É dada a largada. Comecei esta semana uma matéria giganteeeeeesca para a
Viagem e Turismo que vai contar quais são as novas capitais gastronômicas mundiais segundo… euzinha mesmo.
Então se vocês não se incomodarem, vou dando uns aperitivos da matéria aqui no blog, assim vocês podem opinar, dar uns toques, sugerir restaurantes, etc. Só não vale quererem mudar a minha escolha de cidades foodie! ;)
Vou começar contando pra vocês quais são as capitais:
1-
Las Vegas (não enlouqueci não, já já explico melhor!)
2-
San Sebastian, na Espanha, e arredores
3-
Barcelona, na Espanha, e arredores
4-
Tóquio (aqui vou pedir ajuda pro
Jun Sakamoto, que manja muito dos restaurantes da cidade)
5-
Alba (e arredores), ou seja, o Piemonte, na Itália – este capítulo vai ser escrito a seis mãos com a ajuda dos leitores entendidíssimos
Edgard Costa e
chef Carlos Bertolazzi, só falta eu avisar pra eles!
6-
Chicago (acreditem)
Hoje começo com o primeiro capítulo: Las Vegas.
Estranharam? Pois fiquem sabendo que não há chef estrelado que queira ficar de fora da verdadeira corrida do ouro que está tomando a sin city. Os grandes já estão todos lá:
Joel Robuchon com dois restaurantes no MGM, Alain Ducasse, Mario Batali, Guy Savoy, Nobu Matsuhisa, Thomas Keller, Daniel Boulud... a lista é longa. Cada novo resort que se inaugura – maior e mais luxuoso que o último, claro – alardeia um portfólio de até vinte restaurantes, e pelo menos dois ou três com a grife de chefs famosos.
Isso seria impensável até uns anos atrás. Afinal, até os anos 90 Las Vegas era mais conhecida como a capital americana do bufê gigante. Era preciso alimentar todos aqueles jogadores, que queriam nada mais do que matar a fome entre uma rodada de blackjack e outra. Todo cassino tinha o seu, oferecendo pastas, bifes e omeletes a qualquer hora do dia ou da noite. O primeiro a quebrar o molde e instaurar o conceito de cozinha fina foi
Wolfgang Puck, o alemão que virou celebridade e queridinho de toda Hollywood.

Em 1992 ele resolveu reproduzir em Vegas seu
Spago de Beverly Hills, até hoje um dos sucessos mais estrondosos e longevos da gastronomia americana. O
Spago Las Vegas manteve-se como o top dentre os poucos restaurantes finos da cidade durante vários anos.
No fim dos anos 90, começou a enfrentar alguma concorrência, com a chegada de veteranos como Sirio Maccioni, que abriu filial de seu famoso
Le Cirque de Manhattan no
hotel Bellagio.
O divisor das águas foi o francês
Joel Robuchon, um dos maiores chefs do mundo, que chegou à cidade em 2005. Ele abriu um templo de gastronomia francesa renovada, o
Joel Robuchon at the Mansion, para estourar a boca do balão, com direito a carrinho de queijos perfeitamente maturados, candelabro de cristal Swarovski, vasos Lalique e uma lareira negra. A especialidade? Lagostins trazidos da França de avião. O menu degustação de 16 serviços (US$ 385 por pessoa) pode começar com um parfait de foie gras com Porto e espuma de parmesão e terminar com uma compota de blueberries com milk-shake de violetas. Um festim que dura umas quatro horas, para gourmands de fino trato.

Na cola de Robuchon vieram os outros franceses. Em 2006 chegou outro peso-pesado,
Guy Savoy. Abriu restaurante formal, de alta gastronomia, no
Caesars Palace, tocado por seu filho Franck. Daniel Boulud abriu no Wynn a
DB Brasserie. O menu ultra-clássico inclui bife com fritas (US$ 42), seu famoso hambúrguer com foie gras (US$ 32) e profiteroles com crosta de cacau (US$ 13).
O Wynn, aliás, é meu hotel favoritíssimo em Vegas, megalomaníaco como deve ser, luxuosíssimo, de um sujeito ziliardário e muito interessante, colecionador sério de arte - em breve faço um post só dele.

Mas como eu ia dizendo, foram chegando os franceses na cola do Robuchon.
O rei de todos, o onipresente Alain Ducasse, ficou bandeira com o
Mix, no 64º andar do hotel Mandalay Bay, onde meio milhão de dólares de luminárias pendem do teto como uma chuva de bolhas de sabão. O Mix de Nova York pode ter falido e fechado, mas o de Vegas, maior e mais espalhafatoso e com vista espetacular para o mar de luzes do Strip, vai muito bem, obrigada.

E chega, que ninguém agüenta post tão longo. Amanhã tem mais!
ps. as fotos todas são de divulgação