Salvador

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PREVISÃO DO TEMPO

Fonte: Climatempo
  • www.bahia.com.br/cidades/salvador
  • 2.710.968 hab
  • 71
  • Bahia

  • Maceió, 604 km, Recife, 828 km, João Pessoa, 948 km, Natal, 1114 km, Vitória, 1209 km, Belo Horizonte, 1385 km, Brasília, 1508 km, Rio de Janeiro, 1670 km, Goiânia, 1707 km, São Paulo, 1979 km

Se o Centro Histórico, cheio de igrejas, ateliês e museus, é a alma de Salvador, a região da Avenida Tancredo Neves, com prédios de escritórios, shoppings e hotéis novos tornou-se o coração. Some então essas duas faces à influência africana e ao jeito alegre do soteropolitano e logo se obtém uma cidade cheia de energia, extravasada por seu povo – não é à toa que seu slogan é "Sorria, você está na Bahia".

Mas como nada é perfeito, esse pacote vem acompanhado de problemas decorrentes de uma das frotas de carro que mais crescem no país, de uma orla ainda degradada e de problemas com segurança. Uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014, a capital baiana promete enriquecer o evento com sua especialidade: uma grande festa.

Qualquer que seja o tema, quando o assunto é Salvador, se desfia um sem-fim de atrações. Festa, religião, história, belezas naturais, culinária, arte e música. O trio elétrico, uma invenção local, arrasta multidões nos dois circuitos oficiais do carnaval. Terreiros de candomblé e mais de 370 igrejas falam do sincretismo religioso dessa que foi também a primeira capital do Brasil. O colorido do Pelourinho, o centro histórico, é a principal atração turística da cidade. Recuperado da degradação em que se encontrava nos anos 1990, hoje já pede novas ações para seguir firme na preferência dos visitantes, que circulam admirados por seus sobrados que acolhem ateliês, museus, bares e restaurantes – além da Igreja e Convento de São Francisco, como outras construídas no século 18, esta toda forrada de ouro e atração cinco-estrelas pelo GUIA QUATRO RODAS.

Distante dali fica a Igreja do Senhor do Bonfim, mas uma visita, uma oração e a fitinha colorida amarrada no braço são providenciais. Para circular entre o Pelourinho e a Cidade Baixa, vale um passeio pelo Elevador Lacerda. Quando se está no alto, tem-se uma panorâmica da Baía de Todos os Santos e do Mercado Modelo, com diferentes boxes, que vendem de artigos religiosos a manteiga de garrafa e azeite de dendê, onipresentes nas receitas regionais como vatapá, acarajé e moqueca (é obrigatória a do estrelado Paraíso Tropical). Já na orla, vai ser mais difícil fazer uma boquinha: em meados de 2010, iniciou-se a retirada de todas as 350 barracas à beira-mar, para acabar com irregularidades e danos ambientais, desde as mais centrais, como Porto da Barra e Buracão (ainda um segredo para muitos turistas) às distantes Praia do Flamengo e Stella Maris, badaladas. Se sentir vontade de cantarolar o tempo todo que estiver em Salvador, não estranhe. Difícil não se lembrar de alguma canção a cada lugar que se passa por ali. Itapuã, Jardim de Alá, Amaralina, Ondina, Rio Vermelho...

COMO CHEGAR

De carro, partindo do sul, pegue a BR-101 ou a BR- 116 até Feira de Santana e, depois, a duplicada BR-324. Do norte, siga pela BR-101 até Estância (SE), continue pela SE-368 e pela BA-099 (Linha Verde). Quem chega de avião percorre os 28 km entre o Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães e o Centro de táxi, que sai R$ 110 com as empresas credenciadas (ou cerca de R$ 80 negociando o preço com os taxistas do lado de fora do aeroporto). De ônibus convencional, o trajeto custa R$ 2,80. A rodoviária da cidade, no bairro de Pernambués, fica a 7 km do Centro.

COMO CIRCULAR

Há boa oferta de linhas de ônibus entre os principais pontos turísticos e os táxis não são caros. A sinalização das vias é razoável e o trânsito nas principais avenidas é pesado, sobretudo nos horários de pico. Dica: não tente cortar caminho, pois é fácil se perder por aqui. Procure dirigir sempre pelas vias principais ou pela orla – mesmo que isso renda alguns quilômetros a mais. Para o Pelourinho, o melhor é seguir de táxi, pois há áreas fechadas ao tráfego de carros e poucos estacionamentos. Uma vez ali, dá para fazer tudo a pé. Informe-se sobre as condições de tráfego na Avenida Paralela nas horas que antecedem seu voo (a via que leva ao aeroporto é uma das mais congestionadas da cidade).

PROGRAME-SE

Na capital baiana faz calor o ano inteiro e a temporada de chuvas causa alguns transtornos. Para o Carnaval, reserve o hotel com seis meses de antecedência. Para a Copa do Mundo tenha, no mínimo, a mesma prudência.

HOTÉIS

Salvador tem sido palco de muitas inaugurações hoteleiras. Só em 2012, abriram as portas o Sotero by Nobile, o Mercure Salvador Boulevard, o InterCity Premium e, para o público jovem, o F Design Hostel. Em 2013, o histórico Hotel da Bahia foi reinaugurado e agora pertence ao Grupo GJP, sendo administrado pela Starwood, sob a marca Sheraton. O Catussaba Suítes, um Novotel e mais um Ibis, próximos ao aeroporto, são recentes. Tudo isso afeta positivamente o bolso do turista (há tendência de mais leitos do que hóspedes).

