Por dentro do Rio
Homenagem a um pai carioca
No próximo domingo, não vou estar com meu pai. Haverá um oceano a nos separar. Mas devo confessar que isso não me chateia nem um pouco. Primeiro porque meu pai sempre foi avesso a comemorações. Segundo porque aprendi com ele e com minha mãe a não dar grande importância a essas datas marcadas em vermelho nos calendários. Que o que importa mesmo é o que acontece em todos os outros dias do ano. Mas, de certa forma, todos os apelos da data fazem a gente lembrar que é Dia dos Pais e bate uma certa saudade…
Por isso, hoje falo um pouquinho dele aqui. Pra matar a saudade. E também porque, no fundo, talvez, sem ele, esse blog nem sequer existisse… Porque meu pai é o maior apaixonado pelo Rio de Janeiro que eu já conheci. Foi ele quem me ensinou, ainda criança, a amar o Rio sobre todas as coisas (como me ensinou, anos mais tarde, a devotar um pedacinho do meu coração a São Paulo; sim, ninguém é perfeito – desculpem, não resisti à brincadeira…). Pequena, aprendi com ele que o Rio era a cidade mais linda do planeta. E acreditei. Anos mais tarde, quando comecei a sair pelo mundo, pude confirmar que era tudo verdade. E tenho mais certeza disso a cada vez que volto pra casa, seja de Paris, de Nova Iorque, de Lisboa, de Barcelona… E continuo adorando andar com ele pelas ruas do Leblon e ouvi-lo dizer cheio de convicção: “Isso aqui é o melhor lugar do mundo, minha filha!” Não que eu concorde com tudo que meu pai diz. Longe disso. Brigamos muito. Divergimos. Digo a ele tudo que penso, ainda que saiba que ele não vai gostar de ouvir – e sempre foi assim. E continuará sendo enquanto existirmos. Mas nisso concordamos: o Rio é o melhor lugar do mundo.
Antes que alguém possa me acusar de bairrismo, eu aviso logo: não procurem razoabilidade e objetividade nestas linhas que escrevo. Elas são pura subjetividade. Têm a ver com afeto, com memórias, com imagens que impregnam nossas retinas. Têm a ver com o fato de que foi no colo do meu pai que voltei dos primeiros dias de Jardim de Infância, na escolinha da Rua Mearim, no Grajaú – jamais me esquecerei do nome dessa rua, onde eu o matava de vergonha, quando, do alto dos meus 3 anos de idade, ao avistá-lo, ainda da porta da escola, gritava: “Maridão!”. Não me perguntem por que eu o chamava assim… E de que foi segurada por ele que dei meus primeiros mergulhos nos mares de Copacabana, Ipanema, Leblon e Barra da Tijuca, em cujas areias disputávamos quem tomava mais picolés. Ou com o fato de que foi pelas mãos dele que aprendi a gostar de sentar nos balcões das padarias da cidade e comer pão na chapa e café com leite – acho que nem ele se lembra disso… Ou ainda o fato de ter sido com ele que aprendi a adorar picadinho carioca – um prato que, até hoje, acho que tem a cara do meu pai… Enfim, uma série de pequenas coisas que, talvez, pra quem me lê, não façam o menor sentido. É apenas a história de um pai, uma filha, uma cidade. Cidade que calhou de ser o Rio de Janeiro, a melhor cidade do mundo…
P.S. Na foto acima, meu pai segura minha mão, enquanto tomo banho na minha inesquecível banheirinha rosa. E, embora ele não saiba, afinal, eu nunca disse, uma das coisas de que gosto nele é o fato de, hoje, 30 anos depois, ele ainda segurar na minha mão e me abraçar do mesmíssimo jeito, como se o tempo não tivesse passado e eu ainda tivesse um ano de idade… Eu reclamo, digo que ele aperta muito, que o beijo dele é muito melado, mas, mal sabe ele que é tudo cena…
Elevador panorâmico integra favela e asfalto em Ipanema e dá ao Rio mais um ponto turístico
Há cerca de um mês, Ipanema presenciou a inauguração do Complexo Rubem Braga. O empreendimento que leva o nome do sensacional cronista carioca, que viveu no prédio ao lado, é composto de duas torres com elevadores panorâmicos e uma ponte, que permitem o acesso dos moradores do Cantagalo e Pavão/Pavãozinho ao metrô de Ipanema. É, sem dúvida, um feito arquitetônico. Mas, muito mais do que isso, talvez seja um marco na integração social da cidade.
