Por dentro do Rio
Doiz e Q Gastrobar: nova leva de bares no Rio de Janeiro
Nasci meio velha. Ainda criança, gostava mais de estar entre os tios do que com os primos. Aos dez, já me comportava como se tivesse uns vinte. Hoje, o corpo de trinta e dois abriga uma jovem senhora que deve estar caminhando pra casa dos cinquenta… Portanto, não sou da balada. Balada, pra mim, é sair pra jantar fora, ouvir música. E fique claro que o que meus ouvidos entendem por música são coisas como Tom Jobim, Pixinguinha, Cole Porter, Duke Ellington. Nada que passe perto do som que costuma imperar nos bares da moda. Aquilo eu chamo de barulho. Mas… Estou velha, não estou morta. E dois dos bares recém abertos na cidade me fizeram sair de casa pra ficar a par do burburinho.
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No Q Gastrobar, na rua Dias Ferreira, o ambiente me surpreendeu. Projeto extremamente elegante, uma varanda agradável e um céu de luminárias que não deixava meus olhos voltarem pra mesa (mérito do iluminador Maneco Quinderé). A música, apesar de não ser a que meus ouvidos pedem, toca em volume suportável.


Quanto à comida, além de alguns pares de entradas (que me pareceram o melhor do enxuto cardápio), há uma seleção de tartares, outra de cocotes e alguns pratos mais substanciosos. Nas minhas duas visitas à casa, experimentei bons dinques, mas a cozinha não me entusiasmou. De modo geral, nada digno de nota. A não ser o ótimo “mix de boteco”, que reúne ovinhos de codorna em maionese trufada, gostosos dadinhos de tapioca com provolone (que suponho tenham sido inspirados nos dadinhos de queijo coalho com tapioca do restaurante Mocotó, em São Paulo) e deliciosas coxinhas de pato, numa versão especial das clássicas coxinhas de galinha, com massa delicada, levíssima. Por elas seria capaz de voltar ao Q toda semana.

Já o Doiz, nova casa de Fábio Battistella, um irmão mais novo do Meza Bar (dividem, inclusive, o mesmo quarteirão da rua Capitão Salomão), está mais pra boate do que bar. O projeto é bonito, interessante, mas as poucas mesas sugerem que a cozinha seria um mero acessório. O ambiente escuro, o neon e a música em volume bem mais elevado do que o aceitável em um bar selam o conceito: o Doiz nasceu com vocação de boate. De fato, as pessoas ali não estão muito preocupadas em ouvir umas as outras…



A surpresa é que o cardápio é muito mais interessante do que o que se esperaria de um lugar com esse perfil. Foi o que me segurou ali por mais do que os trinta minutos que eu achei que suportaria. A marmita de Canastrinhas, porção de bolinhas de queijo curado, sequinhas e gostosas, acompanhadas de uma caneca de ágata com uma bela goiabada cremosa, traziam uma sensação de acolhimento, aquela coisa meio mineira, totalmente inesperada naquele contexto. Os canapés de bife a cavalo, outra boa idea, são uma versão do prato na forma de pedacinhos de filé mignon sobre torradas e coroados com ovos de codorna fritos. Experimentei, ainda, uma mousse de chocolate com coentro, sagu de coco e farofa doce de dendê, que me instigou a curiosidade. Ousada e interessante a sobremesa. Mas a verdade é que boa eu não achei não…


Apesar do som que apunhalava meus tímpanos, confesso que saí cogitando a possibilidade de voltar. Não pelos motivos que, provavelmente, levam a maioria das pessoas ao endereço, mas porque me faltou provar o kebab de lombo de porco, o wonton de rabada com molho de agrião, o pão com ovo caipira…
Q Gastrobar – Rua Dias Ferreira 617 – Leblon
Doiz – Rua Capitão Salomão 55 – Humaitá
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Finalmente, estava esperando por esse post. Realmente quero ir ao Doiz, pra mim é o lugar q vc pode marcar um aniversário e comer bem. Concordo que podia ser mais “bar” do que “boate”. Mas acho q faltava um lugar desses. Que venham mais! Não deixe de ir no Ambre tb!