Saia pelo Mundo

Sugestão para uma tarde em Nova York

por Saia pelo mundo em

Mesmo que você esteja pela décima vez em Nova York, algumas lojas são programas quase obrigatórios. Um deles é ir à loja da Apple comprar alguma i-coisa e outro é ficar quase louco na B&H Photo. Mas essa profusão de pixels, touchs e gigas uma hora cansa.

Então, para dar um tempo dessas novidades tecnológicas, aí vai a sugestão de uma tarde no West Village e Soho, perdendo-se num mundo bem palpável de caderninhos, pincéis, lápis, papéis, carimbos e cartões. Esqueça-se do Steve Jobs e abrace o Gutemberg, nem que seja por algumas horas.

Comece seu passeio “de volta às origens” pela The Ink Pad, a fantástica loja de carimbos em West Village (22 Eighth Avenue, entre Jane and West 12th Streets). A Martha Stewart ficaria louca nessa lojinha que deve ter mais de dez mil tipos de carimbos: flores, frases, nomes, quadros famosos, pássaros, borboletas, bichinhos simpáticos.

Ao sair de lá, se quiser sentar um pouco e testar os carimbos num guardanapo, vire a esquina e entre no Grounded Coffee, que serve delícias orgânicas com uma trilha sonora meio jazz-meio reggae. E tem um luxo em se tratando de NY: luz natural que chega por uma clarabóia.

Agora rume até a Kate´s Paperie. Escolha entre a loja pertinho daí (125 Greenwich Avenue) e a outra mais próxima dos seus destinos seguintes, no Soho (72 Spring Street, entre Crosby and Lafayette Streets), que também está a menos de 15 minutos de caminhada.

Chegou? Como o Tio Patinhas fazia com suas moedas, mergulhe entre os muitos cadernos, álbuns, papéis. Perca-se para encontrar as coisas mais lindas de papelaria. Mas não vá embora sem perguntar pela linha de produtos Cavallini e pelos Moleskines (não é em todo lugar que se encontra o modelo soft cover).

Se você foi na Kate´s do Soho e ainda não parou para o café, há duas opções a um quarteirão de distância: vire à esquerda e vá para a Dean & DeLuca ou vire á direita para o Café Gitane, se quiser sentar um pouco e ver a vida passar.

Pronta para a próxima etapa? Caminhe até a Broadway, vire no sentido Chinatown e chegue na Pearl River Mart. Espero que você não tenha comprado papéis artesanais para encadernação nem papéis para origami na Kate´s. Pois aqui eles são mais lindos e mais baratos: US$3,75 a folha de papel artesanal do Nepal e US$5 o kit com 100 folhas para origami.

Bom, agora é hora de fazer uma decisão importante.

Se você gosta muito de papelaria, mas não ama desenhar, pintar ou escrever, relaxe aí nessa autêntica loja de produtos asiáticos, passando pela ala de louças, lanternas e chás chineses.

Mas se você sente um calorzinho na barriga ao passar a mão em papéis de diferentes texturas e gramaturas, ao ver uma parede de pincéis para caligrafia com bloquinhos para teste ou ao andar por um corredor só de lápis aquarelados, guarde energias para a Pearl Paint, na mesma Broadway, já no comecinho de Chinatown. Nessa loja, quem tem fachada e interior pouco atraentes, encontra-se tudo quanto é material de artes em seus cinco andares.

Ufa! Depois de dedicar algumas horas a prazeres pequenos e palpáveis, que tal encerrar seu dia em grande estilo, aproveitando outra coisa bem prazerosa e também palpável? Minha sugestão é comer no Balthazar, subindo a Broadway até a Spring Street. Esse ótimo restaurante serve almoços e jantares a qualquer hora: perfeito para quem, de férias, está completamente desregrado com horários. E com um bônus: as mesas são forradas com toalhas de papel para você testar todos seus lápis, canetas, tintas e pincéis novos.

Geórgia Barcellos, com a preciosa colaboração da Mariana Hardy – que deu as dicas de vários lugares indicados nesse post e muitos outros bacanas em NY.

Saudade

por Saia pelo mundo em

Três meses fora de casa.  E ainda falta um bom tempo para voltar. Amo viajar, mas nunca fiquei tanto tempo seguido fora de casa viajando. Nunca fui do tipo Dorothy que acha que there´s no place like home, nem sou do tipo que sente saudade de casa quando viaja, mas agora sinto. Saudade de todos os meus queridos. Muita. Dos almoços de domingo na casa da minha mãe. Saudades da minha casa, dos meus cantos, das minhas coisas. Saudades de toooodo o meu guarda-roupa, das minhas bijoux, bolsas e sapatos (tem horas que a gente simplesmente não aguenta mais usar as mesmas roupas). De usar salto alto (muita! Ele combina muito pouco com o meu visual viajante-que-caminha-muito). Saudades dos chas da tarde com minhas amigas e das reunioes animadissimas com minha turma. Do meu carro (adoro a idéia de ir à pé para toda parte, juro, mas ele faz falta; faz falta inclusive dirigir cantando). Dos meus livros. Saudades do verdadeiro café brasileiro (especialmente o lá de casa). De acordar muito tarde aos domingos e ter a sensação, algumas vezes, de não ter nada absolutamente para fazer (não fazer nada um dia inteiro quando estamos viajando dá muita sensação de culpa). De ir ao cinema e assistir versões originais (esse negócio de todos os filmes serem dublados em espanhol não tá com nada, não vai). Saudades da minha cama e do meu travesseiro. Super saudades do meu querido sofá (e pensar que eu já xinguei tanto o coitado!). Saudades-mulherzinha da minha depiladora (esses aparelhinhos elétricos não me servem pra nada e aqui ninguém usa roll-on!), da cabelereira (cortar o cabelo aqui representa 90% de chances de ter um toque mullet no seu visual), da manicure (o povo aqui definitivamente não entende o que é tirar a cutícula), e até do meu creme de cabelo que já acabou. Saudade, saudade, saudade.

