Por dentro do Rio

Rio de Janeiro poderá sediar edição do festival gastronômico Omnivore

por Constance Escobar em

Acabo de chegar de Paris, onde acompanhei, nos últimos dias, o interessante festival gastronômico Omnivore, cuja bandeira é “100% jeune cuisine”. Traduzindo: seu objetivo é trazer ao palco jovens talentos da cozinha mundial, chefs que se destaquem em seus respectivos cenários, revelando, inclusive, muitos ainda não descobertos pelo grande público.

O festival acontece há alguns anos, mas, pela primeira vez, transferiu seu QG do interior da França pra capital do país. E as novidades em 2012 não param por aí. Esse ano, o evento ganhará o mundo e terá edições em várias cidades – de Genebra a Montreal, de Copenhague a Moscou. O Brasil não deverá ficar de fora. A surpresa é que a edição brasileira, que tenderia a acontecer em São Paulo, tem grandes chances de ser transferida para o Rio de Janeiro.

Mês que vem, o responsável pelo evento, Luc Dubanchet, deve vir ao Brasil pra alinhavar tudo. E espera contar com o engajamento do chef Felipe Bronze pra fazer isso acontecer. Em Paris, Felipe me disse pessoalmente que a Prefeitura acenou com um possível incentivo, o que fez com que os franceses voltassem os olhos pra nossa cidade. Cruzemos os dedos. O Rio merece.

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Brigite’s: mais do mesmo?

por Constance Escobar em

Entre as muitas recentes inaugurações na rua Dias Ferreira, está o Brigite’s, casa das mesmas sócias do Sushi Leblon e do Zuka, que abriu as portas em janeiro. Esperei um pouco pra visitar e estive lá há alguns dias num almoço que não me causou muito entusiasmo…

Gostei do projeto, que tem elegância e leveza a um só tempo, com um agradável mezanino, um belo balcão e uma fachada envidraçada que permite que se vislumbre o movimento da rua.

O enxuto cardápio não propõe grandes voos. E, a julgar por essa minha visita, eu diria que a cozinha não difere da média dos restaurantes: a comida não é ruim, mas não empolga. Os pequenos pratos idealizados pro serviço no balcão e as entradas me pareceram melhores do que os principais e as sobremesas. Boa caponata, croquetes de pato gostosos (embora já tenha comido melhores em outros lugares), ótimo magret de pato, servido frio, finamente fatiado – este talvez tenha sido o melhor do almoço.

Em seguida, experimentamos a carne assada (um tanto seca) com gnocchi e cebola caramelizada e fettuccine com ragu de cotechino, este último melhor que o primeiro, mais saboroso e equilibrado.

Entre as sobremesas, um brownie que não era digno de nota e um crumble de maçã com sorvete de castanha do Pará – o sorvete, feito na casa, era mais gostoso que o próprio crumble.

Saí com a impressão de estar diante de mais do mesmo: comida mediana e preços inflacionados. Fora alguns contrassensos que se repetem em tantos restaurantes. Ao menos, me soa inadequado uma mesma casa vender risotos a R$70,00 e servir batatas congeladas com o steak tartar…

Brigite’s – Rua Dias Ferreira 247 – Leblon

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Quando o centro do Rio dorme

por Constance Escobar em

Dia desses, saindo do Theatro Municipal, já por volta das onze da noite, bateu uma vontade danada de andar pelas ruas, absorvendo o centro a partir de outra perspectiva, bem menos comum  – ao menos pra mim, e creio que pra muitos dos leitores. Saem de cena as multidões, o barulho e a urgência do horário comercial e, em boa parte do bairro, impera o silêncio. Como as pessoas costumam se preocupar com isso e indagar, eu adianto: não posso garantir que não seja arriscado andar por certos trechos nesse horário. Alguns cantos bem ermos inspiram receio. Se estivesse sozinha, talvez não me aventurasse. Estando acompanhada, não pensei duas vezes. Andamos por ali quase sem ver gente, apreciando a iluminação dos monumentos, alguns deles especialmente belos na penumbra. Há encantos que só a noite revela…