Questões geográficas fazem do Rio de Janeiro uma cidade onde pobreza e riqueza convivem lado a lado. As montanhas encravadas por todos os cantos da cidade, ocupadas irregularmente ao longo de anos de omissão das autoridades, geraram aqui uma situação sui generis. As favelas passaram a fazer parte da paisagem urbana, muitas vezes, invadindo verdadeiros cartões postais da cidade. Impondo-se, inclusive, aos mais privilegiados enclaves da Zona Sul. O estado de tensão social tornou-se uma realidade incontestável na cidade. E por mais que se decante a democracia das praias cariocas, em cujas areias pobres e ricos de todas as estirpes se misturariam como se iguais fossem, a grande verdade é que, para além dos calçadões, o que há é uma segregação muito nítida.
Pois me parece que as obras realizadas no Morro do Cantagalo talvez sejam um primeiro passo, pequeno ainda, mas significativo dentro do estado de coisas da cidade, no sentido de integrar favela e asfalto. Confesso que me dirigi ao Complexo Rubem Braga, na última semana, carregada de preconceitos e com uma sensação de que poderia haver nesse empreendimento um quê daquela estranha invenção dos tours na Rocinha, em jipes que levam as pessoas a visitarem a favela como se estivessem numa espécie de safári, como se fossem ver a fauna local… Ao sair de lá, no entanto, tinha a sensação de que me enganei redondamente se assim pensei… Trata-se de algo muito diferente. Trata-se de inserir na engrenagem da cidade um espaço público em que moradores da favela e do asfalto se misturem naturalmente. Trata-se de integração mesmo, não há palavra melhor. Pavão/Pavãozinho e Cantagalo, que já vêm de um processo de pacificação pela ação da polícia (ali está instalada uma UPP – Unidade de Polícia Pacificadora), com o novo complexo pode começar a deixar de ser um gueto… E aquele pedaço de Ipanema, que foi ficando tão decadente, quem sabe, pode voltar a sorrir… Eu sei bem que isso tudo é muito, muito pouco diante do que ainda precisa ser feito a respeito da questão social no Rio de Janeiro. Mas pode ser um bom passo no sentido de se iniciarem algumas mudanças…
Sei também que vocês devem estar pensando que a função desse blog não é tecer esse tipo de análise (e eu nem tenho mesmo a competência necessária para discutir tais questões a fundo, mas, dessa vez, não consegui me furtar…), mas deixo aqui, então, uma outra justificativa pra esse post: além do aspecto da integração social, o Complexo Rubem Braga tem vocação pra se tornar, talvez, mais um ponto turístico da cidade. De seu elevador panorâmico já se pode ver a praia de Ipanema se revelando aos poucos… E, a três lances de escada da saída do elevador, fica o Mirante Da Paz, de onde se descortinam os mares de Copacabana, Ipanema e Leblon, O Morro Dois Irmãos, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Corcovado, de uma só vez. Nada mal…
Encerro com as palavras de Ruy Castro, que cobrem uma das paredes do complexo:
“No auge dos anos 60, o braço armado de Ipanema empunhava um violão. E seu canto de guerra – na verdade, de paz – era a Bossa Nova. Era dele que saíam as insuperáveis melodias, as complexas harmonias e a batida diferente e irresistível que, somada às palavras de seus poetas, faziam de qualquer dia em Ipanema um domingo.
(…)
O espírito que fez de Ipanema berço da Bossa Nova continua vivo. Ressurge a cada vez que um rapaz ou moça pega um violão, fere as cordas e gera um acorde que ficará mais uma vez por toda a vida.”
Complexo Rubem Braga – acesso pelo final da Rua Teixeira de Melo. Entrada gratuita.