Mari Campos sabe, ao mesmo tempo, que terá tantas saudades de tudo que está vivendo agora quando voltar pra casa…

Sinais do Brasil em plena Salamanca

por Saia pelo mundo em

Que delícia, enquanto caminhava em direção ao belíssimo Convento de S. Esteban, aqui em plena Salamanca, encontrar essas adoráveis imagens – não há como não associar à nossa bandeira, não?  Deu até saudades de casa…

Mari Campos

Para não perder em Madri

por Saia pelo mundo em

Eu sou muito fã de museus, assumo. Visito várias vezes alguns dos maiores, se volto várias vezes para uma mesma cidade. Em Madri, visitei o Prado e o Reina Sofia em todas as vezes em que estive na cidade; e, dessa vez, visitei de novo. Mas visitei também um museu que nunca tinha visitado nas vezes anteriores, infelizmente: o museu da Fundación “la Caixa”.

Eis ai um museu que agrada ate quem nao e do tipo rato de museu. Num prédio modernoso, o museu abriga o ano todo algumas mostras diferenciadas, com entrada gratuita.  Agora na minha visita, estava em cartaz “Los mundos del Islam”, uma exposição interessantíssima da coleção do museu Aga Khan que será inaugurado em Toronto, no Canadá. São 180 obras de arte islâmica com peças de todas as dinastias históricas do mundo muçulmano, incluindo uma coleção assombrosa de manuscritos do Alcorão reunidos pelo príncipe Sadrudin. Na minha opinião, absolutamente imperdível se você estiver em Madri até o dia 6 de setembro desse ano.

Anote aí: Paseo del Prado, 36, 00 34 91 3307300, todos os dias das 9 às 20h.

Mari Campos

Ibiza e a lenda da melhor noite do planeta

por Saia pelo mundo em

Fugi para Ibiza na última semana. Fazia tempo que eu queria conhecer a mais famosa das ilhas baleares e toda sua lenda sobre a night mais animada do planeta. Ok, eu não sou lá muito de balada – prefiro muito mais bons pubs e bares de tapas (além das tradicionais reuniões de amigos em casa, é claro). Mas Ibiza tem todo esse apelo e tal; eu queria checar.

Fiquei num desses hoteis turisticoes do tipo all-inclusive, pezão na areia – embora o tempo não estivesse lá essas maravilhas, eu queria mesmo era passar o dia na praia, descansando (o que eu nao faco com muita frequencia, a julgar pelo meu bronzeado omo-dupla-acao). O que eu curti mesmo na cidade foram as praias, claro (a moda agora é tooodo mundo rumar para a paradisíaca ilhota em frente, Formentera), e o centro antigo, lindo de morrer. Caminhando por entre as muralhas que contornam o centrinho, chamado de Dalt Vila, tive às vezes a sensação de estar caminhando por uma das ilhotas gregas: ladeiras ingremes em curva e montes de cafes, lojinhas e restaurantes em casinhas brancas por todo canto. Sem contar as vistas maravilhosas que a gente tem lá de cima de boa parte da costa.

A água das praias, como acontece com o bom e velho Mediterrâneo, é linda, deliciosa e transparente. Mesmo na ultra turística Playa d´em Bossa – que me surpreendeu muito positivamente, diga-se de passagem – a água é tão, mas tão transparente, que a gente nada o tempo todo entre inúmeros peixinhos acinzentados ou cardumes dos coloridinhos (não é à toa que um monte de gente compra as baratíssimas máscaras de snorkel nas lojinhas da rua principal).

Bom, e a tal da noite de Ibiza? Tá, é legal, claro; e os DJs que tocam por lá são os melhores do mundo. Mas acho que, no saldo final, provavelmente Pachá, Priviledge, Space e outras não tenham nada de diferente das grandes baladas de outras cidades baladeiras mundo afora. Sem falar que eu também acho muito caro pagar 40 euros só pra entrar numa balada que não é seletiva em nenhum aspecto – e que só tem turistas tresloucados e mulheres em trajes sumários atrás das lendas das loucuras da ilha (eu ficava boa parte do tempo pensando no Renato Russo cantando “festa estranha, com gente esquisita”).

Se eu voltaria à Ibiza? Mas é óbvio que sim. A ilha é linda. Só não faria como muitos ingleses doidões que pegam voos da Ryanair às segundas-feiras para curtir as doideiras da Priviledge.

Mari Campos, já recuperada de Ibiza e de volta aos estudos em Salamanca