me surpreender.


Em seguida, outra bela entrada: tenros lagostins, envoltos em capinha crocante de batata doce, repousavam sobre finíssima lâmina de batata doce agridoce. Tradução da delicadeza.


O Ovo Borscht foi outro acerto. A beterraba, que virou figura quase obrigatória em cardápios contemporâneos, aqui contracena com um ovo poché, preparado no caldo de sua cocção. A gema se derrama sobre batatinhas palha e uma cama de purê de beterrabas. Um consommé de galinha caipira e shitake completa o prato.


Enfim, uma trilha em crosta de Pata Negra com peras ao vinho, que achei um tom abaixo dos demais pratos, inclusive na execução (o peixe estava um tanto ressecado).


Quanto às sobremesas, elas sempre me pareceram estar aquém de tudo mais no Olympe. Essa impressão permanece. Era a isso que me referia quando disse que as renovações no cardápio não foram tão longe quanto poderiam. Revisitei as deliciosas panquecas soufflé de maracujá, um clássico de Claude, em cartaz há décadas. E, entre as que ainda não havia experimentado, escolhi os dados de chocolate Amma, que não passavam de três fondants de chocolate, acompanhados de coulis de maracujá, creme inglês e coulis de frutas vermelhas. Não é que não estivessem bons. A questão é que de um restaurante como o Olympe eu espero mais no desfecho do meu jantar.

Olympe – Rua Custódio Serrão 62 – Jardim Botânico
http://www.claudetroisgros.com.br/

 

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Empório Casa Carandaí abre as portas no Jardim Botânico

por Constance Escobar em

Uma nova delicatessen abriu as portas nesta terça-feira com a promessa de diminuir o vazio deixado com o fim da matriz do Garcia & Rodrigues. Não tem o tamanho nem a envergadura daquele, mas já traz um grande alento. E, curiosamente, chega pelas mãos de João Luiz Garcia, o Janjão, idealizador e um dos fundadores da extinta casa do Leblon.

Trata-se, na verdade, de um misto de delicatessen, rotisserie e padaria, abrigada num belo casarão da rua Lopes Quintas. Nas prateleiras, vinhos, azeites, geleias, doces, queijos e embutidos de diversas procedências. Numa breve conversa com Janjão e Nick (sua esposa e sócia), o casal revelou que, embora, hoje, os produtos estrangeiros respondam pela maior parte do que está à venda na loja, a intenção é ir mudando essa balança aos poucos. Ainda que saibam que, muitas vezes, é mais difícil trazer um produto de Minas Gerais do que da França ou da Itália, parecem dispostos a enfrentar as dificuldades. Particularmente, acho que andam bem se levantarem a bandeira do produto brasileiro. Hoje já se encontram ali goiabada e mangada de Ponte Nova, embutidos da Frigor Cinque, doces e compotas do Rio Grande do Sul. Mas, de tudo o que vi nessa primeira visita, pra mim, não há mérito maior do que o de trazer ao público alguns queijos brasileiros artesanais como o Canastra (de Minas Gerais) e o Serrano (do Rio Grande do Sul), feitos com leite cru, nossas pérolas “fora da lei”. Comprar desses pequenos produtores, divulgar esses produtos e criar mercado pra eles é uma forma de fortalecer esse patrimônio que é nosso.

Além dos queijos, trouxe pra casa alguns pães recém-saídos dos fornos da padaria. Não há pães de fermentação natural, mas achei acima da média os que experimentei, especialmente, considerando que a casa contava apenas algumas horas de vida quando estive lá. Boa baguete, firme, com crosta crocante. Gostei também do pão lituano, feito com kümmel. E ainda há mais por vir: os proprietários prometem começar a servir café da manhã a partir de abril.

Casa Carandaí – Rua Lopes Quintas 165 – Jardim Botânico

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Bazzar Café, na Livraria da Travessa: boa opção pro café da manhã nos fins de semana

por Constance Escobar em

Tomar café da manhã fora é um dos meus programas prediletos. Já falei aqui sobre alguns dos meus lugares favoritos pra isso, como a Escola do Pão e a Casa da Táta, que revisito constantemente. Mas estou sempre à procura de novas e boas opções. Confesso que não acho tão fácil encontrar algo que realmente valha a pena. Quase sempre, a cena se repete: fatia de mamão + pão ordinário + presunto e queijo minas + bolo sem graça. Isso quando não é pior. Num dos meus últimos cafés fora, numa padaria recém aberta, mas já disputada nos fins de semana, conseguiram a proeza de me servir uma cesta de pães que se resumia a quatro ou cinco fatias de pão velho. E não cobraram barato…

Portanto, quando me deparo com uma proposta honesta, que, minimamente, fuja às fórmulas repetitivas de cada esquina e ofereça comida que, mesmo não sendo extraordinária, esteja acima da média, fico feliz. Foi o que aconteceu no Bazzar Café, na Livraria da Travessa, no último sábado. Já tinha tomado café da manhã na filial do Leblon, mas não tinha achado digno de nota. Quando soube que havia uma nova proposta aos sábados e domingos, fui conferir. Dessa vez, na unidade de Ipanema. A Travessa da rua Visconde de Pirajá é dos meus endereços favoritos na cidade. Adoro começar meus dias ali. Com a chance de um bom café da manhã, tanto melhor…

Não me arrependi. No lugar da entediante fatia de mamão, começamos com uma boa salada de frutas, acompanhada de uma porçãozinha de mel.  Em seguida, uma cesta com bons pães do Talho Capixaba – eu já andava perdendo a fé no Talho Capixaba, pela sensível queda na qualidade das fornadas mais recentes, mas quase todos os pães do meu café no Bazzar estavam bons de fato. Além dos pães, vieram ovos mexidos e um mini croque-monsieur, servido numa caneca. Meio difícil comer o sanduíche na caneca, mas estava gostoso – embora, particularmente, ache que ficaria ainda melhor com um tantinho menos de bechamel…

O cream cheese e a manteiga, contrariando o manual do café da manhã na rua, não vieram gelados. Além deles, ainda havia geleias de frutas , um muffin de chocolate (que poderia estar menos seco), um ótimo bolinho de laranja e uma xícara de capuccino.

