Saia pelo Mundo

Saindo de fininho

por Mari Campos em

Tudo tem um ciclo, tudo vem e tudo vai.  E o tempo voa, sobretudo quando estamos na estrada. Clichês à parte,  parece mesmo que foi ontem que eu comecei a contar um pouco das minhas andanças mundo afora neste endereço também – mas lá se vão mais de quatro anos e meio e uma peeeeeenca de posts!

Por aqui falamos não somente de “momentos do sedutor mundo das mulheres viajantes”, como diz o quadrinho no canto superior direito dessa página, mas surgiram também os mais variados causos, críticas, elogios, ideias do mundo viajante em geral, homens e mulheres, solo travelers ou não,  jovens e maduros, low cost e high end, Brasil e exterior. Aqui nesses posts compartilhamos informações, vivências, dúvidas, conhecimentos mil.  Aqui muita gente ganhou estímulo e coragem, o empurrãozinho que precisavam para sair pelo mundo em sua própria companhia. Aqui vocês deixaram ideias, depoimentos e comentários bacanérrimos, que viraram até parte da inspiração para um dos livros que publiquei nesse período.  Aqui vocês acompanharam o ano que vivi fora do Brasil, o desassossego-viajante dos anos seguintes (sempre indo e vindo de e para algum lugar), o sonho de chegar a destinos que sempre figuraram na minha wish list (da Ilha de Páscoa à tão sonhada Antártida),  as minhas travessias oceânicas… Aqui surgiram até amizades. Foi bom, muito bom enquanto durou.

Mas o Viaje Aqui passa agora por readequações e meus planos passam também por pequenos ajustes. Então por hora eu digo tchau. Mas é uma despedida como a que vivemos em todas as viagens que fazemos – dizemos sempre até logo e nunca adeus ;)  Até porque, vocês sabem, eu continuo contando minhas aventuras, andanças e desventuras lá no Pelo Mundo, como sempre, e espero sempre a visitinha de vocês.  E também, é claro, seguiremos em nossos papos via twitter, Facebook (é só assinar) e Instagram, trocando ideias e falando sempre daquilo que mais amamos fazer: viajar.

Daqui dessas páginas saio agora de fininho. Mas deixo um beijo e agradecimentos mil – mesmo! – por esses mais de quatro anos e meio da adorável companhia de viagem de vocês. A gente se vê na estrada :D

Milão e as compras: o tal Serravalle Design Outlet

por Mari Campos em

Flashes da manhã de compritas

Acabo de voltar de Milão. Já contei aqui como meu relacionamento com a cidade só começou de verdade na segunda visita, lembram? Hoje, quando viajo para lá, sempre passo dias muito felizes, aproveitando para conhecer novos hotéis design que não param de pipocar (dessa última visita, adorei o UpTown Palace, da bandeira MGallery, ao lado da Corso di Porta Romana, a dez minutinhos de caminhada do Duomo e com quartos com vista para a estonteante catedral), para comer um autêntico risoto à milanesa (como resistir???), para rever os lugares que mais gosto, para conhecer lugares novos (dessa vez fui, enfim, à MARAVILHOSA Pinacoteca, que amei).

Mas é claro que Milão é também uma cidade consumista. Templo da moda e do design, não é de surpreender que a cidade seja uma meca de compras para muita gente; e, convenhamos, essa é a atividade (segundo dados do turismo local, ainda que nem precisássemos) mais apreciada pelos turistas brasileiros na cidade. E, já que os horizontes das vias Montenapoleone e della Spiga e a Galleria Vittorio Emanuele II parecem ter ficado pequenos demais para nossos conterrâneos, resolvi aproveitar os dias milaneses para checar o outlet para onde muita gente anda rumando quando visita a cidade: o Serravalle Design Outlet.

