José Eduardo Camargo é editor dos Guias Quatro Rodas. Zé Edu escreve letras de músicas e acredita que a MPB não morreu, mas respira por aparelhos. Vez em quando usa suas experiências de viagem para compor. Quando em vez, acha que compor é a maior viagem.
Juntar os trens
Parece que agora vai. O governo federal deve lançar em outubro a licitação para a construção do trem-bala entre Rio e São Paulo, com uma ramificação até Campinas. Essa esticadinha interiorana seria providencial para os paulistanos. Não só aqueles que, por algum motivo alheio à vontade, acabam aportando em Viracopos. Mas também para os que querem fugir da metrópole num fim de semana. Campinas, na verdade, é subvalorizada como destino de lazer. Bons restaurantes, bons passeios e hotéis que custam mais barato nos fins de semana fazem da cidade uma opção, no mínimo, interessante. Quando houver o trem bala, você vai poder até fazer uma viagem no tempo: sair de São Paulo num vagão supermoderno, descer na cidade e tomar o passeio de maria-fumaça que vai até Jaguariúna. Enquanto isso não ocorre, dá pra aproveitar o que Campinas tem de bom pegando a melhor estrada do Brasil, segundo a avaliação do Guia Quatro Rodas: a rodovia dos Bandeirantes.
Para acompanhar o post de hoje, escolhi uma parceria com a compositora campineira Tatiana Rocha. Ela já prepara o seu terceiro CD. E o segundo, Tatiana Rocha Ao Vivo, é discografia obrigatória para quem quer conhecer o que de melhor se faz hoja na música brasileira. Nossa parceria (que também tem a participação de Sonekka), chamada Reencontro, foi gravada pela Tatiana com as cordas precisas e exuberantes de Ugo Castro Alves.
Reencontro (Zé Edu, Sonekka, Tatiana Rocha)
Você pra mim não é só um outro ser
É parte do que eu sou
Num outro corpo
Outra estrela, outra estrada, outro astral
Você pra mim não foi acontecer
Só por um acaso
Você veio antes
Certeza do pecado original
E a gente junto é tanto tempo antes
Passatempo eterno
Em que o futuro quer desacontecer, e desacontecer
Quer se enrolar no novelo do universo
E o futuro quer desacontecer, e desacontecer
E quando a gente é dente por dente
Quando eu te olho, olho no olho
Dá pra ver: a gente já se conhecia
Só faltava o reencontro