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Restaurante Eça: jóia bem guardada no centro do Rio
Falei outro dia aqui de um roteiro que adoro percorrer no centro do Rio. E disse que aquele era apenas um entre muitos que o bairro pode oferecer e que, aos poucos, iria trazendo outras pérolas culturais e gastronômicas da região. Hoje revelo aqui, a possíveis incautos, um dos segredos gastronômicos que o centro da cidade esconde. Um oásis bem guardado em meio à urgência que dita o ritmo de passos apressados em suas vias. Para os amantes da gastronomia não há de ser novidade alguma o que tenho a dizer, mas aos possíveis desavisados deixo a dica: ao entrar na loja H. Stern em plena Avenida Rio Branco, desça a escada em espiral que leva ao subsolo e descubra que a maior das jóias que há ali não se encontra em exposição em nenhuma das vitrines. Os degraus que levam ao restaurante Eça conduzem a uma bela surpresa.
Por trás dos fogões, o talento do chef belga Frédéric de Maeyer inseriu na rota dos melhores restaurantes do Rio de Janeiro uma casa em pleno centro nervoso da cidade, que só funciona de segunda a sexta-feira no horário de almoço. Foi eleito chef revelação, cravou uma estrela no Guia 4 Rodas e, no ano passado, alçou o Eça ao posto de melhor cozinha contemporânea segundo a premiação da Veja Rio. Um almoço por lá pode lhe ajudar a entender o porquê de tudo isso.
O menu degustação da casa permite explorar pratos de diferentes inspirações e linguagens, do clássico ao moderno, num belo panorama do trabalho de Fréderic. Meu último almoço por lá teve pontos altos como…
… a torrada de brioche com cogumelos tenros e perfumados, flambados em vinho do Porto branco.
… o bombom de queijo de cabra com uva verde e crosta de pistache, folhas e vinagre de Jerez com mel – num belo diálogo entre o sabor do queijo e o frescor das uvas e das folhas.
… ou o foie gras com redução de tamarindo e purê de baroa, farofa e flan de castanha do Pará, o foie contracenando com elementos brasileiros, num resultado interessante.
… ou, ainda, os ótimos risotos, úmidos, cremosos, saborosos, como o de lingüiça de cordeiro.
O último capítulo do cardápio merece destaque. As sobremesas de Fréderic são dignas de aplausos. Seu crepe normando com sorvete de speculoos (o tradicional biscoitinho belga de especiarias) é de uma delicadeza inigualável. Das melhores sobremesas que já comi no Rio de Janeiro. E, sem exageros, digo o mesmo da Delícia de Café: um soberbo sorvete de café, sablé de cacau e um levíssimo creme chantilly.
Conselho de amiga: a despedida fica mais gostosa ao sabor do delicioso espresso, acompanhado de tuiles crocantes e douradas e, se possível, uma caixinha com as delicadas pralinés do chef.
Eça – Av. Rio Branco 128 – subsolo
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Aonde ir e o que fazer se você só tem 48 horas no Rio de Janeiro
Tenho uma dívida antiga com o leitor Guilherme Biazzi (viu, Guilherme? Não esqueci não…) e vários outros que me procuram com o seguinte dilema: vou ao Rio, mas só tenho um fim de semana; o que devo fazer, aonde devo ir?
É difícil resumir em 48 horas uma cidade tão bonita e tão interessante como o Rio. Mas, às vezes, é preciso. Então compartilho aqui o que seria o meu roteiro de um fim de semana. É claro que muita coisa incrível acaba ficando de fora, não tem jeito. E, além de tudo, aviso logo que esse é apenas o meu roteiro ideal, algo muito subjetivo, que parte do meu modo de ver a cidade. Não tento espremer nele todos os pontos turísticos, que só caberiam em 48 horas com muito malabarismo. Sou meio contra esses malabarismos. Acredito que melhor que pular de um ponto turístico a outro, é escolher somente alguns pra florear o seu roteiro e, entre eles, andar pelos bairros, ver a vida acontecer nas ruas. Porque é assim que se sente uma cidade. Acho, ainda, que uma viagem pra ser boa precisa ter respiros. Momentos como o de sentar no banco do parque ou à beira da praia e diminuir o ritmo. Saborear. Contemplar. Isso é fundamental. Dito isso, vamos ao que interessa.
