Achados

Adriana Setti
É jornalista e autora do livro De Mala e Cuia - Tudo o que você precisa para morar, estudar, trabalhar e se divertir na Europa (Editora Jaboticaba). Nasceu no Brasil, tem passaporte lituano, nome italiano, cara de sueca e mora na Espanha desde 2000.


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Madri pela primeira vez: o que ver em dois, três ou cinco dias

Adriana Setti - 13/05/2008

1o dia
Comece a explorar a frenética capital espanhola pelo seu coração. A Puerta del Sol é o marco zero de Madri: agitadíssima, vibrante e com uma pitada de caos. De lá, siga pela Calle de Postas até a Plaza Mayor, uma das mais lindas do país. Perca várias horas por lá curtindo os músicos e artistas de rua, o sol nos cafés, a milagrosa calmaria no meio do agitadíssimo centro da cidade. Depois, conheça as vielas e bequinhos dos arredores até chegar na Calle Mayor para seguir em direção à Catedral de Almudena. De lá, toque para o Palácio Real, onde recentemente foi instituído um cerimonial de troca da guarda pra londrino nenhum botar defeito. Toda primeira quarta-feira do mês, às 11 horas, a Plaza de la Armería vira palco da Troca Solene da Guarda Real. São 40 minutos de muita pompa, que contam com a participação de 400 pessoas, 100 cavalos, carruagens e banda. Chegue cedo para garantir um espacinho na multidão. Nas demais quartas, turistas e locais se reúnem na Plaza de Oriente para assistir, a cada meia hora, a apresentação dos sentinelas do Palácio vestidos com uniformes do século XIX e, a cada uma hora, a dos ginetes, que dão a volta na casa real. Não deixe de entrar no Palácio para visitar as suas salas mega super hiper pomposas. Do palácio, siga para a Plaza de España, e depois rume à Gran Via a avenida mais movimentada da cidade. Uma vez “dominado” o centro de Madri, você merece umas tapas. Volte para as redondezas da Plaza Mayor e ataque os bares de La Latina, que fervem a partir do final da tarde. O Lamiak e o Txacolí, na Calle cava Baja, são duas ótimas opções.

2o dia:
Você pode distribuir a sua dose de cultura ao longo dos dias ou tentar matar vários coelhos no mesmo dia. Mas jamais deixe de ir a pelo menos dois museus de Madri. Para uma primeira vez, não há dúvidas: o Prado e o Reina Sofia são os mais fundamentais. O Museo del Prado inaugurou uma ala nova gigantesca em outubro do ano passado. O que antes já era um dos melhores museus da Europa e a maior demonstração do poderio cultural espanhol ficou 50% maior, com 22.000 m2 a mais de área de exposições, piso de rocha vulcânica chinesa, passagem ligando o prédio novo ao antigo e peças recém adquiridas. Aos seus muitos Goyas, Velazquez, Botticellis, Rubes e outros pesos-pesados somaram-se jóias como El Toro Mariposa, de Goya. Lá do lado, o Reina Sofia, onde está o Guernica de Picasso, também tem cheirinho de novo, já que passou por uma baita reforma em 2005. Para descansar entre um e outro, estire-se no Parque del Retiro, o Ibirapuera madrileno. À noite, renda-se aos estereótipos espanhóis e assista a um show de flamenco da no Café de Chinitas. Reserve antes e saiba que, sem o jantar (que não é lá essas coisas), o show sai muito mais em conta.

3o dia:
A partir de aqui o seu programa já pode começar a ficar menos turístico. Uma boa é conhecer o novo CaixaForum, um centro cultural recém inaugurado pertinho do Prado. Mais tarde, gaste a sola do sapato entre Chueca e Malasañas, dois bairros da moda. Curta as lojinhas criativas, os restaurantes badalados, os bares e o Mercado de Fuencarral. A Plaza de Chueca é um ótimo lugar para tomar uma cervejinha vendo o vai e vem da galera GLS. A balada por lá também garante a diversão. Faça como os madrilenos e pule de bar em bar a noite toda. (Não, meu povo, isso não é a movida madrilena. A movida foi um movimento baladístico-cultural que rolou após à volta da Espanha à democracia de onde saiu gente como Almodóvar. Ok?)

4o dia: Dê um jeito de passar um domingo em Madri, um dos dias mais agitados da semana, ainda que muita gente possa estar de ressaca de tanta balada (uma especialidade madrilena). O domingão começa com um passeio pelo Mercado del Rastro, onde se vende de tudo, de roupas ultra fashion a quinquilharias da abuela. Depois, o povo emenda nos bares da La Latina, que simplesmente explode de gente bonita e bacana nesse dia. Para finalizar à madrilena, vale ver uma tourada em Las Ventas, uma das praças mais bonitas e tradicionais do país.

