Por dentro do Rio

OsGemeos assinam direção de arte do Back2Black e grafitam vagões da Estação Leopoldina

por Constance Escobar em

Desde a noite de ontem, a Estação Leopoldina abriga a terceira edição do Festival Back2Black. Nas edições anteriores, a direção de arte do evento esteve nas mãos de nomes da nata das artes visuais do país, como Bia Lessa, Gringo Cardia e Vik Muniz. Esse ano, o festival não deixou por menos e delegou a tarefa aos irmãos grafiteiros e artistas plásticos Otávio e Gustavo Pandolfo, conhecidos como OsGemeos.

Estive lá ontem, poucas horas antes de o festival abrir as portas para o público, e pude ver de perto o belíssimo resultado. A impressão que fica é a de que a linguagem da dupla encontra pouso certo no cenário algo decadente da estação desativada. Embora tenham deixado, há muito, a marginalidade do graffiti para serem alçados ao mainstream, o DNA de sua arte está em tudo o que fazem. São perfeitamente reconhecíveis os traços dos irmãos paulistas, que parecem digerir a aridez da urbe e ruminá-la de forma onírica, através dos inconfundíveis personagens amarelos, que, além de tudo, são profunda e irremediavelmente brasileiros.

Em conversa com Gustavo, o artista fez questão de lembrar que o  Back2Black deu a eles a chance de experimentar algumas “primeiras vezes”. É a primeira vez que montam uma instalação dentro de um trem, ideia que surgiu assim que se depararam com os vagões abandonados da Leopoldina. Usar o teto como suporte para uma instalação também é algo que ainda não haviam realizado.

Ao entrar na área do festival, é inevitável o impacto. Cabeças de personagens se materializam em balões que tomam o teto do interior da estação, onde está montado o palco.

Mas as intervenções feitas na área externa da estação me pareceram ainda mais interessantes. Como se aquele cenário se revelasse o substrato perfeito pra arte dos irmãos Pandolfo. Como se o abandono dos vagões desativados fosse um convite às cores do graffiti.

A dupla chamou três artistas amigos pra fazerem parte do processo. E eles mesmos assumiram um dos vagões. Na parte externa do trem, pintaram um personagem. No interior, montaram uma instalação feita com espelhos, algo como um reflexo do que está na cabeça do personagem pintado do lado de fora. O resultado das intervenções é pura poesia urbana.

Back2Black – de 26 a 30 de agosto na Estação Leopoldina

http://www.back2blackfestival.com.br/

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Comentários (8)
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  • Por: Flávio Rodrigo de Miranda Alves
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  • 30 de agosto de 2011 at 14:20

É lamentável que o pouco que restou da história recente da Estrada de Ferro Central do Brasil e da Rede Ferroviária Federal seja vandalizado com o aval do poder público. É por ações desse tipo que não tenho pena dessa gentalha que todo dia pasta para pegar um ônibus em frente à Estação Barão de Mauá, cujos trens, se estivessem em operação, poderiam contribuir para reduzir o caos no trânsito do Rio de Janeiro. Não sei se tenho mais raiva do povo, pobre e ignorante, dos governantes, lacaios das empresas de ônibus, ou dos pretensos artistas, que teriam por obrigação saber que o que destruíram com suas pixações é história.

  • Por: Ricardo Melo Araujo
  • -
  • 30 de agosto de 2011 at 16:06

Também compartilho da opinião do Flávio, essas locomotivas e vagões deveriam ser restaurados e preservados, resgatando um pouco da nossa história, lamentável chamar isso de arte….

  • Por: David Zaidan Neto
  • -
  • 30 de agosto de 2011 at 17:00

Num país sério , as pessoas que autorizaram este tipo de coisa, com certeza estariam atráz das grades .
O que faz o governo brasileiro para resgatar e preservar a Memória da Ferrovia Brasileira, assistindo de braços cruzados este tipo de coisa?
Desde que este material chegou à Barão de Mauá, nada foi feito, à não ser contribuir ainda mais para desgastar ainda mais o tão desgastado material que ali está. E que só está lá à salvo do maçarico, por iniciativa de pessoas que gostam e zelam pela memória da ferrovia nacional.
Lámentável. Quem apaga seu passado nunca terá como planejar um futuro próspero e sauidável.

  • Por: Flavio R. Cavalcanti
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  • 30 de agosto de 2011 at 18:26

Meio sem tempo para pesquisar o resultado de público. Se atraiu, se levou gente, então contribuiu muito mais para dar visibilidade ao espaço e ao abandono dos trens, do que apenas mandarmos fotos uns para os outros, dentro de um grupo restrito, e já ciente da situação.

  • Por: Geremias
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  • 30 de agosto de 2011 at 20:30

País subdesenvolvido é assim mesmo, o que mais podemos esperar?

  • Por: Christoffer
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  • 30 de agosto de 2011 at 21:57

Esse é o país da copa e das olimpíadas… E pensar que órgãos oficiais ainda autorizam essas atrocidades travestivas de “arte”, ou no português claro, pixação, sujeira. As autoridades fluminenses estão de parabéns! Bem como os responsáveis pelo patrimônio histórico que se omitem (que se corrompem? ou vão para guerra?). Acho que se formaram na mesma praça dos responsáveis pelo desastre do bonde de Santa Tereza. Parabéns a todos… e viva o brazil…

  • Por: Constance Escobar
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  • 30 de agosto de 2011 at 22:45

Concordo que é importantíssimo resgatar a memória através da recuperação e preservação da Estação Leopoldina. Mas antes ver o espaço sendo usado pra trazer cultura ao povo do que deixado ao inteiro abandono, não?
Quanto ao graffiti, está na sua essência a ausência de autorização. É arte de rua, nenhum grafiteiro pede autorização pra pintar um muro. Dos muros saíram alguns grandes artistas reconhecidos mundialmente. Mas no caso da Leopoldina, foi com a devida autorização, no contexto de um evento cultural.
Lamento que o graffiti seja rotulado por alguns como “sujeira” e que a genialidade de artistas como OsGemeos, celebrada em galerias e museus mundo afora, seja confundida com barbárie…

  • Por: Constance Escobar
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  • 31 de agosto de 2011 at 22:43

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