Sexta-feira
Supondo que na tarde de sexta, você já esteja por aqui, acomodado e com as malas desfeitas. Eu escolheria começar por um dos dois lugares mais emblemáticos quando o assunto é a cidade maravilhosa: Pão de Açúcar ou Cristo Redentor. O motivo é claro: estarão mais vazios do que no sábado ou no domingo. E, se eu fosse você, escolheria o Pão de Açúcar. Antes de subir, passearia pela Urca e pela Praia Varmelha, que formam um verdadeiro retrato do Rio antigo. Então, subiria a bordo dos bondinhos e ficaria lá no alto até o sol se pôr. É lindo ver o espetáculo de cores do por do sol sobre a cidade e depois as luzinhas da noite tremendo lá longe…
Ao descer, recomendo uma parada no Bar Urca, bar que, par mim, é a síntese da leveza carioca. Coma uns bolinhos de bacalhau e umas empadinhas, devidamente acomodado na amurada sobre a Baía de Guanabara – que é como todo mundo faz no bar Urca – e morra de felicidade.
Na noite de sexta-feira, se o cansaço não for muito grande, eu lhe recomendaria jantar num dos três melhores restaurantes da cidade: Olympe, do chef Claude Troigros, Le Pré Catelan, sob o comando do chef Roland Villard, ou Roberta Sudbrack, cuja dona dispensa comentários e é a consagrada chef que dá nome à casa.
Sábado
Sugiro começar o dia com um dos programas mais deliciosos que você pode fazer no Rio: café da manhã na Colombo dentro do Forte de Copacabana. O café não é nenhum espetáculo, mas é bem razoável. Tem um bom chocolate quente e as famosas torradas Petrópolis. E tem o melhor: o cenário. Tomar seu café debruçado sobre o mar de Copacabana, com o melhor ângulo que se pode ter desse cartão postal carioca e, tudo isso, na tranquilidade daquele recanto, sem o ruído das ruas… não tem preço.
Saindo dali, recomendo, a partir de Copacabana, calmamente, “andar pela praia até o Leblon”. Uso as aspas porque a dica não é exatamente minha, mas do maestro Tom Jobim, na sua linda canção Lígia. Mas faço minhas as palavras de Tom. Na verdade, na verdade, recomendo alguns desvios no meio do caminho. Um deles, uma providencial parada prum belo mergulho no mar, seguido de algum tempo de descanso nas areias mais decantadas do mundo. Se estiver na companhia de um pacotinho de biscoito Globo e um copo de mate estupidamente gelado, então terá encontrado um dos caminhos para alcançar a quintessência da carioquice.
Num outro desvio, entre pelas ruas de Ipanema e circule um pouquinho. Deslize pelo “tapete vermelho” da Garcia d’Ávila, com uma paradinha prum sorvete na Mil Frutas. Siga pela Visconde de Pirajá e entre na Livraria da Travessa, que os cariocas elegeram como sua livraria favorita. Circule mais um pouco. E, então, volte pela praia até o final do Leblon, como era o planejado.
Uma vez no Leblon, circule mais um pouco e vá ver a cidade acontecer na rua Dias Ferreira. Quando o sol se despedir e a noite começar a cair, leve sua fome pra passear no Venga!, o bar de tapas mais charmoso do Rio. Brinde o seu estômago e sua alma noite adentro com as delícias do cardápio e a vibração do ambiente. Agarre-se à sua mesa e sinta-se um privilegiado quando, a partir de umas oito e meia da noite, as pessoas começarem a se acotovelar do lado de fora. Prove mais uma coisinha aqui, outra ali, e vá ficando, vá ficando, que essa é a graça de se estar em um bar de tapas em plena Dias Ferreira. E, por favor, não se despeça sem os churros com chocolate.
Domingo
Dia de passear um pouquinho pela Lagoa Rodrigo de Freitas e se deslumbrar com um dos cenários mais lindos do mundo. Depois, entre em direção ao Jardim Botânico e entregue-se a longas caminhadas nesse parque que é uma das relíquias que essa cidade guarda. A meio caminho entre a Lagoa e o Parque está o lugar ideal pro seu café da manhã: a Escola do Pão. Aliás, já sugeri a dobradinha Jardim Botânico + Escola do Pão nesse post aqui.
Se você ainda tiver a tarde de domingo inteirinha por aqui, suba até Santa Teresa. Nem que seja só pra andar por suas ladeiras, beber a poesia do bairro e descobrir as vistas que se descortinam de lá do alto da nossa Montmartre. Se couber na sua programação, entre no Parque das Ruínas e vá desfrutar de uma dessas vistas sensacionais. Antes de descer as ladeiras de volta, entregue sua preguiça às fartas almofadas espalhadas pelo Bar dos Descasados, o bar do Hotel Santa Teresa, inegavelmente, um dos mais charmosos do Rio de Janeiro. Testemunhe o pôr do sol sobre o casario do bairro e despeça-se da cidade já sentindo saudades.