5o dia: Ainda agüenta mais um museu? Então vá ao Thyssen-Bornemisza, que foi ampliado em 2004 e tem Caravaggio, Monet e Van Gogh em seu acervo. Depois, curta um dos novos bistronomics, restaurantes com comida de grife a preços fáceis de digerir. Duas boas pedidas são o Edulis (foto) e o Zorzal.







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10 motivos para comemorar a chegada antecipada do verão em Barcelona

Adriana Setti - 07/05/2008

No calendário, obviamente, ainda falta mais de um mês. Mas aqui em Barcelona o verão já chegou. A prova disso é a foto acima, tirada em Bogatell neste último domingo. Nessa época, quando começa a fazer calor, a cidade explode. Como num passe de mágica, tudo parece ficar mais alegre. E até aquele vizinho mal humorado começa a falar bom dia. Tudo isso, porque calor aqui é sinônimo de:

-    Festivais de musica como o Primavera Sound, Sónar, Summer Case, El Grec, BAM...

-    Praias lotadas.

-    Mesinhas das praças lotadas.

-    Baladas ao ar livre como a La Terrrazza (que abre no dia 23), Liquid (a festa da piscina) e outras que pintam a cada ano.

-    Pouco trabalho e muita curtição (muitas empresas tem horários reduzidos nessa época).

-    Muita gente de fora visitando a cidade e, consequentemente, muita carne nova no pedaço.

-    As Fiestas Mayores (festanças arrasadoras nas ruas) dos bairros como a Festa de Gràcia e a Mercé, padroeira da cidade.

-    O dia de San Juan, onde os barceloneses afogam as mágoas do reveillon mixuruca com fogos na praia e um pé na jaca com força.

-    Água mais ou menos quentinha no Mediterrâneo, que é gélido no resto do ano.

-    Curtir a cidade com ventinho no rosto em cima de uma bicicleta pública, que este ano ganhou centenas de novas estações (infelizmente o recusro ainda é só para moradores).


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Quatro noites perfeitas em Barcelona

Adriana Setti - 05/05/2008

Para sair arrumadinho
A noite pode começar com um jantarzinho em um dos restaurantes do bairro do Borne, o bairro mais cool da cidade. Tente o Sikkim (um dos meus favoritos na cidade), o Gente de Pasta ou o Repla. Depois, dê uma esticadinha em um dos incontáveis bares bacanas das redondezas. O agito é garantido no branquíssimo The White Bar e no La Fianna. Lá pelas duas e meia da matina, pegue um táxi e despenque para Pedralbes, o Morumbi de Barcelona, e sacuda o esqueleto ao lados dos pijos (los Mauricitos españoles) mais cheirosos da cidade no Elephant Club. Para uma balada mais pop – e lotada de brasileiros – vá na Pachá.


Para sair desencanado
Comece traçando uma comidinha boa e barata nos N restaurantes libaneses de Gràcia. A carrer Verdi tem uma meia dúzia de opções. O Equinox é o que faz mais sucesso. Se tabule não for a sua praia, experimente os maravilhosos sushis do Kibuka. Depois faça um esquenta em algum boteco da Plaça del Sol (o Café del Sol é uma delícia e vive lotado), da Plaça Virreina ou da Plaça de la Revolució (o Canigó tem uma das cervejas mais baratas da cidade). Tomar um mojito no cubano Raim também pode ser uma ótima. Quando tudo fechar, ainda rola uma cervejinha comprada dos paquistaneses no banco da praça. Mas para embalar de vez, vá até o Born e encare o Magic, um inferninho onde toca musica dos 80 e o povo enlouquece até de manhã.

Para sair moderninho
Prove a comidinha fusion dos restaurantes badaladinhos do Raval: La Reina del Raval, a filial ravalera do La Verónica, na Rambla del Raval, o mexicano Dos Trece e o Carmelitas são algumas das opções. Na seqüência, se jogue num dos infinitos bares do bairro. O mais tradicional de todos é o Marsella (na Carrer Sant Pau, quase esquina com a Rambla del Raval), de onde até Picasso já saiu torto de absinto. Mais moderno e animadíssimo é o Sifó(onde bato cartão), lá perto. Para engrenar até o sol raiar, arraste-se até o Fellini (foto). Mas, se for verão, melhor uma balada ao ar livre na La Terrrazza (a eterna melhor balada da cidade), que reabrirá no próximo dia 23.

