Por dentro do Rio

Meus cinco endereços gastronômicos favoritos no Rio de Janeiro

por Constance Escobar em

Falo muito aqui no blog de vários dos endereços gastronômicos cariocas pelos quais eu tenho especial apreço. Mas, com alguma frequência, recebo mensagens de leitores me pedindo a crème de la crème. Em bom português, o melhor do melhor. Confesso que não gosto muito dessa coisa de números, listas e rankings, “top” isso, “top” aquilo. Mas, por outro lado, não me eximo de dar minha opinião quando me pedem. Então, como nem sempre dá pra responder a todos os e-mails, aproveito pra responder de uma vez por aqui. Nem de longe com a pretensão de eleger os melhores, mas apenas pra falar sobre aqueles que, por uma infinidade de diferentes motivos, são os meus endereços favoritos na cidade; aqueles dos quais não abro mão. Sem nenhuma pretensão de absoluta objetividade ou de uma avaliação puramente técnica. Uma coisa é eleger tecnicamente o time das melhores cozinhas de uma cidade. Outra é eleger o “seu” time de favoritos e aí entram em campo mil e uma razões que extrapolam a objetividade. Portanto, esta é uma eleição permeada por subjetividade, que fique claro.

E logo eu, que não gosto de números e não me entendo bem com eles, proponho que, pra arredondar, vamos de 5. Três restaurantes e dois bares. Eis, então, meus 5 atuais favoritos.

Le Pré Catelan . Porque Roland Villard é um dos mais talentosos chefs em atividade no país. O ambiente é sisudo demais. Acho até meio cafona, admito. Cheio de turista que não entende lhufas do que está comendo e quer apenas agradar a moça com quem divide a mesa… Mas repito: Roland é um talento. Seu Menu Amazônia, do qual já falei aqui, é das melhores coisas que experimentei no Brasil nos últimos tempos.

Pirarucu em crosta de caju e caldo de tucupi: estrela do Menu Amazônia

Roberta Sudbrack. Porque Roberta Sudbrack é, pra mim, a maior representante no Rio de Janeiro daquilo que se faz de melhor na gastronomia brasileira hoje. Uma cozinha feminina, cheia de nuances, emerge de pesquisas profundas de ingredientes que nos dizem respeito (a nós, brasileiros), seja historicamente, seja emocionalmente. Um verdadeiro laboratório, onde todas as possibilidades de cada produto são dissecadas. E onde um ingrediente nunca é mais do que outro. Roberta lança a todos o devido olhar de respeito.

De quebra, ainda é lá que encontro algumas das minhas sobremesas favoritas. E sobremesa é coisa que levo a sério…

"Divino, Maravilhoso": sobremesa ou obra de arte?

Oro.  Porque, contrariando todas as expectativas, desafiando toda a controvérsia que existe em torno de seu nome no mundinho gastronômico carioca, Felipe Bronze vem provando seu talento à frente daqueles fogões. Eu diria que o Oro é, atualmente, meu segundo restaurante favorito na cidade. No meu pódio, só perde pro RS. Em quase um ano de vida, estive na casa quatro vezes. Há sempre uma ou outra ressalva, mas os acertos são sempre em maior quantidade. Sua cozinha é feita com inteligência. E, acima de tudo, tem sabor, ingrediente fundamental, que anda esquecido em muitos restaurantes por aí…

Venga! Porque é um lugar com alma, com personalidade, que une a leveza carioca, típica dos bares e botecos, a um ambiente interessante, atraente, com uma cozinha de qualidade, que não é negligenciada em nome da informalidade do salão. É claro que não é o único a reunir tais virtudes no Rio de Janeiro. Mas é um dos poucos. Apesar do sotaque espanhol, tem muito da essência carioca, inclusive na forma democrática com que havaianas e ternos se esbarram num mesmo espaço. Essa atmosfera é o que me leva sempre de volta ao Venga!

Aconchego Carioca. Porque é, na minha opinião, a melhor comida de bar do Rio de Janeiro. A maior prova de que bares e botecos podem ser leves e informais e, ainda assim, terem uma cozinha notável. Pratos que povoam nosso cotidiano como rabada e feijoada, nas mãos de Kátia Barbosa, transformam-se em bolinhos e croquetes feitos com delicadeza ímpar, como já comentei aqui em post anterior. O simples abordado com arte. Não é fácil encontrar um bar carioca que vá além do folclore e cuja cozinha sustente esses atributos. Difícil, mas não impossível. O Aconchego Carioca está aí pra mostrar isso.

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