Por dentro do Rio
Aterro do Flamengo: a pé é ainda mais bonito
Já disse isso aqui algumas vezes: de onde quer que eu venha, voltar à minha cidade pelo aeroporto Santos Dumont é coisa que me emociona. Não consigo conter. Por mais que eu já tenha aterrissado ali dezenas de vezes, sempre me comovo. Mas o que me comove ainda mais que a descida é a ida pra casa atravessando o Aterro do Flamengo e a Praia de Botafogo. Eu rio – juro –, rio sozinha dentro do carro, enquanto vão deslizando pela janela aquelas árvores soberbas escolhidas a dedo por Burle Marx, manchando o céu quase sempre azul. Um assombro aquele parque. O Outeiro da Glória, o Redentor, o Pão de Açúcar, cada um vai invadindo o cenário quase como uma aparição. Percorrer esse caminho me deixa em estado de graça. Sempre.


Sei que não é muito diferente o que sentem os turistas que chegam ao Rio por aquele aeroporto. Mas sei também que são muitos os turistas que jamais transitaram por ali sem o amparo das quatro rodas de um automóvel. E eu preciso lhes dizer que não sabem o que estão perdendo. Visto do chão, de onde se tem a sensação de que é quase possível tocar a paisagem, o Aterro é ainda mais bonito. É possível ver tudo aquilo que os olhos não alcançam da janela do carro… E, de quebra, sentindo a brisa abençoada que sopra direto da Baía de Guanabara. E isso não há ar condicionado de carro que reproduza (entendam bem, tudo o que digo aqui faz mais sentido de abril a novembro, pois, de dezembro a março, os termômetros cariocas registram temperaturas desumanas).
Aos domingos, as vias ficam fechadas pra carros e o Aterro vira uma enorme área pra pedestres. Em compensação, a praia lota. Durante a semana, você não vai poder caminhar livremente por onde transitam os carros, mas, em compensação, o percurso às margens do mar fica relativamente vazio. Em determinados horários, terá a impressão de que a paisagem está ali só pra você.
















Alguns pedaços daquela extensão de terra, que começa no Santos Dumont e alcança o início da Praia de Botafogo, por vezes me remetem a espaços públicos incríveis em outras metrópoles do planeta. Ora o Central Park, ora os parques e bosques de Palermo e Belgrano, ora o Port Vell e a Barceloneta. Mas a verdade é que ando por ali e me espanto com a mão invisível que executou o traçado do Rio de Janeiro. Nova Iorque, Buenos Aires, Barcelona e outras tantas que me perdoem, mas o mundo ainda não me apresentou cidade mais bonita que a minha.
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- Por: jorge fortunato
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- 8 de setembro de 2011 at 19:11
O Aterro, apesar da falta de cuidado, ainda é o que tem de melhor no Rio. E agora com a chegada de “Maman” ficou ainda melhor. Estive no Aterro na última segunda -feira e fiz várias fotos da escultura de Louise Bougeois. Recentemente também fiz fotos do Aterro. Ter o Aterro como quintal de casa é o que me deixa feliz no Rio. No meu blogo http://www.acabouocaviar.com vc poderá ver as fotos de Maman,.

Como morador do Flamengo, concordo com você integralmente. Acrescentaria ainda o fato deque há alguns lugares que alugam bicicletas aos domingos. Já andei de bicicletas em diversos lugares fora do Rio, até no exterior. Mas o Aterro do Flamengo continua sendo o meu local preferido.