Por dentro do Rio

Visconde de Mauá: o acesso ao paraíso ficou (muito) mais fácil

por Constance Escobar em

Fazia uns três anos que não ia a Visconde de Mauá. Nesse último fim de semana, motivos de trabalho me levaram à cidadezinha. Fui e voltei no mesmo dia, o que seria quase impensável até pouco tempo. O asfaltamento da RJ 163 (que liga a Via Dutra a Mauá), cujas obras foram inauguradas em dezembro de 2011, facilitou muitíssimo o acesso à vila. A nova estrada tornou palatável a ideia de uma visita de fim de semana à região, ou mesmo um bate-volta. Não que eu recomende ir e voltar no mesmo dia. De jeito nenhum. Trata-se de um destino de extrema beleza, que merece mais do que um ou dois dias. Fora o fato de que o trajeto não é propriamente curto e fácil. A questão é: antes da nova estrada, mesmo que um bate-volta se impusesse por razões de trabalho ou quaisquer outras, era o caso de se pensar duas vezes antes de encarar a empreitada – o que já seria bem difícil em dia de sol poderia virar pesadelo em dia de chuva. Depois das obras, o cenário é outro. No último sábado, pude testar a mudança. O acesso está extremamente mais fácil e bem sinalizado, o que, consequentemente, faz o tempo de viagem ficar um tantinho menor. E ainda permite que se usufrua a beleza do caminho com mais tranquilidade. As fotos feitas no percurso não me deixam mentir…

Santa Teresa: retrato sentimental

por Constance Escobar em

Boulangerie Guerin abre as portas em Copacabana

por Constance Escobar em

Ontem foi inaugurada a nova padaria e confeitaria do chef Dominique Guerin, que deixou o Sofitel há pouco tempo, depois de anos fazendo da pâtisserie do restaurante Le Pré Catelan uma das melhores do Rio. Estive lá ontem mesmo e levei um susto com a quantidade de gente se acotovelando pra chegar ao balcão. Parecia estádio de futebol em dia de decisão. Soube que, pouco depois que saí de lá, precisaram colocar uma pessoa na porta pra impedir que mais gente entrasse…

O natural atropelo com que a equipe tentava sobreviver a uma estreia tão disputada não me impediu de festejar o que vi. Um espaço bonito, uma cozinha extremamente bem equipada e a grande sacada de fazer uma área de produção aparente, com fachada e área interna envidraçadas, o que permite que tanto os passantes como os clientes da loja acompanhem, com olhos curiosos, a fabricação dos pães.

Ouso dizer que não há nada igual na cidade. E, como também ainda não fui apresentada a outro padeiro/confeiteiro com o talento Guerin em plagas cariocas, minha expectativa quanto ao novo endereço é grande. Por ora, mais não posso dizer. Não consegui trazer muita coisa pra casa. À medida que a fila andava e eu me aproximava da tarte tatin que me chamava na vitrine, via, com tristeza, as prateleiras se esvaziando em velocidade impressionante. Do pouco que trouxe, ainda não dá pra tirar uma amostra do que sei que Dominique é capaz de realizar naqueles fornos… Vou aguardar uns dias. Semana que vem eu volto.

Boulangerie Guerin – Av. Nossa Senhora de Copacabana 920 – Loja A – Copacabana

www.padariaguerin.com.br

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Subindo a Lopes Quintas

por Constance Escobar em

A rua Lopes Quintas costuma ter todas as atenções voltadas praquele trecho no entorno da rua Visconde de Carandaí, onde há, de fato, muita coisa boa: a multimarcas Dona Coisa, o Atelier Clementina  e, mais recentemente, a belíssima loja Gabinete Duilio Sartori e a ótima déli Casa Carandaí. Mas o que mais me chama a atenção ali é essa faceta do Rio de Janeiro que me encanta, que permite que uma rua ou um bairro se inicie com feições completamente urbanas e termine no silêncio absoluto, aos pés de uma rocha, de um morro, de uma floresta. Por isso, gosto de cultivar o hábito de, depois de andar de loja em loja, subir a Lopes Quintas para além do burburinho. Caminhar e sentir a rua, aos poucos, silenciando, mudando de figura, o que acontece mais claramente depois da rua Corcovado. Faço um desvio de rota na altura da Engenheiro Pena Chaves. Então, volto à Lopes Quintas e continuo subindo, admirando o casario, a beleza das árvores. Entro a Inglês de Sousa à esquerda e sigo até a Praça Dog Hammarskjoeld, uma beleza. Sento, olho o Cristo abraçando a praça e agradeço por viver nessa cidade, apesar de todas as mazelas que ela possa ter.

Nos dias em que tenho ainda mais sede de silêncio, vou até a rua Sara Vilela e percorro-a até o fim. O verde vai tomando conta do cenário e, em certo ponto, os macacos passam a ser a companhia na subida. Onde a rua acaba, então, começa a trilha que conduz à Cachoeira dos Primatas. O bairro é o mesmo, mas já é outro. Absolutamente distinto daquele em que a caminhada começou…

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Irmãos Campana no CCBB e Fellini no IMS: imperdíveis

por Constance Escobar em

Pra quem tem visita programada ao Rio nas próximas semanas e pretende explorar a agenda cultural da cidade, esse é um momento especial. Além das incontornáveis exposições de Modigliani no Museu Nacional de Belas Artes e Tarsila do Amaral no CCBB, há muitas outras mostras interessantes em cartaz. Nos últimos dias, estive em duas imperdíveis.

No Instituto Moreira Salles, a bela exposição “Tutto Fellini” homenageia o cineasta italiano. Fotografias, cartazes de filmes, esboços de personagens desenhados pelo próprio artista, entrevistas, trechos de filmes e desenhos registrados por ele ao longo de 3 décadas em seu “Livro dos Sonhos” convidam a um mergulho no imaginário do gênio do cinema.

No CCBB, o universo criativo de Fernando e Humberto Campana é explorado na exposição “Anticorpos”. Uma retrospectiva que traz ao público um amplo panorama do conjunto da obra dos irmãos. Madeira, couro, PVC, tecidos, vime, papel, vidro, cordas e até pedaços de bonecos de plástico, todo tipo de material atrai o olhar dos Campana, cuja inspiração brota desde o mais lúdico dos sonhos até o desalinho do caos da capital paulista.

E ainda há muito por ver. A próxima já está escalada na minha agenda: Robert Doisneau no Centro Cultural Justiça Federal. De semana que vem não passa.

Tutto Fellini – até 17/06 no Instituto Moreira Salles – Rua Marquês de São Vicente 476 – Gávea

Anticorpos – Até 06/05 no CCBB – Rua Primeiro de Março 66 – Centro

Simplesmente Doisneau – Até 17/06 no Centro Cultural Justiça Federal – Av. Rio Branco 241 – Centro