Preciso confessar: não sou ecoturista de carteirinha. Gosto de natureza, de tomar banho de cachoeira, de nadar em rio de águas transparentes e tudo, mas não estou nos meus melhores momentos trekking. Andar três horas morro acima debaixo de um sol de 40 graus? Ã-hã. Para piorar ainda tenho fobia absoluta de altura e qualquer despenhadeiro é suficiente para me fazer voltar qualquer 2 horas de trilha sem titubear. Ou então que venham os bombeiros me resgatar!
Tudo isso é para dizer que é possível, sim, ser feliz na Chapada dos Veadeiros sem ser um andarilho do Cerrado nato. O lugar é lindo, lindo, e tem uma energia sensacional. Mesmo quem não vai encarar os trekkings mais longos, ou as trilhas dentro do Parque Nacional, vai adorar. Aqui vai a minha listinha de programas perfeitos:
1) Passar uma tarde no Rio da Lua
Almofadas espalhadas pelo gramado, ao som de um bom lounge, caipirosca de maracujá na mão... Esse lugar é mágico. Fica na beira de um rio e é perfeito para se largar e ficar horas e horas. A comida é uma delícia (não é muito barata não: um prato para duas pessoas custa quase 50 reais, mas vale a pena) e no final ainda tem rede... Reze para o anjo da guarda antes de enfrentar a estrada de terra na volta.

2) Acordar às 6h da manhã para ver o sol nascer no Jardim de Maytrea, na estrada entre Alto Paraíso e São Jorge (nesta época você vai ver muitas araras azuis em seus ninhos!).

3) Visitar o Vale da Lua
Uma trilha pequenininha (uns 10 ou 15 minutos, no máximo) leva a um cenário louco: um rio transparente que corre entre crateras esculpidas numa pedra preta e porosa por toda a sua extensão (daí o nome). Dá para nadar no poço que se forma no final, mas é preciso ter cuidado na época da cheia, quando as tais crateras formam redemoinhos. Entrada: R$ 5.

4) Comer a comidinha caseira e baratíssima do Restaurante da Nenzinha, no centro de São Jorge, depois de passar o dia numa cachoeira. No bufê, super simples mas super bem feito e reconfortante, tem abóbora com carne seca, feijão tropeiro, frango ensopado... Já é tradição!
5) Aproveitar as pedras anatômicas do Salto da Raizama para ler um bom livro. As pedras dessa cachoeira parecem espreguiçadeiras naturais, e o melhor: estão sempre quentinhas. Para chegar até lá a trilha pelo cânion demora uns 20 minutos. Entrada: R$ 5.

6) Comer uma torta de limão com um bom expresso no café da pousada
Bambu Brasil.
7) Entrar debaixo da hidromassagem da cachoeira Morada do Sol que, como o próprio nome indica, está sempre... no sol. Trilha leve de meia horinha. Entrada: R$ 5.
8) Comer as pizzas fininhas e os crepes crocantes do Lua de São Jorge, em São Jorge, à luz de velas e com um bom vinho para acompanhar.
9) Andar pelas ruas de areia de São Jorge à noite, para ver o céu super estrelado e a vida que segue tranquila nessa vilinha meio parada no tempo.
10) Ver o sol se pôr no mirante a caminho da entrada do Parque Nacional (há placas), com o céu em vários tons de laranja emoldurando a silhueta de montanhas.