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Elogio ao Rio (pra variar um pouco)

Saia pelo mundo - 03/12/2008

Quase todos os dias, quando me sobrava uma horinha, eu caminhava do Leblon até o Arpoador. Me besuntava inteira de spray contra dengue (esse texto é pra elogiar, Tati, não se perde!) e ia. Feliz. Quer dizer, feliz dentro do que dava pra estar feliz na terra onde todo e qualquer ser (de favelado a artista da Globo) te olha no fundo dos olhos mas se te der um encontrão não pede desculpas. Em São Paulo a gente não olha na cara de ninguém mas tem uma noção maior de espaço. Ou pelo menos pede desculpas.

Enfim, mas voltando a missão de fazer um elogio ao Rio, eu tinha feito a minha caminhada, com uma roupinha ridícula de ginástica, e estava a fim de comer uma salada de salmão que tinha na livraria Argumento.

Ao chegar lá, já obcecada pela salada, me dei conta de que estava, suada e com minha roupinha ridícula, no meio do lançamento do novo livro da bela e talentosa Maitê Proença. Evento que tinha reunido boa parte dos talentos e beldades da televisão. Todos, obviamente, cheirosos e bem vestidos.

Em São Paulo eu teria dado meia volta volver por livre e espontânea vontade ou teria ido embora para não me irritar com tantos olhares de reprovação. No Rio... absolutamente nada aconteceu. Nada! Comi minha salada ao lado da Marília Pêra. Numa harmonia caótica que é a cara do Rio. E que, nesse caso, eu achei o máximo. 

Postado por Tati Bernardi


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A Azul está no ar

Bruno Agostini - 03/12/2008

Ontem fiz o meu melhor vôo em 32 anos de vida bem voada. Foi curto, lindo e tranqüilo, com um panorama admirável.
Muita gente – eu, inclusive – acha o Aeroporto Santos Dumont o mais belo do mundo. Decolar ou pousar ali num dia claro é uma dos momentos mais sublimes que pode haver. Poucas coisas podem ser mais bonitas.
Pois o vôo inaugural da Azul no Rio de Janeiro foi um deleite. Decolamos por volta das 3h20. Voamos em direção ao Sul, contornando toda a orla da cidade até o finzinho da Restinga de Marambaia. E o melhor: viajamos lentamente, a apenas dois mil metros de altitude. Melhor ainda: como não estava totalmente lotado o avião, deu para ir do lado direito na primeira parte do trajeto, e trocar de poltrona na hora do retorno, apreciando o visual. Para ser melhor, só se voássemos no começo da manhã ou fim da tarde.
Hoje acho o Rio mais bonito do que achava ontem. E fiquei até pensando: será que não seria viável comercialmente um vôo como este, que passeio calmamente pelos céus da cidade? Achei lindo demais. Tem tanto turista voando de helicóptero e asa-delta.
Pensa que chegamos ali na Baía de Guanabara e aterrissamos? Nada disso. Demos uma esticada até Ponta Negra, em Maricá, sobrevoamos a orla de Niterói e passamos sobre a Ponte antes de descermos praticamente no meio do mar.
E ainda tivemos sorte. Ontem foi um dos únicos dias de sol desta primavera miserável. Pelo menos isso. Para você ver, estou há uns 15 dias tentando fazer um vôo de helicóptero e São Pedro não permite. 

Para quem, como eu, sofreu tanto nos últimos anos com vôos atrasados, preços extorsivos e muita falta de respeito das companhias aéreas, a chegada da Azul é um alento.

Gostei muito do avião. Sentei-me no fundo. Há um ótimo espaço entre as fileiras de cadeiras. E, entre as fileiras 1 e 5, onde há mais espaço (quem quiser paga R$ 20 a mais por isso), cabem gigantes de até dois metros confortavelmente. Gostei disso. Também é bom não haver assento espremido entre a janela e o corredor.  E promete fazer sucesso a TV ao vivo a partir do fim de 2009.

O serviço de bordo tem batatinhas, biscoitinhos doces, amendoins, sucos e refrigerantes. Ainda está em treinamento, precisando de ajustes. O uniforme das aeromoças tem inspiração nos anos 50, com direito a boinas e lencinho no pescoço. É bonito. Remete a dias melhores da nossa aviação.
Os funcionários, boa parte deles vindos da antiga Varig, têm a simpatia e eficiência que marcaram a antiga companhia, hoje um tanto desfigurada. Isso parece que vai ser bom também.

Entre tudo, porém o que mais gostei foi o fato de os aviões serem brasileiros. Deu um orgulho, sabe? Porque as outras companhias brasileiras não seguem este exemplo para os vôos regionais?

Foi bacana conhecer pessoalmente o Gianfranco Beting, ex-colega de blog, diretor de marketing da empresa. Estava animadíssimo.