Para sair num esquema mais tranqüilo
Experimente o bom, bonito e barato Senyor Parrellada (Carrer Argentera, 37), no Borne. Ou caia de boca em uma paella no tradicionalíssimo Los Caracoles, no Barrio Gótico. Depois, tome uma cervejinha no lindíssimo La Confitería (o preferido de John Malkovich quando está na cidade), na Carrer Sant Pau quase esquina com o Paral-lel, no Raval, de preferência na parte da frente do bar, em estilo modernista. Se restar empolgação, pegue uma musiquinha ao vivo no esfumaçado London Bar (Carrer Nou de la Rambla, 34), no próprio Raval, ou volte ao Gótico e vá no Harlem.






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O melhor museu de Barcelona para crianças (e pais)

Adriana Setti - 02/05/2008


Aberto em 2004, o CosmoCaixa já é o museu mais disputado da cidade, com 2,45 milhões de visitantes no ano passado (quase a mesma cifra que o Museu do Prado, de Madri!). Além disso, foi considerado o museu do ano de 2006 pelo European Museum Fórum (Fórum Europeu de Museus). Merecidíssimo.

Este museu da ciência é um raro caso onde pais e filhos parecem ter a mesma idade. Para alcançar esse objetivo quase utópico, não se poupou criatividade – nem   orçamento. A estrela da casa é uma reprodução altamente realista da selva amazônica (foto) de 1000 metros quadrados. Sim, tem árvores gigantescas, jacaré, capivara, sucuri, pássaros e chuva de verdade. Tudo dentro de um aquário gigante digno de ficção científica onde se pode entrar, sentir na pele o calor, a umidade e o cheiro de floresta.

Outra atração fantástica é o Muro Geológico, com vários cortes que ilustram formações geológica diferentes, acompanhadas por experimentos que mostram os processos que as originaram.

Na Sala da Matéria, vários fenômenos da natureza são explicados através de experiências científicas. Tudo é interativo (os pequenos podem tocar, pegar e apertar muitos botões), colorido e high tech.

Também imperdível, o planetário tem sessões especiais para crianças que explicam os mistérios do céu contam a história “El ciego de los ojos de estrellas”, sobre um tirano que conquistou a terra.


Entrada: € 3 para adultos e € 2 para os pimpolhos.

OUTROS MUSEUS LEGAIS PARA CRIANÇAS NO MUNDO


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Barcelona pela primeira vez: o que ver em dois, três ou cinco dias

Adriana Setti - 01/05/2008

Foto: Sergio Scripilliti

1o dia:
Para entrar no espírito da cidade, mergulhe na obra de Gaudí. Para escapar da multidão de turistas,  vá cedinho ao Parc Guell. Depois, desça de metrô até o Passeig de Gràcia, a avenida mais linda e chique da cidade, e visite as duas louquíssimas casas La Pedrera e Batlló. Preste atenção nas outras casas da Illa de la Discòrdia (o nome foi dado porque não há uma unanimidade sobre qual é a mais bonita). A Casa Lleó Morera, na esquina com a Carrer Consell de Cent, é obra do arquiteto Domènich Montaner, tão prestigiado quanto Gaudí. Em seguida caminhe até a Sagrada Família (uns 15 minutos), a igreja obra prima de Gaudí que ainda está em construção. No fim da tarde, sente-se em um dos cafés da Rambla Catalunya (a irmã chique das Ramblas) para descansar as pernas e olhar o vai e vem.

2o dia:
Suba e desça as Ramblas até cansar curtindo as estátuas vivas, os pintores, as bancas de flores e a fauna humana. Dê uma volta pela Plaça Catalunya, o marco zero. Explore o mercado da Boqueria, o mais lindo e colorido da cidade. Almoçar por ali, no tradicional Pinotxo ou algum dos outros bares, é um programaço. Depois entre na Carrer Ferran e embrenhe-se no Bairro Gótico. Perca-se sem pressa por suas vielas e bibocas, entre na catedral, curta cada pracinha. O bairro é cheio de segredos e história. E você não se arrependerá se pegar um Walking Tour para entendê-lo melhor. Os tour da Barcelona Walks saem todos os dias às 10 da manhã da Oficina de Turismo, na Plaça Catalunya, e custam 11 euros. Continue o passeio pelo Born, o filé mignon da Cidade Velha, cheio de restaurantes fofos, bares badalados, galerias e lojinhas originais. Entre na Catedral del Mar, ande pelo Pesseig del Born, delicie-se nos restaurantes da Calle Comerç e vá ao Museu Picasso. Para um relax, vá ao Parc de la Ciutadella, ali ao lado, belíssimo.

