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Saia pelo mundo

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Mari Campos, Tati Bernardi, Cris Capuano e a equipe feminina da Revista Viagem e Turismo dão dicas, contam causos, trazem polêmicas e te levam ao sedutor mundo das mulheres viajantes.

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Elogio ao Rio (pra variar um pouco)

Saia pelo mundo - 03/12/2008

Quase todos os dias, quando me sobrava uma horinha, eu caminhava do Leblon até o Arpoador. Me besuntava inteira de spray contra dengue (esse texto é pra elogiar, Tati, não se perde!) e ia. Feliz. Quer dizer, feliz dentro do que dava pra estar feliz na terra onde todo e qualquer ser (de favelado a artista da Globo) te olha no fundo dos olhos mas se te der um encontrão não pede desculpas. Em São Paulo a gente não olha na cara de ninguém mas tem uma noção maior de espaço. Ou pelo menos pede desculpas.

Enfim, mas voltando a missão de fazer um elogio ao Rio, eu tinha feito a minha caminhada, com uma roupinha ridícula de ginástica, e estava a fim de comer uma salada de salmão que tinha na livraria Argumento.

Ao chegar lá, já obcecada pela salada, me dei conta de que estava, suada e com minha roupinha ridícula, no meio do lançamento do novo livro da bela e talentosa Maitê Proença. Evento que tinha reunido boa parte dos talentos e beldades da televisão. Todos, obviamente, cheirosos e bem vestidos.

Em São Paulo eu teria dado meia volta volver por livre e espontânea vontade ou teria ido embora para não me irritar com tantos olhares de reprovação. No Rio... absolutamente nada aconteceu. Nada! Comi minha salada ao lado da Marília Pêra. Numa harmonia caótica que é a cara do Rio. E que, nesse caso, eu achei o máximo. 

Postado por Tati Bernardi


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Coisas que perdemos pelo caminho

Saia pelo mundo - 02/12/2008

Eu perdi um brinco na montanha russa Aerosmith, na Disney.  Perdi coisas dentro da minha própria mala, que só reencontrei depois de chegar em casa – várias vezes. Perdi alguns dos meus travellers checks na Espanha em 2004. Perdi a compostura num porre no México – um só, eu juro, e a culpa foi toda da tequila. Perdi um vôo na Alemanha porque a fila para o raio-X demorou absurdos 55 minutos numa conexão.   Perdi a vergonha de viajar sozinha no segundo dia em que fazia isso pela primeira vez; mas a vergonha de jantar sozinha foi só lá pela terceira ou quarta experiência. Perdi a mania de levar mais peso do que precisava quando comecei a carregar minhas malas sozinha. Perdi  meus óculos escuros amados numa loja, de bobeira, ao deixá-los sobre o balcão para tirar uma dúvida. Perdi o sono ao passar a noite num chalé absolutamente gelado, sem cobertores, em Águas de Lindóia – e fui embora no dia seguinte, é claro.  Perdi a frescura de não viajar de tênis depois de bolhas doidíssimas destruírem meus pés. Perdi a linha ao voltar de uma temporada de estudos na Espanha 4 kg mais gorda – e esse foi o começo do fim.  Perdi  o rumo ao chegar em Paris sozinha pela primeira vez, depois de ter ido várias vezes à cidade acompanhada – mas reencontrei meu rumo nessa cidade que eu amo já no dia seguinte.  Perdi uma mala graças à American Airlines, que diz que “não cobre danos causados por seus funcionários na estrutura da bagagem”(!!!). Perdi o apetite depois de ver ovelhas mortas por um puma na Patagônia.  Perdi o sono durante meu cruzeiro pelos fiordes noruegueses em plena época do sol-da-meia-noite.  Perdi um trem Intercity em Pisa por um erro de plataforma impresso no meu bilhete; mas me deixaram embarcar num Eurostar. Perdi  a paciência em Buenos Aires ao tentar pagar o hotel no check out com um dos meus cartões de crédito que simplesmente demorou 1h para confirmar a transação.  Perdi o medo de alugar apartamento no exterior pela internet ao fazê-lo pela primeira vez e ver como essa experiência é legal.  Perdi a vontade de mochilar muito cedo; assumo minha mala de rodinhas há anos. Perdi o sossego quando meu bote furou no meio de um rafting e tivemos que procurar socorro pelo meio da mata. Perdi o nojo e comi escargot na França em 2007 – gostei tanto que repeti a dose em 2008.

Aff, eu já perdi tanta coisa viajando...   Só falta perder o medo de avião  ;)

E vc, o que já perdeu pelo caminho em suas viagens?

Mari Campos acha que,  apesar de vira e mexe perder alguma coisa viajando, sempre sai ganhando – e muito – ao voltar de viagem.


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Para quem ainda não se programou: Natal na Montanha

Saia pelo mundo - 01/12/2008

Passei esse final de semana em Campos do Jordão, para o lançamento oficial do Natal na Montanha 2008.  A campanha de Natal, que já acontece há quatro anos por ali,  está levando cada vez mais turistas para essa região em pleno verão.  Em tempos de alegada crise internacional, taí um destino charmoso o ano todo – com a vantagem de ter espaço para se mover e aproveitar a vida sem filas e sem stress nessa época.