Por fim, é também louvável a idéia de fazer vôos diretos. Todo o brasileiro, exceto os residentes em São Paulo, sofrem com a nossa malha aérea, que lamentavelmente concentra seus vôos numa única cidade, obrigando toda a população a fazer escalas e, muito pior, conexões, mesmo em vôos de curta distância.

Nós cariocas, estamos torcendo para que a Azul aterrisse aqui logo. Que ela possa operar no Santos Dumont, que está lindo e ocioso, mas também no Galeão, que está em estado deplorável, só vendo.

É bom ver que a chegada da Azul já fez a concorrência se mexer, alterando preços e rotas.
A concentração de mercado só é boa para as companhias. Concorrência é benéfica para os usuários, aeronautas, aeroviários e para a economia do país. Que venham outras. Ainda estamos precisando. É só ver quanto os brasileiros pagam pelas passagens.

Ah, ainda tive tempo de testar a internet sem-fio que deveria ser gratuita no aeroporto. Por enquanto, nada. Não consegui conexão. O negócio é ir trabalhar na praia de Copacabana.

Leia também a matéria da Rosana Zakabi sobre a Azul.


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Paixão Índia: nos passos da princesa espanhola de Kapurthala

Rachel Verano - 03/12/2008

A cidade de Kapurthala, no Punjab, tem cerca de 50 mil habitantes e um museu de ciências como principal atração para os poucos visitantes. Mas não foi atrás dele que eu viajei uma hora e meia desde Amritsar. Eu queria ver de perto a réplica do Palácio de Versalles que o rajá Jagatjit Singh ergueu ali no comecinho do século 20 e batizou de L’Elisée. Queria refazer o caminho cercado de árvores que levava à Villa Buona Vista, uma residência de caça da família real, à la italiana. Queria, enfim, seguir os passos de Anita Delgado, a bailarina espanhola que viveu um conto de fadas ao se casar com o rajá e se tornar a princesa de Kapurthala em 1907, história real contada no livro “Paixão Índia” (Editora Planeta), do espanhol Javier Moro (e que Penélope Cruz pretende transformar em filme, estreando como diretora).

 

Não foi fácil encontrar o palácio L’Elisée. Ninguém na rua a quem perguntávamos conhecia. Citando o nome de Jagatjit, fomos parar num clube privado, e foi o segurança quem nos informou que tratava-se hoje de uma escola. Passamos pela portaria cheia de militares sem maiores explicações e de repente estávamos diante dele, inconfundível. A fachada cor de rosa. O telhado de ardósia. As colunas simétricas. O primeiro andar com o pé direito altíssimo, para que a família pudesse montar nos elefantes antes de sair de casa.

 

Vagamos um bom tempo por ali, passeando pelo jardim, e decidimos entrar para ver de perto, até que nos encaminharam à direção da escola, para pedirmos autorização. Vimos móveis com o brasão de Kapurthala feitos sob medida para o palácio, construído para ser a casa de Anita. E visitamos a impressionante biblioteca, antigo Durbar Hall, cujas paredes estão forradas de quadros com os membros da família de Jagatjit. “Dentro, seiscentos trabalhadores levaram nove anos para deixar tudo pronto. As paredes do Durbal Hall (sala de audiências) estão decoradas no mais puro estilo indiano, com baixos-relevos de madeira que combinam motivos franceses e orientais. O teto finamente esculpido, com um vitral na cúpula, é iluminado por pequenas luzes em forma de estrela. A meia altura, com balaustres a intervalos regulares, há uma galeria reservada às damas da corte para quando forem celebradas cerimônias oficiais”, descreve Javier Moro no livro.

 

Não satisfeita, eu ainda queria ver de perto a Villa Buona Vista, a primeira casa de Anita na cidade. Foi quando fiquei sabendo que não poderia visitá-la, mas por uma razão empolgante: ainda hoje a casa pertence à família do rajá, e é seu neto, filho de Paramjit (seu filho mais velho) quem mora ali. Encerrei minha visita a Kapurthala ali na porta da casa, imaginando a cena da benção do filho de Anita e Jagatjit pelos hijras (casta misteriosa de eunucos e travestidos, “nem homem nem mulheres”, que se veste de mulher e tem uma certa conotação mística na sociedade indiana). E voltei pela mesma estrada arborizada onde o rajá conduzia o seu Rolls Royce Siver Ghost azul marinho em alta velocidade, numa manhã ensolarada e coberta de bruma.


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Índia: a viagem continua...