O outlet não fica em Milão, verdade seja dita; fica no caminho a Gênova, mas chegar lá é muito fácil. Para quem vai de carro alugado,  a estrada é muito bem sinalizada e o percurso, com trânsito bom, dura menos de 1 hora; o estacionamento é gratuito e os campos que margeiam a estrada estavam tomadinhos de girassóis e outras flores amarelas. Mas quem não quer se preocupar com transporte pode pegar os ônibus (servizio navetta) que saem todos os dias  do Foro Bonaparte, por 20 euros a viagem ida e volta por pessoa. E ainda tem área para crianças ficarem brincando enquanto os pais se acabam nas compras.

É claro que encontrei outros brasileiros por lá. A maioria vai para passar o dia, já que o mall é mesmo muito grande, com mais de 300 lojas diferentes que prometem descontos de 30 a 70%. Até eu, que não sou muito de compras em viagem, me rendi – há desde marcas mais populares até as grandes grifes lado a lado (a brasileirada pira na loja da Puma mas devo dizer que o outlet da Prada é sensacional, com peças desde 20 euros). O shopping todo é como uma vila, térreo e vertical, com as lojas instaladas em “casinhas”, bem bonito e gostoso de andar. E há várias opções para comer, do Burger King a restaurantes mais arrumadinhos (achei o informal Farinela bem honesto nos preços e na qualidade).

Shopaholics com dias extra em Milão: vale a escapada.

Provence com roteiro gastronômico

por Mari Campos em

Conhecer uma região adorável de um país tão gastronomicamente sedutor guiada por um chef francês é proposta tentadora ;)

Breve pausa nos relatos marroquino-viajantes aqui no blog. É que ano passado eu contei aqui sobre uma viagem super legal que fiz à França – em grupo, bem ao contrário do meu estilo usual – com foco em arte moderna e contemporânea através de uma operadora do sul do Brasil, e muitos leitores ficaram interessados porque eles têm mesmo uns roteiros diferentões. Pois agora tem um outro tour da mesma operadora, a Biarritz Turismo , que me chamou a atenção: conhecer a Provence, uma das regiões mais charmosas da França, num roteiro gastronômico, com chef francês guiando o passeio todo em português.

O chef Philippe Remondeau, que comanda há 10 anos um dos principais restaurantes de Porto Alegre, o “Chez Philippe”, é quem guiará o grupo por sete noites nessa região da França que já foi fonte de inspiração de Van Gogh, Cézanne e outros gênios impressionistas.

 A viagem começa em Les Baux Provence, uma das regiões vinícolas mais famosas da França, onde são produzidos os vinhos de Côte du Rhône. Depois, a medieval Aix en Provence, tomada de lavandas, queridinha de Peter Mayle e seus fãs, e em cujos arredores montanhosos Paul Cézanne pintou seus principais quadros (com direito a três noites no clássico Hotel Pigonnet e jantar no restaurante Pierre Reboul, estrelado no Michelin).Depois Bonnieux, uma tradicional vila da Provence encrostada nas montanhas, no Relais & Chateaux La Bastide de Capelongue do chef Edouard Loubet, dono de duas estrelas no Michelin – com direito a aula de cozinha e tudo!  Isso tudo entre vários outros passeios e aventuras gastronômicas ao longo da semana na região, é claro.

Como ando pensando seriamente em entrar nessa, o roteiro é bem bacanudo,  trata-se de uma saída única (em 17 de junho) somente para brasleiros e terá um número máximo de 16 viajantes no tour, achei que valia uma menção aqui.  As infos detalhadas estão lá no site da Biarritz. E aí, amigos e leitores foodies, bora nessa? ;)

Como sobreviver sozinha a Marrakech em cinco passos

por Mari Campos em

A maioria das mulheres que viaja a Marrakech (uma das mais tradicionais escapadas dos europeus no norte da África há muito tempo) sem a companhia de um homem não volta numa relação só de amor pela cidade, não.  Marrakech tem toda a vibe jetsetter que a fez famosa mundialmente mas, convenhamos, é uma cidade de marroquinos e, em sua maioria, de muçulmanos. Culturalmente há sempre um pequeno choque. Foi assim que aconteceu comigo em 2009, numa viagem de uma semana entre Marrakech, Essaouira e Vale de Ourika com minha irmã, e que vocês acompanharam aqui no blog. Ficava sempre aquele climão de assédio, um perrengue sem fim a cada negociação e uma neura básica com a segurança a cada saída; vivemos e vimos coisas lindas nos dias de primavera que estivemos por lá mas respiramos  bem aliviadas ao voarmos de lá a Madri.

