José Eduardo Camargo é editor dos Guias Quatro Rodas. Zé Edu escreve letras de músicas e acredita que a MPB não morreu, mas respira por aparelhos. Vez em quando usa suas experiências de viagem para compor. Quando em vez, acha que compor é a maior viagem.
O lugar que (quase) ninguém conhece
Nem vou perguntar - tenho certeza de que você nunca ouviu falar do Parque Nacional do Catimbau. Pouca gente ouviu. Fica perdido no meio do sertão pernambucano, longe demais da civilização. O isolamento tem suas desvantagens. A região é pobre, não tem nem um hotel decente. O parque mal foi demarcado, há muita gente morando na área. E, portanto, os monumentos naturais – e são muitos, principalmente formações rochosas, além de um rico acervo de pinturas rupestres – estão sob constante ameaça. Mas o isolamento e a dificuldade de acesso também afastam os visitantes indesejados. Assim, o parque hoje quase que só recebe pesquisadores, além de um ou outro turista destemido, que se arrisca a fazer os trezentos e poucos quilômetros entre Recife (a capital mais próxima) e Buíque, encarar pousadinhas além-de-simples e estradas de terra poeirentas do sertão, além de caminhar um bocado sob o sol de matar camelo até as principais atrações. Vale a pena? Sim, vale. As formações são muito bonitas, e há muitos sítios arqueológicos. Além, de claro, a imprecisa alegria de causar inveja em outros viajantes, com a velha pegadinha: "Eu conheço o Catimbau, você já ouviu falar?"
Por falar em imprecisas alegrias de viagem, elas são o tema de uma nova parceria minha com Eduardo Franco, excelente compositor do Mato Grosso do Sul. A canção chama-se Sem Fim – e você pode ouvir aí embaixo. Eduardo está gravando um CD, que promete muito. Por enquanto, você também pode ouvi-lo no myspace.
Sem Fim (Eduardo Franco/Zé Edu)
Tudo enfim se perde na poeira
De tanta estrada à toa por aí
Vai-e-vem da vida aventureira
Cidades que passei e esqueci
Noite e dia morto de canseira
Mas nunca que pensei em desistir
Tanta cerração, tanta ladeira
Quanta praça, igreja e estação
Amigos que eu fiz pra vida inteira
Amores que passaram com o verão
O som que a corda tira da madeira
E o cheiro bom da lenha no fogão
Sei de andar, e o mundo é mesmo assim
Só sertão, sem fim
Deixa estar, que andar na imensidão
É sem fim, ser tão
Sol raiou
Vou eu pra trabalhar
Se a vida é viajar
É já que eu vou