Rachel Verano - 03/12/2008

Após uma semana digerindo o atentado de Bombaim, observando a reação das pessoas e calculando os próximos passos, optamos por não mudar os planos da nossa viagem. Depois de ouvir de uma amiga diplomata que catástrofes, independente da natureza, podem acontecer em qualquer lugar, e que isso não deveria descolorir a nossa viagem, decidimos relaxar. A Índia tem uma capacidade incrível de conquistar pelas coisas mais simples. Foi só passar um fim de tarde no Templo Dourado de Amritsar, ao som hipnótico dos cânticos siques, que eu já tinha feito as pazes com o país.

A partir de agora retomo as alegrias desta viagem neste blog. Mudou alguma coisa? Sim, é inegável. Há mais policiais armados nas ruas, já vimos algumas barricadas, até. Segundo a imprensa local, os próximos dias serão decisivos para as relações diplomáticas entre a Índia e o Paquistão. Há rumores de deslocamentos de exército para as fronteiras, ânimos mais exaltados aqui e ali. Ainda é cedo para dizer como os últimos acontecimentos vão afetar o turismo no país. Mas a vida nas ruas segue normalmente, e o nosso fluxo agora é esse também. :-)


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O albergue

De Mochila - 03/12/2008

Eu sou uma fiel defensora dos albergues. Sei que eles não são a alternativa mais confortável de estada, mas normalmente são a mais divertida. Albergues hospedam pessoas de todas as idades e com viagens de propósitos muito diferentes. Sempre dá pra conhecer gente muito interessante e fazer amizades duradouras.

Existem dois tipos de albergues: os chamados Albergues da Juventude (para os quais será necessário possuir uma carteirinha de alberguista que custa R$40,00 e que pode ser feita na STB no Brasil ou pelo site www.albergues.com.br) e os albegues independentes, para os quais não se precisa de nada além de dinheiro, documento e disposição. Eu, geralmente, opto por albergues da segunda categoria. Eles costumam ser mais, digamos, alternativos, e acolhem gente de todas as espécies e estilos. E, além disso, não há necessidade de se fazer a carteirinha, que é bem carinha, vamos combinar...

Uma boa maneira de reservar albergues é checar os sites www.hostelworld.com (esse tem uma infinidade de opções, mas cobra uma pequena taxa para a reserva) e www.hostelbookers.com (com um pouco menos de opções, mas sem a taxa). Vale checar os dois quando for fazer uma reserva. Pode ser que o mesmo albergue tenha preços diferentes nos dois sites. Além disso, é bom dar uma olhada nas análises e nos comentários feitos pelos viajantes que já ficaram hospedados lá e, se você estiver viajando sozinho(a), dê importância ao quesito “Fun” (diversão), já que, normalmente quer dizer que o albergue possui uma área de lazer – seja uma sala, um lounge, uma área externa, ou até um bar -, que torna mais fácil conhecer outras pessoas.

Se você só quiser procurar entre os Albergues da Juventude, então o endereço é www.hihostels.com.

Os albergues podem oferecer toalha e roupa de cama, um pequeno guarda-volumes por pessoa, algum tipo de internet (seja wireless pra você acessar com o laptop, seja um computador próprio com acesso gratuito, ou internet paga) e café da manhã. Mas isso não quer dizer que todos vão ter, ou que vão disponibilizar de graça. Pode ser que tenham também horário de curfew (quando eles apagam as luzes e botam todo mundo pra dormir) e, eventualmente, trancam a porta, o que significa que, se você não entrar até aquele horário, só entra pela manhã. Verifique o que julgar importante.

Os quartos podem ser individuais, quartos para grupos de duas, três, quatro pessoas (aí você tem que reservar todas as camas do quarto), ou dormitórios. Claro que os do primeiro tipo são os mais caros, mas te oferecem muito mais privacidade. Quanto aos dormitórios, eles podem ser femininos, masculinos ou mistos. Eu, pessoalmente, prefiro ficar em quartos mistos. Acho que as pessoas costumam se comportar melhor na presença de outras do sexo oposto. Já estive em quartos femininos incrivelmente bagunçados, com roupas recém lavadas penduradas em todos os lugares possíveis, e nunca vi garotas fazerem isso em quartos mistos. Nunca dormi em quartos exclusivamente masculinos, claro, mas imagino que devam funcionar da mesma maneira.

Eu acho mesmo que o albergue pode ser o quesito mais importante na hora de você definir se uma viagem valeu ou não a pena. Na Letônia, por exemplo, o albergue em que fiquei era tão bizarro, que arruinou quaisquer chances de eu me apaixonar pela cidade. Já em Cracóvia, Polônia, o melhor albergue que já me hospedou tornou minha temporada lá inesquecível.

Top 3 Albergues em que eu fiquei ao redor do mundo:
1.Nathan's Villa -  Cracóvia, Polônia
2.Backpack Guesthouse – Budapeste, Hungria
3.The Korcula Backpacker - Korčula, Croácia

Me conta a sua lista?


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