De maneira controversa, parece que as coisas mudaram por lá depois do atentado de 2011. Se, por um lado, hoje a gente vê mais “barbas” e ouve mais discursos fundamentalistas na cidade, as turistas com pernas e ombros de fora já não são minoria e, na vida noturna local, muitas marroquinas saem com peças tão curtas e decotadas que chegam a surpreender  (em todas as noites que estive lá agora eu era a mulher mais coberta, sempre).  E a segurança também aumentou, ao menos em teoria:  há mais pontos com policiamento e na medina há várias câmeras de fiscalização espalhadas.  Ainda assim, para ser feliz sozinha em Marrakech, aconselho:

- Vista-se discretamente. Sobretudo na medina, que é um mundinho todo à parte e muito mais conservador e tradicionalista que outros setores da cidade. Por mais que você tenha um corpaço e o calorzão de Marrakech seja às vezes sufocante, quanto menos chamativa for sua roupa, melhor. Você não está em St Tropez e sim num país muçulmano; respeito à cultura local é fundamental em qualquer viagem. O assédio vai acontecer porque somos ocidentais e ponto final; mas se você estiver vestida adequadamente vai se limitar a olhares lascivos e umas palavras pedreiro-style.  E você fica confortável para circular por qualquer área da cidade.

 

Vestir-se adequadamente não significa cobrir-se dos pés à cabeça - ainda mais se você pegar 40 graus como eu

 

- Escolha bem o seu transporte. Evite tomar qualquer táxi no meio da rua; eu só tomei táxis chamados pelo meu hotel e pelos próprios restaurantes e bares onde estive e recomendo muito que você faça o mesmo.  Se precisar mesmo tomar um deles no meio da rua, negocie o preço antes, de maneira firme, para evitar mal entendidos – fique de olho no caminho e não aceite pagar nenhuma taxa extra no final. Na chegada, tente já deixar acertado o transfer do aeroporto com o seu hotel: ter alguém à sua espera em meio ao mar de taxistas famintos por turistas no hall de desembarque será poesia para seus olhos.  Para passear pela cidade toda sem o perrengue dos táxis vale apostar naquele ônibus turístico de dois andares: são agora 3 rotas diferentes com uma infinidade de pontos de parada que vão das atrações turísticas mais comuns (como a praça Djeema al-Fna) aos lugares mais distantes,  como o Palmeirae ou o novo mall de Marrakech – e são 19 euros por pessoa para circular o quanto quiser, sem encheção nenhuma, por 48h consecutivas.

- A noite é uma criança.  Não tenha medo de sair à noite sozinha; a noite em Marrakech é uma delícia e tem vários lugares cheios de gente interessante. Mas escolha cuidadosamente os lugares que frequentará. Vale saber que os bares mais hypadinhos da cidade são justamente os que estão dentro de hotéis de luxo, o que eu acho uma ótima; assim você garante bebidas “seguras”, táxis de confiança na hora de ir embora e barmen que são um poço de informação cultural sobre a cidade. O Four Seasons Marrakech, por exemplo, não apenas investiu fundo no conceito de pop up bars (os bares itinerantes e temporários; atualmente, rola o Private Room, um bar parisiense cheio de bossa), como também tem um rooftop bar delicioso, ao ar livre, com almofadas e luminárias marroquinas, e uma vista linda de Marrakech; mas o melhor de tudo é que ambos ambientes são também muito frequentados por moradores locais e não apenas turistas. O novo Delano também tem um terraço que é perfeito para as mais jovens: um climão de Miami Beach num Riad marroquino – uma mistura que deu samba. O luxuoso La Mamounia tem dois belos bares bem legais pra você circular, o Churchill´s Bar e o bar Italiano. No Sofitel, o longe So Sofitel oferece diariamente de bandas ao vivo a desfiles de moda.  Fora do circuitão dos hotéis de luxo, o mix restaurante/bar/longe do Bô-zin segue sendo opção infalível na noite de Marrakech.

