Por dentro do Rio
Um 2012 animador no cenário gastronômico carioca. Ao menos, aparentemente…
Considerando as inúmeras inaugurações na reta final de 2011 e, ainda, as tantas promessas a se concretizarem ao longo de 2012, pode-se dizer que o ano começou muito bem no cenário da gastronomia carioca. Antes do cair do pano, 2011 testemunhou a abertura de mais uma filial carioca do Gero, do Irajá (nova empreitada do chef Pedro de Artagão), do Alloro (restaurante italiano do Windsor Atlântica, que traz o chef Luciano Boseggia e o sommelier João Pedro Lamonica, egresso do Garcia & Rodrigues), da Bottega del Vino (mais um projeto da dupla Nicola Giorgio e Dionísio Chaves, do Duo), do Vieira Souto (nova casa de cozinha italiana comandada por João de Souza, André Vasconcelos e Cadu Costa). Em breve, abrirão as portas o Brigite’s (gastrobar das mesmas proprietárias do Zuka e do Sushi Leblon), na Dias Ferreira, o Quadrifoglio Caffè, na mesma rua, e, também no Leblon, a nova padaria de Olivier Cozan, cuja obra tenho acompanhado ansiosamente – desde que o Garcia & Rodrigues fechou as portas, o bairro anda meio órfão de uma padaria à altura. Fora outras promessas animadoras que se anunciam…
Aparentemente, o ano começa bem. Digo aparentemente porque prefiro ser cautelosa com as expectativas. Essa enxurrada de novidades me anima, sim, mas não muito. Primeiro porque, a cada leva de novos endereços gastronômicos que surgem na cidade, costumam ser poucos os que verdadeiramente têm algo a acrescentar. Com essas recentes inaugurações não sei se será diferente. Já estive em algumas das novas casas e, por ora, o entusiasmo ainda não encontrou lugar. Ao menos, não na minha mesa. Por outro lado, confesso que a quantidade de restaurantes de sotaque italiano entre as novidades me causa certa preguiça. A não ser que se esteja falando de algo inovador ou de uma cozinha especialmente boa, que paire acima da média – o que é raro –, não sei se as mesas da cidade precisam de mais tanto risotto e tiramisù. Quando penso nas inúmeras lacunas ainda por explorar no cenário carioca, me custa um pouco compreender tanta gente investindo em mais do mesmo. Até por isso, de todas essas inaugurações, devo dizer que a que mais me gerou expectativa foi o novo restaurante de Pedro de Artagão, chef talentoso, que provou, durante seus anos à frente do Laguiole, disposição pra construir uma cozinha inteligente, que ouse voar além da mesmice. Ironicamente, não tive no Irajá uma experiência muito feliz nos primeiros dias de vida da casa. Mais não digo porque, se dissesse, talvez assumisse o risco de uma análise leviana. Prefiro deixar pra emitir opinião quando puder fazê-lo com mais propriedade, após um retorno, o que pretendo fazer em breve.
O fato é que de monotonia não podemos nos queixar. Aos poucos, a gente vai mapeando aqui esses novos endereços. Tomara que se revelem boas surpresas entre eles. O Rio precisa. Mais que isso, o Rio merece.

