Viajar Bem e Barato

Lacoste: a esquina onde Provence, Pierre Cardin e arte se encontram

por Rachel Verano em

 


Placa na chegada da cidade: algures entre Bonnieux e Ménerbes

O que podem ter em comum o octogenário estilista parisiense Pierre Cardin, uma vila provençal parada no tempo e artistas do mundo inteiro? Muita coisa. Na minúscula Lacoste, uma cidadezica de menos de 500 habitantes no Luberon, todos esses ingredientes se encontram numa combinação curiosa. 

 

Vista geral da cidade, com o castelo lá no alto

Vamos por partes. Faz tempo que a vila, super cênica, atrai artistas dos quatro cantos. Dizem que o primeiro a chegar por lá foi o americano Bernard Pfriem, que fundou ali a Lacoste School of the Arts, um embrião do que hoje faz parte do complexo da Savannah College of Art and Design, baseada nos Estados Unidos. Basta andar pelas ruelas para ver ateliês e galerias.

Ruinha da cidade: menos de 500 habitantes

Monsieur Cardin chegou um pouquinho mais tarde. Mas em grande estilo, como lhe é peculiar. No ano 2000, ele comprou nada menos que o castelo da cidade, antiga propriedade do Marquês de Sade, erguida no topo da colina. Depois de uma grande reforma nas ruínas, o chateau tem servido de casa de férias para o estilista e palco para um festival de verão que acontece todos os anos nos meses de julho e agosto – veja a programação aqui

A van do estilista no estacionamento da cidade

Lacoste é um sobe e desce delicioso de ruinhas de pedra, onde todas as casas têm o mesmo tom. Às terças-feiras pela manhã acontece a feira, e é quando a cidade ganha mais vida. Nos dias de inverno, pode não haver uma viv’alma por lá. Mas, na primavera e no verão fica tudo ainda mais lindo, com os campos de cerejeiras e vinhedos dos arredores. 

Dia de feira: terça de manhã

Por causa de um passado comunista que ainda circula nas veias de parte dos moradores, Pierre Cardin e a sua van de perfumes que está sempre por ali não são  visto apenas com bons olhos não. Há quem o acuse de estar transformando o cotidiano da vila ao comprar dezenas de casas e inflacionar o mercado local. Dizem que ele tem mais de 40 propriedades na região, com intenções prá lá de ousadas. Além de já ser o dono de um café, uma boulangerie e galerias, ele estaria abrindo, ainda este ano, hotéis e um campo de golfe. A nós, pobres turistas, resta acompanhar de perto o burburinho…