3o dia:
Vá de metrô até a Plaça de Espanya e suba as escadas rolantes em direção ao Palau Nacional, onde funciona o MNAC (Museu Nacional de Arte da Catalunya). Se arte gótica e românica não forem a sua praia, passe reto e vá ao CaixaForum, um centro cultural de primeiríssima, grátis. Depois, suba para espiar a arena Olímpica, com a famosa pira das Olimpíadas de 92. Siga para a Fundació Miró, outro museu imperdível. E termine o passeio no Castelo do Montjuic. Na descida, atravesse a Avinguda Paral-lel e conheça o bairro do Raval, o Soho de Barcelona. Gaste a sola do sapato nas lojinhas, bares, restaurante e galerias dos arredores do Macba, o Museu de Arte Contemporânea.

4o dia
Pegue uma praia. Ou pelo menos dê uma volta pela beira-mar, saindo da estátua do Colón (no final das Ramblas) e indo até as pernas agüentarem. Passeie pelo Port Vell, coma umas tapitas em um dos botecos da Barceloneta, formule uma opinião a respeito do peixe metálico de Frank O. Gehry, babe com os corpos bem torneados de Bogatell e divirta-se com os peladões da Playa de la Mar Bella. Se quiser conhecer a “nova Barcelona” onde está o Parc del Fórum, aproveite que você já está perto e dê uma olhada.

5o dia
Circule pelo Bairro de Gràcia, que antigamente era um município vizinho a Barcelona e acabou sendo incorporado pela cidade. Suas ruazinhas estreitas são um charme e suas praças estão entre as mais bonitas e animadas da cidade. Não deixe de conhecer a Plaça del Sol e a Plaça de la Virreina. Depois, dê uma andada pela Avenida Diagonal para conhecer a parte mais moderna e rica da cidade.


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A praia mais bonita de Bali

Adriana Setti - 26/04/2008



A ilha de Bali tem 3,2 milhões de habitantes espremidos em uma área de 5632 quilômetros quadrados. Alem disso, é um dos lugares mais famosos do Sudeste Asiático. Praias como Padang Padang e Uluwatu são praticamente uma lenda. E não é que, espantosamente, esses lugares ainda são bastante preservados?



O sul de Bali, mais precisamente na Península de Bukit, é onde estão todas essas praias, sonho de 10 em cada 10 surfistas. Foi lá, também, que descobri a jóia mais rara da ilha, um trecho de areia totalmente virgem que não está nos mapas turísticos (não estava em nenhum dos 3 mapas de Bali que comprei por lá) e do qual pouquíssima gente já ouviu falar: Green Ball.



Uma escadinha de pedra de mais de 300 degraus atravessa a floresta descendo pela altíssima falésia até chegar na areia branca e fofinha. Guarda-sol não é preciso. Cavernas desenhadas nas pedras se encarregam de fazer uma sombrinha. Uma delas, no entanto, já está ocupada por milhares de morcegos, uma atração à parte. A água é de um verde esmeralda cristalino, e os corais formam piscinas naturais na maré baixa. Atrás deles, ondas tenebrosamente grandes divertem os surfistas mais valentes. Sair do mar com a prancha partida em duas é de praxe. Além de surfistas e morcegos, uma cambada de macacos perambula pela praia.



Para entrar na lista das praias mais lindas do mundo (fiquei bastante exigente depois dessa viagem) faltou só um coqueiral. Como aquele da Prainha de Itacaré, a minha eleita para a enquete sobre a praia deserta mais bonita do Brasil, aqui no Viajeaqui.


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Testei o trem rápido entre Madri e Barcelona

Adriana Setti - 25/04/2008

Estimada ponte aérea Madri-Barcelona, esqueça que eu existo. Depois de testar a mais nova linha de AVE, entre as duas principais cidades espanholas, só vou de avião pra Madri se o George Clooney me convidar.

Tem coisa melhor do que sair de casa às seis e meia da manhã para embarcar às 7 e ainda chegar com folga?

Ao contrário do que eu esperava, existe uma espécie de check-in para entrar no trem. O que me deixou com um início de mau-humor. Afinal de contas, uma das grandes vantagens de viajar de trem é justamente a ausência destes prolegômenos cada vez mais enfadonhos que implicam um vôo.

