Por dentro do Rio
Confeitaria Colombo: viagem a um Rio de Janeiro de outros tempos
Do charme europeu que marcava o centro do Rio, particularmente no entorno da Rua do Ouvidor, tão decantado por Machado de Assis, pouco restou. As ruas ficaram mais sujas, as construções menos elegantes, os passos mais urgentes. Mas, aqui e ali, ainda é possível reviver a aura desse Rio de Janeiro de outros tempos, imortalizado na obra do escritor. Um dos endereços que ainda guardam algo dessa atmosfera é a Confeitaria Colombo. Os espelhos um tantinho desbotados e o público praticamente só de turistas denunciam que a casa já viveu dias de mais brilho… Ainda assim, é uma bela experiência cruzar aqueles salões.

Aviso aos leitores que não alimentem grandes expectativas gastronômicas. A cozinha, além de irregular, não é propriamente animadora. Ao visitar a Colombo para um café da manhã ou um chá da tarde, dispam-se de maiores pretensões nesse quesito e depositem seu prazer em outros sentidos. Como, finalmente, aprendi a fazer numa das últimas vezes em que estive lá. Enquanto eu, bobamente, me preocupava em reclamar da comida (que, de fato, estava ruim), ao cair em mim, percebi os olhos da minha mãe marejados, ao falar nas tantas vezes em que visitou a confeitaria com sua avó. E me dei conta do que estava perdendo… Felizmente, a tempo de abrir bem os olhos e mirar a casa sob as lentes certas. O encanto da secular confeitaria faz morada nos mínimos detalhes.







A verdade é que a Colombo talvez esteja pro o Rio de Janeiro como o Café de Flore está pra Paris ou o Café Florian pra Veneza. Também neles não se come bem, mas se bebe história. Aí reside o maior valor de lugares como esses. A história daqueles salões da rua Gonçalves Dias, de alguma maneira, confunde-se com a da cidade. E, em alguma medida, com as nossas próprias…
Confeitaria Colombo – Rua Gonçalves Dias 32 – centro
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Comentários (7)
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- Por: Maryanne
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- 25 de fevereiro de 2011 at 15:27
Nossa, eu vivia na Colombo da Av Copacabana com Barao de Ipanema ( acho que nao é da sua epoca). Minha tia comprava as casadinhas de doce de leite e a lata dos biscoitos leque e eu comia tudo de uma vez, nao sei como nao morria de indigestao. Passei la em janeiro pra mostrar pro meu marido ( do outro lado da rua tinha a loja Bonita, onde minha mae comprava meus vestidinhos com casinha de abelha), e fiquei super triste ao ver o estado do lugar hoje. A Colombo virou um banco e a Bonita uma drogaria….
- Por: Constance Escobar
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- 25 de fevereiro de 2011 at 17:46
Desirée, concordo com você: não faria mal nenhum a Colombo melhorar o padrão da cozinha… Só somaria a um programa que já é tão bacana…
Danielle, em geral, procuro ficar mesmo só no chocolate quente e nas torradas Petrópolis, não arrisco muito além disso : )
E Maryanne, uma pena mesmo a Colombo de Copacabana ter fechado. Mas temos, pelo menos, a do Forte de Copacabana, que é um dos lugares mais lindos do Rio.
- Por: Renato
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- 28 de fevereiro de 2011 at 17:26
Não conheço o lugarr, mas bom saber que não devo pedir nada além do chocolate e torradas…esse é o famoso caso do “bonitinho, mas ordinário”, hehehe. No caso, o bonitinho pode ser substituído por majestoso.
- Por: video gay
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- 4 de novembro de 2011 at 21:25
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Concordo que só pelo lugar já vale o passeio, mas não custa nada eles investirem em uma cozinha que acompanhe o requinte das instalações. Gostei de ver que vc não foi imparcial neste quesito.