No Rio, buscando Minas

por Constance Escobar em

Desde que voltei de Tiradentes no início do mês, ando em busca de sabores que me ajudem a matar as saudades daquela terra. Sempre que volto de uma viagem, por mais breve que seja, levo um tempo até me libertar da saudade que vem na bagagem. Tem sido assim, ao longo da vida, com todos os lugares por onde passo.  Foi assim quando voltei de Belém, há alguns meses, como contei nesse post aqui. Andei pelo Rio atrás de açaí, farinha d’água e sorvetes Cairu durante algumas semanas. É assim, agora, com Minas. Como eu dizia, tenho buscado pequenas coisas que me levem de volta ao gosto mineiro, me cercando de detalhes que afaguem a memória.
Foi assim que cheguei a um dos melhores pães de queijo que já comi no Rio de Janeiro. Uma dica preciosa do leitor Robson – um mineiro que vive no Rio, a quem serei eternamente grata – me levou a uma portinha insuspeita em Ipanema. O Ptit Café é de uma mineira de São João Del Rey, que traz de sua terra natal a massa dos pães de queijo que expõe no balcão da loja, dourados e pintadinhos. Sente-se a marca do polvilho e a presença do sabor do queijo. Em nada se parece com as montanhas de gordura hidrogenada que se multiplicam nas vitrines de cafés e lanchonetes a cada esquina.


Outro alento são os queijos mineiros vendidos na Casa Carandaí, de que já falei aqui nesse post. O Canastra do produtor Zé Mário, de São Roque, pra mim, é o melhor deles. Entrou pro rol das coisas sem as quais não vivo.


Por fim, outra joia a que tenho recorrido: goiabada e mangada da marca Zélia, de Ponte Nova. No Rio, é possível encontrá-las na delicatessen Cosa Nostra. A goiabada cremosa é a melhor do (meu) mundo. Perfeita. A mangada eu lhes digo que não fica atrás. Dia desses, devoramos uma inteirinha em tempo recorde aqui em casa…

Ptit Café – Rua Visconde de Pirajá nº 444 – loja 114 – Ipanema
Casa Carandaí – Rua Lopes Quintas 165 – Jardim Botânico
http://www.casacarandai.com.br/
Cosa Nostra – Rua Visconde de Pirajá 30 – loja 103 – Ipanema
http://www.cosanostradeli.com.br/

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Oztel: novo bar do chef Fabio Battistella no novo hostel carioca

por Constance Escobar em

À época da inauguração do Z.Bra hostel no Leblon, celebrei aqui o fato de vermos ganhar corpo no Rio de Janeiro, ainda que timidamente, o conceito de hostels de design e hotéis boutique. Conceito que nos últimos anos se multiplicou na Europa e mesmo ao sul do Equador – basta pensar em nossos vizinhos portenhos, que há bastante tempo nos dão um verdadeiro baile no quesito hotelaria. Aos poucos, o Rio vem dando os primeiros passos no sentido de seguir o bom exemplo. No último fim de semana, a cidade ganhou mais um novo hostel a engrossar as filas dos que não querem ser só mais um número nas estatísticas da hotelaria. Trata-se do Oztel,que abriu as portas no Humaitá e, portanto, tem também o mérito de propor um hiato à obsessão Ipanema-Leblon e lembrar que a cidade tem outros bairros a serem explorados.

Como o um dos sócios é o chef Fabio Battistella (do Meza Bar e do Doiz, ambos a poucos passos dali), certamente haveria um bar. E é claro que ele não seria relegado ao papel de mero coadjuvante. Na verdade, será um misto de bar e sanduicheria, ocupando a charmosíssima área externa logo na entrada do hostel.   É aberto ao público e tem inauguração oficial prevista pra próxima segunda-feira.


Não estive ainda na área interna do Oztel. Conheci apenas o espaço do bar. Vi pouco, mas gostei muito do que vi. Que venham mais iniciativas como essa. O Rio agradece.
Oztel – Rua Pinheiro Guimarães 91 – Humaitá
http://www.oztel.com.br/

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