Fabio Steinberg passou a maior parte de sua vida profissional entre quatro paredes corporativas. Um dia descobriu o jornalismo. Depois, o jornalismo de viagens. E logo depois, o jornalismo de viagens de negócios. Mas ele gostou mesmo foi quando descobriu que pode viajar e ainda ser pago. Resultado: agora ele só pensa nisto, e até se tornou especialista no assunto.
Quem já foi a Bonito, no Mato Grosso do Sul sabe que apesar da precisão do nome, não consegue fazer justiça completa à beleza local. Pois além de abençoada pela natureza, a cidade teve a felicidade de contar com pioneirismo e visão empresarial que a tornou um dos melhores modelos brasileiros de turismo auto-sustentado. Não é para menos. Tem ótima hotelaria, atrações de qualidade seguras e bem operadas, uma população simpática e atenciosa, boa comida, serviço profissional, e o mais importante, preços justos que não caíram na tentação da ganância.
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Bonito teria tudo para dormir sobre os louros conquistados. Felizmente, não foi o que ocorreu. Ao observar que a cidade vive picos de visitação em função de férias e feriados, e a seguir fica com sua infra-estrutura ociosa, investidores inovadores e um governo inteligente se deram as mãos para iniciar um novo patamar, o do turismo de negócios. Meio na surdina, acaba de se formar um trio virtuoso que tem tudo para vencer: um hotel de categoria, um centro de convenções temático e atualizado tecnologicamente, e um aeroporto de padrão. Isto sem prejuízo das atrações existentes. E o mais importante, todos estes investimentos respeitaram construções que não batem de frente com o meio ambiente. Ao contrário, as construções se integram à natureza e valorizam a cultura da região, especialmente a indígena e dos boiadeiros. Ah, e do vizinho Pantanal, que poderá também se beneficiar deste esforço integrado. Quem são estes três heróis?
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Primeiro vem os hotéis de Bonito, aqui representados pelo resort Zagaia (www.zagaia.com.br), que além de serviços completos e alta qualidade, conta com a vocação hoteleira nata e simpatia autêntica de Guilherme Poli e seu irmão, administradores da propriedade da família. Originários do Paraná, onde o grupo mantém o bem sucedido resort Termas de Jurema, resolveram apostar também em Bonito. O resultado é um espaço privilegiado de 600 mil m2 com instalações inspiradas na arte dos índios kadiwéu. O próprio nome Zagaia, também logotipo do hotel, é uma homenagem à lança indígena que serve para caçar onças. Os 100 apartamentos, embora inspirados na simplicidade dos índios, felizmente contam com todo o conforto que a civilização moderna pode oferecer. Os dois restaurantes atendem ao modelo “me-engorda-que-eu-gosto”, que faze os hóspedes s comerem mais do que deveriam. Para expiar eventuais culpas, o hotel dispõe de uma infinidade de atividades, de piscinas a quadras de tênis. Mas se o sono vencer a culpa após a tal orgia gastronômica, há sempre “redários” – um conjunto de redes confortáveis estrategicamente instaladas sob as sombras. Mas faltavam duas pernas do tripé.
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Aí veio o Centro de Convenções de Bonito (www.bcvb.com.br) Com pouco mais de um ano de inauguração, já realizou cerca de 20 eventos e começa a atrair empresas de todo o país. O local, que recebeu investimentos de 4 milhões de dólares, é definido por seu entusiasmado diretor, Rodrigo Coinete, como “uma aldeia indígena do século 21”. Até que parece! A construção, que teve consultoria indígena e mão de obra local, combina aspectos temáticos, como os autênticos telhados de sapê, com modernos recursos. As instalações de 4 500 m2 em uma área total 50 mil m2, permitem receber até 1700 pessoas para eventos e convenções. Só ficou faltando então uma perna neste tripé.
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Pois a tal perna chegou. O aeroporto de Bonito (www.aeroportodebonito.com.br) é o grande catalisador que fará o milagre de encurtar distâncias. A estrada que hoje leva a Campo Grande, embora decente, consome preciosas três a quatro horas para travessia até o aeroporto que leva às grandes cidades brasileiras. Mas cadê dinheiro para concluir a obra estadual, que só deu para pagar a pista de pouso de 2 quilômetros? Pois o governo assinou a concessão do aeroporto, e transferiu a administração por 13 anos, renováveis por igual período, ao grupo pernambucano Dix Empreendimentos. Com um investimento de 2,5 milhões de dólares, o terminal de passageiros de 900 m2 está em fase adiantada de construção, e o equipamento de apoio está sendo adquirido. Quem conta, animado, sobre os planos do aeroporto é o diretor da empresa, Fred Siqueira. Apesar da exaustiva ponte terrestre-aérea Bonito – Recife, via Campo Grande, que realiza continuamente para garantir que o empreendimento esteja em funcionamento até outubro deste ano, ele está feliz.
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Entre empregados diretos e indiretos, o aeroporto vai gerar pelo menos uns 300 postos de trabalho. Mais que isto, ajudará a ocupar os 4.300 quartos de hotéis e movimentar estimados 240.000 passageiros por ano para Bonito e seus arredores, avalia Fred Siqueira. E viabilizará a realização de eventos de negócios ao longo do ano, trazendo movimento contínuo para a cidade. Mais uma vez, Bonito é um exemplo para o Brasil.