Alguém pode perguntar: e a floresta da Tijuca? E o Aterro do Flamengo? E a Pedra Bonita? E o Pão de Açúcar? E os tantos e famosos botecos do Rio de Janeiro? E os restaurantes que ficaram faltando? São todos bons motivos pra que você volte logo… No mais, eu lhes digo: se um anjo me dissesse que eu só tenho mais um fim de semana no Rio, muito provavelmente, eu o usaria pra percorrer esse exato roteiro que acabo de deixar aqui de bandeja.
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Almoço no Laguiole: o desfecho ideal de uma visita ao MAM
No post anterior, eu dizia que considero um almoço tardio no Laguiole o encerramento perfeito para um dia de visita ao MAM. O restaurante fez seu nome no centro do Rio de Janeiro, desde os tempos em que estava instalado na rua Sete de Setembro. Respeitada pela qualidade de sua cozinha, a casa sempre contou com uma adega que é das maiores do país, premiada, inclusive, pela revista Wine Spectator. Há cerca de três anos, quando se mudou pro MAM, logo em seguida o comando de sua cozinha também mudaria de mãos, sendo assumido pelo jovem Pedro de Artagão. A linguagem moderna do trabalho de Artagão é, cada vez mais, alvo de vastos elogios. Eu diria que merecidamente.
Embora a luz fria e os móveis brancos confiram ao ambiente uma certa frieza, uma coisa clean além da conta, o salão tem sua elegância. Espaço amplo, pé direito alto, adega aparente, mesas espaçadas como já não se vê por aí. E um terraço sensacional (que é usado apenas para eventos – uma pena…), com uma linda vista pras copas das árvores e pros prédios do centro da cidade.
Quanto ao cardápio, é enxuto, bem resolvido. Traz pratos inspirados na cozinha brasileira, seja nos seus regionalismos, seja nas suas influências estrangeiras, mas sempre com uma roupagem moderna. Destacam-se as bem-sucedidas releituras de alguns clássicos consagrados. Eis aqui algumas das melhores coisas que experimentei por lá ultimamente:
Salada Caprese: a versão de Artagão chega sob a forma de um suco de tomates onde flutua uma ótima burrata, folhas de manjericão e torradinhas de alho. Das melhores que já comi. Sem exagero.
Carpaccio Cipriani: sobre as lâminas de carne, um vinagrete, lascas de Parmigiano Reggiano e uma farofinha crocante de pão que faz toda a diferença.
Ragout de camarões: flambados em grappa, servidos com palha de alho poró. Sabor, perfume e delicadeza numa equação cujo resultado pede um bis.
Jardim de Burle Marx: servido com peixe do dia, que, no meu caso, era um robalo, merece todos os elogios. O peixe em cocção perfeita, quase vira um coadjuvante diante de tão lindo jardim de mini legumes e ervinhas de todos os tipos.
Sopa de abóbora com foie gras. Rica, saborosa. Soberba.
Picadinho Carioca: outra feliz versão de Pedro. Como eu já tinha mostrado nesse post aqui, o clássico veste roupa de festa e aparece sob a forma de um risoto, coroado por palitos de banana à milanesa e salpicado com farofa. Escondido, um delicioso ovo pochê, cuja gema se revela numa surpresa, ao menor toque do garfo.
Confesso que, das sobremesas que experimentei na casa, achei todas um tom abaixo dos pratos. O pudim de pão em sopa de maracujá não me disse muito. A sobremesa de café com chocolate, que me pareceu algo entre uma mousse e uma bavaroise, era boa, mas não me arrancou suspiros. A melhor, entre as que provei foi o creme de chocolate branco com castanha com Pará, em casquinha crocante, e sopa de frutas vermelhas.
Os petit fours, acreditem, se revelaram melhores que as sobremesas. Macarons de laranja, tarteletes de banana com doce de leite e chantilly e bombonzinhos de chocolate branco com damasco. Se os desfechos das minhas refeições por aí fossem sempre assim…
Laguiole – Av. Infante Dom Henrique 85 (MAM) – Aterro do Flamengo
http://www.bestfork.com.br/laguiole/
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