- Andar determinado. A velha dica de sempre:  caminhe demonstrando saber exatamente onde vai mesmo que você não tenha a menor ideia  ;) Olhar pra frente e dar passos firmes costumam afastar os mais mal-intencionados.  Até os labirintos da Medina,  por sinal, ficaram mais fáceis de explorar: há dois meses, suas ruelas ganharam placas indicativas, dando nome a elas, e placas maiores com mapas, inclusive. Mas, sem guia, é muito recomendável manter-se apenas na zona comercial-turística da medina.

- Sem estresse.  Não feche a cara de preocupação ou cansaço com as bobagens que vai ouvir, especialmente na Medina. Acho que da vez anterior eu perdi grande parte da diversão justamente por ficar estressada de antemão. Dessa vez, já sabendo como era, simplesmente liguei o F-button e aproveitei muito, muito bem a cidade, das atrações turísticas que fiz questão de rever à vida noturna, e fiz até novos amigos de viagem por lá – incluindo uma marroquina gracinha que morou por seis meses em São Paulo fazendo intercâmbio. Até porque férias e estresse não combinam mesmo ;)

Em tempo: voltaria fácil, fácil para lá muitas outras vezes.

Os anjos na nossa estrada

por Mari Campos em

Tem gente bacana e solícita no mundo inteiro, felizmente

Costumo dizer que sou uma pessoa de sorte, muita sorte. E sou mesmo. Viajo o ano todo, voo como uma louca (mesmo sem gostar de aviões, vejam só!), conexões e check-ins mil e, no saldo final, minhas viagens são redondinhas no saldo final. Claro que sempre rola algum imprevisto, óbvio, mas até os perrengues costumam se resolver rapidinho, em geral.

No fundo, isso tudo se deve ao cuidado que costumo ter com a organização/planejamento dos roteiros que faço mas também, e em grande parte, aos “anjos” que encontro pelo caminho. De completos desconhecidos que me emprestaram seus celulares na rua e até em aeroportos quando fiquei empepinada e meu chip não funcionou a gente na rua que fez questão de andar comigo até o lugar que eu procurava, é impressionante como a gentileza na estrada tem mesmo um valor especial e indispensável no saldo final de uma boa viagem.

Viajantes se ajudam, é verdade. E solo travelers, sejamos francos, seja em albergues, hotéis, aeroportos ou seja lá onde, parecem ter ainda mais compaixão uns pelos outros, felizmente. Sobretudo mulheres viajando sozinhas, não é? Como diz uma amiga gringa minha, there is something about them. Solo travelers nunca ficam na mão quando precisam de um help. E, além dos meus próprios “causos” (sou extremamente grata a todos os que me ajudaram na estrada, e é uma pena que da maioria a gente acabe não sabendo sequer o nome; mas até boas amizades podem começar assim, acredite), é cada vez mais comum leitores e amigos me enviarem relatos inacreditáveis de como foram “salvos” por desconhecidos quando tudo parecia perdido (às vezes, em casos trash de doenças, voos perdidos, reservas de hotel furadas e outros perrengues grandes do gênero).

É claro que existem mesmo povos mais dispostos, simpáticos e solícitos quando você precisa de um help na rua ou de uma mãozinha extra em algum momento (e que fique claro que não são necessariamente latinos, como poderíamos supor); mas não posso reclamar nunquinha, porque já fui salva várias vezes por gente bacana de origens consideradas “antipáticas”, “duras” etc – como os parisienses, por exemplo, que já me “desempepinaram” várias vezes, gratuitamente solícitos.  Preconceito zero, pípols, por favor.

Só um lembretezinho básico pra você ter em mente nas próximas viagens: contar com a gentileza dos outros podem ser a salvação da lavoura quando nos empipinamos na estrada; mas a recíproca tem que ser verdadeira também. Não custa gastar dez minutinhos de suas preciosas férias para auxiliar quem está perdido ou precisando de um help. Você já sabe: gentileza gera gentileza.