Por sorte, a Renfe, empresa que administras as principais ferrovias espanholas, parece saber disso. E o check-in flui que é uma beleza: basta uma rápida leitura de código de barras do bilhete. O controle de segurança também é light – e portanto inútil: as bolsas passam pelo scanner, mas os seres humanos não são inspecionados.

O trem arranca com pontualidade absoluta. Segue pianinho, a oitenta por hora, até que a cidade se dissolva. Pouco a pouco, o painel bacanudo em que se alternam letras vermelhas com as informações sobre a viagem vai marcando 180... 220...280... até chegar aos 300 quilômetros por hora. Uma senhora tenta registrar o momento com a câmera do celular. Não há solavanco, nem sensação de estar no cockpit de Fernando Alonso. Na velocidade atual, o trajeto Madri-Barcelona é feito em 2 horas e 38 minutos. Em um futuro próximo, a velocidade aumentará para 350 km/h (meda!), reduzindo o tempo de viagem para 2 horas.

Segundo dados da AENA – Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea – no primeiro mês de funcionamento do AVE, mais de 100 mil passageiros da ponte aérea Madri-Barcelona mandaram uma banana para os aeroportos de Barajas e El Prat. Os vira-casacas da ponte aérea ainda ocupam a maioria absoluta das poltronas (às sete da manhã de uma terça-feira, quando embarquei nessa missão para uma matéria para a VT, apenas um grupinho de espanhóis animados e um ou outro nórdico sonolento pareciam não ter um dia duro à vista), mas não resta a menor dúvida de que o trem deve ser o favorito dos turistas. O AVE ganha disparado em tempo e, garimpando a tarifa “web” com antecedência, praticamente empata no quesito preço com o avião (veja abaixo).

O trens do modelo Siemens 103 são novíssimos, modernosos e amplos a ponto de, mesmo na classe econômica, o espaço entre as poltronas ser suficiente para que um adulto estique as pernas. O corredor é larguíssimo e ninguém bate com a bolsa na cabeça de ninguém ao passar de um lado para o outro. Alem disso, o encosto reclina bastante, TVs passam filminho e a comida da cafeteria é bastante decente a um preço justo. Um sanduíche de pão integral com salada e molho de mostarda e uma Coca saem por €5,35. O banheiro nem parece de trem: grande e limpíssimo. Fiquei tão empolgada que tirei até foto. Nas classes Preferente e Club é possível pedir mousse de foie gras de pato com figos secos elaborada pelo chef estrelado Jordi Cruz e uma máquina próxima à entrada dos vagões (essas escovas da foto) lustra os sapatos (!) dos passageiros.

São 17 trens diários em cada sentido. 15 deles são diretos, e os demais param em Zaragoza (uma ótima para fazer um bate e volta para a Expo), Lérida e Camp Taragona.

Na ponta do lápis: trem rápido X avião

TEMPO

Trem de alta velocidade
Viagem: 2 horas e 38 minutos

Avião
Traslados aeroporto-centro em Madri e Barcelona: 1 hora
Espera nos aeroportos de Madri ou Barcelona: 1 hora
Vôo: 1hora e dez minutos
TOTAL: 3 horas e 10 minutos

DINHEIRO

Trem de alta velocidade
Melhor tarifa (comprando com 15 dias de antecedência, em horários malucos e com restrições ): €47,80
Segunda melhor tarifa (em horários um pouco melhores, comprando com uma semana de antecedência): € 60,80

Avião
Metrô centro-aeroporto, em Madri: € 2,90
Melhor tarifa, pela Vueling (incluindo taxa de bagagem): € 40
Trem aeroporto-centro, em Barcelona: € 2,60
TOTAL: € 45,50
* De táxi o valor sobe para € 89,50


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A expo de Zaragoza em primeira mão

Adriana Setti - 23/04/2008

Na Espanha costuma ser assim: uma cidade bacaninha, mas pouco conhecida, faz das tripas coração, investe milhões em uma super reestruturação urbana, chama os arquitetos mais badalados do momento e...tcharan! Entra no roteiro turístico do resto do mundo. Barcelona e Sevilha bombaram depois de 92, quando receberam as Olimpíadas e a Expo, respectivamente. Alguns anos mais tarde, Bilbao e Valencia correram atrás do prejuízo. E encaçaparam o talento dos gênios Frank O. Gehry e Santiago Calatrava para darem vida ao Guggenheim à Cidade das Ciências. Chegou a vez de Zaragoza tirar o atraso.