Segundo o Panorama da Hotelaria Brasileira 2012/2013, publicação anual da consultoria Hotel Invest, houve queda de 8,9% na taxa de ocupação em 2012. Comparando as tarifas deste GUIA BRASIL com as publicadas na edição anterior, nota-se reajuste leve ou redução.

ONDE COMER

Salvador é o lugar certo para quem deseja conhecer o universo gastronômico baiano. Aqui, pratos à base de pescados, como moqueca, ensopado e bobó, e receitas típicas do sertão, envolvendo carne de sol, feijão-verde e aipim, convivem lado a lado com fórmulas de influência africana, como o acarajé. Depois do Recife, a capital da Bahia é a segunda cidade do Nordeste em número de restaurantes premiados com uma estrela pelo GUIA BRASIL 2014. Entre os cinco estrelados, vale destacar o Paraíso Tropical, que faz moquecas incomuns; o Mar na Boca, com receitas espanholas; e o Amado, com vista para a Baía de todos os Santos.

COMIDA TÍPICA

Cozinha Baiana -- É preciso estômago forte para encarar o receituário da Bahia, sincrético como seus cultos de fé. Comece pela moqueca, ensopado de peixe herdado dos indígenas, enriquecido com leite de coco e azeite de dendê (óleo do fruto da palmeira de origem africana). Outra receita clássica, o bobó é uma espécie de moqueca de camarão engrossada com creme de mandioca.Onipresente na capital, vendido em barracas de rua por mulheres de saia e turbante, o acarajé é um bolinho de feijão-fradinho, frito em azeite de dendê e recheado com camarão seco, vinagrete e vatapá (creme à base de pão, camarão seco, amendoim, castanha de caju, leite de coco, dendê e condimentos); parente próximo, o abará é uma variação cozida do acarajé. Os tabuleiros das baianas exibem também a cocada, doce de coco nas versões dura e cremosa, branca ou preta – a primeira leva açúcar, cravo e canela; a preta tem ainda gengibre e açúcar queimado. Já os bares da cidade preparam a lambreta, um molusco graúdo e saboroso, que vai à mesa cozido, grelhado ou na forma de um revigorante caldo. Onde comer: Nos restaurantes de cozinha baiana. Acarajé e cocada são encontrados nas barracas da Dinha e da Regina, da Cira e da Sônia. Prove a lambreta no Bar Koisa Nossa e no Don Papito.

SUGESTÃO DE ROTEIROS

2 dias - Em Salvador, as atrações principais definem sua essência. Então, siga para o Pelourinho e para a Igreja e Convento de São Francisco, principal templo barroco da Bahia. A partir do Centro Histórico, desça pelo Elevador Lacerda e conheça o Mercado Modelo e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. Almoce no estrelado Mar na Boca e assista ao pôr do sol no Farol da Barra. De lá, é só seguir até o Largo de Santana ou o Largo da Mariquita, ambos no Rio Vermelho, para comer um acarajé.

4 dias - Com mais tempo, dá para conhecer um pouco da importante cena cultural de Salvador visitando o Museu de Arte Sacra, o rico acervo do Museus Carlos Costa Pinto e o Museu de Arte Moderna. Também vale a pena afastar-se do Centro para conhecer as moquecas criativas do chef Beto Pimentel, do estrelado Paraíso Tropical.

7 dias - Mergulhe mais fundo no universo baiano. Às segundas, as baianas do candomblé dão um banho de pipoca para purificar a alma na Igreja de São Lázaro e São Roque. Terça à noite tem show do cantor e compositor Jerônimo na Escadaria do Passo e, no verão, ensaio aberto do Olodum no Pelourinho. De quarta a sábado, o Balé Folclórico da Bahia se apresenta no Teatro Miguel Santana. Para relaxar, escolha uma mesa no estrelado Amado ou uma praia afastada, como a Stella Maris.

RAIO X

-Clássico: Sem o estádio da Fonte Nova desde 2007, quando o desabamento de uma parte da arquibancada matou sete torcedores e determinou seu fechamento, o clássico Bahia x Vitória tem agora um novo palco. Inaugurada em abril de 2013, com triunfo rubro-negro por 5 a 1, a novíssima Arena Fonte Nova ocupa o mesmo lugar do antigo estádio.

-Curiosidade: Pouca gente sabe, mas além do famoso Elevador Lacerda, existe um outro equipamento que também faz a ligação entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa desde o fim do século 19: trata-se do Plano Inclinado, uma espécie de bonde em uma plataforma. Dos três existentes, apenas o do Pilar está em operação, ligando os bairros do Comércio e Santo Antônio Além do Carmo.

-Sabores: A origem da palavra acarajé está na língua africana iorubá. Akará quer dizer “bola de fogo”, e jé significa “comer”. Ou seja: comer bola de fogo. Dependendo da quantidade de pimenta que você pedir para a baiana colocar, qualquer semelhança com o significado literal não terá sido mera coincidência.

(por Luiz Giannoni)