Saia pelo Mundo

Com Quantos Sacos Se Faz Uma Mala? Ou como organizar o buraco negro da bagagem

por Saia pelo mundo em

Por Geórgia Barcellos

Você já passou vergonha ao abrir sua mala, fazendo seu check-in de volta e ela, como se fosse uma caixa de surpresas, ejetou peças íntimas e meias sujas de lá de dentro? Também, quem imaginaria que você teria que pesar sua bagagem de mão e transferir o peso excessivo para essa mala já entupida?

Mais uma: você já acordou seu companheiro de viagem de madrugada, ao arrumar a mesma mala do parágrafo acima, com o barulho dos plásticos usados para ensacar  a roupa suja, os sapatos e a calcinha molhada que ainda não secou? Também, quem mandou seu amigo preferir arrumar tudo na véspera para dormir até mais tarde?

O que as duas situações acima têm em comum? Aha! A falta de saquinhos apropriados para viagem.

Eu sempre achei meio cafonas esses porta-coisas de tecido que minha mãe costurava para colocar meus sapatos e trequinhos nas malas. E precisei de alguns anos para admitir que há coisas cafonas que são fundamentais na nossa vida (se comparados com o Rei Roberto, isso é fichinha).

De fato, um saquinho de tecido com essa arvorezinha estampada, é bem cafona – mas igualmente útil. Então, desde que assumi as curvas de santos e a sabedoria da minha mãe, minha mala pode até ser modernérrima – rígida, com dezesseis rodinhas -, mas seu interior é bem interiorano – com uma profusão de saquinhos coloridos.

E para que os uso? Para colocar calcinhas, sutiãs, meias, roupas sujas, roupas úmidas, malabares, cabos dos eletrônicos e tudo mais que vai numa mala e deve estar protegido ou separado do resto. Durante a viagem, os saquinhos podem migrar para sua bolsa, para proteger a pashmina enquanto ela ainda não foi para seu pescoço, colocar o caderninho de viagem com a caneta e o lápis de desenho e por aí vai.

Existe um modelo específico de saquinho para quem tem um quê de Carmen Miranda e não pode viajar sem seus balangandãs.

Seus compartimentos internos facilitam a identificação e dificultam o embaraçamento das peças.

Quer mais um motivo para aderir aos saquinhos de pano? Ao voltar de viagem, é só lavá-los e guardá-los para a próxima. Muito melhor do que pegar aquele monte de sacos plásticos e jogá-los no lixo. Também, quem mandou o homem inventar o saco plástico, essa praga que sem perceber, você acumula? Abaixo o saco plástico!

Onde encontrar um kit de saquinhos de tecido para viagem:

Na internet: Marilia Abbud. Você escolhe os modelos, os tecidos e resolve tudo online;

Em Belo Horizonte, o melhor lugar é a Feira de Artesanato aos domingos, na Av. Afonso Pena. O problema é acordar cedo;

Nas inúmeras feiras de artesanato das praças desse país afora, com na Praça General Osório, no Rio e na Praça dos Omaguás, em São Paulo (em frente à FNAC Pinheiros);

Nas boas lojas de sapato peça o saquinho de tecido em vez das caixas de papelão;

Pedindo de aniversário para sua avó.

Você também pode fazer seu kit de saquinhos:

Defina quantos sacos você quer. Vá a uma loja de tecidos, escolha um 100% algodão, e peça para a vendedora fazer a conta de quantos metros você precisa comprar. Os sacos para sapatos e calcinhas precisam ter 25×40 cm. E os para botas e roupas sujas, 40×60 cm. Saia da loja, passe no armarinho que sempre tem ao lado de qualquer loja de tecidos para comprar a linha e a fita que será usada para fechar o saquinho. Leve para uma costureira de confiança ou faça você mesma.

Para sentir-se transgressora e deixar os saquinhos mega personalizados, borde coisas insólitas em cada um: vestir ou queimar?, no de sutiãs; nem toda brasileira é bunda, no de calcinhas.

Geórgia Barcellos entusiasmou-se tanto ao escrever esse post que até cismou: vai passar o final de semana costurando seus retalhos e bordando barbaridades nos saquinhos.