Bem distante das badaladas praias do litoral norte de São Paulo, como Ubatuba e São Sebastião, ou da urbanizada faixa em torno de Santos e Guarujá, existe um pedaço da orla paulista pouco conhecido, pacato e preservadíssimo. Quase na divisa com o Paraná, a região do Lagamar brilha, discreta, como o maior trecho contínuo de Mata Atlântica do Brasil. E em meio ao rico encontro de ecossistemas (manguezais, restingas) das cidades de Cananéia e Ilha Comprida, um refúgio de natureza bruta se isola do continente recortado: a Ilha do Cardoso. Aqui, reina o verde.
Esqueça as pequenas baías de águas azuis do litoral norte. Essa paisagem tem longas faixas de areia batida e mar de tom escuro - resultado do encontro com os rios de água doce que descem das montanhas verdes do Vale do Ribeira. Mas é nesse cenário que os amantes de praias desertas - no Cardoso são 11 - e das trilhas com cachoeiras na mata podem encontrar mais de 100 espécies de orquídeas. Já no longo percurso de duas horas de barco desde Cananéia, cidade famosa por suas ostras e base para visitas à ilha, os botos cumprimentam o visitante.
Conhecida de alguns iniciados por seu forró nos feriados, a Vila do Marujá, no sul do Cardoso, com chão de areia e sem carro algum, concentra os campings e casas de pescadores transformadas em pousadas, que usam luz de gerador (durma longe deles!) e energia solar. Há muitas opções de trilhas, como a do Morro das Almas, de dois quilômetros, com árvores repletas de bromélias.
[DDD:] 13[|][Como chegar:] Os barcos para a Ilha do Cardoso partem de Cananéia. Chega-se ali de carro, pela movimentada Régis Bittencourt (BR-116), cerca de 270 km a partir de São Paulo. Use a saída para Pariquera-Açu e então a pequena SP-226 para Cananéia[|]