De 14 de junho a 14 de setembro, a cidade celebrará uma Exposição Internacional (vulgo Expo) com o tema Água e Desenvolvimento Sustentável. Além de debater o tema e exaltar o politicamente correto, a expo também é um pretexto a reunião gente do mundo inteiro, shows, exposições, etc etc etc. Para isso, um recinto com 25 hectares está sendo recheado com edifícios escalafobéticos assinados pelos arquitetos do momento. O principal dele será um pavilhão em forma de ponte sobre o rio Ebro gerado nos neurônios super-sônicos da iraquiana Zaha Hadid, a primeira mulher a arrematar um prêmio Pritzker de arquitetura.



Visitei o parque da Expo ontem. E ajoelhei no milho por não estar na pele dos responsáveis pelo evento. Falta menos de dois meses para o início das celebrações e o lugar ainda é um canteiro de obras. A passarela que levará os visitantes da estação de trem ao cafundó onde fica o parque está pela metade. A ponte de Hadid mal acabou de ser coberta. Os pavilhões dos países estão engatinhando (neste caso – e somente neste – a organização confessa que alguns não ficarão pronto em tempo).





Em uma semana, o recinto será fechado para a imprensa (que até então é das poucas categorias de seres humanos que podem ir lá bisbilhotar). E o resultado só será conhecido no dia da inauguração. Com vocês, portanto, fotinhos do futuro de Zaragoza em primeira mão.



Engenheiros, que a força esteja convosco.


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Sudeste Asiático: quando ir? Eis a questão

Adriana Setti - 18/04/2008

Nunca, jamais, em hipótese alguma, embarque para qualquer lugar do Sudeste Asiático sem antes informar-se sobre o clima na época em questão. Caso contrário, as suas chances de micar sob uma chuva torrencial ou derreter em um calor tipo “Foz do Iguaçu no verão” (não desejo pra ninguém) serão altíssimas. Para piorar, coordenar a passagem por vários países em uma mesma época é um exercício de logística dos mais complexos.

O X da questão é que, em um mesmo país, pode haver uma diferença de clima enorme entre um lugar e outro. “Até aí o Brasil também é assim”, você deve estar pensando. Sim, mas o Brasil é um pais enoooorme. Na Malásia, por exemplo, você não leva mais de 3 horas para cruzar de uma costa a outra. E em fevereiro, uma das costas praticamente fecha para a temporada das monções – quando chove praticamente sem intervalo e o mar fica agitado e turvo – enquanto do outro lado as ilhas estão cheias de turistas bronzeados.

Para dar uma luz a quem esteja planejando uma investida, aqui vai um resuminho do clima de cada um dos lugares mais visitados:

Bali: Bali é quente durante todo o ano e tem apenas duas “estações”, a seca (de abril a outubro) e a úmida (de novembro a março). Não é totalmente inviável viajar nos meses úmidos. Mas deve-se ter em mente que chove praticamente todos os dias durante algumas horas. E o calor, somado à umidade (tipo Foz do Iguaçu...), pode ser meio insuportável para os mais sensíveis. Já a surfistada não pode nem pensar em ir na época úmida. As ondas só rolam de abril a outubro, quando o vento muda de X para Y. Para mergulhar, a melhor visibilidade acontece em julho e agosto. Ou seja, passa de excelente (em media 20 metros) para mega super inacreditável (até 40 metros). Julho e agosto também são os meses preferidos para avistar os molas (um mega peixão exótico) e arraias gigantes.

Tailândia: Chove canivete na Tailândia de junho a outubro. Quem vai para as praias pode até arriscar (ainda que não seja o ideal), mas Bangkok se transforma em uma verdadeira Veneza no mês de setembro. O resto do ano é dividido entre os meses mais frescos – novembro a fevereiro – e mais quentes – março a maio. A primeira opção é, sem dúvida, a melhor. Na costa, o calor bomba durante o dia. Mas à noite sopra uma brisa fresquinha que permite dormir apenas com um ventilador. Neste época, Bangkok também fica um pouco menos insuportável. Para quem vai para a região de Chiang Mai, porém, a melhor pedida é ir logo apos a temporada de chuvas, quando os arrozais ainda estão alagados e verdes. No auge da temporada seca e quente eles mais parecem campos de futebol de várzea.  

Malásia: A Malásia é um dos países mais complicadinhos. No interior peninsular chove pesado entre setembro e março. Já a costa leste, enfrenta as monções entre novembro e fevereiro. Nas ilhas Perhentian, por exemplo, não há vida durante este período. Os hotéis e restaurantes fecham e o povo simplesmente debanda. Isso porque as ondas ficam tão fortes que os barcos pequenos não consegue chegar lá. Já a costa oeste é totalmente oposta, com as monções dando as caras entre maio e outubro. No Borneo, as monções acompanham o ritmo das costas leste e oeste, mas as chuvas são menos pronunciadas e não chegam a inviabilizar a viagem.
Vietnã: O sul do país tem um clima tropical, mas no norte até faz um friozinho no inverno. Em Hanói, por exemplo, dá até para usar um casaquinho em janeiro. As monções atingem o sudoeste do país entre abril e outubro, e deixam todo o pais quente e úmido.

