
Durante o verão, as praias brasileiras recebem milhares de turistas argentinos. Quando chega o inverno, é a nossa vez de invadir – não a praia – mas a neve deles. A pouco mais de quatro horas de avião, partindo de São Paulo – SP, a cada ano Bariloche recebe mais brasileiros na temporada outono-inverno. Só em 2006, foram cerca de 40 mil, número que rendeu a esse fantástico destino turístico o apelido – dado pelos próprios argentinos – de Brasiloche.
Aos pés da Cordilheira dos Andes, rodeada por lagos e com temperatura que não passa de sete graus no inverno, Bariloche tem a maior infra-estrutura para a prática de esportes na neve da América Latina. Simpatizantes de esqui e snowboard dos mais variados níveis (atletas experientes, crianças e iniciantes, como você) cruzam-se pelas diversas pistas dos 70 hectares da estação de Cerro Catedral, a 20 quilômetros do centro. Quem nunca experimentou a brincadeira pode contar com o apoio dos instrutores, prontos para ensinar o bê-á-bá a tempo de você arriscar sozinho as primeiras descidas.
Embora os esportes na neve sejam o melhor da festa em Bariloche, há também intensa programação para o público que prefere passar longe dos esquis. A cinco minutos do centro, o Cerro Otto tem uma malha de 39 teleféricos que cruzam diversas montanhas. Do alto de uma delas, a 1 450 metros do chão, tem-se a melhor visão panorâmica da estação, em uma confeitaria giratória.
Além de esquiar e subir no teleférico, você também pode se embrenhar em trilhas pelos bosques gelados, escorregar em trenós e esquibunda, cruzar lagos a bordo de barcos e subir a mirantes. Para onde quer que se olhe, os cenários são comparáveis aos mais belos cartões-postais suíços e canadenses.
Seja você aventureiro ou não, comece a ver Bariloche pelo lugar onde ela começou, no centro cívico. Reza a lenda que o primeiro armazém da cidade foi construído ali, em 1895, por um imigrante alemão. Daí a influência européia na arquitetura. Em seguida, dirija-se até a Rua Mitre e veja o lado charmoso do mais visitado município da Patagônia, onde casais de namorados passam horas degustando vinhos e chocolates quentes. Casas de chá descoladas aqui, lojinhas de artigos em lã ali, chega-se à Avenida Bustillo, que corre paralela ao Nahuel Huapi, o maior lago da região. Para quem tem como meta paquerar e se dar bem, esse é o endereço do sucesso. Na movimentada Bustillo concentram-se badaladas casas noturnas e até um cassino, onde você pode tentar a sorte.
Come-se muito bem em Bariloche. Todo ano, novos bares e restaurantes são inaugurados especialmente para a alta temporada. Perdido diante do cardápio? Prove o que há de mais típico no país: a parrillada. Conhecido também como “churrasco argentino”, o prato é uma farta combinação de carnes bovinas e suínas assadas em grelha móvel, como manda a tradição. Além do caprichado menu de carnes, a gastronomia também faz bonito nas massas, trutas e fondues. E o que é melhor: a preços camaradas. Com paisagem cinematográfica do lado de fora, diversão 24 horas por dia e friozinho convidativo, entregar-se às delícias de Bariloche no próximo inverno será a melhor pedida.
• Acostumados com a forte presença de brasileiros na área, vendedores, garçons e taxistas argentinos entendem o nosso portunhol e até arriscam umas palavrinhas em português.
• Estabelecimentos comerciais e motoristas de táxi costumam aceitar dólares, mas dão o troco em pesos. E nem todos trabalham com cartão de crédito. Tenha sempre dinheiro no bolso.
• Dirigir no gelo é uma tarefa que requer experiência. Prefira tomar táxi e ônibus a alugar carro.
• Roupas térmicas e equipamentos esportivos podem ser alugados nas estações de esqui. Não é necessário comprar.
• Use óculos escuros e filtro solar para se proteger do sol e da claridade refletida na neve.
• Você aproveitará melhor as horas de esqui e snowboard se estiver bem preparado fisicamente. Se puder, exercite-se no período que anteceder a viagem.
Circuito Chico
No tradicional roteiro de 65 quilômetros estão incluídos os pontos panorâmicos da avenida Bustillo e o Cerro Campanário. Suba ao mirante e confira a vista espetacular.
Cerro Catedral
A estação de esqui mais bacana da América Latina é cortada por 70 quilômetros de pistas. Aventure-se também no snowboard, nos passeios de trenó e fique para almoçar em um dos restaurantes e lanchonetes do complexo.
Cerro Otto
A 5 minutos do centro, o pólo turístico tem atividades como trekking e esquibunda, além dos teleféricos com gôndolas fechadas que levam à lanchonete giratória, de onde se pode ver Bariloche do alto. Lá em cima, além da lanchonete há também discoteca e galeria de arte com réplicas de Michelangelo. Um barato!
Bosque Arrayanes e Ilha Victoria
Navegando pelo lago Nahuel Huapi, o catamarã leva os visitantes ao bosque Arrayanes, famoso pelas incríveis árvores de tronco alaranjado. Há quem diga, aliás, que o tal bosque inspirou Walt Disney na criação de alguns dos cenários do desenho-animado Bambi. Na Ilha Victoria, tem bosque, lanchonete e mirante.
Puerto Blést e Lago Frías
É o mais belo passeio de barco pela região. Consiste em atravessar o lago Nahuel Huapi até o hotel de Puerto Blést, que fica no coração da Cordilheira dos Andes. Em seguida, entre gaivotas e montanhas, navega-se pelo lago Frias. Sobra tempo ainda para conhecer o lago Los Cântaros, com paisagem deslumbrante. Reserve um dia para essa atividade.
Refugio Neumeyer
Chegar até lá já é uma aventura. O trajeto é feito parte de carro, parte a pé e exige desbravar um bosque nevado. No Refugio, veja como você se sai no esqui nórdico, modalidade em que se “caminha” no plano com esquis. Ou vá direto à Lagoa Verde, que congela de vez em quando.. Considere a possibilidade de jantar no restaurante local e fazer a caminhada noturna, ainda mais emocionante.
Centro Neviska
As crianças não se importarão em passar algumas horinhas aqui enquanto você fizer compras. Com pista de patinação no gelo, mesas de jogos, videoquê, telão e internet, esse centro de diversões pode – e deve – fazer parte dos seus planos.
Trem a vapor
A maria-fumaça parte da estação San Carlos de Bariloche – o verdadeiro nome da cidade – e caminha próximo à costa do lago Nahuel Huapi. Depois de atravessar a ponte do rio Ñirihuau, é feita uma parada para admirar a cordilheira dos Andes coberta de gelo. Retoma-se o roteiro seguindo até a estação Perito Moreno, onde o programa é andar até a lagoa Los Juncos e visitar as antigas construções da estação de ferro.
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