Quem pensa na cidade somente como refúgio para casais apaixonados nos meses do inverno, engana-se;  Baden-Baden e adjacências continuam animadíssimos (e disputados!) durante todo o ano, sem falar nas novas baladas em Abernéssia e nas impecáveis novidades gastronômicas de endereços especiais, como o requintado Baronesa von Lethier (que, além das delícias, tem uma vista de tirar o fôlego). E tudo isso sem a superlotação comum à cidade durante o inverno. Em termos de diversão, passeios, compras e boa comida, para solteiras, casadas, namoradas, ficantes ou grupos de amigas, Campos continua sendo a boa e velha Campos de sempre.

Até o dia 6 de janeiro, dia de Reis,  quem visitar a cidade será contemplado com inúmeras atrações culturais (sinfônicas, corais, ballets e performances),  novidades gastronômicas da Cozinha da Montanha (já provou fondue de frutas vermelhas??? De-li-ci-o-so!!!) e uma iluminação especialíssima, para coroar a decoração de Natal que inclui até neve artificial todas as noites no centrinho de Capivari – a gente pode achar bobagem, mas crianças (algumas com mais de 40...) adoram.

Por falar em criançada, como os tempos mudam, né?  Acompanhei a chegada do Papai Noel no Portal de Campos com inúmeras crianças ao meu redor – inclusive meninas de 8, 9 anos, produzidíssimas com botas, boinas e cachecóis da última moda, que o fotografavam com seus próprios celulares.  Quando perguntei a algumas delas se iriam deixar a foto do Papai Noel como papel de parede do aparelho até o Natal, uma me respondeu rapidinho:  “não, não; é pra colocar no meu orkut mesmo”. Essas meninas-viajantes vão longe, não???

 

 

Mari Campos até passou um friozinho lá, no último final de semana de novembro, com os termômetros marcando 11 graus no auge da nossa primavera-verão.


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Vivendo na selva

Saia pelo mundo - 01/12/2008

Olha lá a Dona Maria tentando me ultrapassar pela direita. Em plena Marginal Pinheiros. Eu xingo e ela ainda ri da minha cara. Hiena. Vivo em uma reserva privada que se chama São Paulo, mais especificamente entre a minha casa e o meu trabalho.

Ele come um, come outro, come todos. O motoboy é o rei do trânsito, deixando todos para trás. É o leão da selva. Quem diria. E todo mundo achando que ele era o mais fraco só porque vive dos trocos que consegue quando a pizza chega quente.

Sinal fechado. O pescoçudo ao lado examina tudo o que eu faço dentro do carro. Se eu vivesse numa cidade romântica, teria vergonha de minhas pernas expostas e desconfiaria do amor. Mas o medo de a girafa estar paquerando meu iPod me vence a ponto de eu travar as portas e dar um jeito de sair do congestionamento.

Meu coração já não é assaltado há anos, já meu rádio é roubado mês sim, mês não.

Olha lá, um Puma e um Corcel. A gente pensa que são animais extintos, mas tem sempre um colecionador (ou reacionário) que guarda um bicho desses na garagem. O menino da bicicleta chegou antes de mim e antes até do Jaguar, do Beetle e do Fox. Vivemos numa selva maluca mesmo. Motoboys são leões; ciclistas, leopardos; e o Jaguar, comedor de fumaça. A cadeia alimentar está de ponta-cabeça.

Pobres importados gigantes que custam uma casa inteira e não passam de elefantes com tristes trombas de impotência. Parados no trânsito. Tanto poder e precisam blindar suas carcaças. Parou tudo de novo. Foi um leão que entrou num leopardo fazendo dois elefantes trombarem. Deu zebra.

Postado por Tati Bernardi 


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Brasileiros perdidinhos no exterior

Saia pelo mundo - 29/11/2008

Li ontem uma notícia curiosa divulgada pela Reuters:  a Nokia fez uma pesquisa em vários países para descobrir quais os povos mais perdidos em termos de localização. Foram entrevistadas 12,5 mil pessoas em 13 países.

Os ingleses – ooops, mais especificamente os londrinos – são os mais "perdidos"; acredite: a pesquisa garante que um em cada três londrinos dá informações erradas quando indagado sobre direções de trânsito. E mais:  10% dos entrevistados acreditam ser impossível circular por Londres sem se perder. Você acredita???

Depois de Londres,  os mais “perdidos” vivem em Paris, Bangcoc, Hong Kong e Pequim. No Brasil, onde foram entrevistas mil pessoas em oito capitais, 8%  dos entrevistados admitiu ter faltado a compromissos por dificuldades em se localizar. Os dados mais legais: em São Paulo, 16%  já perderam uma entrevista de emprego por problemas de localização; em Recife, 13%  já perderam uma cerimônia de casamento por não terem encontrado o caminho da igreja – Deus queira que não fossem os noivos!

Agora a informação mais importante: entre todos os entrevistados na pesquisa, em todo o mundo, foram os brasileiros os campeões em se perder quando estão em viagem ao exterior – 31%!  Seria isso falta de planejamento de viagem? Ou seria mesmo um problema crônico nacional?  Eu vivo indo pro lado errado quando saio do quarto do hotel pra pegar o elevador; mas, uma vez na rua, é só manter um bom mapa nas mãos que dá tudo certo, não?

Ou você já se perdeu quando estava viajando?

Mari Campos adora se perder em viagens pelo exterior, especialmente nas ruas de Paris, propositadamente


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