Por dentro do Rio
Terça Básica no RS: a maior barganha gastronômica do Rio

Já estive algumas vezes no Restaurante da chef Roberta Sudbrack no Jardim Botânico. Pra quem já acompanha meus rabiscos sobre gastronomia há algum tempo, não é segredo que o considero um dos melhores, se não o melhor restaurante da cidade. Seus menus-degustação já me proporcionaram momentos memoráveis. A todos que me perguntam recomendo ir para a experiência completa: o menu de oito passos. Ali Roberta se entrega por completo. É onde ecoam os resultados de suas profundas pesquisas com os ingredientes – e que resultados! Eu diria que só assim se pode compreender inteiramente o significado de sua cozinha.
Mas, como ninguém é uma coisa só, há um outro lado de Roberta que, semanalmente, tem dia e hora marcados pra se revelar. Na chamada Terça Básica, fórmula disponível apenas no jantar das terças-feiras, ao lado do menu completo, a chef mostra que também é capaz de brilhar atuando sob medida e de improviso. A ideía é projetar no prato um cruzamento entre o que haja de mais fresco no mercado, por um lado, e de mais acessível, por outro. O resultado é um menu que cabe no seu bolso sem maiores malabarismos: entrada + prato principal por R$49,00. Não é propriamente a ocasião para desfrutar de seus pratos autorais, mas a oportunidade de perceber que é na simplicidade que se reconhece o talento de um grande chef. Sou da opinião de que a simplicidade, ao contrário do que muitos possam pensar, é um grande desafio. Não foi Leonardo da Vinci que disse que “a simplicidade é o último grau da sofisticação”? Estou de acordo com o mestre.
Além dos dois pratos incluídos na fórmula, prepare-se para, eventualmente, dar de cara com alguns mimos. Como delicadíssimas gougères abrindo a refeição…

Ou deliciosos brigadeirinhos de colher encerrando…

E vá pronto pra se surpreender com coisas com as quais talvez não mais esperasse se surpreender. Como uma salada niçoise absolutamente perfeita em cada detalhe. E que, por isso, deixa de ser apenas mais uma salada niçoise e passa a ser aquela que lhe ficará na memória por um tempo… Ou um franguinho assado com batatas croustillantes, que Roberta saberá, como ninguém, transformar num gigante, preservando seu suco, ressaltando seu sabor e fazendo você perceber que, há muito, já se havia esquecido de como um prosaico frango assado com batatas, nas mãos certas, pode ser um prato soberbo.
E fica aqui um conselho de amiga: não deixe de pedir, à parte, a sobremesa do dia. Qualquer que seja ela. A não ser que me traia a memória, eu diria que jamais provei uma sobremesa de Roberta que fosse menos que extraordinária. E olha que já experimentei algumas…

Tortinha de pera com pérolas de tapioca em calda toffee

Consommé de chocolate amargo em pele de leite e rapadura com quinua crocante

Canelone de maçã em calda toffee e farofa de pistache
Sim, isso vai esticar sua matemática da Terça Básica, mas vai lhe proporcionar uma satisfação que não há dinheiro que pague. Acredite.
Roberta Sudbrack – Rua Lineu de Paula Machado 916 – Jardim Botânico
Comentários (14)
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- Por: Ligia Ghizi
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- 8 de fevereiro de 2010 at 16:08
Oi Constance, que engraçado; ontem dei uma conferida na sua vizinha Alê, e havia um post dela falando sobre a matéria da Veja, sobre a RS, e os consequentes elogios e reconhecimento da Alexandra, sobre o trabalho e valor da Sudbrack. Aí li os comentários do Joaquim sobre o assunto, e me manifestei, brincando com ele sobre a coragem dele ter dito que adora as sobremesas e a culinária dela, mas que em alguns pratos falta pegada. Agora chego aqui, e vejo também a opinião dele sobre essa, que é uma pessoa que tem, com razão, muitos admiradores, e fiéis clientes em sua casa. Achei excelente sua postagem, falando sobre essa proposta simpática, econômica, e pelo que você diz e comprova, super gostosa! Pelo visto, a partir de agora, se passarmos na Lineu de Paula, e virmos uma fila enorme, às terças-feiras, já saberemos que a responsável será você, com essa super dica de hoje! Qualquer hora te encontro lá…Agora cruzarei os dedos, para ter essa tortinha de pêra. Hummm!!!
- Por: Maria das Graças
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- 10 de fevereiro de 2010 at 20:31
Constance, há algum tempo atrás já houve a Terça Básica na RS. Agora voltou novamente? Há tempos que me programo para conhecer o RS mas ainda não fui porque não consigo encarar um menu de 8 cursos no jantar. Acho que vou me animar e experimentar a Terça Básica.
- Por: Roberta Sudbrack
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- 23 de fevereiro de 2010 at 16:27
Adoro quando o Joaquim me chama de menininha…apesar de saber do que se trata, sempre me sinto elogiada! Só não entendo porque ele insiste em frequentar o RS e ainda (essa é nova!) reproduzir as receitas da menininha em casa…
Essa matéria sobre a minha querida terça-básica é antológica, guardo com carinho e sempre a utilizo como referência!
Beijos!
- Por: a4168131
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- 11 de novembro de 2011 at 4:03
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- Por: Camgirls
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- Por: Theodore Perko
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- 13 de novembro de 2011 at 13:52
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- Por: What is Physics
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- 14 de novembro de 2011 at 0:28
I found your posting to be insightful! Thank you.

Constance ,por coincidëncia ,ontem eu reproduzi dois pratos da RS que considero muito bons , o raviól de filé curado e marmelada de maxixe e o gema caipira com quinoa,os dois são simples e fáceis de fazer.A marmelada de maxixe com berinjela impressionou a todos pelo sabor.O maxixe é quase mato nas roças do nosso caboclo nordestino,mas os pratos que são feito com eles não são gostosos e RS consegui dar uma outra dimensão ao seu uso.Já o uso da quinoa cozida e frita com um leve pochë da gema caipira é o prato da “menininha”que deu certo,etéreo,mas memorável.E concordo com vc.,as sobremesas de RS são inesquecíveis ,jamais comi alguma que não gostasse.Na últim vez que estive no Rio não pude ir porque o restaurante estava de recesso ,estou esperando o calor abrandar para voltar ao Rio e ir lá.Abs.