Saia pelo Mundo
Paris: programaços culturais que rolam até o verão
Se você, assim como eu, já bateu cartão em todos os principais museus de Paris várias vezes mas adora uma boa exposição, anota aí na agendinha que tem vários programas legais para cumprir na cidade até o verão europeu.
A mais imperdível de todas talvez seja a que acontece no lindo Grand Palais: o apelo ultra sensual das fotografias de Helmut Newton. Pra quem não sabe, ele literalmente revolucionou os ensaios de moda nos anos 60, quando trabalhou para as principais revistas femininas do mundo fotografando moda de uma maneira que parecia tudo mesmo fotografia de moda. Polêmico por natureza, suas fotos, em geral retratando mulheres nuas, correram o mundo, cheias de impacto – a série Grands Nus, dos anos 80, é talvez o maior exemplo disso. Baita programa. Mas convém reservar, que a fila para quem vai comprar o bilhete na hora anda bem devagar e chega a dobrar o quarteirão, dependendo do horário. De 4a. A 2a. , das 10 às 22h, 11 euros, até 17 de junho.
Fãs de moda e design também vão adorar a super mostra “Louis Vuitton Marc Jacobs” no igualmente ótimo (e tão menosprezado pelos brasileiros) Musée des Arts Decoratifs . A mostra ocupa dois andares do pequeno prédio, fazendo uma espécie de paralelo entre o fundador da grife e seu atual diretor criativo. O primeiro andar conta a história de Vuitton desde os primórdios, quando ele resolveu atender nobres que viajavam mais em trens e ousou colocar a plaqueta “we speak english” na porta de sua primeira loja. O segundo andar é dedicado a Jacobs que, nos últimos 15 anos, fez a grife virar mais pop do que nunca e investiu pesado também nas roupas e sapatos, mesmo sabendo que as bolsas sempre seriam o carro-chefe da Vuitton. Genial. De 3ª. a Dom das 11 às 18, com horário extendido até 21 às 5as. , 9,50 euros, até 16 de setembro.
E, last but not least, fãs de música vão curtir muito a mostra “Bob Dylan: a explosão do rock 61-66”. Em seis salas, é possível escutar canções de Dylan desse seu período mais icônico (período em que lançou nada menos que sete álbuns e apostou fundo na mescla rock+protesto político), assim como acompanhar sua história através de um interessante acervo de fotografias (by Daniel Kramer) e alguns objetos, como violões do cantor. De 3a. A Sab das 12 às 18h, com horário extendido até 22h às 6as e Sábados, e das 10 às 18h aos domingos, 8 euros, até 15 de julho, na Cité de la Musique.
Girlie London: pra gente se tratar como rainha em Londres
Várias leitoras do blog (sorry dessa vez, boys) mandaram montes de mensagenzinhas fofas dizendo que adoraram o post sobre a girlie Paris. Então aqui vai um no mesmo estilo, mas para quem quer curtir pequenas ou grandes extravagâncias, altos mimos, #brioches e afins na capital inglesa.
Imperdível mesmo, mesmo, mesmo é o divertidíssimo afternoon tea do The Berkeley, batizado de Pret-à-Portea e descrito, é claro, como “um chá fashionista”. Nada de formalidades, pompa e soar de trombetas, como em alguns outros chás da cidade. Ali, além das delícias salgadas e de chás exclusivos,as delícias doces são servidas em forma de miniaturas de peças das últimas coleções de primavera/verão de algumas das mais badaladas grifes do mundo, como D&G, Valentino, Louboutin e outros. São tão lindas que dá até dó de comer; mas a mulherada come tudo, e ainda pede bis, porque são deliciosas também. Serviço fenomenal, ambiente elegante (mas divertidíssimo, com todas as mulheres tirando zilhões de fotos dos mini quitutes, inclusive várias solo travelers) e tudo servido em louças Paul Smith. Servido todos os dias no The Caramel Room das 13h30 às 18h.
Para a nightlife, o que não falta em Londres é programa, é óbvio. Mas para começar a noite – ou terminar o dia de andanças, passeios e comprinhas – eu sempre recomendo bares de hotel, sobretudo para quem viaja sozinho; pessoalmente, eu gosto muito, acho que sempre rola um mix bem equilibrado de moradores e estrangeiros nesses lugares. Londres tem vários bacanudos, a maioria instalada nos hotéis de Mayfair. Meu preferido agora é o hypadíssimo The Connaught Bar, localizado nos fundos do térreo do hotel de mesmo nome, que lota de moradores e gente descoladinha todo fim de tarde/comecinho de noite (dizem que o melhor dia é 5a., e eu adorei). Ambiente lindo, super shimmering, com um balcão verde pistache tomando conta do ambiente, e os melhores martinis ever, todos preparados na sua frente, com as mais diferentes essências à sua escolha, num carrinho que reúne pompa e circunstância dignos de rainha.
