Fabio Steinberg passou a maior parte de sua vida profissional entre quatro paredes corporativas. Um dia descobriu o jornalismo. Depois, o jornalismo de viagens. E logo depois, o jornalismo de viagens de negócios. Mas ele gostou mesmo foi quando descobriu que pode viajar e ainda ser pago. Resultado: agora ele só pensa nisto, e até se tornou especialista no assunto.
O que um viajante de negócios deve fazer quando, diante de compromissos assumidos em outra cidade, principalmente na parte da manhã, não tem confiança – e com toda razão - no cumprimento de horários das companhias aéreas brasileiras? Certamente, para garantir, irá antecipar a viagem, e tomar o vôo um dia antes. Eu faria assim, e você também. Só que como nada na vida sai de graça, esta decisão tem um preço. E qual é o custo direto para a empresa? Sem falar nos gastos de horas adicionais do precioso (e caro) tempo deste executivo no local com tanta antecedência, quanto saem as despesas de uma diária adicional de hotel e eventuais refeições?
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Fiz esta pergunta ao André Carvalhal, presidente da Carlson Wagonlit Travel brasileira. Dias depois ele me apresentou um estudo que bem poderia se chamar de “reflexo da desconfiança”. Em que consiste? Tomando por base o perfil típico de um cliente corporativo da CWT, ele adotou algumas premissas:
· Somente considerou viagens domésticas, pois nos vôos internacionais o pernoite é normal.
· Levou em conta todas as rotas domésticas deste cliente no primeiro trimestre de 2008
· De forma conservadora, assumiu que apenas 30% das viagens executivas se referem a deslocamentos no dia anterior ao compromisso. Mas nós sabemos que no mundo real a coisa é bem maior. Afinal, quem vai colocar em risco um grande negócio ou a presença em uma reunião importante, com o risco de não aparecer na hora por causa de atraso de avião?
· Não foram computadas no estudo as horas-homem dos executivos. E nem o custo do stress físico e emocional dos viajantes que embora intangíveis, certamente se refletem em médicos, psiquiatras, massagens e medicamentos...
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O resultado impressiona. Vamos lá. O custo adicional hipotético de apenas uma empresa, causado pelo medo do atraso de vôo - e que no nosso exemplo levaria por precaução 30% das viagens executivas serem feitas um dia antes- foi de R$ 556 mil - só no primeiro trimestre de 2008! Se extrapolado para o ano inteiro, o total chega a R$ 2,2 milhões - ou seja, 6,5% do volume total gasto em viagens por este cliente no mesmo período.
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Ainda na mesma linha de raciocínio do André Carvalhal, se o segmento de viagens corporativas movimentar, segundo estudo recente da USP, algo como R$ 16 bilhões, o gasto adicional do mercado é de impressionantes R$ 1 bilhão por ano. Ou seja, os mesmos 6,5% sobre os gastos de uma empresa típica, só que agora aplicados sobre todo o mercado.
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Claro que esta é uma rápida estimativa, mas que dá uma boa visão do tamanho do estrago. Sejam quais forem os números verdadeiros, a mensagem continua a valer. Estamos diante de uma situação extremamente grave. E quem paga esta conta, direta ou indiretamente, é o consumidor final. Entra para o malfadado “custo Brasil”. É preciso explicar mais?
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