Laos: Tem duas estações. Maio a outubro é a úmida e novembro a abril é a seca. O pico do calor acontece entre março e maio.


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Os trens panorâmicos da Nova Zelândia valem a pena?

Adriana Setti - 16/04/2008

Os Tranz Scenic cruzam lugares fantásticos da Nova Zelândia e, como o nome sugere, são totalmente adaptados para que os passageiros curtam a paisagem. Isto é, são equipados com janelões enormes e um vagão aberto totalmente panorâmico. A idéia é, em teoria, um arraso. E foi justamente por isso que fiz questão de viajar nos dois mais famosos, o Tranzcoastal e o Tranzalpine. Mas será que vale a pena?

1. Que trajetos fazem esses trens?

O Tranzcoastal liga Picton, no extremo norte da ilha sul, a Christchurch, passando por um longo trecho da costa do Pacífico, famoso por abrigar focas, golfinhos e baleias a dar com o pau. Por sua vez, o TranzAlpine cruza os Alpes da ilha sul, indo de uma costa a outra. A viagem começa em Greymouth, na costa oeste, e termina também em Christchurch. Já o Overlander, que tem fama de ser o menos interessante (e foi trem demais para que esta blogueira fosse conferir) vai de Wellington, a capital no extremo sul da Ilha Norte, a Auckland, a maior cidade do país, ao norte.  

2. Eles são um meio de transporte eficiente?

Definitivamente não. O Tranzcoastal demora 5 horas e 20 para percorrer 340 km, e o Tranzalpine leva 4 horas e meia para vencer 223 km. É um passeio.

3. Ok. Mas vale a pena economicamente?

De jeito nenhum. Uma viagem no alpino custa 70 euros, enquanto o da costa cobra 54 pela passagem. Com a grana de um mero bilhete, dá para enfiar a família toda em um carro alugado nas econômicas Ace ou About New Zealand, ir parando e ainda pagar o picnic.

4. Sim, mas então pelo menos a paisagem deve ser muuuuito bonita. Não?

O alpino tem fama de ser “uma das viagens de trens mais bonitas do mundo”. E pode até ser mesmo. Desde que você viaje entre maio e outubro, quando os picos estão nevados. Durante essa época, os vales do rio Waimakariri, as pontes altíssimas e o gelo branquinho são de chorar de emoção. Para quem viaja no verão, como eu, o lugar não passa de um vale muito bonito com montanhas mais ou menos verdes. Resta passar a viagem pensando “tenho que voltar aqui no inverno”. Já o trem da costa, definitivamente não vale pela paisagem. Nos trechos em que toca o mar, as praias não são grande coisa. E quando penetra no interior, o visual é um sem fim de pastos e ovelhas. Lá pelas tantas, entre um bocejo e outro, minha sogra soltou a pérola da viagem: “Bah, mas isso aqui parece o Alegrete”, disse ela se referindo à monotonia do interior Gaúcho. Você atravessaria o planeta Terra para ir ao Alegrete?

5. Tá, mas os tais bichinhos? Focas... pingüins... baleias...
Um trem não é o veículo mais eficiente para ver uma baleia. Concorda? Melhor parar em Kaikoura, no meio da viagem, e pegar um barco. Porque é preciso ser muuuuuuito sortudo para avistar uma do trem. Eu, não sei se delirando ou não, acho que vi um golfinho. Mas 99% dos passageiros não tiveram a mesma sorte. As focas, sim, dão as caras. Mas com a velocidade, é aquela coisa. Olha a foca! Que foooooooca?


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Wotif.com: fantástico site de descontos malucos em hotéis

Adriana Setti - 14/04/2008

O nome é uma brincadeira com o sotaque carregado dos australianos ao dizer “what if...” (e se...) e reflete o espírito da coisa: e se... aquele hotel super dooper custasse muuuuito mais barato? Fundado em Melborne, na Austrália, o Wotif já tem vários escritórios espalhados pelo mundo e é uma verdadeira febre entre os viajantes aussies e kiwis.