Spa pra se sentir celebrity? Sem dúvida, o divino spa na cobertura do hotel Four Seasons, com todas as salas de tratamento com vista para o Hyde Park. Tente os faciais à base dos super produtos da húngara Omorovicza, difíceis de achar por aí, com direito a Gold Shimmer Oil pra dar aquele up na pele.
E as compritas? Claro, você pode se acabar nas boutiques de Knightsbridge e Mayfair e nas Fast Fashion da Oxford Street. Mas, nesse quesito, ainda acho que as melhores comprinhas londrinas estão no low e não no high shopping: as frescuretes, makes e cosméticos da sempre amada farmacinha Boots, espalhada por toda a cidade <3
Londres 2012: só dá ela
Nem só de Olimpíadas (faltam 100 dias!!!) e Jubileu da Rainha vai viver Londres esse ano, não. É claro que os holofotes estão mesmo voltados para esses dois big eventos que tomarão conta da cidade nos próximos meses, mas Londres andou investindo tanto em novidades que programa certamente não faltará mesmo a quem já conhece a cidade de cabo a rabo.
O parque Olímpico já está tinindo, prontinho para receber os jogos desse ano. Mas mesmo quem ficar de fora das grandes disputas dentro de quadras e estádios, vai poder acompanhar for free todas as provas externas (de maratonas a vela) e também todos os jogos e disputas através de grandes telões espalhados pela cidade. Para o Jubileu da Rainha Elizabeth II também vai rolar esquema parecido e em ambos os casos dá pra conferir antecipadamente a programação aberta ao público no site do Visit Britain.
Novos hotéis abrem todos os meses na cidade desde antes do casamento real no ano passado. E os hotéis que já existem a mais tempo, para não ficar por trás, reformam, remodelam, recriam, redecoram suas instalações praticamente na mesma velocidade. Spas, bares e restaurantes também andam todos se reinventando, com seus menus sendo reformulados pra que ninguém possa reclamar de rotina ou mesmice. O transporte público continua sendo um dos mais funcionais do planeta (eu não sobrevivo 1 dia na cidade sem meu amado Oyster Card, que me leva dia e noite pra todo canto por menos de 7 libras diárias) e os black cabs, os tradicionais táxis londrinos, estão cada vez menos black e mais coloridos e bem humorados com as novas adesivações. Sem falar que os sempre excelentes museus londrinos – do meu predileto British Museum à doidinha Tate Modern – andam recebendo mostras temporárias igualmente ótimas.
E os preços? Well, os preços andam melhores do que nunca. Mesmo com a libra valendo 3 vezes o real, vale lembrar que os preços finais por lá costumam ser absolutamente tentadores, das comprinhas inevitáveis na Oxford Street e Mayfair e adjacências às diárias dos hotéis (dá pra cacifar belíssimos hotéis boutique, como o Bloomsburry, do grupo Doyle Collection, a partir de 149 libras por noite). Restaurantes também: menus completos de almoço em locais hypadinhos e disputados como Bar Boulud e Amaranto, localizados, respectivamente, dentro dos hotelaços Mandarin Oriental e Four Seasons, valem desde 23 libras. Vai tentar repetir isso em São Paulo…
Paris-Londres no Eurostar: eu continuo recomendando
Em 2009, eu contei aqui mesmo como tinha sido minha primeira experiência dando uma escapadinha de Paris a Londres com o Eurostar. Eu estava “morando” em Paris por um par de meses e fugi pra capital inglesa por um final de semana, feliz da vida.
Eu sempre gostei de trens e sempre preferi, de longe, viajar em trens a aviões; acho muito mais confortável e muito menos estressante – afinal, a gente não precisa chegar com baita antecedência antes de embarcar e as estações geralmente estão localizadas em lugares centrais nas cidades, poupando muito nosso tempo perdido em deslocamentos – ao contrário dos aeroportos.
Fazer Paris-Londres (e vice-versa, obviamente) em trem é, pra mim, um baita exemplo disso. A viagem dura, no total, 2h15. Se você já imprimiu seu ticket em casa, pode chegar na estação e ir direto pro trem, sem frescura (quem deixa pra retirar os bilhetes na estação tem que lembrar de chegar um pouquinho antes, que pode ter fila) – o próprio código de barras do seu documento abre a catraca para o embarque e os procedimentos nos dois guichês de imigração (francês e britânico) são rapidíssimos e bem organizados (tem raioX, mas é bem tranquilo). O embarque também é louvável, com um funcionário da companhia na portinha de cada um dos vagões de passageiros – caso alguém se confunda.
