Saia pelo Mundo
A emoção de pisar em Santa Helena
Ouvi pela primeira vez algo sobre Santa Helena ainda na infância: a ilha onde Napoleão foi exilado. Depois, continuei ouvindo sobre ela na adolescência, nas aulas de História, e me apaixonei perdidamente pela ideia de visita-la depois de ler o Cem dias entre céu e mar, do meu ídAlo Amyr Klink. Mas sempre soube que chegar ali era tarefa dura, tão isolada que esse ilhota fica no Atlântico.
Passaram-se anos e anos e, em pleno 2012, antes do fim do mundo
, eu senti, enfim, a emoção de pisar em Santa Helena. A escala, esperadíssima, era parte do meu cruzeiro de travessia desde o Rio até a Cidade do Cabo, na África do Sul, e eu entendi rapidinho porque essa ilha encantou tanta gente, de Drake a Darwin: sua geografia é de babar.
Território britânico, tem sua própria libra e governo próprio (embora subordinado à rainha, é claro) e menos de 4 mil moradores. São apenas 900 – sim, novecentos!!! – turistas que visitam a ilha anualmente – eu tive a emoçãozaça de ser um deles <3 <3 <3 Santa Helena não tem aeroporto, embora a construção de um tenha acabado de ser autorizada para ser concluída em até 5 anos (o que, cá entre nós, deve mudar bastante a cara do lugar).
Desembarquei em Jamestown, que é a capital da ilha, sem qualquer problema – é comum que navios que passam por ali não consigam desembarcar seus passageiros devido às condições geralmente violentas do mar na região. Jamestown é pequeninha e bem british, dos pubs à agência dos correios – mas parece parada no tempo, com as casinhas coloniais coloridas (e várias deles precisando de uma restauraçãozinha). Bem no centro fica a Jacob´s Ladder, uma escadaria de 699 degraus esculpidos num rochedo – lá do alto, a vista da costa é simplesmente fascinante.
O entorno é rochoso e repleto de fortes e fortalezas nos pontos mais altos, herança dos tempos dos colonizadores e das grandes navegações. No interior, um sem fim de montanhas cobertas por densa vegetação, recortadas aqui e ali por uma vilazinha ou uma cachoeira. Das atrações, a maioria gira em torno de Napoleão, que ali viveu seus últimos anos e morreu: da antiga prisão à casa em Longwood convertida em museu, ali ele continua imperador
Sua tumba também é ponto de visitação, embora os restos, nós sabemos, foram levados à França há muito tempo. Em Plantation Gardens, os jardins que rodeiam a casa do governo, vive o grande símbolo contemporâneo da ilha: a imensa tartaruga Jonathan, de alegados mais de 200 anos de existência.
Inesquecível.


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