Por dentro do Rio
Le Pré Catelan: um dos melhores restaurantes do Brasil
O restaurante francês do hotel Sofitel, na praia de Copacabana, é um dos poucos no país agraciados com as três estrelas do Guia 4 Rodas – são apenas seis com a cotação máxima do guia. É um grande restaurante, sem dúvida. E eu diria que isso se deve ao fato de ter, por trás, um grande chef. O francês Roland Villard, embora se debruce sobre o receituário de sua terra natal no Le Pré Catelan, deixa claro que seu talento extrapola gêneros e especialidades e não conhece fronteiras. Sua cozinha moderna e criativa se revela com o mesmo brilho nos clássicos franceses ou em criações mais ousadas, inclusive aquelas que partem de matéria-prima genuinamente brasileira.
Suas trilogias são uma bela demonstração da criatividade com que explora ingredientes. A trilogia de foie gras traz a iguaria em três versões sensacionais: creme brulê, picolé em crosta de avelã e grelhado com molho de hibisco numa deliciosa combinação com o biju recheado de chutney de goiabada. É das melhores coisas que comi nos últimos tempos.
Uma outra faceta de Roland se revela nos pratos do famoso Menu Amazônia: o desejo de trazer à mesa um Brasil com o qual as pessoas ainda têm pouca intimidade. Fruto de uma pesquisa criteriosa e apaixonada a respeito dos produtos amazônicos, trata-se de um menu especialíssimo, em que o chef alia sua técnica e sensibilidade a ingredientes que evidenciam a riqueza e a diversidade do país onde vive há tantos anos. O percurso de dez pratos tem altos e baixos, mas, no balanço geral, é bastante inspirado. Destaco aqui aquelas que considero as grandes estrelas dessa viagem gastronômica:
Brandade de tucunaré ao leite de coco, que chega à mesa com uma linda escama a servir de colher. Ao lado, o biju de tapioca recheado com crustáceos e palmito fresco. Pura delicadeza.
Pirarucu em crosta de caju, repousando sobre um ninho de jambu e regado por um perfumado caldo de tucupi. Pra mim, o melhor do Menu Amazônia. A leveza do peixe, o sabor do caju, a estranheza e a personalidade do jambu e do tucupi, tudo junto numa só bocada, levando-me, sem escalas, a um Brasil que, confesso, pouco conheço.
Sorvete de murici, que era um ilustre desconhecido do meu paladar. Grande surpresa. Sabor marcante. Sublime.
Carré de tambaqui com um sedoso e saboroso purê de batata baroa defumada.
A sobremesa: uma esfera de chocolate que, ao se abrir, esparramava no prato um delicioso creme de coco. Ao lado, impecáveis sorvetes de frutas amazônicas: cupuaçu, açaí e taperebá.
Não poderia deixar de registrar que Roland tem, a seu lado, na pâtisserie do restaurante, um parceiro de primeira grandeza. Dominique Guerin talvez seja, hoje, o maior chef pâtissier do Rio de Janeiro. O famoso carrinho de sobremesas do Le Pré Catelan não me deixa mentir. Tive fôlego, ainda, para experimentar a gelée de flor de hibisco com pedacinhos de manga e panacota, delicadíssima. E a Tarte Saint Honoré, um clássico executado com perfeição, de deixar de joelhos uma apaixonada pela confeitaria francesa como eu.
Um jantar memorável. Nem a conta, das mais caras que já paguei no eixo Rio-São Paulo, seria capaz de embassar minha felicidade naquela noite…
Le Pré Catelan - no hotel Sofitel, na Av. Atlântica 4240 – Copacabana
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Comentários (3)
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- Por: Thais Helena
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- 10 de dezembro de 2010 at 11:34
Uau, que luxo a tapioca e o pirarucu! Mora na Amazonia de Santarém e sou uma amante da gastronomia local! Saudações aos chefs desses pratos com cheiros e gostos culturais de raiz, de agricultura familiar local e socioambiental!!
Indo ao Rio, irei visitar e me deliciar nesse espaço de rara gastronomia Amazonia!
Saudações com Cheiro de Pará, de Santarém Amazonia!!!










Não poderia deixar de comentar, ontem estive no Rosita café Downtown com meu marido,
saboreamos uma deliciosa fondue Mélange de cogumelos, no molho gruyère, adoramos,
já estamos nos programando a volta neste delicioso restaurante.