Viajar Bem e Barato

Lady boys: os reis Tailândia

por Rachel Verano em

ladyrosa

 

Notícia fresquíssima: a (o) brasileira (o) Daniela Marques, que mora na Alemanha, acaba de conquistar o terceiro lugar num concurso de beleza de transexuais realizado na Tailândia, a terra oficial dos lady boys no planeta. :-)

 

Lá, eles são considerados um terceiro sexo mesmo pelos mais conservadores. E ajudam a deixar o país ainda mais divertido e alegre. Pena não terem levado o primeiro lugar – era merecidíssimo pela contribuição no quesito astral + atitude + enfeite de ambiente nas melhores baladas do país. Mas uma japonesa não deixou pra ninguém e arrematou o primeiro lugar. A brasileira foi embora com mil dólares no bolso e feliz da vida.

 

Mas confesso que eu não tinha a menor ideia da existência dos lady boys quando aterrissei na Tailândia, alguns meses atrás. E divido aqui as minhas primeiras impressões…

 

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A garçonete blazé estava encostada no balcão de micro-saia jeans, maquiagem, franjinha e cabelão na bunda, sem nada – na-da – fora do lugar. Então finalmente ela viu que eu fazia sinal para ela havia tempos e se aproximou. “Yes”, bradou uma voz grossa do meu lado. Disfarcei o susto e fiz o pedido rapidinho, como uma criança em pânico diante de um ventríloquo. Não, aquilo não podia ser verdade. Aquele ser de pernas torneadas humilhantes e zero de barriga não era exatamente uma mulher. Eu estava diante, pela primeira vez na vida, de um lady boy. Eram os meus primeiros dez minutos em Bangkok.

 

Daquele momento em diante eles se tornariam parte da paisagem, assim como os tuk tuks, os templos dourados ou as mulheres da tribo Akha que vendem sapos de madeira na Khao San Road. Os lady boys – uma versão, digamos, mais delicada (mas não necessariamente menos afetada) e feminina dos travestis comuns – são verdadeiras instituições tailandesas. E eles não estão apenas em cabarés e baladas. Estão nos correios, nos balcões das cias aéreas, nas agências de viagens caretas e nos caixas dos bancos, de unhas coloridas, decotes e trejeitos. Só não podem servir o exército ou virar monges, por motivos óbvios.

 

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Se as cidades tivessem sexo, para mim Paris seria uma mulher. Assim como Sevilha, Roma ou Rio de Janeiro. São Paulo, Madri e Londres seriam homens. Fiquei na dúvida no caso de Bangkok. E, na dúvida, acho que acertei. Bangkok não é uma coisa nem outra; é meio homem, meio mulher. 

 

(Fotos de Marco Pomárico)