Saia pelo Mundo

Santiago e vinícolas

por Mari Campos em

Vai um vinhozinho aí?

Se tem uma coisa pela qual os brasileiros se interessam cada vez mais quando vão à Santiago é visitar as vinícolas que rodeiam a cidade. E isso se aplica a mim também. Depois dessa última estadia por lá, cheguei à conclusão de que, na próxima vez, vou alugar um carro e percorrer os vales que rodeiam a cidade, vinícola por vinícola, dormindo aqui e ali, no melhor estilo “Sideways” – e olha que tem vinícola até dizer chega, muitas delas abrindo charmosos hotéis boutique para que os turistas possam viver a tal wine experience da maneira mais completa possível (algumas inclusive na vindimia, o que deve ser sensacional, vá).

A Concha y Toro , por exemplo, foi a primeirona a atrair os brazucas pra lá; hoje, é praticamente um ponto turístico de quem visita Santiago, quase tanto quanto subir o Cerro Santa Lucia e visitar o centro histórico. Apesar de ser tudo culpa do big marketing que o Casillero del Diablo tem por aqui,  a visita é mesmo uma bela introdução ao mundo dos vinhos, sobretudo pra quem ainda não entende nada disso (vi a guia ter a maior paciência EVAH com um brasileiro que, após testar os aromas do vinho, perguntou como se colocavam as frutas lá dentro, se misturava tudo junto com  a uva ou não :oops:  ). E muitos estão descobrindo, felizmente, que ali há mais que uma simples visita guiada de 50 minutos (7 mil pesos chilenos, mais ou menos 14 dólares) – o novo wine bar está uma graça, com duas sommeliers simpaticíssimas atendendo os clientes que param ali para provar outros vinhos e petiscar tábuas de queijos, frios etc. E o novo restaurante também está funcionando ultra bem, com uma carta curta mas super bem bolada, com pratos saborosos e muitíssimo bem apresentados – dá pra fazer o tour de 1 hora render fácil uma tarde inteira na vinícola nesse esquema.
E outro belíssimo exemplo que também anda atraindo os brasileiros por ali é a Matetic, que produz os celebrados vinhos EQ e também a linha reserva Coralillo. A vinícola ocupa uma propriedade gigante e seus vinhos são todos orgânicos, desenvolvidos seguindo o conceito de sustentabilidade ao extremo – animais como galinhas d´angola e ovelha são utilizados ali durante o plantio, uma loucura interessantíssima. A visita pela bodega moderníssima, de arquitetura impressionante, custa 10 mil pesos chilenos (cerca de 20 dólares), incluindo as degustações; mas a grande pedida mesmo é fazer o tour de 28 mil pesos (aproximadamente 56 dólares) que inclui, além da visita e das degustações, um almoço gourmet completo, harmonizado com os vinhos da casa. Aliás, grande pedida MESMO é ficar por ali – o casarão colonial que já ocupava a propriedade quando foi adquirida pela Matetic virou hotel boutique há 3 anos, o La Casona , e seus exclusivos 7 quartos andam fazendo o maior sucesso. Além de se hospedar literalmente dentro da vinícola com todo o conforto de um belo café da manhã e um jantar gourmet incluídos na diária, ainda dá pra fazer passeios de bike por entre as vinhas, caminhar com cheirinho de uva no por-do-sol, esticar até Isla Negra para ver a casa do Neruda… e voltar pro hotel com a certeza de tomar um belo vinho na hora do jantar ;)

Bela ideia. Que venham as viagens-tipo-sideways a partir de Santiago :mrgreen: