Direto do Rio de Janeiro

Bruno Agostini
O carioca e flamenguista Bruno Agostini desenvolveu uma verdadeira compulsão por viagens. Hoje, viaja o país atrás de festas religiosas, procissões, missas e ladainhas. Gosta de fotografar o povo. E quer experimentar o que os nativos estão habituados. É capaz de mandar para dentro animais estranhos, repugnantes até, apenas por representarem a gastronomia de algum lugar.

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Chegaram as trufas!

Bruno Agostini - 20/08/2008



Caymmi, grande Caymmi, se fosse piemontês e não baiano, provavelmente cantaria: “Quem não gosta de trufa, bom sujeito não é. É ruim da cabeça, ou doente do talher”.
É verdade que a gente até consegue comer trufas durante o ano todo, em conservas caríssimas que resolvem a nossa carência deste raro tubérculo (sim, a trufa é um tubérculo, não um fungo, me ensinou há alguns anos o Neroni). Mas é agora, quando começam a chegar ao Brasil os exemplares fresquinhos, recém-colhidos (ou seria recém-garimpados?) na França e na Itália, que a coisa fica séria. No Rio, dois lugares dão tratamento adequado à iguaria, promovendo, todos os anos, seus festivais de trufa, muitas vezes divulgados apenas entre os clientes mais assíduos: o Terzetto e o Gero.
Desde a semana passada o Terzetto serve pratos com trufas: são quatro entradas e quatro pratos principais. Para começar, tartar de vitela, polenta com ragu de perdiz, aspargos frescos com ovos de codorna pochés (a R$ 96) e foie gras grelhado com redução de vinho do Porto, purê de maçã e funghi frescos (a R$ 115). Entre os principais se pode escolher entre risoto de cogumelos variados, pappardelle na manteiga com grana padano e foie gras grelhado, polpeta de Kobe beef com ovo poché e risoto de grana padano ou escalopinho de vitela ao vinho branco servido com capelline na manteiga (todos a R$ 150).
Para harmonizar o sommelier João de Souza criou uma carta especial, com vinhos adequados para se acompanhar pratos com trufas.
E o João já avisa: em outubro é a temporada das trufas brancas – que são ainda mais caras e melhores que as pretas. Aí é que a coisa fica séria mesmo.
Aliás, ele me contou que um amigo dele está organizando um grupo para acompanhar a “caçada às trufas” em Alba. Talvez ele mesmo vá, comprar as trufas que vai servir no restaurante, como faz em muitos anos.
Aguardem.




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A escadaria do Selarón

Bruno Agostini - 18/08/2008



Há algum tempo, talvez cerca de um mês, alguém pediu aqui para eu publicar uma foto da escadaria do Selarón, na Lapa.
Pensaram que eu tinha me esquecido, na? Mas, não. Só demorou um pouquinho para eu conseguir ir até lá.
Então, eis a obra deste artista chileno, figuraça muito querida na cidade.
A escadaria está no fim da Teotônio Regadas, que vem a ser a mesma da minha querida Adega Flor de Coimbra, aquela que proíbe os beijos e serve bolinhos de bacalhau compridos, além de muitas outras coisas gostosas, a bons preços.
Lá no começo da rua está um bonito painel com vários artistas que viveram na Lapa, como Villa-Lobos, Noel Rosa, Manuel Bandeira e Madame Satã.
Eu recomendo o passeio.

Na foto, o cara de short vermelho, cuidando e dando continuidade à obra, é o próprio Selarón. Como se vê, ele cuida da cidade bem melhor que o Cesar Maia. Selarón para presidente!!!


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Locanda della Mimosa: liberada para as crianças

Bruno Agostini - 14/08/2008



Papais, como eu, não precisam mais contratar babás ou deixar os filhos com os tios e avós para poder se esbaldar na Locanda della Mimosa, restaurante três estrelas no Vale Florido, em Petrópolis. Crianças menores de 10 anos agora são aceitas na casa de Danio e Lilian Braga, donos de uma das mais bem fornidas e belas adegas do país. Mas, os casais que querem jantar em sossego podem se acalmar: a petizada está liberada só nos almoços de domingo, quando acontece uma das boas novidades da temporada de inverno deste ano na serra: a Domenica Speciale alla Locanda, um almoço de inspiração toscana, que ocupa toda a tarde de domingo – vai do meio-dia e meia às 17h. Haja tempo para provar tudo. Na mesa de antipasti, carpaccio, queijos, embutidos, presunto de Parma, salmão marianado, salada crapese e outras cumbucas. Entre os pratos principais, servidos à mesa, polenta com funghi e gorgonzola doce, massas, tortinha de cordeiro, chantilly de couve-flor e, até o fim deste mês, o bollito misto, um cozido à moda italiana, com caldinho reforçado servido à parte para ser bebido.
E ainda tem sobremesa: torta de chocolate com merengue, espeto de frutas, brownie...
Custa R$ 89,90 por cabeça, mas os menores de 10 anos pagam R$ 59.

Aproveito a deixa e publico um texto escrito ano passado sobre a Locanda, que eu adoro.


Estamos no Vale Florido, em Petrópolis. Mais precisamente na Alameda das Mimosas. Lugarzinho gostoso, esse. Sinto-me chegando à casa de um amigo, num condomínio serrano, para passar o feriado. À porta, um Porsche e uma caminhonete americana – e uma Kawasaki Ninja – descansam sob a sombra das árvores. Depois de atravessar o portão da pousada-restaurante que mais parece uma mansão de veraneio, andamos entre uma fonte com plantas aquáticas, orquídeas e muitas e muitas flores. Espiamos o cardápio enxuto, mas com boa variedade de pratos: saladas, massas, risotos, carnes de caça. Um menu degustação passeia por quase tudo. Custa R$ 135 para três pratos e uma sobremesa. Tem gente almoçando na sala. Há lareira no centro e taças de cristal sobre as mesas impecavelmente brancas. Um casal descansa na espreguiçadeira à beira da piscina. (São apenas seis quartos na pousada e um pouco mais do que isso o número de mesas no restaurante. Muito exclusivo. Por isso, caso pense em ir, reserve).
Abaixo do nível da piscina, mas um pouco acima da grande horta onde são cultivados temperos, verduras e abobrinhas, há uma porta onde se lê: La Cave. Tudo de pedra. Um Baco risonho, que tem cachos de uva, não de cabelo, abençoa o lugar. Para chegar às preciosas garrafas é preciso descer uma escada até uns oito metros de profundidade. Não faz feio pra nenhum bunker militar. Protegida, toda em concreto, a adega da Locanda della Mimosa é a própria razão de ser do lugar. Pode até não abrigar a maior carta de vinhos do país, mas é certamente uma das mais bonitas caves. E tem coisa à beça ali. Coisa boa, diga-se. E, o que é melhor, ao contrário de muito restaurante chique por aí, há uma mais que razoável oferta de vinhos mais acessíveis, na faixa dos R$ 40. Tem coisa fina também, claro, numa seção só de garrafas top, chamada Reserva Especial. Aí a coisa fica séria. Que tal um Solaia 1997 a R$ 1.993? Ou, então, um Cheval Blanc 1990 que sai a R$ 4.044. Dá até pra escolher um Château Margaux 1972, a R$ 6.128.
“Todo o projeto arquitetônico foi feito depois da adega. Ela foi o início de tudo, como que o lugar mais importante da Locanda”, conta italiano Danio Braga, chef do único restaurante dono de três estrelas no Guia Quatro Rodas que não fica nem no Rio nem em São Paulo.
No escurinho fresco, com temperatura e umidade rigorosamente controladas, uma coleção de Mouton Rothschild (foto) já devidamente esvaziada enfeita a parede. Dá para se divertir vendo os desenhos de artistas famosos que assinam cada rótulo da tradicional vinícola francesa. Quadros e apetrechos relacionados ao vinho transformam o espaço num pequeno museu cheio de preciosidades e peças curiosas. Há garrafas dependuradas do teto. E um painel que dá água na boca: sobrepostos uns sobre os outros, alguns dos rótulos dos vinhos premium já degustados ali. E tome Gaja, Sassicaia, Petrus, Latour, Romanée-Conti, Château d’Yquem, Château Margaux, Lafite Rothschild, Dom Perignon...
Ali dentro é tudo organizadinho, com uma área reservada aos vinhos brancos e espumantes, que devem ser acomodados numa temperatura um pouco abaixo da dos tintos. Um mesão vez ou outra recebe coquetéis. O próprio Danio, com alguma sorte, ou alguns dos competentes garçons, trata de mostrar este templo do Deus Baco a quem pedir.
Um bom programa para os próximos meses.
Por isso, agora que os termômetros baixaram, escrevi este post inspirado na minha visita à Locanda. Lembrei que ali é um dos lugares mais interessantes para um casal que aprecia a boa mesa curtir o friozinho do inverno. (Por isso, nem pensem em levar as crianças: menores de 10 anos não são aceitos).
E olha que nem falei dos pratos preparados pelo Danio: lembro-me, por exemplo, de um inesquecível parmentier di coda di bue (uma espécie de tortinha de rabada desfiada com um disco de purê de batatas por cima). E de um docinho de caqui, daqui ó. Hummm.


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Petrópolis: aconchego, preguiça, natureza e comida

Bruno Agostini - 12/08/2008



Este texto foi escrito há dois anos. Mas acabei nunca publicando. Então, aproveito que pediram dicas aqui sobre Petrópolis para publicá-lo. Mas alerto: há de se ter paciência, tá meio grandinho...


A baiana Lidiane vem ao Rio em outubro e pediu umas dicas:

“Bruno, seu blog foi um achado pra mim... Tem umas dicas bastante práticas, adorei! Meu marido e eu somos da Bahia, e faremos nossa primeira visita ao Rio em outubro, chegaremos num sábado no final da tarde, e retornaremos numa terça, tb no final da tarde. Não somos muito de balada e agitação, a gente quer curtir o visual, a natureza. E quem sabe tb, dar uma "chegadinha" em Petrópolis pra conhecer. Vc pode nos mandar umas dicas? Desde já obrigada!”

Vou tentar fazer uma sugestão de roteirinho básico, privilegiando programas ecológicos.
Se quiserem mais alguma sugestão específica, escrevam, por favor. Porque adoro responder.



Petrópolis agasalha a receita perfeita para os que desejam degustar a temporada de inverno nas montanhas fluminenses com o que elas apresentam de melhor: frio e boa mesa. Cachecol, gorro e par de luvas são itens indispensáveis na bagagem. Lareira, fondue e vinho formam a tríade dos objetos de desejo para aconchegar os dias gelados e criar o clima, perfeito tanto para casais em busca de romantismo quanto a famílias a fim de momentos de reunião e contato com a natureza. A julgar pelo que os termômetros indicaram já no mês de abril, a estação promete ser uma das mais frias dos últimos anos - nada que um bom edredom ajudado pela quentura dos comes e bebes tradicionais da estação não possam combater. Para acolher os visitantes que sobem a Serra dos Órgãos atrás das baixas temperaturas combinadas às altas calorias sugeridas pela meteorologia há opções de pousadas para todos os perfis de viajantes.

Os que desejam exclusivamente se entregar às tentações culinárias têm à disposição celebridades turísticas consagradas, como a Locanda della Mimosa. Como define Danio Braga, o chef e proprietário da casa considerada um dos melhores endereços gastronômicos do continente "trata-se de um restaurante onde as pessoas podem dormir. Além de não precisarem se preocupar em tomar vinho e depois dirigir".

A bebida de Baco, aliás, é coisa séria ali: a adega subterrânea é uma das mais poderosas do país, um verdadeiro museu enófilo que guarda alguns dos rótulos mais cobiçados do planeta, além de uma seleção de preços e procedências capazes de agradar a todos os bolsos e graus de exigência. Para enfeitar, quadros temáticos e toda a sorte de apetrechos ligados ao vinho, além de garrafas de Petrus, Sassicaia, Romanée Conti, Mouton Rothschild e todo o elenco estelar dos grandes vinhos planeta. A maioria já aberta, mas há também algumas jóias fechadas que tornam a carta de vinhos uma das melhores do país. Entre as mais preciosas jóias da cave, há um Château Lafite Rothschild, safra 1976, que custa R$ 4.987,50. Ou que tal um Château Margaux, ano 1982, por R$ 4.750. Mas há também bons vinhos mais acessíveis aos meros mortais apreciadores da bebida.

São apenas seis exclusivas suítes, cada uma com uma decoração diferente. Menores de 8 anos não são aceitos nem na pousada nem no restaurante, que muda o cardápio a cada fim de semana buscando aproveitar os melhores ingredientes do mercado.

- Toda a sexta, pela manhã, faço a feira no Rio e elaboro o cardápio para o fim de semana - conta o chef italiano.

Com tantos mimos à mesa, muita gente nem aproveita as atrações petropolitanas além dos domínios de Danio Braga, que na pousada restinge ainda mais o público: não aceita menores de 16 anos. Tudo em nome do sossego dos hóspedes. Não é à toa que a Locanda foi eleita pela Guia Quatro Rodas o melhor hotel para casais.

- Há hóspedes que passam o fim de semana inteiro aqui. Não saem para nada. Tomam café pela manhã e chá à tarde, almoçam, jantam, bebem vinhos e, entre uma e outra refeição, aproveitam a sauna e a piscina. Vamos ampliar a pousada com mais três suítes que devem ser inauguradas nos próximos meses - revela Danio, único chef na América Latina a figurar na pomposa lista dos Les Grandes Tables du Monde, guia gastronômico que é referência, elegendo anualmente os 100 melhores restaurantes do planeta.

Outra estrela no elenco das melhores pousadas da serra é a Tankamana Ecoresort (na foto), aconchegante, isolada e silenciosa, com cabanas simpáticas incrustadas entre araucárias, pinheiros e quaresmeiras. Confirma a tendência romântica da região. É a segunda colocada na lista dos melhores hotéis para casais. Aliás, cabe um parêntese (o terceiro da lista é a Fazenda das Videiras, no Vale das Videiras, igualmente voltado à combinação de gastronomia com exclusividade de poucos quartos e serviço primoroso).

Integrante dos Roteiros de Charme, a Tankamana é procurada essencialmente por casais ansiosos por sossego e romantismo no meio do mato. Assim como na Locanda, a cozinha também trata de seduzir hóspedes e forasteiros. Ali as diversas receitas de trutas de criação própria são o carro-chefe - os peixes nadam sob os comensais nos tanques que invadem o salão e podem ser observados através do piso envidraçado.

- Só não é possível escolhê-las para comer, já que o abate obedece uma programação semanal e não acontece todos os dias - alerta o chef catarinense Hugo Lehmkuhl, recém-chegado da Pousada Zé Maria, uma das melhores de Fernando de Noronha.

É um charme a mais no ambiente rústico-chique observar o balé aquático, que encanta especialmente as crianças – que ali, ao contrário da Locanda della Mimosa e da Fazenda das Videiras, são bem-vindas.

Encantado com tanta fartura de trutas frescas à disposição o chef pretende modificar o cardápio, valorizando ainda mais o peixe que exige águas frias e correntes para se desenvolver.

- No início de junho já teremos outras receitas criadas por mim incorporadas ao cardápio. Farei entradas, saladas, massas e risotos com os filés - adianta.

Só faltará sobremesas de truta. Enquanto eles não as cria, vale saborear o petit gateau, já um clássico do cardápio, assim como a manga grelhada e a pêra ao vinho tinto.

Mas não é feita apenas de suítes ou chalés veteranos o cardápio de boas pousadas da Cidade Imperial e seus distritos mais badalados, como Itaipava e Araras. Ano a ano a oferta se amplia. A cada temporada as novidades incrementam ainda mais a lista de aprazíveis hospedarias petropolitanas, candidatas imediatas ao ingresso na lista de distintas pousadas clássicas serranas, onde os mínimos detalhes conspiram para uma estadia perfeita.

A caçula da turma abriu as porteiras no carnaval e carrega no nome a proposta hoteleira: tranqülidade em meio ao bucolismo campestre. Erguida em um monte rodeado por vales verdejantes a Quinta da Paz conjuga pássaros cantarolantes a instalações de fina elegância erguidas na amplidão de uma chácara de veraneio transformada em pousada pela família proprietária.

A supervisão de Wisley Maciel, que prestou consultoria no projeto e gerencia o início da operação, garante que tudo funcione perfeitamente: da roupa de cama impecável ao atendimento da equipe de funcionários, passando pelos jardins floridos onde repousam espreguiçadeiras e o restaurante.

No farto bufê é mantida a tradição carioca da feijoada aos sábados, convite irresistível à sesta vespertina, que pode ser apreciada em um dos recantos discretos no vasto gramado. Redes e acolchoados pufes cumprem o papel de confortar os hóspedes do lado de fora dos aposentos. Em um desses oásis de sossego acontecem as sessões de massagem em uma aconchegante tenda de bambu. Logo ao lado um ofurô ao ar livre e uma enorme banheira de hidromassagem aguardam para que o fim da sessão de relaxamento seja apoteótico. Um carrinho elétrico de golfe pode se encarregar de transportar o hóspede sem condições de andar após o tratamento.

Uma das mais chamosas adegas do país foi construída no subsolo da sede da pousada. A oferta de rótulos ainda é modesta, aquém da capacidade da cave, mas aos poucos deve incrementar-se.

- Devagar enchemos as nossas prateleiras com o que o hóspede mostrar preferência - revela Wisley, com passagem por alguns dos mais importantes hotéis cariocas, um dos mais conhecidos profissionais da área no estado do Rio de Janeiro.

Ainda com cheiro de tinta fresca também estão as instalações pomposas do Solar do Império, pousada que funciona em uma das mansões da Avenida Koeller, o coração do Centro Histórico de Petrópolis. Respira-se o ar da nobreza que outrora habitou aquelas paragens, quando os Orleans e Bragança elegeram o alto da serra para o lazer e o descanso – hábito logo imitado pela população da corte e que se mantém até hoje.

O casarão de 1875, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, abriga apenas 16 exclusivos quartos dispersos entre a construção imponente que mistura colunas gregas ao piso em mosaico elegante.

Piscina aquecida, ofurô e sauna, itens essenciais ao ócio invernal, relaxam os hóspedes após as caminhadas pelas atrações culturais ao redor: a menos de cinco minutos a pé chega-se ao Museu Imperial, um dos melhores e mais visitados do país; à Catedral de São Pedro de Alcântara; famosa pelo deslumbrante estilo gótico e pelas missas dominicais concorridas, e à Casa de Santos Dumont, conhecida como A Encantada, uma curiosa construção que revela toda a criatividade do pai da aviação. São os três mais procurados e importantes pontos turísticos de uma seleção que inclui ainda o Palácio de Cristal e o Palácio Rio Negro, tudo ao alcance de uma aprazível caminhada que contempla a história em cada esquina. Charretes convidam ao passeio mais preguiçoso pelas consagradas heranças dos tempos do Império.

No mesmo Vale do Cuiabá onde funcionam a Tankamana e a Quinta da Paz a pousada Les Roches, foi inaugurada no ano passado e já abocanhou a honrosa inclusão na lista das cinco melhores novidades de 2005. Título também concedido pelo Guia Quatro Rodas deste ano.

Chalés simpáticos sobem uma encosta florida de onde se tem uma deslumbrante vista. O café da manhã é servido sem hora para acabar. Um dos diferenciais da pousada é o Espaço Gourmet, uma cozinha estrategicamente localizada ao lado da sauna e da piscina. Nela os hóspedes podem cozinhar. E, o que é melhor, não precisam nem se preocupar com as compras tampouco com a pia suja, naturalmente.

- É só eles nos passarem a lista dos ingredientes que querem que vamos ao mercado comprar - conta Américo Palha, o proprietário da pousada, recordando o casal que escolheu um bom vinho na adega e passou a noite à beira da piscina, iluminados pelas velas providenciadas pela pousada, a degustar a produção culinária do rapaz.

Do todas as novidades a Altenhaus é a que apresenta um perfil mais familiar. Instalada em uma casa de veraeio estilosa, com a cara dos anos 50, de amplas áreas envidraçadas e linhas retas formando ângulos agudos, ao contrário das demais não aposta pesado na gastronomia. Mas para quê? Entre todas é a mais próxima do animado centrinho de Itaipava, uma das maiores concentrações de bons restaurantes por metro quadrado que se tem notícia no Brasil. A culinária fala vários idiomas ao longo da Estrada União e Indústria e suas simpáticas ruas perpendiculares.

A menos de cinco minutos de carro chega-se a clássicos como o português Parrô do Valentim, o espanhol Parador Valência, o italiano Il Perugino, o japonês Nikko Sushi, o asiático Tai Tai, entre tantos outros bons endereços da boa mesa, como a filial da pizzaria Fiammetta.

Mas apesar da abundância de excelentes restaurantes nas redondezas, da cozinha da pousada Altenhaus saem algumas gostosuras como ravióli de lagosta e receitas de truta. Pratos que não decepcionam nem os mais exigentes paladares.

A piscina derrama-se sobre o vasto gramado de onde observa-se de ponto privilegiado a imponente montanha que batiza a região. Itaipava, a pedra que chora, em tupi, ganhou este devido devido às águas que escorrem pelo paredão em um dia de chuva. Quem estiver ali com tempo ruim tem algo mais a fazer além de se refugiar no chalé para curtir o tempo londrino: apreciar o espetáculo da paisagem que se descortina do salão.

Sauna, churrasqueira, quadra de tênis, sinuca, mingolfe e uma coleção de plantas floridas montam um cenário adequado à confraternização de pais, filhos, avós, tios e amigos. Espreguiçadeiras debaixo das árvores são o recanto preferido para a leitura de livros, jornais e revistas. Quem preferir mexer o esqueleto pode percorrer a trilha que corta a floresta.

Vale aproveitar dois agradáveis detalhes do café da manhã: o pão de queijo que vem de Barbacena, divino, e as rabanadas feitas na hora, como manda a regra, crocantes por fora, macias por dentro, com a doçura na medida exata.

Outra boa nova é a Pousada Caminho Real, na Fazenda Inglesa. A proposta é também familiar, com chalés que podem hospedar até quatro adultos. Crianças recebem atenção especial. Recreadores divertem a petizada que tem à disposição restaurante próprio, além de uma série de brinquedos e jogos.

Os pais podem desfrutar da gastronomia mediterrânea de orientação francesas enquanto os filhos aproveitam as delícias do restaurante infantil Fazendinha.

Hora de fazer as malas, sem esquecer o gorro, o cachecol e o par de luvas. A lareira, o vinho e o fondue estão esperando.


Na foto, a piscina natural da Pousada Tankamana.

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No Rio, o carnaval já começou

Bruno Agostini - 11/08/2008



Não sei se você já reparou, mas já começou o carnaval carioca. Esta semana a Portela, tradicionalmente a última, divulgou o seu enredo: a escola de Oswaldo Cruz e Madureira vai falar de amor. Faz uns 15 dias que a Mangueira começou a sua temporada de ensaios para a escolha do samba, homenagem a Darcy Ribeiro – o que, de bem trabalhado, pode render um enredo de entrar para a história. Assim já começam as demais. A coisa só esquenta mesmo lá pelas finais, ali por novembro. E pega fogo de verdade depois do Natal. Isso significa o que? Que esta é a melhor época de se curtir uma quadra com mais folga e tranqüilidade.
Tenho gostado muito do Salgueiro nos últimos anos. Seu enredo, o tambor, tem a cara da escola da bateria “furiosa”. Vai ser um grande desfile, e já imagino candidata ao título.
Também quero ver a Vila desenvolver o seu enredo: o Teatro Municipal (foto), que completa 100 anos de existência em 2009. E, falando nisso, o palco mais nobre do Brasil passará por reformas muito bem-vindas.
E a Mocidade vem com Machado de Assis, no seguinte ao centenário de morte do Bruxo do Cosme velho, a ser completado em setembro.
A Viradouro, sem Juliana Paes, que pena, apresenta “Vira-Bahia: pura energia”, que eu não sei do que se trata exatamente. Mas me parece, assim, despropositado.
A Grande Rio pega carona no “Ano da França no Brasil”, em 2009, para lançar um enredo que fala da terra de Napoleão, Victor Hugo e do roquefort.
A Beija-Flor, sempre favorita, levará à avenida o tema, banho.
Vamos ver. Para mim, por causa dos enredos, essas escolas já saem na frente. São, hoje, os candidatos mais fortes ao título.

Por fim, aconteceu uma coisa legal nos últimos dias. Talvez fruto da minha aparição no Jornal Nacional, sei lá. Mas apareceu um monte de leitor novo que deixou mensagens em posts antigos. Em primeiro lugar, bem-vindos. Peço mesmo para escreverem. Mas se forem deixar mensagens em posts antigos, escrevam também nos novos. Porque caso contrário posso não voltar a ler. Vamos combinar assim? Não gosto mesmo de deixar pergunta sem resposta aqui no blog.

Na foto, a visita guiada ao Teatro municipal do Rio: 100 anos em 2009.

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