Conselho de amiga: além de ser acima da média, o café do Bazzar é farto, portanto, creio que a opção individual sacie a fome de duas pessoas. Pedimos o duplo e tivemos a certeza de que alimentaria três ou mesmo quatro…

Bazzar Café – Rua Visconde de Pirajá 572 – Ipanema

http://www.bazzar.com.br

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Irajá, a nova casa do chef Pedro de Artagão

por Constance Escobar em

Já tinha comentado nesse post aqui que, entre as inaugurações que aconteceram na reta final de 2011, a que mais me gerou expectativa havia sido o Irajá. Gostava muito do trabalho que Pedro de Artagão vinha fazendo no Laguiole nos últimos anos e, particularmente, achava que sua cozinha merecia outro tipo de ambiente, menos formal e asséptico, mais caloroso. Como é, afinal, a comida que Pedro sempre buscou fazer. Uma cozinha que tem o pé no Brasil, mas busca inspiração em culturas diversas, sempre permeada, de alguma forma, por referências da memória afetiva, o que parece estar ainda mais presente no interessante cardápio da nova casa.

Foi pensando a respeito de tudo isso que me dirigi ao Irajá em dezembro, ainda em seus primeiros dias de vida. O projeto arquitetônico me pareceu  certeiro: deu ao chef, finalmente, um ambiente que dialoga com o tipo de cozinha que ele propõe. O belo espaço na rua Conde de Irajá é meio restaurante, meio casa. Dá vontade de morar na antessala de pé direito alto, paredes de tijolos aparentes e móveis antigos. Nos fundos da casa, o arejado salão, coroado por um jardim vertical, é outro acerto.

Minhas expectativas, no entanto, seriam frustradas pelo que saiu dos fogões naquela noite. Fui embora sem saber muito bem se era eu que esperava demais – abrindo, assim, caminho pra decepção – ou se o problema era o pouco tempo de vida da casa… Preferi, então, esperar, deixar o tempo agir, antes de pretender formar alguma convicção. Voltei cerca de um mês depois. E ainda não encontrei exatamente o que procurava – o brilho do Artagão dos tempos do Laguiole -, mas fui mais feliz do que na vez anterior.

Na última visita, em vez de me acomodar no salão, arrisquei jantar na antessala mesmo. É preciso fazer certo malabarismo, especialmente se forem mais de duas pessoas a dividir as pequenas mesas, mas o charme do ambiente compensa. Outro bom motivo pra se acomodar ali é que se pode percorrer todo o cardápio de petiscos – no salão de jantar, se não me engano, apenas poucos deles estão disponíveis. E foi o exatamente que fiz: experimentei vários. Talvez tenham sido o melhor da noite. Os chips de mandioca com grana padano e manteiga de garrafa chegaram sequinhos e gostosos. As batatas fritas caseiras (acompanhadas de mostarda, maionese e queijo fundido) são um alento pra quem, como eu, não consegue compreender tanto restaurante se permitindo servir batata congelada… Provei, ainda, bons croquetes de carne e coxinhas de galinha.

Já nas entradas, comi uma boa versão de caprese (taí um prato sobre o qual Pedro gosta de se debruçar; já criou algumas versões): creme de mussarela de búfala, tomatinhos doces e bem temperados e delicioso pangrattato. Voltei ao “Galinheiro”, que já tinha experimentado da primeira vez: ovo, demi-glace de galinha, curau de milho e crocante de canjiquinha. Seria uma beleza não fosse o excesso de sal. Na primeira vez, estava muito salgado. Nesta última, tinha menos sal, mas ainda estava um tom acima.

Foi nos pratos principais que vi os maiores tropeços. Os gnudis de baroa com molho de funghi eram saborosos, mas faltava sutileza à massa. Na versão de bife à parmegiana, a carne veio além do ponto. Na costelinha ao barbecue com bolo de fubá (outro prato que também esteve no meu percurso na primeira vez), a broa me pareceu um tanto doce pra coadjuvar a costelinha, que já tinha, afinal, a doçura conferida pelo barbecue…

Encerramos com um gostoso bolo de brigadeiro, servido quente com creme inglês, e um bom mil-folhas com frutas vermelhas, em que o creme de confeiteiro ganha leveza com o provável uso do sifão.

Por ora, voltaria pra uma noite sem maiores pretensões, me limitando aos petiscos e algumas entradas, ali mesmo, na antessala – a tal onde eu gostaria de morar… Pra jantar, propriamente, prefiro esperar um pouco mais, dar tempo pra que a cozinha amadureça.

Irajá Gastrô – Rua Conde de Irajá 109 – Botafogo

http://www.irajagastro.com.br/

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