Os vagões também são legais: poltronas espaçosas, com power supply individual (pra mim isso é bem importante
). Tem poltronas para dois, para quatro e até poltronas single, pra quem viaja sozinho e realmente quer dormir no trajeto
E o preço eu acho que super compensa: por mais que vc seja um grande defensor das companhias low cost, comprando seu bilhete com um mês de antecedência (exceto para o auge do verão europeu, é claro), é fácil, fácil encontrar a tarifa mais em conta da classe standard, por 44 euros (vale lembrar que as viagens segunda de manhã e sexta à tarde e à noite são tradicionalmente as mais “caras” e cheias; nos períodos de pico e para passagens em cima da hora, é fácil chegar nos 117 euros por trecho). Se você for somar passagem ofertaça low cost + despesas com bagagem + custo por pagar com cartão de crédito + transporte ao aeroporto, certamente ficará bem mais carinho que isso, certo?
Outra coisa legal de ter em mente é que o trem tem 3 classes (standard, standard premier e business premier) e que vale, sim, xeretear os preços das outras classes mesmo que você ande com o budget mais apertado – a seção de Ofertas é sempre uma boa. Assim como eu já paguei só 3 euros mais caro por um bilhete de primeira classe em comparação à segunda num trajeto Paris-Zurique em trem em 2009, os bilhetes na Standard Premier também eram apenas poucos euros mais caros que os da Standard na semana da Páscoa (os preços da Standard estavam bem inflacionados porque é época de férias escolares para os europeus). E eu gostei bastante dessa classe intermediária: o assento é bem parecido, mas reclina um pouquinho mais, você tem um menu de revistas e jornais à disposição gratuitamente e serviço de bordo incluído bem bacaninha (café da manhã nos trajetos até 11h e refeição – com bebidas alcoólicas, inclusive – nos trajetos após esse horário).
Em resumo, continuo recomendando muito se locomover entre as duas cidades em trem. Só não recomendo fazer o bate-e-volta de apenas 1 dia que eu ainda vejo muito brasileiro fazendo – com duas cidades tão fenomenais no cardápio, quanto mais der para aproveitar de cada uma, melhor, né?
Girlie Paris: pra gente se mimar na cidade-tudo-de-bom
Eu acho que pra ser feliz em Paris a gente não precisa muito: basta dar uma voltinha pelo Marais ou sentar dois minutinhos na Place des Vosges ou à beira do Siena que eu já estou feliz da vida (algumas amigas minhas substituem qualquer uma das opções anteriores por uma bela crepe de nutella fácil, fácil
). Mas como mimo é muito bom e todo mundo adora – principalmente se estamos viajando sozinhas na cidade-l´amour e nos permitimos umas extravaganciazinhas a mais – Paris vive se reinventando no quesito mulherzices.
Para começar, a cidade ganhou no ano passado o hotel mais feminino ever. Sério. Eu nunca, nunquinha nessa vida, tinha visto um hotel tão pensado e planejado para as mulheres como o novo Mandarin Oriental Paris. Também, pudera: a designer é uma mulher (a badalada Sybille de Margerie) e imprimiu sua marca em cada cantinho do hotel: muitíssimas funcionárias do sexo feminino em todos os postos, borboletas estampadas em toda parte, muito magenta na decoração (sexy e posh, posh, posh), lírios e orquídeas espalhados pela propriedade e até chapinha em todos os quartos são apenas alguns dos detalhes. Até as canetas e bloquinhos de cabeceira e as próprias chaves dos hóspedes são puro #brioches, uma fofura. Mesmo quem não se hospeda lá pode e deve dar uma passadinha para curtir a nova lojinha de chocolates maravilhosa de Thierry Marx (instalada dentro do restaurante principal do hotel) e o bar, lindo, que também fica cheinho de parisienses lá pelas seis da tarde.
Para as consumistas de plantão, a nova Burberry na Faubourg Saint-Honoré é uma loucura: 930 metros quadrados divididos em quatro andares e tomados por acessórios, roupas e perfumes da marca – pra visitar nem que seja só para olhar as novidades. Nos fundos, um delicioso jardim onde as clientes são mimadas com champagne, cafezinho e docinhos. A ótima designer India Mahdavi também abriu uma nova boutique com muito mármore, chaises de veludo acetinado e um verdadeiro caleidoscopio de cores para receber as clientes com seu toque retrô indefectível nas peças pra casa.
Mimo da tarde? Esqueça a muvucada Ladurée. A sempre ótima Pastisserie des Rêves está de “coleção” nova com foco na baba-au-rhum, divina; sem contar os bolos, chocolates, croissants e docinhos divinos de sempre (eu gosto mais da unidade da Longchamp, que tem nos fundos um fofo salão de chá, perfeito para a pausa).
Por outro lado, também amamos spas e macarrons. E o spa do ubber luxuoso hotel George V não só caprichou na decoração (bem clássica, mas ultra delicada e feminina) como inspirou toda a área e seus tratamentos em Maria Antonieta e seu savoir-vivre. A massagem termina com um chazinho acompanhado de – advinhe? – deliciosos e coloridíssimos macarrons. Di-vi-no.