A sua especialidade não é encontrar albergues ou pousadas baratésimas, mas hotéis caros com descontos surrealistas. Por exemplo,  em Auckland, na Nova Zelândia, fiquei no excelente Oaks Smartstay, um flat de design ao lado da torre, o cartão postal da cidade, por uma tarifa 30 por cento menor do que o preço “oficial” de 100 dólares neozelandeses (50 euros). Fantástico! Poucos dias antes, meus sogros haviam estado em um super resort de vinhos em Hunter Valley, na Austrália, com um desconto de 50 por cento na tarifa.

A lista de hotéis é enorme e abrange grande parte do mundo, incluindo o Brasil e a Europa. Só por curiosidade, dei uma olhada em como estavam os preços em Barcelona para hoje. E fiquei pasma. O estupendo 5 estrelas Casa Fuster, por exemplo, estava de 798 euros por modestos 243!!! Enquanto isso, o Ritz, cuja tarifa padrão é de 337 euros, podia ser arrematado por 144.

Para corajosos, ofertas ainda mais malucas são lançadas “no escuro”. Ou seja, apenas algumas referências  sobre o padrão de hospedagem são divulgados e o cliente só fica sabendo qual é o hotel depois de pagar.



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Pousadas ridiculamente boas, bonitas e baratas em Bali

Adriana Setti - 11/04/2008

Aqui vai a minha listinha de ouro de pousadinhas em Bali. Testadas e aprovadas:

Ned’s Hide-Away, em Seminyak
Se é que Londres e Bali podem ser comparado, Seminyak é a Notting Hill da ilha. Um lugar com uma lojinha incrível ao lado da outra, restaurantes ótimos de badalados e gente bacanuda. Consequentemente, encontrar um lugar baratésimo não é tarefa fácil. Batalhei muito pela internet. E quando estava prestes a desistir, encontrei em um blog perdido da net a dica preciosa. Administrada por uma senhora de 150 anos e a sua família, esta “guest house” é um recanto de paz no olho do furacão, escondida em um bequinho silencioso, numa travessinha da Jl Raya Seminyak, a rua principal da região. Todos os hóspedes com quem troquei a idéia – e todo mundo parecia disposto a se enturmar – eram habitues. Em sua maioria Australianos e Neozelandeses com pinta de doidões regenerados (a julgar pelo silêncio noturno). Os quartos, com ventilador, dão para um jardim maravilhoso, o serviço é simpaticíssimo e impecável. Os lençóis e toalhas são trocados diariamente e o chuveiro tem água quente, algo impensável no resto do Sudeste Asiático por esta pechincha. O preço até parece piada: 5 euros por dia, para o casal. +62 (361) 731270; nedshide@dps.centrin.net.id

Mendra’s Bungalow, em Ubud
Ubud já foi um refúgio zen na floresta. Mas hoje é o supra-sumo do hippie chique. Encontrar guest houses baratas ainda é relativamente fácil, mas os bangalôs, muito mais legais, andam inflacionadinhos. O Mendra’s tem bangalôs enormes, com cama king size, ventilador e um banheiro ao ar livre com jardim que é o máximo. As varandas dão para um gramado onde funciona um spa (as mocinhas do spa também cuidam dos bangalôs). O preço é para rir: 5 euros por dia, o casal. Para encontrá-lo, procure a placa na entrada de um bequinho na frente do restaurante 3 Monkeys, na Monkey Forest Road. Cuidado com o limo no chão, para não se esborrachar como esta blogueira.

Bali Coral, em Tulamben
Em um jardim repleto de bromélias, bangalôs novinhos em folha se enfileiram. A cama é king size e o banheiro, enorme, tem até banheira. A porta de madeira trabalhada é um show. O bar e restaurante, de frente para o mar, serve peixinho decente. No centro de mergulho da pousada, baratíssimo, os dive masters são uma simpatia, mas – único porém – o equipamento está precisando de uma renovação (mergulhei com o neoprene mais velho da Indonésia). O preço é uma festa: 6 euros com ventilador e 12 euros com ar, com café incluído. +62 (361) 22909

Linda Bungalows
É quase inacreditável. De frente para o mar, com uma varanda enorme, estes bangalôs arrendados por um casal de australianos estão tinindo de novos, são gigantescos e bem decorados. A cama é queen size, com lençol macio e vários travesseiros, um verdadeiro luxo. Na frente, o jardim ainda tem espreguiçadeiras. O restaurante se auto-intitula o melhor da ilha. E pode mesmo ser verdade. Peixe fresco com molhos elaborados, frutos do mar e alguns pratos ocidentais saem no capricho. O preço parece mentira: 6 euros por dia, para o casal. +62 (361) 24495.
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